Conquistar o Sensei, aceito a aposta!
17 Reclamações e recompensa
Capítulo 17: Reclamações e recompensa
Ele está ali, encostado no bebedouro. Lendo sozinho. Eu passo a três metros dele. Três metros.
— Bom dia, Kakashi Sensei!
Ele levanta os olhos por alguns segundos com aquele olhar de que: você está quebrando as regras. Engulo a vontade de lhe dizer mais algumas palavras e continuo o meu caminho.
Na hora do almoço, ele comeu no mesmo refeitório dos alunos. Comendo maçãs. Foi bom vê-lo, mas seria melhor se eu pudesse fazer algo além de vê-lo! Que ciúmes daquela maçã!
— Cara, você está encarando a maçã do professor ou viajando de novo? — Kiba pergunta.
— Hã? O quê? Não. Estou contando calorias... Da maçã — respondo seriamente, enquanto pensava também seriamente, de onde conseguia tirar tanta bobagem.
— Você está doente? — Sakura fala.
— Ele sempre foi — Sasuke completa.
Desvio os olhos e não falo nada, porque não posso falar o que quero!
No final da aula, precisava de um livro, então fui até a biblioteca e o encontrei lá. Ele está na mesa do fundo, parecia estar corrigindo alguma prova. Meu corpo andou sozinho até lá e parei do lado da mesa dele. Abro a boca, mas não digo nada, porque não há nada que eu possa dizer. Já ia sair depois de apenas um cumprimento simples, quando ele empurra um post-it na minha direção sem parar de escrever.
"Jantar na minha casa hoje, 20h."
Peguei o papel e saí da biblioteca andando rapidamente e com um sorriso discreto.
***
Bato na porta e assim que ela se abriu, entro sem esperar resposta, porque estamos na sua casa e agora sou seu namorado, não seu aluno!
— Sério, isso é uma tortura — já chego reclamando, jogando a mochila no sofá. — Uma violação dos direitos humanos do namorado! Você sabia que hoje tive que considerar conversar com um poste para evitar ir até você e dizer algo errado?
Kakashi foi para a cozinha minúscula e continuou o que estava fazendo, que parecia ser o corte de algum tipo de legume. — O poste seria um bom ouvinte.
— Droga! — praguejei em um sussurro, antes de ignorar suas palavras e continuar a minha reclamação: — E na hora do almoço? Você estava comendo maçã e eu não pude nem fazer contato visual direito! Isso é saudável? Não! Isso é crueldade emocional!
Ele pega um prato do armário calmamente, sem nem sequer se virar para mim. — Você sobreviveu.
— Sobrevivi à base de ódio e lámen — cruzo os braços. — Mereço compensação por danos morais. E psicológicos. E cardíacos.
Ele finalmente se vira, com a faca ainda na mão. Me olha com um leve sorriso no canto dos lábios e um olhar de quem sabe a resposta, mas ainda pergunta:
— Que tipo de compensação você quer?
— Um beijo — peço, sorrio e tento convencê-lo. — Só um. Pequeno e leve. Como uma recompensa por eu ter sido um namorado exemplar e seguido todas as suas regras. O que acha?
— Não — ele responde calmamente e volta a cortar seus legumes como se nada tivesse acontecido.
— Ah, qual é! — me jogo no sofá, com raiva. — Nem um selinho? Assinamos um contrato verbal de namoro!
— Não havia termos sobre beijos no contrato.
— Porque você é um ditador! — reclamei novamente, pensando que o maior problema desse homem não era ser frio, era se manter distante! Muito distante!
Ele me ignora, pega uma panela e liga o fogão. Sinto o cheiro de shoyu, gengibre e frango. Meu estômago ronca mais alto que minha reclamação.
— Você está cozinhando? — pergunto, desconfiado.
— Você se comportou bem hoje. Uma recompensa — ele responde, sem me olhar. Paro e olho para ele. Olho para as costas dele, para o jeito que ele mexe a panela, concentrado.
Kakashi agia como se não se importasse comigo, mas, na verdade, ele parecia ciente das minhas dificuldades, isso já era mais do que eu esperava e fiquei satisfeito. A raiva desapareceu, sendo substituída por um sorriso.
Mais tarde nos sentamos na mesa pequena e comemos em silêncio, mas não é esquisito. A comida está boa. Muito boa. Melhor que a do refeitório e definitivamente melhor que lámen.
Depois da refeição, por mais que eu quisesse ficar, ainda peguei a mochila e me despedi dele, pronto para ir para casa.
— Uzumaki.
Paro assim que chego perto da porta e me viro para ele. Em um segundo, ele segura em meu braço e me arrasta para perto dele, seus braços passando ao redor da minha cintura. O rosto dele encosta no meu cabelo por um segundo. Sinto o cheiro de livros e de amaciante de lavanda.
— Obrigado — ele fala em um sussurro, perto do meu ouvido. — Obrigado por seguir as regras — agradeceu novamente.
Meu cérebro para, aquele curto clássico de sobrecarga. Meu coração, por outro lado, parece trabalhar mais rápido que o normal. Antes que eu consiga processar toda a situação, ele me solta e dá um passo para trás. Em um instante voltou a ser o professor de sempre.
— Agora vai. Está tarde.
Finalmente sorrio para ele e apesar da euforia interna, me controlo e apenas aceno com a cabeça em despedida, saindo e quase saltitando pelo corredor enquanto pensava que:
Seguir regras era realmente uma chatice, mas um abraço compensa!
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