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29 Um "ataque"
Capítulo 29: Um "ataque"
O jantar foi normal. Frango grelhado, arroz e ovos mexidos com carne. Conversamos sobre tudo: da prova em que tirei nove, do sonho que tive e dos amigos, os meus e o seu. Ninguém disse que sentiu falta. Não precisou.
Depois do jantar, fomos para o sofá. Estava cedo e não era hora de dormir ainda.
— Escolhe o filme — ele jogou o controle para mim. Estava esparramado no sofá, com o cabelo bagunçado e agora vestia um moletom folgado. Muito caseiro.
Coloquei um filme de ação qualquer. Explosão, tiros, tudo para o qual ele revirava os olhos, mas assistia mesmo assim. Em pouco tempo, minha cabeça foi para o ombro dele. A mão dele logo estava no meu cabelo, fazendo carinho de forma distraída. Quando percebi, já estávamos nos olhando.
Eu hesitei, mas essa hesitação foi rápida, antes de decidir o que queria. Subi para mais perto dele, passei a perna por cima, para o outro lado, e sentei no seu colo. Coloquei as duas mãos no seu rosto e toquei seus lábios com os meus.
— Naruto, o filme — ele avisou.
— Shhh — encostei a testa na dele. — Prioridades.
Beijei-o. Sem pressa dessa vez, sem o desespero que tinha no hotel. Só saudade. Várias semanas de saudade guardada. Ele respondeu na hora, com a mão na minha cintura, me puxando para mais perto, e a outra ainda no meu cabelo. O filme continuou rodando e nenhum de nós se importou.
Mais tarde, nós migramos para o quarto, rindo e esbarrando nos móveis que estavam no caminho. Eu reclamando que ele era desastrado e ele reclamando que eu era pesado.
Quando chegamos ao quarto, não sei quem tomou a iniciativa, mas as roupas começaram a cair no chão e os toques se tornaram naturalmente mais íntimos.
Não sei se foi a saudade, mas não estava sentindo nenhuma vergonha, apenas desejo. Toquei diretamente o seu membro e gemi de prazer enquanto era beijado. Dessa vez ele veio para casa bem preparado e eu não precisei pegar o que havia comprado.
Enquanto seus dedos me exploravam, ele pareceu perceber a facilidade com a qual seus dedos deslizaram e sussurrou uma pergunta no meu ouvido enquanto ria. Não tive coragem de dizer a ele que havia me preparado para esse momento, mas ele parecia não precisar de resposta.
— Que bom que você já se alargou, agora não preciso esperar muito — sua respiração quente estava ao lado do meu ouvido, enquanto seus dedos foram trocados pelo seu membro e ele imediatamente o colocou para dentro, fazendo-me ofegar de surpresa e um pouco de dor.
O que usei para me acostumar, não era tão grande!
— Devagar... Vá mais devagar... — sussurrei um pedido e ele grunhiu em resposta. Não sabia se ele o faria ou não, então fiquei um pouco preocupado, mas, quando senti seus movimentos lentos e cuidadosos, eu sabia que tudo ficaria bem.
Ele se movia lentamente, mas ia ao fundo antes de sair. Meu corpo tremia sob o seu e meus olhos reviravam de prazer ao sentir o seu corpo contra o meu. De costas na cama, me agarrei aos seus braços e ombros, às vezes mordendo-o e quase o arranhando, tamanha era a força em meus dedos.
Não me lembro quando seus movimentos aumentaram de intensidade, mas a sua respiração pesada e seus gemidos de prazer podiam ser facilmente ouvidos. Meu clímax chegou antes do seu e só percebi que havia acabado quando seu sêmen foi derramado sobre minha barriga.
Vendo toda aquela confusão sobre mim, senti que queria mais e, enquanto o beijava, foi o que pedi, recebendo um aperto firme na cintura e uma penetração profunda novamente.
Bem, eu não era o único que queria mais.
***
Acordei com sol no rosto e o peso no peito. O peso dele, já que seu braço estava atravessado em cima de mim e o rosto enfiado no meu pescoço, respirando calmo.
— Acordado? — perguntei e ouvi sua concordância, sem surpresas.
— Você sempre acorda primeiro — resmunguei, ainda sonolento.
— Você dorme que nem pedra — falou e eu ri.
Depois de levantar, fomos para a cozinha. Ele estava de avental novamente e eu vestia apenas uma calça folgada que deveria ser dele.
Enquanto Kakashi fazia o café, tentei roubar o pão que acabou de sair da sanduicheira, mas ele viu e bateu levemente na minha mão como um aviso, e eu beijei a bochecha dele como um pedido de desculpa. Ele revirou os olhos, mas não reclamou. Comemos na mesa pequena, com o pé encostando no pé dele por baixo.
— Tem gosto de coisa normal — falei com a boca cheia.
— O ovo? — perguntou, sem entender.
— Isso — apontei para ele, para mim e para a mesa com o café da manhã. — Estou falando de nós... Não é perfeito — continuei, olhando para o meu prato e pensando em voz alta. — Você some e eu fico. Você não pode contar tudo e eu não posso perguntar tudo. A distância é difícil de suportar.
Ele esperou e ouviu pacientemente.
— Mas, — levantei os olhos e encontrei os deles — é muito bom. Tipo, muito bom mesmo. Quando você está aqui, o resto some — confessei e sorri.
Kakashi largou a caneca e se inclinou por cima da mesa, me dando um beijo com gosto de café. Quando se afastou, segurou a minha mão.
— A gente se vira — ele disse de forma simples. — Um dia de cada vez. Vamos aprender a lidar com as dificuldades.
— Sim, vamos nos virar — concordei e sorri.
Não é perfeito. Mas, por agora, isso basta.
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