Consequências Daquela Noite
11 X-Goodbye
Notas iniciais
Narrador POV
Ao longo do caminho, Erza chorava e se culpava por não ter salvado Jellal no passado cada vez mais. Gray, por mais paciência que tivesse com ela, já estava com a cabeça cheia de tanta reclamação. Embora entendesse seus motivos, ele não via motivo para ela estar tão nervosa daquele jeito. Ela, na opinião dele, estava totalmente louca e descontrolada, e olha que ele nem era de falar mal dela, mas tinha que ser sincero, ver ela chorar por outro daquela maneira já o tinha deixado triste, mas agora estava irritado.
Depois de alguns minutos depois ele percebeu que o choro alto e as reclamações cessaram. Erza estava mesmo uma montanha-russa de emoções, e seria assim pelos próximos nove meses. Ele percebeu que ela estava com os olhos fechados, mas algumas poucas lágrimas ainda escorriam de seus olhos. Gray acabou se sentindo mal por ter pensado tudo aquilo dela, e a acolheu num abraço como havia feito várias vezes na longa viajem que já estava durando quatro horas. Ainda faltava mais uma para chegar em Crocus.
Com o cafuné de leve que Gray fazia, Erza foi acalmando aos poucos para depois conseguiu relaxar e dormir o resto da viagem. Depois de chegarem e se instalarem num hotel humilde eles foram se preparar para o enterro. Tomaram um banho rápido e se vestiram com formais roupas pretas,já que seria um enterro do . Gray usava um terno alinhado preto fosco com uma camisa branca e a gravata também preta. Já Erza usava umMofuku, uma típica roupa de funeral. Obviamente era preto, e ela também usava sandálias, só que eram de um bonito tom de bege. Seus cabelos estavam presos num coque bem feito e ela também usava um colar de pérolas.
Se encaminharam até o prédio do conselho onde seria realizada a cerimônia. Eles foram encaminhados a um salão onde o caixão branco e de madeira estava. Ele se encontrava aberto, para quem quisesse se despedir dele. Ninguém chegava perto, todos sabiam o que ele havia feito, e Erza, cada vez que chegava mais perto das pessoas e do caixão, ouvia coisas como:
–Aquele era o homem que fez a torre do Paraíso!
–Ele fez o terror entre os seus escravos!
–Foi ele o tirano cruel que raptou velhos e crianças para construir o Sistema-R!
–Ele era um maldito, nem deveria estar aqui!
–É mesmo, devia ter o corpo enterrado num lugar qualquer.
–Não, ele poderia ser queimado!
Erza já não aguentava mais, virou com raiva na direção onde ouvira a ultima frase, mas todos haviam se calado. Virou em direção ao caixão, que agora era fechado por dois jovens. Ao lado deles, o presidente do Conselho da Magia se preparava para falar. Ao contrário de todos as outras pessoa presentes no grande salão, ele usava roupas brancas. Um terno totalmente branco, que, na opinião de Erza, o deixava mais feio e velho do que ele era. Para ela, aquilo era uma afronta a Jellal. Todos que estavam ali não gostavam dele. E quando se vestia branco, era para honrar a pessoa morta, mas aquele não era o caso.Todos tinham um motivo de presença, quem tivessestatusestaria ali. Ela foi convidada apenas por ser a namorada dele, seu ultimo laço feito ainda em vida. E Gray estava apenas de acompanhante
Várias pessoas se encontravam lá. Pessoas importantes, os dois notaram. Diplomatas de outros reinos, todos os membros do conselho, pessoa da elite de toda Fiore e quase todos do exército estava lá. Mas o que mais chamou a atenção dos dois foi a presença da princesa. Ela estava ela usava um vestido preto com mangas longas. Era longo, e tinha uma pequena cauda que arrastava pelo chão. Seus cabelos, assim como os de Erza, estavam presos num coque bem apertado. De fato, o enterro de um ex-membro do conselho que ainda por cima foi um criminoso não era coisa para o rei. Apenas uma boa representação do reino e estava bom demais assim.
Erza já não tinha lágrimas nos olhos, mas sim raiva. Mais do que antes. Eles não sabiam da verdade, não sabiam que ele estava sendo controlado o tempo todo! Ela tinha vontade de vomitar as palavras na cara de todos aquele que estavam com a cara debochada e que estavam com um sorriso no rosto por causa da morte de Jellal.
Acabou se segurando, não poderia arrumar encrenca com o conselho, não mais do que a que já tinha arrumado com a Fairy Tail. E ela iria respeitar aquele momento apenas por ele, apenas para ele ser velado em paz e sem nenhum clima ruim.
Mas como ela andava num misto de emoções ela quase se descontrolou quando o presidente do conselho começou a falar:
–Boa tarde! Hoje nos reunimos não para uma simples convocação mas sim para o velório doo homem que um dia nós chamamos de colega, Jellal Fernandes!- Foi-se ouvido algumas vaias, mas Erza continuava a olhar o homem a sua frente, como se tudo fosse culpa dele. Ele continuou:
–Claro, que depois de tudo que ele nos fez não poderíamos mais chama-lo assim! Ele infringiu várias leis, além de nos fazer acatar uma medida drástica para ajudar a si próprio! Ele nos fez disparar o Etherion! E nós não deixamos barato! Embora tenha demorado, Jellal foi preso de acordo com sua pena, mas juntamente com outras criminosas que estavam livres, ele conseguiu fugir. Ele era uma mago com força sem igual sem dúvida alguma, mas isso não o deixa mais correto, ele foi um tirano e também um...
–É mentira, o Jellal, ele...- Erza gritou da multidão que estava ao redor do caixão, mas parou quando sentiu uma mão no seu ombro. Foi ai que percebeu o que realmente tinha feito e se encolheu de imediato. Gray puxou ela mais para o meio, até saírem do campo de vista do homem.
–Erza, por que você fez aquilo?
–Desculpe, mas não aguentava mais ver ele falar dele daquela maneira. Foi por puro instinto.
–Eu sei. Jellal lá no fundo era um bom homem.
–É, ele era...-Ficaram um pouco em silêncio, até que Gray o quebrou:
–Bom, você vai querer voltar para lá agora?
–Não, agora não. Deixa aquele idiota terminar o ''discurso'' dele.-Ela fez as aspas com as mãos.
–Então que tal dar um volta para tomar um ar, acho que vai te fazer bem.
–É, boa ideia.
Eles ficaram caminhando por os vários corredores abertos daquele grande prédio. E depois de Erza ter se acalmado totalmente eles voltaram para o salão, que para o desespero dos dois estava parcialmente vazio. A grande massa de pessoas estava num fila, metade para fora e metade para dentro. Gray e Erza acharam outra saída e viram que o caixão estava sendo colocado num carro grande e preto. Os dois saíram as pressas atrás do carro que alugaram e foram para olugar onde o corpo seria cremado. Todos os que um dia fizeram parte do conselho tinham de ser cremados, era um regra.
Foram um dos primeiros a chegar e como não havia parentes conhecidos de Jellal o primeiro lugar da primeira fila pertencia a ela. Aos poucos todos os outros presente no salão foram chegando e ocupando as cadeiras. Um pequeno burburinho começava, mas eram todos discretos e procuravam falar baixo.
Logo o monge que iria fazer o ritual chegou. Ele era um velhinho baixinho que vestia um kimono preto acinzentado. Ele tinha cara de ser simpático, mas estava bem sério e olhava para o caixão fechado com uma expressão triste.
Ele realizou o ritual e ditou várias palavras, as quais Erza não escutava devido por estar olhando fixamente para o caixão fechado. Tantas coisas havia passado com ele, boas e ruins. Durante muito tempo ele foi o dono de seu coração, e durante muito tempo ele lhe tirou o sono e lhe deixou angustiada, mas também feliz. Era somente ele que conseguia despertar tudo de bom e de ruim ao mesmo nela. Antes, só ele tinha poder para fazer a Titânia abaixar a cabeça para ele. Ele era o tudo dela, era seu mundo completo.
Mas ela descobrira a pouca tempo que ele fez parte do seu passado, e agora era Gray que fazia parte de seu presente e também faria parte de seu futuro. Ele também estava conseguindo fazer ela sentir algo mais forte. Ele ainda não havia ultrapassado Jellal, ninguém nunca vai tomar o lugar que ele tem em seu coração. Mas Gray aos poucos estava se tornando também especial.
Enquanto o monge falava, Erza fazia sua própria oração para ele. Aquele que um dia foi tão especial e querido e ao mesmo tempo odiado por ela. Ela jamais o esqueceria, disso tinha certeza. Ele sempre estaria lá quando lembrasse de sua sofrida infância. Ele poderia já não mais ser o homem de sua vida como sempre foi, ele hoje já não era o homem que ela amava. Outro estava tomando esse lugar.
O monge terminou o ritual e o caixão foi aberto novamente. Ele pediu para que cada um se curvasse diante do caixão e fizesse uma oração breve. Erza foi a primeira e a mais demorada. Seguida depois de Gray e o presidente do conselho. Eles esperaram todos terminarem para o corpo ser cremado.
Você fez tanta coisa e veja só como acabou. Só vai virar pó.Pensou Erza.
Depois de todos acabarem o caixão foi fechado. Alguns preparativos foram feitos e depois, um jovem que trabalhava no crematório acionou a fornalha.É, esse foi o seu fim Jellal.Ela pensou enquanto via a cena.
Logo depois todos os outros se reuniram para um almoço. Erza estava enjoada, e dessa vez não era pela gravidez, era por aquelas pessoa serem tãonojentasaquele ponto de ter acabado de ver uma pessoa sendo cremada e conseguirem comer.
Eles não ficaram, seguiram para o hotel. Precisavam descansar, a viagem de volta a Magnólia seria longa e cansativa no dia seguinte.
–----
–E então, como foi lá?- Gray e Erza já haviam retornado e estavam conversando com o mestre.
– Não foi agradável, mestre.- Erza falou olhando para o chão.
–Entendo, Erza, eu sei de tudo sobre Jellal, eu sei o que realmente aconteceu, mas você entende o mal que seria contar a eles a verdade? Seríamos considerados cumplicies e seríamos todos presos.
–Eu sei, mestre.
–Ótimo. Por que os dois não tiram o dia para descansar e relaxar, sei que estão cansados. Vão para casa, não precisam masi voltar para a guilda hoje.
–Obrigado mestre.- Gray falou.
–Obrigada.
E assim deixaram a sala do mestre e resolveram seguir seu conselho. Cada um foi pra sua casa descansar.
–----
Já no outro dia, Erza se encontrava melhor. Estava descansada e a sensação de Jellal estar em um lugar bom a fazia ficar bem.
Mas ainda não estava completamente recurada, relembrar que nunca mais o veria ainda machucava e ela estava queria ficar bem de vez. Aquila tristeza que ela vem sentindo poderia acabar fazendo mal ao bebê.
Sem Gray saber, resolveu sozinha que iria pegar um missão para resolver. Com certeza ela iria se distrair um pouco e um pouco de ação faria bem a ela. Afinal, já fazia muito tempo mesmo desde que pegara a última missão.
Estava em frente ao quadro das missões enquanto olhava por algumas que realmente valessem a pena fazer e não fosse tão perigosas ou exigissem luta. Também olhava para os lados e para a entrada da guilda de vez em quando, para se certificar que não teria que se explicar para Gray. Não que estivesse com medo, estava apenas evitando maus maiores. É, era isso.
–Ahh, achei!
Ela pegou o papel meio amarelado bem contente.Até que enfim! Uma missão perfeita para uma pessoa como eu fazer. Embora o pagamento não seja lá essas coisas.
Estava indo falar com Mira quando Gray chegou. Ela nem o notou, mas ele viu o papel da missão em suas mãos e foi correndo em sua direção.
–Mira, eu pretendo fazer essa missão aqui, você poderia...
–Erza, o que você ta fazendo?
–Ã, Gray? Ah, olha, eu to pegando uma missão, ora essa. E dessa vez você não vai me impedir.-Ela fez um bico, mostrando que estava descontente.
–Hehe, dá licença Mira?- Ele riu forçado para ela e puxou Erza pelo braço.
–Você ficou louca de vez ou ta começando?
–O único louco aqui é você! Será que você não entende que eu preciso sair dessa cidade? Que eu não consigo viver presa? Isso não faz bem pra ninguém Gray, e eu já fiquei muito tempo aprisionada numa torre pra poder ficar aprisionada na minha própria cidade. Eu vou fazer essa missão sim!
–Erza...
–Olha Gray, você ta achando que manda em mim mas as coisas não funcionam assim. Sempre fui dona do meu nariz, e apesar de estar grávida de você, você não tem o direito de mandar em mim. Você não é meu pai, nem nada meu, é só um amigo.-Aquilo fora uma facada em seu peito.- E quer saber? Desde de que você tem tido esses ataques eu comecei a me arrepender de ter te contado. Só te contei porque achei que precisava saber, e também pra o meu filho não crescer sem um pai. Mas quer saber o que eu to sentindo agora? De verdade? O maior arrependimento de ter dormido com você.- Dito isso, ela foi novamente em direção ao balcão onde Mira estava, deixando para trás um Gray de boca aberta e magoado. Mas aquilo não poderia ficar assim. Ah, não mesmo.
–Que você se arrependa ou não,eu vou nessa missão com você. E não adianta falar nada, eu vou. Mas não se preocupe, não pretendo te atrapalhar mais. Mira, por favor, coloque meu nome também.
Erza ficou com a boca num perfeito ''O'', mas acabou deixando. Ela era teimosa, mas quando ele ficava daquele jeito não tinha quem segurasse. E achou até bom. Ela não se arrependeu de ter dormido com ele, disse aquilo apenas por impulso. Se desculparia com ele mais tarde,durante o caminho.
–Vou preparar minhas malas. Partimos daqui a duas horas.
E mesmo depois de tudo o que ela disse, ele continuava mandando nela. Mas ela estava adorando obedecer, mesmo que não admitisse pra ninguém.
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