Consequências
26 A viagem esperada
Notas iniciais
Havia chegado o grande dia da viagem. Os professores orientadores estavam cuidando de seus alunos que chegavam aos poucos. O professor Min Kyung Jae, o professor orientador do segundo ano, estava completamente atrapalhado, estava preocupado com Park Soo Yong, que ainda não havia chegado e sempre lhe trazia problemas. Taila chegou junto ao seu pai que estava muito empolgado para a viagem, mas também estava bastante pálido. Ela estava cada vez mais preocupada. Se Roberto não voltasse a fazer o tratamento, ele poderia morrer.
Cada aluno havia recebido o número de sua cadeira na sua passagem de avião. O avião havia sido alugado somente para os alunos do colégio Jeguk. Eles estavam empolgados, pois mesmo sendo ricos, nunca haviam feito uma viagem para o exterior ao lado de seus amigos e a maioria não conhecia o Brasil.
Taila ia viajar ao lado de Park Soo Yong e Rachel. Choi Young Do ao lado de Yang Mi e Myung Soo, os dois iriam aproveitar para colocar os seus assuntos em dia, mas Choi Young Do percebeu que aqueles planos eram somente seus, já que seu amigo tinha uma queda pela sua hoobae e queria passar seu tempo com ela, enquanto ela estava chamando Choi Young Do o tempo todo e “Oppa” e segurando em seu braço como se eles fossem próximos. Ele estava se irritando.
Durante a viagem, Park Soo Yong estava sendo muito atencioso com Taila, sem cruzar a linha da amizade. Isso estava deixando Choi Young Do cada vez mais irritado, pois ele sabia que quanto mais atencioso ele fosse com Taila nesse momento, mais chances ele poderia ter de roubá-la dele. Ele queria arrancar Park Soo Yong de lá e se sentar ao lado de sua namorada, mas Yang Mi não largava de seu braço, mesmo quando ele fazia força puxando-o para si. E Myung Soo havia pedido para que ele ficasse para que a garota não fugisse dele.
A viagem foi longa, durou vinte e sete horas com a parada em Los Angeles para descansar durante uma noite. Eles chegaram ao Brasil estava de tarde. A viagem havia sido muito longa e os alunos ficariam um bom tempo para poderem aproveitar. Taila havia ficado muito preocupada durante a viagem, pois seu pai havia desmaiado duas vezes e ela temia que o pior pudesse acontecer, mas ele apenas dizia que havia acontecido pelo estresse do trabalho e por isso mesmo ele havia resolvido viajar com os alunos, para se distrair.
Os alunos foram orientados a ficar no hotel descansando da viagem, estava tarde, então eles não poderiam aproveitar praticamente nada do que eles queriam. Eles estranharam muitas coisas nos brasileiros, uma das coisas que mais lhes chamaram a atenção foram as demonstrações públicas de afeto, os lixos que a maioria joga no chão sem medo e o fato de os homens usarem sungas ao invés de shorts na praia, até mesmo as mulheres usarem biquínis tão pequenos. Mas as pessoas também comentavam bastante sobre tantos estudantes asiáticos chegando juntos ao Brasil.
No dia seguinte após o descanso dos alunos, todos acordaram cedo, estavam empolgados para irem conhecer a cidade. A maioria queria ir à praia, Kim Tan era um deles, estava morrendo de saudades de surfar. Taila estava dividindo o quarto com Yang Mi, Chan Eun Sang e Rachel, embora todos houvessem se recusado a dividir seus quartos, Roberto avisou que não pagaria por mais quartos e que já havia gastado o suficiente com uma simples viagem escolar.
Taila estava escolhendo um biquíni em sua mala, ela era a que estava mais empolgada para aproveitar a praia, de todas ali, ela havia passado mais tempo nas águas do mar e na areia da praia. Apenas as três estavam no quarto, Yang Mi estava no banheiro tomando um banho.
—Eu não sei se posso vestir isso — disse Chan Eun Sang olhando para um biquíni que Taila havia lhe dado de presente.
—Claro que pode — ela já estava com o seu em mãos para vestir. — Não precisa ficar com vergonha.
—Mas eu estou.
—Eu também ficaria por você — disse Rachel sorrindo torto e ficando séria em seguida. — Acho melhor você ficar aqui e dormir um pouco, o Brasil não é muito a sua cara.
—E nem a sua cara pálida — disse Taila, utilizando sua linguagem mais informal possível. Rachel até mesmo ficou confusa, não entendia o significado subtendido do trocadilho que é referente aos índios brasileiros. — E por falar em cara pálida, use muito filtro solar — ela colocou o seu filtro solar nas mãos de Chan Eun Sang. — Se você não quiser voltar como um camarão frito, e se ainda quiser ser branca assim.
Ela se virou para Rachel com um olhar amigável e disse com um sorriso escondido:
—Vamos esquecer nossa antipatia umas pelas outras pelo menos durante a viagem e sermos quatro grandes amigas.
—Vamos fazer isso — ela disse parecendo estar planejando algo. Ou até mesmo querendo disfarçar o fato de suas amigas terem se afastado dela. — Eu sempre quis saber o que o Kim Tan e o Choi Young Do podem ter visto em pessoas como vocês.
Taila cerrou seus dentes de raiva. Virou-se para Chan Eun Sang que lhe lançou de volta um olhar compreensivo. Yang Mi havia acabado de sair do banheiro, usando uma camiseta e um short bastante curto.
—Taila — começou ela, se sentando ao lado de Chan Eun Sang — será que você pode me apresentar o Rio de Janeiro?
—Faz muito tempo que eu não venho aqui e de qualquer forma você pode conhecer a cidade sem problemas sozinha.
—Isso é o tipo de coisa que uma monitora diz? — Inflou as bochechas, cruzando seus braços.
—Não sou sua monitora, sou monitora do Choi Young Do — ela sorriu, batendo o filtro solar em sua cabeça suavemente. — E dos outros alunos do terceiro ano, claro — Yang Mi lançou para Taila, um olhar de ódio. Ela não percebeu, a única que percebeu foi Rachel, que soltou uma leve gargalhada. — Vamos descer, Chan Eun Sang?
—Claro.
As duas desceram juntas, Taila estava mais empolgada que Chan Eun Sang. Ela não havia voltado ao Brasil por anos, e sempre amou mais a sua terra do que qualquer outra. Assim que chegaram ao Hall do hotel, elas encontraram alguns jovens bonitos que fizeram questão de cantá-las.
Quando chegaram ao restaurante do hotel, encontraram alguns de seus colegas já comendo. Dentre eles estavam Kim Tan e Choi Young Do, sentados e provando um pouco da comida brasileira. Entre eles havia uma cadeira, pois ambos não queriam se sentar lado a lado, mas eles sabiam que Taila iria fazê-los se sentar próximos, então eles decidiram lhes poupar o trabalho de mudar de lugar mais tarde.
Taila fez questão de se sentar entre os dois, tocando de leve no ombro de Kim Tan e dando um beijo no rosto de Choi Young Do, que ficou surpreso, mas assim que viu que havia sido a sua namorada, sorriu. Chan Eun Sang se sentou ao outro lado de Kim Tan.
—Isso sim é um café da manhã de verdade — disse ela, admirando a mesa farta. Ela se levantou da cadeira e avançou sobre o cesto de pães franceses, pegou um e o encostou em sua bochecha, quase como um suave abraço. — Como eu senti a sua falta pãozinho.
—O que é isso? — Perguntou Choi Young Do curioso. — Não me diga que esse é o pão de duas nacionalidades?
—Ele mesmo — ela continuou acariciando o pão.
—Como vocês conseguem comer isso no café da manhã? A gente deve comer coisas que nos deixam mais fortes — reclamou Choi Young Do. — Eu mal cheguei e já estou sentindo falta de comer kimchi.
—Nem parece que comia lámen toda manhã — comentou Chan Eun Sang pegando um pão francês de mordendo-o imediatamente.
—É isso que nós devemos comer no café da manhã, algo como lámen.
—Não começa — disse Taila, enciumada.
Taila rasgou um pedaço de seu pão e colocou na boca dele, para que ele parasse de falar. Kim Tan apenas os observou enquanto tomava um pouco de café. Ele nunca imaginou que os dois pudessem ser tão compatíveis um com o outro. Aquilo o deixou completamente feliz, percebeu que cuidar de Taila já havia deixado de ser sua obrigação há muito tempo.
Roberto se apresentou logo cedo com uma prancheta em suas mãos. Ele ficou em frente as mesas, como um professor que iria dar aula e começou dizendo com um sorriso e um tom de voz agradável.
—Bom dia alunos, espero que estejam confortáveis em seus quartos de hotel. Esse é um dos melhores hotéis do Brasil, então espero mesmo que estejam bastante confortáveis. Eu trouxe aqui a pedido da diretora, a lista de alunos monitores, que é enorme e os nomes dos alunos que serão monitorados. Não sei se vocês sabem, mas cada um de vocês irá ficar com uma quantidade pequena de colegas, então vamos começar... — após dizer o nome de vários alunos que haviam se inscrevido para serem monitores, ele chegou aos nomes que mais chamaram a atenção dos alunos. — Yoon Chan Young será monitor de Chan Eun Sang, Jang Yang Mi e Choi Young Do — Taila ficou irritada, pois havia pedido para que monitorasse a turma do terceiro ano apenas para ficar ao lado de Choi Young Do. — Taila Monteiro, minha filha como todos sabem, irá monitorar Kim Tan, Park Soo Yong e Jo Myung Soo...
Os alunos se dispersaram, não achariam graça conhecer a famosa “Cidade Maravilhosa” não estando ao lado de seus amigos para se divertir. A diretora entrou séria no restaurante e mandou que os alunos fizessem silêncio, assim que eles finalmente fizeram, ela começou:
—Eu pedi para que o professor Min Kyung Jae refizesse essa lista para mim, mas é apenas uma lista temporária. Como essa é a nossa primeira viagem para o exterior, precisamos nos adaptar ainda e eu não quero que acabe em bagunça e vocês se distraiam e se percam pela cidade. Então vamos fazer assim e amanhã a gente conversa de novo.
Taila e Choi Young Do se entreolharam desanimados. Ela bateu as suas mãos na mesa e disse recuperando seu ânimo:
—Young Do e Eun Sang estejam no calçadão hoje as quatro horas, vamos Kim Tan — ela o puxou pelo braço, praticamente o arrastando. Ele queimou a sua boca com o café.
Choi Young Do e Chan Eun Sang se entreolharam um pouco nervosos. Eles não se falavam a um longo tempo e não sabiam como agir agora que estavam namorando outras pessoas.
Os grupos escolhidos resolveram cooperar, mesmo que não estivessem completamente satisfeitos, eles ainda estavam na “Cidade Maravilhosa”. Taila e Kim Tan estavam se sentindo como se estivessem nos Estados Unidos novamente. Aquele ar maravilhoso, aquela praia, fazia com que eles revivessem todas as suas lembranças. Sempre que os dois pretendiam tirar alguma foto abraçados, Park Soo Yong e Myung Soo entravam no meio para atrapalhar. Isso fazia Taila se divertir ainda mais. E Kim Tan estava feliz ao vê-la sorrindo, mesmo que estivesse enciumado pensando no que Chan Eun Sang poderia estar fazendo ao lado de Choi Young Do.
Quando deu quatro da tarde, os professores liberaram para que todos os alunos pudessem se encontrar na praia para se divertirem. Os alunos não podiam não olhar para as mulheres brasileiras e seus biquínis pequenos. As garotas que estavam namorando ou apaixonadas estavam a ponto de cobrir os olhos deles com as suas mãos.
—Mal posso acreditar, eu senti tanto a sua falta! — Gritou Kim Tan indo em direção ao mar. Taila começou a rir, quando viu que Chan Eun Sang ficou irritada com a reação dele, por ignorá-la completamente durante a corrida.
—Vamos!
Taila pegou na mão de seu namorado e de sua nova amiga e puxou-os em direção ao mar. Vários de seus colegas estavam se deliciando na água. Muitas garotas estavam felizes por terem ido à praia mais tarde, mas mesmo assim ainda enchiam seu corpo de filtro solar para não ficarem bronzeadas.
Kim Tan estava rindo bastante de todos os seus amigos, inclusive, nem sequer estava se lembrando que ele e Choi Young Do ainda possuíam uma certa rivalidade. Mas mesmo em meio aos gritos pode ouvir alguém gritando seu nome. Resolveu deixar para lá, havia muito mais pessoas gritando seu nome do que ele imaginava.
Taila saiu da água ao lado de Choi Young Do. Ele segurou na mão dela e eles começaram a caminhar na praia. Taila pediu para eles irem comprar um sacolé para se refrescar do calor.
—Como foi visitar o Cristo Redentor ao lado da Chan Eun Sang? — Perguntou ela, sem indicar ciúmes pelo seu tom de voz.
—Teria sido mais divertido se eles não tivessem colocado aquela menina grudenta no meu grupo. Ela agora está me chamando de Oppa.
—Não acredito — disse ela finalmente se sentindo enciumada — que ela já está dando de cima do meu namorado.
—Não acredito que você sente mais ciúmes de uma garota como a Jang Ma Ni do que da Chan Eun Sang.
—Eu realmente não deveria ter ciúmes de uma garota que você nem sabe o nome — ela parou para ajeitar o cabelo dele, descendo-o para a sua testa. — Você realmente fica mais bonito assim. Mas eu não teria ciúmes da Chan Eun Sang de qualquer jeito.
—E por que não?
—Porque se ela me roubar você, eu roubo o Kim Tan dela...
—Ei! — Ele lhe deu um tapinha de leve na cabeça dela. — Você não tem vergonha de dizer esse tipo de coisa para o seu namorado? Você ainda gosta do Kim Tan?! — Ele alterou o tom fingindo estar bravo.
—Claro que não idiota, eu me apaixonei completamente por você. Mas agora quem está com ciúmes é você.
Ela saiu correndo gargalhando, ele foi correndo atrás dela, fingindo estar bravo, mas com um sorriso escondido que podia ser notado de longe. Assim que a alcançou, ele a segurou pelos dois braços e a puxou para perto dele, fazendo sua melhor pose de durão.
—Você vai mesmo agir dessa forma? Então eu devo punir você.
—Punir? Como?
O rosto dele se aproximou como um flash do dela, os lábios dele se encostaram aos dela com suavidade e se moviam lentamente em um beijo carinhoso. Assim que o beijo terminou, ele levantou sua cabeça sem soltar os braços dela.
—Ser punida não é tão ruim — ele apenas sorriu, tentando não olhar para algumas adolescentes de corpo esbelto e usando biquínis pequenos que passavam perto deles. — Não vai me soltar?
—Você vai fugir?
—Claro que não.
—Está bem.
Assim que ele a soltou, Taila viu alguém passando atrás dele. Era um surfista conversando com algumas pessoas em português. Ela poderia reconhecer aquela voz, mas sentiu-se estranha, pois a pessoa que ela conhecia não falava português. Assim que a o rapaz terminou a conversa com os seus amigos e se sentou na praia, observando Kim Tan, ela pode olhar melhor para ele. Choi Young Do estranhou e isso o deixou incomodado. Aquele rapaz tinha os cabelos curtos e loiros, seus olhos eram pequenos e azuis como água cristalina, seu porte físico era grande.
—O que você está fazendo? Por que está olhando para aquele cara? — Ela não lhe deu ouvidos apenas caminhou na direção do rapaz, deixando Choi Young Do realmente irritado.
—Jay? — Ela perguntou ao rapaz assim que se aproximou dele. Ele se levantou surpreso, seu queixo caiu e ele se levantou para ter certeza de que estava olhando para ela.
—Taila?!
—É você mesma?
Ela sorriu e o abraçou, praticamente pulando nos braços dele. O sangue de Choi Young Do ferveu, ele não sabia quem poderia ser aquele estranho, mas nem sequer pensou em mais nada. Apenas foi em direção a eles e arrancou a sua namorada dos braços dele e lhe deu um forte empurrão para trás.
—Young Do! — Ela gritou segurando o braço dele.
—Quem é esse cara?! — Gritou com um tom ríspido.
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