Conquistar o Sensei, aceito a aposta!

22 Que tipo de relação temos?


Capítulo 22: Que tipo de relação temos?



O constrangimento daquele momento me fez sair de cima dele, e Kakashi se levantou como se nada tivesse acontecido. O visitante, por outro lado, não estava pronto para ignorar a situação.


— Eu sabia! — Ele aponta para o Kakashi. — Eu sabia que a chama da juventude do jovem Naruto iria derreter o gelo do seu coração fechado!


Kakashi passa a mão no rosto e parece impotente, olhando para o homem como se quisesse jogá-lo pela janela, mas ele não fez isso, o que tornou a situação um pouco engraçada.


— Quantos meses eu te dei? Hum? — Gai continua. — Kakashi, esse garoto te conquistou muito fácil? Você não sabe resistir?


— Gai, por que você não cala a boca?


— A verdade nunca irá se calar!


Eu não aguento. Juro que tentei. Mas, por que esses dois são tão engraçados juntos?


— Ele está rindo — Kakashi diz para o Gai, a voz seca. — Satisfeito?


— Muito! — Gai bate continência. — Jovem Naruto, parabéns pela missão cumprida! Você provou que persistência e poder da juventude superam qualquer coração fechado!


— Valeu, Gai Sensei! — consigo falar, entre risadas. — Mas, por favor, não conte para ninguém.


Gai põe a mão no peito, ofendido. — Eu? Eu jamais trairia a confiança do meu rival! Quer dizer, do meu amigo! Meus lábios estão selados! Igual meu coração está selado para a chama do amor por enquanto — ele pisca. — Mas quero convite para o casamento.


— Casamento?! — eu e Kakashi falamos juntos.


Gai só ri, deixa o café na mesa e sai pela porta. — Vou comprar bolo! Isso merece comemoração! E fechem a porta dessa vez, seus jovens apaixonados!


A porta bate. Eu e Kakashi nos olhamos em silêncio e começamos a rir. Sentados na cama, rimos muito; tamanha foi a diversão e confusão desses minutos.


— O Gai Sensei... Kakashi, seu amigo é maluco — finalmente consigo falar.


— Você se acostuma com o tempo — ele fala e vai arrumar a mesa do café da manhã. Eu o segui e enquanto ele trabalhava, pedi desculpas.


— Por que está se desculpando? — ele perguntou, confuso.


— É que o Gai nos viu... Eu não fiz de propósito, mas as suas regras...


— A culpa é minha — ele corta, me entregando uma caneca com café. — Saí para correr de manhã e quando voltei, deixei a porta só encostada. Hábito de quem morava sozinho. — Ele toma um gole do seu próprio café e faz uma pausa. — E subestimei a capacidade do Gai de aparecer sem avisar.



***



Mochila no ombro. Cabelo arrumado com a mão. Hora de voltar para a realidade e para as aulas infernais da faculdade.


— Está na hora de eu ir.


— Vá — ele diz calmo, mas com um sorriso no rosto. Sorrio de volta e abro a porta, mas, antes que possa sair, ele me chama e meu coração bate forte. Um mau pressentimento.


— O que foi? Beijo de despedida? — pergunto ao me virar.


— Como está isso? — Ele faz um gesto vago entre a gente. — Como está essa relação?


— Acabamos de nos beijar depois de tanto tempo, então... Namoro oficial? — devolvo a pergunta para ele em tom de brincadeira, mas ele não acha graça. Na verdade, Kakashi não está mais nem sorrindo.


— Então... — ele fala, devagar. Como se pesasse cada palavra. — Esse relacionamento não é bom o bastante para você ir embora junto comigo, não é?


O mundo parece parar e o sorriso congela nos meus lábios.


Ir embora...


Imediatamente me lembro da conversa hipotética.


— O quê? — minha voz sai em um sussurro. Não sei se ele ouviu, mas desvia os olhos dos meus pela primeira vez. Ele olha para o corredor vazio atrás de mim.


— Se eu tiver que ir embora — ele diz, assim como falou quando estávamos no banco perto do lago. Mas agora não parece hipotético. Agora parece real. — Esse relacionamento que está começando agora não é bom o bastante para fazer você largar tudo. Sua faculdade, seus amigos e sua vida aqui.


Meu peito aperta. Porque essa não parece mais uma pergunta. É mais como... ele me dando um fora antes de ir embora.


— Kakashi — dou alguns passos e seguro o braço dele. Forte. — Você...


— Vá para a aula, Naruto — ele solta o braço, devagar. — Está atrasado.


Saio do seu apartamento e escuto a porta se fechar atrás de mim, o clique da fechadura ecoando pelo corredor vazio. As coisas mudaram tão rapidamente que não consigo acompanhar. Será que fiz algo errado?