Notas iniciais
Cheguei gente, um dia de atraso é perdoavel, não é? Bom, mais um capitulo quentinho de consequências para vocês.

–Obrigado por vir — Taila se espantou com aquelas palavras. Tudo o que ela queria saber era quem estava feliz em vê-la.

Há um mês, Taila estava chegando à Coreia. Havia acabado de sair do avião, em que havia ficado horas. Estava cansada. Queria ver seu pai, já se fazia muito tempo que ela não o via e estava empolgada, ela queria acreditar que ele estava diferente e que por fim, eles teriam uma relação de pai e filha.

Os seguranças foram recebê-la no aeroporto. Pegaram suas malas, para levá-la ao hotel. Seu pai ainda não estava estabelecido na Coreia, estava também um hotel. E disse a Taila que planejava comprar uma casa em Seul. Eles a levariam também para um hotel, mas um hotel bem longe do dele.

Ela estava no estacionamento, os seguranças estavam colocando as malas dela no porta malas, quando o carro da frente estava se movendo para tomar o seu caminho. O carro estava dando ré, mas o carro não parou, continuou dando ré até acertar em cheio a parte da frente do carro de Taila. O homem ficou desesperado, o freio do carro havia parado de funcionar e ele não conseguiu parar o carro. O homem começou a se curvar incessantemente pedindo desculpas.

–Está tudo bem! — disse ela sorrindo. Taila estava sorrindo muito naqueles dias, e ela não fazia ideia do motivo.

–Eu vou pagar! — o homem tirou da carteira uma quantia de duzentos mil won (600 reais).

–Não se preocupe — ela balançou suas mãos afirmando que realmente não precisava.

De repente um rapaz alto, com os cabelos escuros, a pele bastante branca, magro dos olhos negros e os lábios carnudos, se aproximou do e falou um pouco exaltado:

–Pai o que você está fazendo? Nós precisamos do dinheiro...

–Eu bati no carro dessa moça, a culpa foi minha. Eu tenho que arcar com as consequências.

O rapaz respirou fundo, fechando levemente os olhos. Ele mesmo retirou sua carteira, do bolso empurrando a mão do pai para trás, enquanto Taila, continuava parada observando e seus seguranças entre ela.

–Eu pago pelo estrago. Eu tenho o dinheiro aqui.

–Não precisa! — ela continuou afirmando sem ser ouvida. O garoto estendeu o dinheiro para ela.

–Pegue.

–Não se preocupe com o estrago.

–Não estou fazendo isso por você, eu já percebi que você assoa o nariz com essa quantia que eu demoro tanto tempo para ganhar. Mas se eu não te pagar o meu pai me mata...

O senhor deu um tapa forte na cabeça do rapaz, que ele teve que se curvar, pois estava sentindo muita dor. Colocou a mão na cabeça e massageou para ver se a dor passava enquanto o pai gritava nervoso:

–Como você pode falar assim com uma menina bonita? Ainda mais uma estrangeira que acabou de chegar aqui, quer que ela pense que todo mundo é como você?

Ele levantou a cabeça de uma vez, segurando a raiva de seu pai. Taila sorriu no mesmo instante, conquistando o senhor, que disse em seguida a ela:

–Já que você não pode aceitar o nosso dinheiro... podemos pagar uma bebida para você?

–Pai... ela tem mais o que fazer...

–Claro! — ela sorriu radiantemente. O garoto olhou para ela e desviou seu olhar novamente, como se quisesse evitar o belo sorriso de Taila.

–Isso é ótimo! — disse o senhor animado, mas em seguida ele olhou no relógio e disse apressado: — Ah, eu não posso ficar agora. Soo Jong leve a moça para tomar um café, agora! — afirmou com ênfase.

Ele praticamente saiu correndo dali e acabou tropeçando no meio fio. O garoto respirou fundo, não parecia estar confortável com aquela situação, mas assim que o pai partiu com o carro, ele virou-se para ela com uma expressão mais leve e disse:

–Me desculpe por isso. Eu...

–Parem de pedir desculpas, isso está me irritando.

Ele sorriu pela primeira vez.

–Já que meu pai não está aqui, acho que eu devo levar você para tomar uma bebida.

–Está bem!

Ela fez questão de segurar no braço do rapaz. Os seguranças pensaram em impedi-la, mas resolveram apenas seguir para onde ela fosse. Eles não receberam ordem alguma de Roberto para levá-la direto para o hotel.

Os dois caminhavam devagar e os seguranças conservaram-se há dois metros de distância.

–Aonde devemos ir? — ele perguntou um pouco nervoso. Estava incomodado com o fato de ela segurar em seu braço, pois eles nem sequer se conheciam.

–Primeiro eu quero me livrar desses seguranças.

Ela avistou o sinal de pedestres, que faltava apenas alguns segundos para fechar, e a rua era longa. Um atropelamento ali naquela rua seria inevitável. Ela correu e puxou-o junto. Quando ele percebeu, já estava no meio da rua e os segundos estavam chegando ao fim. Ele não sabia se deveria voltar ou continuar, pois o caminho que eles percorreram era menor do que o que ainda teriam que percorrer, mas para isso, ele teria que soltar a mão dela e deixar que ela fosse sozinha em direção ao seu próprio suicídio. Os carros estavam começando a se aproximar em alta velocidade. Os passos deles eram longos, e ligeiros, mais do que eles mesmo poderiam imaginar. O rapaz acelerou seu passo e assim que o contador chegou ao zero, ele conseguiu chegar a calçada, puxando Taila junto consigo. Soltou-a na mesma hora e gritou:

–Você é maluca? No que você estava pensando?

Ela simplesmente saiu correndo novamente e entrou em um café ali perto. Ele foi atrás dela e encontrou-a abaixada debaixo de uma mesa, para que quando os seguranças passassem, eles não a vissem.

O garoto sentou-se à mesa. Estava irritado. Ela puxou-o para debaixo da mesa assim que os seguranças passaram. Depois que eles passaram, resolveram os dois sair de baixo da mesa. O garoto bateu a cabeça no tampo da mesa, pois era alto demais.

–Você é mesmo maluca! Você não podia simplesmente ter pedido para eles irem para casa?

–Eles não iriam. Eles receberam ordens para me seguir aonde eu fosse. E é a primeira vez que eu atravesso uma rua daquela forma.

–Você poderia ter se atropelada. E me atropelar junto.

–Eu sei, mas isso não aconteceu. E já faz dois anos que nada acontece na minha vida.

–Você é louca mesmo, mas... de onde você é?

–Do Brasil. Taila Monteiro, dezenove anos! — ela estendeu sua mão. Ele apertou-a, deixando a sua expressão séria um instante para trás.

–Park Soo Yong, dezoito anos.

–Você é mais novo que eu?

–Sim, e eu não pretendo falar formalmente com você. Você me deve isso por me jogar na frente daqueles carros.

Ela sorriu. Ele não conseguiu não sorrir de volta.

–Me desculpe te meter nisso, mas é que as vezes a gente tem que sair da nossa zona de conforto.

–Você pode até ter razão, mas não é fácil. Principalmente quando não se sabe quanto tempo de vida você tem...

–Quê?

–Não é nada — ele se levantou para buscar uma bebida para os dois. Taila ficou preocupada. Ela não sabia o que ele realmente queria dizer com aquilo.

Ele voltou em seguida com as bebidas nas mãos. Ele percebeu que o sorriso dela havia desaparecido e havia restado somente uma expressão séria no rosto dela.

–Algum problema?

–Não, nenhum — respondeu olhando para baixo. — É só que o que você me falou me trouxe algumas lembranças.

–É sério? Me desculpe — ele pegou o seu cappuccino e bebeu um pouco. — Você está morando aqui ou veio a turismo?

–Eu vim para estudar.

–É mesmo? Onde?

–No colégio Jeguk. Você conhece?

–Conheço. Colégio de filho de rico, metido a besta e que a maioria não passa de idiotas que precisam pagar porque não conseguem estudar. Eu já tive alguns problemas com alguns garotos de lá.

–O que aconteceu?

–Eu já fui um bolsista de lá, deve fazer uns quatro anos. Havia dois garotos que se diziam melhores amigos e a gangue deles que adorava atormentar a minha vida. Eu não suportava o abuso daqueles dois, então eu saí de lá. Eu soube que no mesmo ano entrou um garoto que eles ficaram até o ano passado destruindo a vida dele. Na verdade, acho que um deles foi para os Estados Unidos um tempo depois que eu saí, não tenho certeza.

–Espera! Um desses garotos se chamava Kim Tan?

–Você conhece essa pessoa? — o garoto arregalou seus olhos, ele não pode conter o ódio neles.

–Na verdade, ele é o garoto que eu amo.

–Ah! — ele não pode evitar a sua expressão de desprazer. — Quer dizer que você realmente conhece o Kim Tan? E você ainda gosta dele... você não sabe quanta pena eu sinto de você.

–Pena?! — ficou indignada. — Você sente pena de mim? Por quê? Por que eu gosto dele? Ele nunca me deu motivos para odiá-lo — um flash back de sua despedida com ele, voltou novamente a sua mente. — Não diga que sente pena de mim.

–Está bem. Eu não posso dizer o que você deve fazer, nem sequer nos conhecemos direito. Bom, eu tenho que ir agora — ele levantou-se bruscamente da cadeira, pronto para deixar o lugar, quando algo caiu do seu bolso. Era um papel dobrado, que caiu sobre a mesa. Ele seguiu seu caminho. Taila pensou em chama-lo de volta, mas preferiu olhar o que era primeiro, talvez não fosse importante.

Ela se assustou assim que abriu o papel, era um exame. Nele dizia que o rapaz teria apenas seis meses de vida se não fizesse uma cirurgia de urgência no coração. Ela entendeu naquele momento tudo o que aconteceu ali. Aquele garoto estava prestes a morrer por falta de dinheiro para pagar uma cirurgia enquanto ela e outros herdeiros gastavam com suas coisas fúteis e se gabavam disso.

Naquele momento a sua ficha caiu, ela não conseguia mais compreender o motivo de ainda aceitar passar por aqueles testes. Era apenas um desperdício de sua juventude, e só naquele momento ela percebeu que o tempo que ela estava perdendo, era precioso. Seu momento de reflexão foi rápido, mas ao mesmo tempo foi bastante intenso. A única coisa que ela conseguiu fazer foi pegar a sua bolsa, retirou uma caneta e escreveu no próprio papel do exame:

Vou deixar aqui para você uma chance de você poder seguir em frente e viver mais vários anos. Eu sei que você não gosta do Kim Tan, mas isso não te impede de aceitar a minha ajuda. A única coisa que eu peço é que quando você me veja, não sinta pena de mim, apenas agradeça por eu ainda estar viva. Eu farei o mesmo quando eu te ver.

Ela guardou dentro do exame, um cheque no valor de três milhões e seiscentos mil won (dez mil reais). Ela rezando para que ele pudesse voltar para buscar aquele papel antes que alguém o encontrasse primeiro.

Depois daquele, "obrigado por vir", Taila não sabia de quem esperar aquilo. A primeira pessoa que apareceu na sua mente foi:

–Choi... Young Do?

–Não! Park Soo Yong. Você não se lembra mais de mim? — ela não pode não arregalar seus olhos ao perceber que era ele. Soltou-se do abraço dele e virou-se de frente para ele apenas para vê-lo. Ele coçou a cabeça sem graça e falou: — Eu encontrei... o papel... e depois do que você escreveu... eu não tive a chance de recusar.

Ela sorriu radiantemente, como quase não estava sorrindo mais e abraçou-o no mesmo instante. Taila não entendia o motivo, mas ela se sentia tão confortável como aquele garoto, como se estivesse com Kim Tan.

Choi Young Do saiu do quarto de seu pai porque havia ouvido a voz de Taila no corredor. Ele não fazia ideia se ela ia ou não visitar seu pai, queria ter certeza de que era ela. No fundo, ele queria que ela o consolasse. Assim que saiu do quarto, ele a viu abraçada a outro garoto, sentiu raiva, uma raiva intensa como se pudesse arrebentar aquele rapaz de pancadas. Não entendeu o motivo, mas ele não conseguiu impedir seus punhos de se fecharem naquele instante. Sentiu como se seu sangue estivesse todo indo para a sua cabeça. Ele sabia que poderia estar sendo egoísta, mas ele queria que toda a atenção de Taila fosse sua.

–Eu fico feliz que você tenha aceitado.

Ele não conseguiu evitar o sorriso. Não imaginava que aquela garota que o levou para a frente da morte, poderia ser a pessoa que contribuiu para que sua vida pudesse ser salva.

O abraço dos dois foi interrompido bruscamente quando Choi Young Do puxou o garoto para trás e jogou-o contra a parede, segurando em seu colarinho, encarando-o frente a frente.

–Choi Young Do! O que você pensa que está fazendo? — ela tentou puxá-lo, mas era inútil. Os dois continuaram se encarando. Park Soo Yong sorriu de repente e falou:

–Choi Young Do! A quanto tempo que eu não te vejo. Vai me bater novamente? Faça isso. Eu já estou em um hospital mesmo...

–Você não passa de um covarde! — gritou Choi Young Do nervoso, soltando o garoto de uma vez, que se desequilibrou e caiu no chão. — Sempre foi fácil bater em você, Park Soo Yong, você praticamente pedia por isso. Mas eu não vou voltar a ser o que eu era, então, acho bom você se afastar da Taila.

–Choi Young Do! — ele segurou firme no pulso de Taila. Ela se assustou com aquela estranha reação e não conseguia entender o porquê de ele estar agindo assim.

–O que você vai fazer se eu me aproximar dela? Afinal, ela é a minha heroína.

–Eu te mato. Então, não me faça usar meus punhos novamente em você e faça o que eu estou mandando...

–Eu não tenho medo de você. E só tenho uma coisa para te dizer, eu acho que me apaixonei pela Taila — Park Soo Yong pegou firme no outro pulso de Taila. E os dois continuaram se encarando firme. Choi Young Do já havia vivido uma cena parecida com Chan Eun Sang antes. Ele não sabia se estava pronto para viver algo parecido novamente.

Notas finais
E quando eu disse quente, eu estava falando sério em... Park Soo Yong chegou chegando já em. Bom, comentem aí o que vocês acham dessa nova figura que apareceu aqui na nossa fanfic e o que vocês esperam dele e dessa reação do Choi Young Do. O que será que vai acontecer no capitulo 11. Vejo vocês lá