Consequências Daquela Noite
12 XI- Passio
Notas iniciais
Erza Pov
Gray rapidamente voltou para a guilda com suas malas para irmos, eu também já tinha preparado as minhas malas, sempre levava o que achava necessário, agora com um filho dentro de mim, carregava comigo algumas coisas a mais! Gray quando me viu com as malas fez uma cara de espanto, parecia que tinha visto um fantasma ou algo do tipo.
– Gray o que foi?
– Vamos passar no máximo uma semana, não tem necessidade de levar nem metade disso tudo que esta carregando não acha?
– O que? Por favor, eu só levo o necessário, alem do mais, eu estou grávida, tem coisas que sou obrigada a levar comigo.
– Tudo bem mais, não acha que é um pouco exagerado?
– Claro que não! Vamos logo antes que o trem parta e nós dois ficamos parados aqui.
Chegamos a estação e Gray fez questão de comprar a minha passagem também, como não estava afim de brigar com ele mais uma vez, preferi não falar nada.
Estávamos no trem em silencio, a missão era simples, apenas entregar mantimentos em uma vila perto na fronteira de Fiore, não entendi o porque que Gray insistiu em vir comigo, eu sei muito bem me cuidar sozinha, sempre soube, sei perfeitamente da condição em que me encontro, não colocaria a vida do meu filho em risco.
Mas também, ele poderia entender que eu queria me distrair, me sentir útil de alguma forma, também, tinha que me desculpar com ele, afinal, fui muito rude, disse aquilo apenas para ele me deixar sair, queria que ele confiasse em mim, tinha que me desculpar, não me arrependi de ter dormido com ele, ao contrario, graças a isso ganhei o maior presente que poderia ter, meu filho.
E também, ele não é só meu amigo, é o pai do meu filho, ele era sempre quem cuidava e cuida de mim ate hoje, olhei para ele que estava olhando pela janela do trem sem falar uma única palavra comigo, e com razão, não deveria ter dito aquilo tudo para ele, por mais que era difícil para mim mesma admitir, estava gostando do jeito que ele tentava me proteger de tudo e de todos, desde aquela noite, ou melhor, desde aquele primeiro beijo que compartilhamos quando estávamos bêbedos, meus sentimentos em relação a ele tem mudado, talvez seja também por estar gerando um filho dele dentro de mim, lembrei daquele dia em que ele se declarou para mim, disse que me amava, senti tanta sinceridade naqueles olhos, que quando dei por mim, senti uma enorme vontade de beijá-lo.
E tenho que admitir, beijar o Gray me passava tanto carinho e afeto, tanto amor, não tenho como comparar o que sinto quando beijo ele com qualquer outro cara, ate mesmo o próprio Jellal por quem eu jurava amor eterno. Respirei fundo e resolvi me desculpar agora que estamos sozinhos.
– Gray?
– Sim, o que foi Erza?
– Bem, eu, queria me desculpar por ter dito tudo aquilo para você!
– Não se preocupe, eu te entendo, alem do mais, você só me lembrou da verdade não é mesmo?
– Não, tudo aquilo que eu falei não era verdade.
– O que quer dizer?
– Não me arrependi de ter dormido com você, pelo contrario, graças a isso agora tenho o melhor presente que eu poderia ganhar o nosso filho, e me desculpe por ter dito que você não era nada meu, você é o pai do meu filho, me melhor amigo, obrigada por sempre me proteger.
– Esta tudo bem Erza, não precisa se preocupar com isso.
– Se eu não preciso me preocupar com isso melhora essa cara! Só porque você é lindo não quer dizer que precise ficar de cara feia!- Caramba não acredito que eu disse isso em voz alta! Tenho certeza que meu rosto ficou da cor do meu cabelo! Que droga!
– Espera, você me chamou de lindo? Serio isso?
– Bem é que que... não me faz repetir Fullbuster! Você entendeu perfeitamente o que eu disse!
– Eu entendi, mais só te desculpo se você falar de novo!
– Só pode estar brincando não é? – Estava ficando muito animadinho pra quem agora pouco estava com bravo comigo.
– Claro que não! Adorei saber que você acha isso! E ver seu rosto vermelho é impagável!
Aquilo já era demais, já bastava eu ter cometido a idiotice de ter falado isso alto, agora ele fica gozando com a minha cara e me pede para mim repetir! Me irritei e fui em direção e ele pronta para tirar aquele sorriso idiota da cara dele, estava com tanta raiva que acabei tropeçando e caindo em cima dele que me segurou pela cintura impedindo que eu me machucasse.
Ficamos em silencio, sinceramente, ate hoje não entendo porque me sinto tão frágil quando olhos nos olhos dele, e na verdade, nunca tinha visto olhos tão lindos quantos os dele, eram de um azul tão intenso, por mais que eu tentasse negar, sempre achei Gray um garoto muito bonito, seus olhos faziam uma combinação perfeita com seus cabelos tão negros, sua pele branquinha, ate aquela cicatriz em sua testa mostrava o quão forte ele era quando seus amigos precisavam dele.
E desde aquele dia, passei a olhar para ele de outro jeito, meu coração parecia que iria a qualquer momento sair para fora, parecia que varias borboletas estavam em meu estomago. Senti sua respiração em minha pele, estava completamente perdida o olhando, não estava raciocinado direito, o que estava acontecendo comigo? Era mesmo o que eu estava pensando? Estava me apaixonando por ele? Pelo Gray? Senti seu lábios roçarem nos meus fazendo um arrepio percorrer por toda a minha pele, tinha que admitir, eu queria aquilo, e queria muito. Estávamos quase nos beijamos quando o motorista anuncia que faríamos uma parada de uma hora, para depois voltarmos ao nosso destino.
Com isso nos separamos bruscamente, vi que Gray ficou todo atrapalhado e vermelho.
– Bom, acho melhor nós sairmos e comermos alguma coisa não é? Você deve estar com fome, ainda temos uma longa viagem pela frente.
– Claro, vamos sim, você tem razão, estou com fome.
Seguimos o caminho em um silencio constrangedor depois do ocorrido, Gray estava distraído procurando alguma lanchonete ou algo do tipo, queria mostrar para ele que estava realmente arrependida por ter dito aquilo para ele, queria mostrar para ele o quão importante ele estava se tornando em minha vida, lentamente encostei em sua mão, para logo depois entrelaçar nossos dedos.
Demorou, mas quando ele percebeu parou bruscamente me olhando incrédulo com o meu ato, notei que ele tinha ficado feliz com aquilo, sorri o mais sincero que pude para ele, ele olho nossas mãos juntas e apertou sua mão com a minha, sorriu para mim e voltamos a procurar uma lanchonete, não dizíamos nada o caminho inteiro, apenas dois bobos sorrindo feito crianças pelo simples fato de estarmos de mão dadas.
Gray me passava tanto carinho e confiança, é, eu tenho que admitir, estou me apaixonando por ele, pensei que eu realmente era apaixonada pelo Jellal, mais agora mais do que nunca percebo que confundi as coisas, agora sim, eu realmente estava me apaixonado pelo Gray, embora se alguém me perguntasse, talvez ainda negaria com todas as minhas forças.
Acabamos achando uma lanchonete simples mais bem arrumada, entramos e meus olhos brilharam com todos aqueles bolos, estava em uma difícil decisão sobre qual eu comeria ate que Gray me interrompe.
– Serio? Vai comer bolo?
– Sim, qual o problema nisso?
– Todos! Erza você precisa se alimentar direito, precisa levar uma vida mais saudável não acha?
– Mais bolos são saudáveis! E deliciosos!
– Por favor, nosso filho vai nascer obeso!
– Não exagera! Não vou parar de comer bolo!
– Não estou dizendo para parar, e sim para se controlar.
– Estávamos tão bem a poucos minutos, não quero começar outra discussão.
– Tudo bem, você tem razão, mais pensa com calma, tenta se alimentar melhor.
Tudo bem, tenho que admitir que ele esta certo, tenho uma vida crescendo dentro de mim, tenho que me alimentar melhor, meu filho precisa crescer com saúde, acabei optando por um sanduíche, mais não deixei de comprar um belo pedaço de bolo de morango, a viagem ainda estava na metade, iria demorar muito para eu poder comer outra vez então, tenho que me garantir.
Estava concentrada no meu bolo quando vejo Gray me olhando com os olhos brilhando.
– O que foi?
– Você! – Disse ele com a maior calma o mundo.
– Eu o que?
– É linda! A mulher mais linda do mundo!
Tenho certeza que fiquei vermelha, desviei o olhar tentando me concentrar no meu bolo.
– Obrigada, mais só porque eu disse o que eu penso sobre você não precisa ser gentil comigo.
– Não estou sendo gentil, estou sendo sincero, sabe perfeitamente o que eu sinto por você!
Meu coração quase saiu pela boca quando ele disse aquilo.
– Sei que não sente o mesmo, não se preocupe, eu entendo.
– Não é isso, é que eu.
– Você o que? O que foi?
– Só me da um tempo, as coisas estão acontecendo rápido demais.
– Tudo bem, não se preocupe, vou estar sempre com você, esperando ate que ponha seus pensamentos em ordem.
Voltamos para o trem novamente de mãos dadas, dessa vez foi Gray quem pegou a minha mão, as pessoas na rua nos olhavam, algumas ate cochichavam coisas como: — Que casal bonito ou ate coisas como – Vai la bonitão, pega ela de jeito! O que me deixou vermelha.
Fomos o resto do caminho em um silencio confortável, as vezes Gray me perguntava coisas como se eu ainda não tinha sentido o bebe chutar, tive que rir e explicar para ele que estava muito cedo para essas coisas, e que ainda faltaria muito para isso, me perguntou se iríamos mesmo esperar ate o nascimento para saber o sexo, pelo visto ele estava ansioso para saber o sexo do bebe.
Mas para mim tanto faz, desde que tenha saúde eu ficaria feliz, não me contive e perguntei se ele tinha preferência sobre o sexo do nosso filho, ele passou as mãos sobre a nuca e tentou negar, falando que para ele também era indiferente, mas estava visível que não, depois de muito insistir ele admitiu, disse que preferiria uma menina, de preferência com a mesma cor de cabelo do que a minha.
Achei aquilo muito fofo, fiquei feliz ao saber que ele gostava do meu cabelo, mas ao mesmo tempo um pouco preocupada, e se fosse um menino? Como ele reagiria?
Ele viu minha preocupação e me tranquilizou, não era porque ele tinha uma preferência que não amaria nosso filho se fosse um menino também. Acabamos passando o resto da viagem conversando sobre esse ser tão pequeno que estava se formando dentro de mim, que agora nós dois amávamos incondicionalmente, bem que dizem que só sendo mãe para saber o quão grande é o amor por um filho.
Quando chegamos na vila, nos identificamos como magos da Fairy Tail e o senhor da vila nos deixou entrar com os mantimentos, era só entregarmos e irmos embora, mais havia algo de muito estranho naquele lugar, as ruas estavam vazias, as casas humildes com as postas fechadas, quando dei por mim um grupo de bandidos estavam se aproximando de nós, Gray por um impulso me colocou atrás dele.
Eles vieram em nossa direção e gritando para que déssemos o que trouxemos para eles, do contrario, iriam machucar as pessoas que moravam naquela vila. Não teria jeito, teríamos que proteger aquelas pessoas, ao meu ver, não seria nada complicado, pois eles não eram magos e tampouco tinham algum tipo de arma de fogo, mas poderia estar enganado.
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