–Logo você vai descobrir. Quanto menos você souber de mim, melhor. Assim a gente evita qualquer envolvimento entre a gente.

–O quê? Não foi isso que eu perguntei! Eu perguntei quem é você?! Se não puder me responder essa pergunta agora, eu não vou aceitar que você more mais aqui.

Ela suspirou, a voz dele havia sido firme demais para que ela tivesse entendido qualquer outro tipo de sentimento. Apenas pousou suas mãos sobre o sofá para ajudá-la a se levantar e respondeu a ele com a voz branda:

–Obrigada por me deixar viver com você por esse tempo. Eu vou pegar as minhas coisas e vou embora hoje mesmo.

–Você se chama mesmo Taila Monteiro? Você é confiável? ...

–Sim — virou-se de costas para não olhar nos olhos dele. Aprendeu a fazer isso com Kim Tan. Sentia-se mais confortável para dizer o que estava sentindo se não visse a expressão da outra pessoa. — A culpa é toda minha, eu comecei isso e agora eu tenho que terminar, se você souber o que é, eu não vou poder garantir a sua segurança.

Ele levantou-se rapidamente do sofá com um olhar furioso. Caminhou com determinação até ela. Aproximou-se e puxou o seu braço de uma vez fazendo-a ficar de frente para ele.

–Olhe para mim enquanto você fala! Acho que você já deve ter tido essa conversa com o Kim Tan, será que devo perguntar a ele?

–O Kim Tan não sabe — ela puxou seu braço de volta violentamente para si, mas não conseguiu fazer com que ele soltasse. — Por que você está agindo assim? — ela sentia-se agoniada. — Eu só pedi um lugar para ficar por um tempo, eu não estou fazendo nada de errado e nem estou desobedecendo você. Eu só peço que você não me faça perguntas ou que tente me proteger de nada. Quanto menos contato nós tivermos um com o outro, melhor.

–Não acho isso justo. Você sabe coisas sobre mim, sabe quem eu fui, por que eu não posso ter esse direito? — gritou nervoso. A voz dele era grave e ríspida. Seu olhar parecia estar queimando por dentro. — Eu pensei que você fosse uma pessoa boa, uma garota que precisasse de mim...

–Choi Young Do! Eu não sou a Chan Eun Sang. O Kim Tan tentou me proteger, ele nem sequer chegou a conseguir impedir nenhum dos testes...

–Testes? O que é isso?

–Não é nada — ela abaixou o olhar e começou a respirar pesado. Havia dito algo que não devia.

–Me fala! — gritou.

–Não! — gritou mais alto ainda. — Se quer saber o que é, descubra sozinho. A única coisa que eu te peço é que não fale disso para o Kim Tan, por favor. Nunca mencione essa palavra.

–Testes? Que tipo de testes seriam esses?

–Me solta! Eu não vou embora, só vou para o meu quarto. E também não vou sair daqui, então, pode sair e voltar quando quiser. Vamos continuar nos tratando como desconhecidos e eu vou continuar sendo sua escrava.

A mão dele foi aos poucos amolecendo, e o olhar descendo para o chão. O dela percorreu a sala, para evitar o contato visual com ele. Quando ela preparou-se para dar os primeiros passos, ele começou:

–Eu não quero isso. Acabei de mudar de ideia. Não acho que será bom que isso continue. Junte as suas coisas e saia daqui, hoje mesmo!

Os passos dele foram mais rápidos e ele acabou deixando a sala primeiro, em direção a porta da frente. Ela apenas assistiu à partida dele, ainda parada, olhando em volta. Assim que a porta bateu, ela perdeu suas forças e se apoiou no corrimão da escada, sua respiração estava pesada e seu coração batia forte. As lágrimas começaram a cair como se fossem uma cachoeira. Estava cansada de viver sozinha. Não se importava em ser escrava dele somente para poder ter com quem morar. Sentia como se houvesse um nó na sua garganta e ela não conseguia desatá-lo. Nem sequer tomando muita água. Colocou mão no peito para poder controlar a dor que estava sentindo.

–Eu queria... — engasgou — eu queria poder te contar... mas eu não posso...

Ele foi a um café, o trabalho de meio-período de Chan Eun Sang. Assim que entrou, ele agiu como qualquer outro cliente. Continuava ignorando-a e tratando-a como uma desconhecida. Ela conseguia entender os motivos dele, mas ainda queria que fossem amigos mesmo depois de tudo.

–O que o senhor deseja?

–Um café.

–Só isso?

–Sim — ele estava sério, com o olhar distante. Às vezes parecia irritado, outras incomodado. Ela mesmo notando isso, preferiu continuar seu serviço e tratá-lo como somente mais um cliente que frequentava o lugar. Trouxe o café que ele pediu e resolveu voltar para os seus deveres. Quando percebeu que a mão dele, quente e firme estava segurando o seu pulso. — Será que você não pode sentar aqui só por um minuto?

Ela pretendia recusar o pedido, como sempre fizera, mas já se fazia muito tempo que ele sequer se aproximava dela. Percebeu que seria um bom momento para poderem conversar novamente. E sentou-se e erguendo o dedo indicador disse:

–Só por um minuto.

Ela sorriu. Ele também fez o mesmo, em seguida. Era muito raro ela sorrir para ele e aquele momento o machucou mais do que se ela houvesse o tratado mal.

–Você quer me dizer alguma coisa? — perguntou ela curiosa.

–Não! Só quero poder ficar perto de alguém que eu conheço.

–Você está vivendo sozinho, não é? Desde que o seu pai foi...

–Sim! — ele bebeu um pouco de seu café. — Às vezes, acho que eu devia pegar a primeira pessoa que eu encontrasse e levá-la para a minha casa.

–Você faria isso? Você levaria uma pessoa qualquer para a sua casa? — ele sorriu ironicamente, mas ainda sentia um pouco de graça.

–Não! Eu não sou uma pessoa caridosa. Eu gosto de tudo só para mim — ele lançou seu famoso olhar possessivo. Ela não sentiu-se ameaçada como antes. — Mas então... Como está indo seu namoro com o Kim Tan?

–Está...

–Chan Eun Sang! — gritou alguém com uma voz grave da entrada da frente. Choi Young Do, revirou os olhos, não era alguém que ele esperava. — O que você pensa que está fazendo, você está trabalhando ou paquerando os seus clientes?

–Kim Tan! — levantou-se de uma vez, quase derrubando a cadeira no chão. Estava irritada com a pergunta.

–O que vocês dois estão fazendo?

–Ah! — resmungou Choi Young Do levantando-se também e retirando cédulas de dinheiro do bolso. — Que irritante! Para onde eu vou encontro pessoas irritantes.

–Ei! — gritou Kim Tan. — Já que está achando ruim vai tomar café em outro lugar!

–Kim Tan! — gritou ela, cerrando os dentes.

–Ah! Acho que gora eu vou ficar aqui! — sentou-se novamente e tomou mais um pouco de café com um sorriso implicante.

–Faça o que quiser, só não incomode a Eun Sang.

Ele apenas tomou seu café encarando Kim Tan e sorrindo para ele, com a intenção de irritá-lo. Kim Tan permaneceu em pé ao lado da mesa de Choi Young Do, com as mãos no bolsos de sobretudo.

–O que é? — perguntou Kim Tan incomodado.

–O que é o quê? — retrucou mais incomodado ainda.

–Será que você não pode sentar em algum lugar? Você está me irritando.

–Ah — resmungou Kim Tan sentando-se à mesma de Choi Young Do. — Eu estou tão preocupado — murmurou com a intenção de não ser ouvido, mas não percebeu que o outro já havia feito isso.

–Com o quê?

–Com a Taila! A minha amiga estrangeira. Eu preciso descobrir de alguma forma aonde ela está morando.

–E por que você se importa com isso?

–Porque ela pode estar em perigo.

–Ah! Que irritante! Ela está indo para a escola e vocês se veem todos os dias. Deixa ela em paz!

–Você por acaso tem noção do que está acontecendo?

–Não! — ele sorriu.

Naquele momento entrou uma pessoa correndo no café e após levantar o olhar, ele reconheceu quem era. E acompanhou com os olhos os passos da pessoa que ia em direção ao balcão. Kim Tan ficou curioso e pretendia olhar também, mas acabou desviando o olhar, quando Choi Young Do continuou:

–Talvez você goste dela, por isso tanta preocupação.

Ele começou a rir indignado. E disse após parar de rir, ele apoiou-se sobre a mesa e suas mãos foram direto na gola da jaqueta de Young Do. E puxou-o para perto e encarou-o completamente furioso.

–Por que você não fica calado ao invés de ficar falando essas idiotices?

O celular de Kim Tan começou a tocar naquele instante. Ele permaneceu por um tempo, ainda encarando Choi Young Do que parecia estar se divertindo com a situação. Com um forte impulso ele soltou Choi Young Do e empurrou-o para trás. Fazendo ele bater as costas com força no encosto da cadeira. Sem parar de encará-lo, ele pegou o celular, levantou-se da cadeira e, olhou quem era. Viu que era seu irmão Won. Percebeu que aquilo podia ser importante, então foi atender à ligação do lado de fora do café.

Young Do levantou-se e foi em direção a moça que implorava incessantemente para falar com Chan Eun Sang. Assim que se aproximou dela, puxou seu braço de uma vez e disse com a voz grave:

–O que você está fazendo aqui desconhecida?

–Choi Young Do! — ela preparou-se para abraçá-lo, mas ele afastou-a na mesma hora. — O que você está fazendo aqui? Veio falar com a Chan Eun Sang?

–Não, eu só vim tomar um café. O que você quer aqui?

–Vim falar com a Chan Eun Sang. Eu não quero ir para um hotel, então eu vou pedir para ela pra mim...

–Pode ficar.

–O quê? — arregalou seus olhos espantada. Nunca havia visto uma pessoa mudar de ideia tão rápido.

–Pode continuar morando comigo mas você vai ter um castigo por ter me irritado. E Eu ainda vou precisar de uma escrava, então não posso desperdiçar a chance, não é mesmo? — ele encarou-a com os olhos apertados. Ao invés de sentir-se intimidada, com aquele olhar, ela abriu um sorriso de orelha a orelha, abriu os braços e os envolveu em volta da cintura dele e abraçou-o firme. Ele irritou-se com aquela situação. Todos ali poderiam pensar que eles eram íntimos. — Ei, me solta! — murmurou.

Ela fingiu não ouvir e continuou abraçando-o firme. Chan Eun Sang que estava nos fundos, voltava naquele instante para dentro, ao mesmo tempo em que a ligação de Kim Tan estava finalizando. Os dois estavam prontos para voltar para a entrada do café.

Assim que passou pela porta, avistou os dois abraçados e o sorriso feliz de Taila, enquanto ele parecia incomodado com aquele abraço. E após um murmúrio dele, ela o soltou e eles se recompuseram, e agiram como se nada tivesse acontecido.

–Taila! — chamou Kim Tan. Ela foi correndo abraçá-lo também. Chan Eun Sang foi quem havia os visto e resolveu parar um tempo para ligar os pontos do que estava acontecendo. Foi só nesse momento em que ela percebeu que Choi Young Do poderia ser o motoqueiro misterioso.

–O que você está fazendo aqui? — perguntou Taila a Kim Tan após abraçá-lo.

–Estou visitando a minha namorada. E você?

–Também estou aqui visitando a sua namorada.

Chan Eun Sang continuou observando-os. Percebeu que Choi Young Do saiu do café após encarar Kim Tan, como se quisesse matá-lo. Enquanto ele continuava conversando com Taila. Com um belo sorriso no rosto. E a única coisa que conseguia repetir na sua mente era:

–Eles realmente são bem próximos.

Estava no horário de lanche dos alunos. Taila já estava sentada à uma mesa sozinha lendo um livro, enquanto beliscava o pouco de comida que havia colocado em seu prato. Ela não sabia usar o hashi, então nem sequer pensava em pegar para comer e era a única ali que sempre estava com um garfo na mão.

–Olha só quem está aqui! — aquela voz enjoada novamente, pensou Taila irritada. Quando olhou para o lado, Rachel já estava lá, encarando-a com os braços cruzados. — A amante do Kim Tan veio para a Coreia atrás dele. — Taila riu sarcasticamente e encarou-a com superioridade. — Você agora mudou, não é? — falou ainda encarado Taila. — Agora você é a amante do Choi Young Do, ou melhor “a garota de sexta dele” — todos no refeitório começaram a cochichar, com o tal comentário. Choi Young Do permaneceu em seu lugar comendo seu almoço. Ele era o único que ainda estava comendo.

–E se fosse? — levantou-se apoiando as mãos sobre a mesa ainda com seu olhar superior. — O que você tem a ver com isso? Você não está afim de brigar por um mal entendido, não é?

–Mal entendido? Acha que eu não reconheço essa sua vozinha em qualquer lugar não?

–Então onde você estava no sábado de manhã? No mesmo lugar que você dormiu na sexta?

–Será que vocês duas podem ficar caladas? Eu estou tentando comer! — gritou Choi Young Do irritado.

–O que está acontecendo aqui? — perguntou Kim Tan se aproximando. — Você está incomodando a Taila de novo?

–Isso não te interessa! — disse Rachel nervosa.

–Claro que me interessa.

–Não! — Choi Young Do levantou-se, irritado por largar seu almoço. — Essa história me interessa — caminhou devagar até elas. E ao se aproximar pousou se braço sobre o ombro de Taila e puxou-a para perto de si e logo disse: — Por que você está com medo Taila, por que você não diz para todo mundo que você dormiu na minha casa sexta à noite?

Notas finais
Bom, espero que vocês estejam gostando da fanfic e das situações que a Taila arranja para ela a cada capitulo. Vejo vocês no proximo. Não esqueçam de comentar.