Consciência
1 Capítulo Único.
Notas iniciais
Eu tinha certeza de que daria certo, de que aquele golpe iria fazer a diferença e que eu seria bem sucedido no meu ataque, porém não foi bem assim que aconteceu.
Fiquei suspendo no ar, sem praticamente poder me mover, como se houvesse uma força muito maior do que meu poder, minha vontade e até mesmo mais forte do que a gravidade. E de fato havia.
Eu me sentia frustrado. Em meu íntimo a certeza de que o que eu planejara iria dar certo ainda queimava e eu me perguntava aonde tinha falhado, qual passo havia sido mal calculado.
Respirei fundo e tentei pensar em algo para reverter àquela situação enquanto via Madara se aproximando e foi aí que percebi que, por estar alguns metros elevado, eu tinha a visão do caos instalado no local. Os gritos, o desespero e a falta de esperança que se alastrava e que só me atingiram naquele momento pela visão que eu tive a seguir:
Gaara carregava um Naruto praticamente desfalecido, cujos olhos azuis reluzentes estavam opacos e sem vida. Cujo rosto alegre estava pálido, ferido e aparentando extrema fragilidade.
E eu entendi o porquê daquele medo coletivo, porque ele me atingiu também ao tomar consciência do quão grave a situação dele era. Eu sabia que a retirada de um bijuu era fatal para o Jinchuuriki, porém com certeza o fato de ser um Uzumaki o manteve vivo, mesmo após a extração da Kyuubi. Mas mesmo assim isso não me confortava, porque era só olhar para ele e ver que a vida parecia estar se esvaindo aos poucos.
Senti algo desconfortável atingir-me, como uma pancada surda em meu estômago. Meu melhor amigo estava morrendo sem que eu pudesse fazer nada para ajudar. E ele morria sem saber que, apesar de tudo, eu ainda me importava com ele.
E eu percebi subitamente que se fosse possível eu me colocaria na frente do loiro e faria de tudo para salvá-lo, como havia feito anos atrás, quando Haku tentou feri-lo.
Um sorriso quase se formou em meus lábios ao lembrar daqueles acontecimentos que pareciam pertencer à uma outra vida, à uma outra pessoa.
Meu olhar desprendeu-se dele e se deslocou para outro ponto em todo aquele caos, onde uma garota de fios rosados trabalhava arduamente na tentativa de diminuir o número de perdas e aliviar a situação dos feridos naquela guerra.
O rosto estava sério, compenetrado, enquanto ela tentava ajudar um shinobi gravemente ferido na cabeça. A pele pálida brilhava, talvez devido ao suor e ela mordia o lábios inferior, em sinal de apreensão. Os cabelos róseos balançavam, causando um efeito bonito em minha opinião.
Aliás, como foi que nunca percebi como ela era bonita? Como aqueles olhos verdes eram fascinantes?
Ou talvez eu até tenha percebido em algum momento, porém simplesmente não dei a atenção necessária para me importar com o fato. Para ser honesto, eu nunca dei verdadeira atenção para ela, para a garota que me amou e que eu sabia que ainda me amava, mesmo depois de tudo e de todo aquele tempo.
Porque por mais que eu sentisse uma estranha sensação no meu peito sempre que ela encostava em mim, desde a época do time sete, por mais que aquela voz irritante fizesse com que eu me sentisse bem, mesmo assim eu nunca lhe dispensei verdadeira atenção. Eu apenas ficava ali, consciente de sua presença, mas sem realmente me importar com ela.
Mesmo ela sendo a única a me lembrar de que o amor existia, quando eu havia perdido a fé nele após a tragédia que acometeu meu clã.
Respirei fundo e vi que Madara havia finalmente alcançado a espada cravada no chão, interrompendo o fluxo de meus pensamentos.
– Para proteger algo uma outra coisa deve ser sacrificada. Seja um amigo, um familiar ou mesmo meu próprio filho... – Ele retirou a katana do solo – Eu lhe dei mais tempo do que o suficiente para ter feito algo... Uma pena.
Em um movimento rápido e fluido ele atingiu-me no peito. Um esgar de dor saiu dos meus lábios, juntamente com um filete de sangue que manchou minha pele. O gosto do ferro impregnado na minha boca.
A dor ficou mais aguda em questão de segundos e eu percebi que minha resistência diminuía... Um arrepio percorreu-me e eu tinha certeza de que a vida se esvaía de meu corpo.
Uma vida repleta de mentiras, amargura e arrependimentos.
A consciência começava a me abandonar também. Era engraçado o fato de que no momento em que eu perdia a consciência de meu corpo, eu tomava consciência de tudo àquilo que havia perdido. Do amigo que abandonei. Do amor que ignorei.
Tudo começou a escurecer ao meu redor e eu quase não sentia mais a katana em meu peito. Fiz um último esforço para encarar pela última vez o loiro ferido e a rosada compenetrada, desejando avidamente poder vê-los sorrir mais uma vez.
Algo quente escorreu de meus olhos enquanto a voz de Madara continuava ressoando em meus ouvidos.
E tudo apagou.
Save yourself
From a life full of lies and a heart full of pain and sorrow
Save yourself
From the choices I make cause nothing but failure follows me
Save yourself
Salve-se
De uma vida cheia de mentiras e um coração cheio de dor e sofrimento
Salve-se
A partir das escolhas que fiz, pois nada além do fracasso me segue
Salve-se
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