Consequências Daquela Noite

24 Capítulo XXIII- Quando as Coisas Tomam Rumo


Notas iniciais
E estamos aqui com mais um capítulo, dessa vez com uma parte muito especial da história. Espero que gostem, boa leitura.

Capítulo XXIII- Quando as Coisas Tomam Rumo

Quando Gray apareceu na recepção, já com suas roupas normais, todos da guilda correram até ele. Natsu gritava com ele, Makarov tentava chamar sua atenção, Mira tentava fazer ele sentar, Lucy havia ido pegar água e o resto do pessoal estava ao redor dele, esperando que ele falasse algo.

Ele até tentava dizer algo, mas a voz embargada pelas lágrimas que lhe tomavam o rosto fazia tudo o que ele falasse sair confuso demais para entender. Só quando Lucy chegou com a água e ele tomou foi que ele conseguiu dizer:

—É uma menina! É uma menina! Como eu falei que seria! É uma menina ruiva! — Gray agora ria e chorava ao mesmo tempo. Todos acabaram por festejar ali mesmo. A recepcionista já havia desistido de tentar parar todas aquelas pessoas. Natsu estava eufórico e queria ver a bebê, mas Lucy o segurava com todas as forças. Gray, um pouco melhor da emoção, logo explicou como seriam as coisas:

—Como ela nasceu antes do tempo certo, vai precisar ficar internada. Mas o médico garantiu que ela não tem nenhum problema maior, ela é completamente saudável, apenas precisa ficar um tempo para observação.

A guilda inteira murchou. Todos queriam ver a filha de Gray e Erza, mas no momento não seria possível.

Como Erza ainda iria para o quarto, a maioria foi embora, já que as visitas só seriam permitidas dali a uma hora. Deram os parabéns a Gray e prometeram voltar no dia seguinte. Apenas Lucy, Natsu e o mestre restaram quando finalmente todo puderam ver a ruiva. Como ela passava bem, foi permitido que os quatro entrassem no quarto. E para a surpresa de todos, a bebê estava lá, sendo amamentada. Gray, esquendo-se de todos, correu até a maca, tendo todo o cuidado do mundo para não encostar na criança. Erza riu do receio do rapaz, e quando ela terminou de mamar a ruiva passou a menina para ele.

—Mas Erza, tem certeza? Eu não sei pegar, não tenho esse jeito que você tem sabe? Tenho medo...

—Medo Gray? De que? Ela é apenas uma bebê pequenininha, ela não bota medo em ninguém.- Erza olhou com carinho para o pequeno ''embrulho'' nos braços. A pequena ruivinha estava enrolada em cobertas cor de rosa com o nome do hospital.

—Mas ela é tão pequena, parece tão frágil... E se eu a machucar?

—Bom, você não vai ter muitas chances de pegar nela, a enfermeira já vem busca-la, e a previsão é ela ficar aqui duas semanas, então devia aproveitar.

—Tudo bem.- Foi lavar as mãos e mesmo com medo, ele acabou pegando a filha. De fato, agora entendia o porque de Erza está tão feliz quando ele chegou. Mesmo sendo uma coisa tão simples, era realmente emocionante. Ele já mostrava sinais de querer ir as lágrimas de novo, quando a enfermeira abriu a porta e cumprimentou a todos.

—Boa noite. Bom, já que o pai e alguns acompanhantes estão aqui, preciso relembrar os cuidados: não se pode pegar na criança sem higienizar completamente as mãos, braços, rosto e pescoço. E os ombros também, caso estejam a mostra. Deve-se colocar uma toalha limpa para que a criança apoie a cabeça em você. É proibido fumar na sala e deve-se evitar ficar perto dela caso esteja com gripe, febre, tossindo ou algum problema de saúde contagioso. Entendido?

—Eh? Por que temos que seguir todas essas regras? Todo mundo aqui toma banho!- Natsu, que estava contrariado, falou.

—Eu imagino que sim, senhor. Mas a menina nasceu com apenas 33 semanas, portanto, é mais suscetível a doenças, já que sua imunidade é mais baixa. Então é crucial que sigam o que eu disse, caso contrário ela poderá ter alguma complicação. O período de visitas acaba em meia hora, então virei buscar a menina.- A enfermeira saiu deixando todos na sala espantados com a forma rude que foram tratados.

Acabou que, com medo novamente, Gray passasse a menininha para Erza, que a acolheu como se não a visse a tempos. Ele sentou na cadeira do acompanhante ao lado da cama e beijou-a na testa, acariciando seus cabelos. Depois ficou apenas fazendo carinhos de leve no rosto da filha.

—Ela tem seus cabelos, será que também tem seus olhos?- Gray perguntou, novamente envolvido naquela atmosfera mágica que dava a impressão de serem só os três ali.

—Sim, ela abriu um pouco quando começou a mamar, mas logo dormiu de novo. Mas apesar disso ela é a sua cara! O nariz, a boca, o formato dos olhos, do rosto... Parece que só as colorações ela herdou de mim.- Ela riu do próprio comentário, enquanto os outros três presentes apenas observavam a cena. Lucy queria chorar, Natsu olhava achando graça, mas estava feliz pelos amigos. Makarov olhava satisfeito e orgulhoso.

—Parece que estamos diante de outro membro da nova geração da guilda.- Como não tinha lavado as mãos, não tocou nas mãozinhas da pequena como queria. Ficou apenas observando ela mais de perto.

—E em breve teremos outro.- Natsu agarrou o pescoço da pobre Lucy, que se sentia ser enforcada. O rosado estava com um sorriso de orelha a orelha e fazendo um ''V'' com os dedos.

—Como assim? Não me diga que...

—Sim também vamos ter um filho.- Lucy conseguiu se soltar do ''abraço'' do noivo, e sorriu para o mestre.

—Então, os quatro ganham parabéns hoje! Isso merece uma comemoração. Amanhã daremos uma festa grande, e outra quando todos puderem comparecer. Parece que os tempos estão mudando, e as coisas estão indo para novas direções.

—Mestre.- Erza chamou, com sua voz mais firme que antes.- Se eu estou aqui com a minha filha, bem e feliz, com uma grande família que é a nossa guilda, é tudo graças ao senhor. Devo tudo que tenho hoje a ter sido aceita na guilda no passado. Então, tudo que posso dizer agora, é obrigada, pai.- Os olhos os mais velho encheram-se de lágrimas, e a emoção de tudo que acontecia ali era imensa. Erza fez questão de dar-lhe um abraço de urso com o braço livre. Novamente Lucy foi aos prantos enquanto era consolada por Natsu.

Depois do momento emoção, Makarov, Lucy e Natsu lavaram bem as mãos, braços, rosto e pescoço, assim como a enfermeira havia dito. Makarov foi o primeiro a pegar, depois Lucy, que Erza brincou que ela estava começando a treinar. Natsu foi o último, e por incrível que pareça, ele ficou quieto. Lucy cochichou que desde que soube que seria pai, o interesse de Natsu pela ''sobrinha'' havia duplicado.

O rosado segurava a bebê com quase tanto cuidado que Gray. Ele a olhava fascinado, mas estava sério. Makarov e Gray se juntaram as meninas, que observavam o rapaz com a pequena.

—Parece que Natsu finalmente amadureceu. Ele será um bom pai Lucy, não se preocupe.

—Eu sei.- A loira falou emocionada. Natsu então caminhou com uma cara esquisita em direção a todos até que entregou ela de volta a Lucy e disse:

—Subiu um cheiro estranho, essa parte é com você.- Todos caíram na gargalhada, menos Lucy, que achou aquilo um ultraje.

—Acho que vou despedir você do posto de pai, Natsu.

—O que? Não Lucy, eu faço tudo, até dou um jeito de dar leite, por favor Lucy...- O rosado agora estava de joelhos implorando perdão a noiva.

—O tempo acabou, precisam ir embora. E eu levo ela. Tem direito a um acompanhante, quem será?- Natsu e Gray levantaram a mão. Gray olhou feio para o dragon slayer, e ele olhou o mago de gelo confuso.

—SEU IDIOTA, TEMOS QUE IR!- Lucy chutou Natsu para fora, se despedindo em seguida com Makarov como se nada tivesse acontecido.

A enfermeira levou a bebê, restando apenas Gray e Erza na sala. Então Gray pensou que aquele era o momento perfeito para que estava planejando, mas decidiu ir aos poucos.

—E então, muito cansada?- Ela só afirmou com a cabeça, deitando logo em seguida, mas com uma careta de dor.- Está sentindo alguma coisa?

—Cólica, mas é normal. Provavelmente vou sentir dores por um tempo.

—Entendo. Bom, eu ganhei, realmente era menina.

—É, parece até que você via. — Ela riu fraco.

—Mais ou menos, eu sentia. Intuição de pai sabe?

—Ah, claro, essa sua intuição tão certa.

—Ela estava certa no que realmente é importante. Bom, já que é menina você escolhe o nome. Mas quer ajuda?

—Não, já sei qual vou colocar, mas você só saberá amanhã, quando colocarem a pulseirinha.- Os dois riram e Gray se aproximou, até que colou suas testas.

—Já chega de surpresas, não acha?- Mordiscou os lábios da ruiva, que riu.

—Sim, já chega.- Quando ela estava prestes a beija-lo ele pegou sua mão direita e colocou algo nela, fechando-a em seguida. Levantou para que ficasse na altura do rosto de ambos e falou:

—Aqui dentro está todo o meu amor e desejo por você, está o que eu quero que seja nosso futuro a partir de agora. Isso expressa tudo o que passamos juntos, apoiando um ao outro e eu quero que isso faça novamente o que nossa filha já fez.- Ele abriu a mão dela, onde uma delicada aliança dourada, com poucas pedras pequenas e com alguns escritos dentro, estava.- Quero me unir a você novamente, de todas as formas possíveis e dessa vez quero que seja de papel passado.

Erza não chorava. Estava feliz demais, e estava tão surpresa que sua voz não saia, quem dirá lágrimas. Ela apenas conseguiu confirmar com a cabeça e o abraçou com força, agora chorando.

—E depois de tudo que passamos, você precisava fazer um pedido desses? Já me sinto casada com você há muito tempo Gray.- E ela selou aquilo com um beijo.

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—O que Suri significa?-Natsu perguntou, enquanto pegava algumas bolsa e sacolas.

—Princesa, em hebraico.- Erza falou, segurando a pequena Suri nos braços. Ela havia se encantado por esse nome desde uma missão que fez num vilarejo distante, onde uma menininha ruiva se chamava Suri.

16 dias haviam se passado desde que a ruivinha nasceu. Como havia adquirido peso suficiente estava liberada, mas ainda com as restrições de limpeza. Agora era hora de voltar pra casa.

Chegaram e acomodaram a bebê, que no quesito recém nascida, era bem quietinha e dormia bastante, mesmo o médico alertando para a cada quatro horas de sono ela ser acordada para mamar.

Bebê em seu devido quarto, Lucy e Natsu partiram para deixar a família mais a vontade.

Tinha sido fácil até ali para os dois, mas Erza estava preocupada com a noite. Mesmo que já estivesse melhor, ainda sentia um desconforto aqui ou ali, então achou melhor colocar o berço no quarto do casal. Achou melhor esclarecer para o pai babão, ou melhor, Gray, que ela estava ali temporariamente, e não ficaria mais que um mês lá.

Gray, claro, achou ruim. Queria passar o tempo todo com sua princesinha e mima-la de todas as formas, mas Erza não parecia abrir brecha para essas coisas. Ele também sentia que sua filha era mais apegada a mãe, mesmo ele passando muito tempo com ela. Foi reclamar com Erza, indignado.

—Ela sempre prefere você, não sei porque.- Ele falou fazendo bico.

—Quem alimenta ela?- Ela falou séria.

E assim os dois foram indo, sempre Gray tendo ciúmes da bebê e Erza sempre calando a boca dele com a mesma justificativa. As semanas iam passando e eles recebendo cada vez mais visitas. A rotina estava cansativa para os dois, mas eles não podiam estar mais feliz. Nada do que tinha acontecido estava nos planos de Erza, mas aparentemente aquilo se parecia com tudo que sonhava.

Notas finais
E então? Queria fazer desse capítulo uma coisa tranquila de ler, bem agradável, e espero ter conseguido. Já estamos na reta final gente :/ A fic está perto de acabar, mas ainda teremos momentos muito importantes para acontecer, então, até outro dia!