Conquista
1 Capítulo Único
Notas iniciais
P.O.V. Ragnar
Pouco dava importância ao aspecto sempre cinzento do céu, que não mudava nunca. Mas não parava de olhar para aquela imensidão enquanto estava deitado em uma carroça largada perto das cabras. Não era um costume meu fazer esse tipo de coisa, mas naquele momento sentia que precisava disso para que ao menos, me acalmasse.
Estava completamente exaltado, à pouco tempo atrás sugeri aos homens para que invadíssemos Paris e mal conseguia esperar o momento para isso acontecer. Minha mão coçava só pelo desejo em pegar em todas aquelas riquezas. Depois de todas as coisas que ouvi de Athelstan sobre aquelas terras, ninguém estava mais animado que eu.
Era bem possível que seja por conta disso que a ideia de Paris me agradou tanto. Mas não era só isso. Minha cabeça estava uma verdadeira tempestade e isso não era algo recente. E sabia bem que era por causa daquele que eu observava lá no fundo. Tão indiferente com tudo mas ao mesmo tempo tão próximo de tudo.
Não conseguia parar de olhar Athelstan sentado em montes de feno bem longe de mim Perto de algumas crianças que gostavam de sua companhia. Ele tinha um jeito com os pequenos que nenhum outro rapaz de Kattegat tinha. Acredito que nunca antes fixei meu olhar para alguém da maneira que eu observava ele, desde que voltou de Wessex.
Foi quando ele partiu com Lagertha com a missão de estabelecer uma colônia nossa em outro lugar que pude perceber que sua ausência era muito sentida por mim. Eu que sugeri que ele fosse para lá, e não me arrependo de minha escolha, pois mais do que nunca tive a convicção de que fiz o certo. Tive a certeza que ele era mais que um parceiro ou um amigo para mim.
Lembrar do passado me faz dar risada, mas também me deixa impressionado ao notar como foi todo o desenrolar dos acontecimentos até aqui.
Não sei o que eu pretendia de verdade ao escravizar aquele padre mirrado, ridículo. Seu jeito estranho e medíocre me chamava a atenção. Digno de risadas. Provocava-o até ver aonde ele iria chegar. Poderia tê-lo matado assim que me cansei deste jogo, mas não o fiz. Por bobeira mesmo, decidi libertá-lo. A partir daí, minha vida nunca mais foi a mesma.
Não só a minha como também a dele. Acompanhei de perto todas as mudanças de Athelstan, uma mais surpreendente que a outra. Mas nunca imaginei que essas mudanças poderiam me afetar, ou melhor, me ajudar.
Foi em uma das inúmeras que pude me perceber de verdade o quanto ele estava mudando. Vê-lo daquela maneira, como um guerreiro forte e destemido, sem medo de matar e de morrer era quase surreal. Ele estava se tornando um Viking. E cada vez mais tomando as minhas atenções.
Depois disso, pude ver quem ele era de verdade. Estava longe de ser um homem normal, era muito mais que isso. Era alguém que me intrigava de todas as maneiras. Mas o que mais me impressionava era o jeito com que ele lidava com as crenças. Ele mantinha suas crenças cristãs ao mesmo tempo em que abraçava os nossos deuses. Não escondia seu encantamento com Odin e Thor, mas mantinha os costumes que vieram da crença do deus invisível.
Isso foi algo complicado aqui no vilarejo. Nem todos gostavam disso. Apesar dos anos de convivência, haviam aqueles que não gostavam de sua presença por esse fato. Eu, na verdade, nunca me importei com o que ou quem ele acreditava, para mim não era problema. Pelo contrário, era uma característica dele que sempre me intrigava.
Pouco a pouco me envolvia nos pensamentos de Athelstan. Desvendava camada por camada de sua personalidade tão complexa. E com o tempo pude entendê-lo, e junto com isso, compartilhar um pouco de sua visão. O modo como ele via e entendia as coisas era fascinante e envolvente. Talvez até para ele mesmo.
Era nítido que havia um conflito dentro dele. Uma constante luta entre crenças. Mas eu via aquilo quase como uma dança. Como se todas as convicções se ajeitassem para ficarem harmoniosas. Havia muita coisa que eu não entendia, mas me permiti compreender, e passei a admirar algumas das características de sua crença. Fez com que eu pensasse que talvez não exista uma única verdade. Ou que todas as verdades podem ser verdade.
Sua mudança era tão visível. Naquele momento em que eu o observava não era diferente. A aparência era outra coisa que chamava a minha atenção. Ele vestia um conjunto todo preto com umas botas longas que combinavam mais com o seu corpo do que aquela batina do passado. O cabelo mais longo devidamente arrumado e trançado, além da barba maior davam-lhe um aspecto de maturidade.
Mas não era só a casca que era diferente. O semblante estava completamente o oposto de quando o conheci. Estava mais tranquilo, mais confiante. Mais compreendido com tudo o que estava ao seu redor. Bem diferente do jovem medroso e relutante que capturei em uma das invasões. Sei pouco do passado dele, mas podia perceber o quanto ele estava melhor aqui que no passado. Estava pleno como nunca antes. A confusão mental trouxe a liberdade que ele precisava sentir.
Minha afeição por ele começou à medida que nossa conexão começou a se estabelecer. Era uma parceria de confiança mútua, que acontecia de maneira totalmente natural. Era tão incrível como Athelstan era um homem bom, e como a bondade era sua maior arma. Ele gostava de mim sem nenhuma pretensão. Queria estar do meu lado sem querer nada em nada, apenas o sentimento recíproco.
Um sentimento que eu só pude receber com meus filhos, e nenhum outro. Estarei mentindo se disser que superei a traição de Rollo anos atrás. Deveria esperar essas coisas, pois sei como a vida funciona. Mesmo assim era algo que doía por dentro, e talvez seja uma cicatriz na qual nunca vai desaparecer.
Sem medo posso dizer que encontrei em Athelstan o irmão que eu nunca tive. O parceiro que eu precisava ter. O amor que eu nunca senti. Sim, eu o amava, mesmo não sabendo por completo o que é o amor. Mas pouco importava, esse sentimento estava nos fazendo bem.
Por conta disso, mais tranquilo e mais calmo, saí de onde estava e comecei a andar. Fui até Athelstan e sentei bem do lado dele. Sendo que ele só percebeu depois que me aproximei. Mandou um sorriso fraco, mas sincero. Era bonito de ver o jeito menino-homem que ele tinha. Mantinha a firmeza do homem sério mas sem deixar o ar de garoto sonhador.
— Eu ainda continuo pensando como vai ser quando chegarmos a Paris. — Disse.
— Você ficou animado mesmo.
— Não ficaria de outro jeito. Só de imaginar tudo o que você me contou…
— Realmente, não dá pra não se encantar com Paris.
— Fale mais sobre quando você foi pra lá. Queria muito saber.
— Ah… Não tenho mais o que falar. Vou parecer repetitivo. Já falei tudo o que vi.
— E aquela moça que você gostou? Ainda pensa nela?
— Muito pouco. Mas quando eu lembro, é gostoso porque eu fico pensando em algumas coisas.
— Pensando no que?
— Ela era tão atraente que eu quase questionei meus votos de castidade. Mas, e se eu tivesse quebrado? Eu sei que era errado, mas eu fico pensando nisso.
— Sente falta da sua vida de monge?
— Não vou mentir, era uma vida que fazia eu me sentir muito bem. Quer dizer, eu sequer sabia o que era uma vida de verdade. Mas agora, depois de tudo… eu acho que deveria ter fugido do mosteiro há muito tempo atrás.
— Sério?
— Sim. Se eu soubesse que fazer loucuras era bom, eu já teria feito. — Riu.
— Acredite. Tem umas loucuras bem interessantes. Outras nem tanto. — Dei risada junto.
Nossas risadas cessaram. Comecei a olhar para a ferida que ainda estava forte na palma de sua mão. Na palma das duas mãos.
— Ainda dói as feridas das mãos?
— Não mais. A dor de dentro é a que mais me machuca.
Já fazia algum tempo que Athelstan foi crucificado pelos cristãos por adultério. Sempre fiquei intrigado com a maneira como ele lidava com tudo isso. Ele continuava crendo no Deus que sempre acreditou, mesmo relutando. O mesmo Deus que fez ele ser crucificado e quase morto.
Mas ele usava uma palavra para justificar tudo que eu achava bem curiosa: Fé. Pelo que ele falava, significava quando se acredita que mesmo com coisas ruins acontecendo, no final algo de bom poderia acontecer e que já era destinado. Para mim, parecia um sentimento tão bom, apesar de tudo. Tanto que ele me convenceu de que eu também poderia ter fé.
— Não entendo como você conseguiu superar tudo.
— Nunca superei, Ragnar. Eu sabia que eu estava sendo punido.
— E você concorda com isso?
— Eu não sei… talvez porque uma coisa que eu aprendi é que certas coisas tinham que acontecer. Mesmo que a gente ache que não merecemos.
— Acho que você é mais forte do que imagina. Por isso que admiro você. É protegido por todos os deuses.
— Obrigado.
Trocamos sorrisos e dei um abraço de lado com minha mão direita no ombro dele.
— Escuta. Nesses últimos dias, eu estava pensando em uma coisa.
— Diga então.
— É que desde que você voltou de Wessex, nunca tivemos um momento só nosso. Assim, tranquilo, pra gente curtir. Sem problemas.
— Acho que nunca tivemos um momento assim. — Riu.
— É verdade. — Dei risada também — Mas é que… quando você partiu, eu fiquei esperando muito a sua volta. Não sabia se você ia voltar.
— Sabe que eu posso estar em qualquer lugar, que eu vou estar com você.
— Sim. E por isso que… agora que estamos juntos novamente, não queria perder mais tempo. Quero aproveitar. Não sei o que vai ser depois.
— Entendi.
— E então? Aceita.
— Claro que eu aceito. — Sorriu — Mas isso vai ser quando?
— Bom… agora.
— Agora?
— Sim. Eu falei que não queria perder mais tempo. Lembra daquela cabana que eu tenho bem lá atrás? Nós podíamos ir para lá.
— Não tem nenhum problema.
— Absolutamente nenhum. Pelo contrário. É o lugar onde eu adoro ir quando não quero que ninguém me irrite. É o lugar perfeito.
— Se você tá falando, então deve ser verdade. Então, não podemos perder tempo.
Levantamos e saímos daquele monte de feno. Saímos juntos e fomos andando. Nossos passos não estavam tão apressados, queríamos aproveitar o momento. O movimento do vilarejo não estava muito cheio então dava para ir tranquilo, ninguém se importava. E mesmo que se importassem, eu mesmo não me importo.
A cabana em que nós íamos em direção ficava bem distante. Quer dizer, não tão distante. Mas bem mais tranquilo e quase inabitável. Era um lugar onde pescadores e caçadores jogavam as suas quinquilharias velhas e que não tinham mais utilidade ao redor. Também haviam outras cabanas, abandonadas e deterioradas, que vez ou outra serviam de depósito.
Para mim, era o melhor lugar. Costumava fugir para lá quando era mais novo, e esse costume foi sumindo assim que minhas responsabilidades iam aumentando. Eu era rei dessas terras todas. Tinha responsabilidades todos os dias. Muitas decisões para tomar e escolhas que tinham que ser precisas. Pois um erro poderia destruir tudo. Por conta disso, muitas vezes eu desejei desaparecer para lá, mas não podia.
Então esse momento só nosso não poderia chegar em momento melhor. Escolhi lá, pois além dos motivos que eu citei, aquilo não poderia causar nenhum problema ou chateação. Já estava me enchendo a persistência de Floki em cima de mim. Não era novidade que ele nunca gostou de Athelstan, mas recentemente essa implicância vinha aumentando. Sabia que era ciúme dos mais descarados, por isso tento ignorar como posso pois era bobeira dar atenção.
Demorou um pouco mais chegamos no lugar. Estava completamente escuro, mas não estava frio. Rapidamente acendemos as velas, e a cabana imediatamente ficou mais aconchegante. Estava perfeito.
Havia um canto que eu preparei especialmente para a ocasião. Peguei alguns pedaços de madeira e coloquei várias peles por cima. Fiz questão de colocar muitas para que ficasse o mais confortável possível. Peguei o máximo que eu consegui.
Fixei meu olhar em Athelstan que observava cada detalhe com atenção, olhando para os lados. Ele parecia atraído com tudo. Dei um sorriso me satisfazendo com o que vi.
— Nossa. Isso aqui está ótimo. — Falou.
— Fico feliz que tenha gostado.
— Tem certeza de que quer fazer isso?
— Tenho tanta certeza quanto você. Eu não posso esperar mais nada por esse momento.
Trocamos sorrisos por alguns segundos. Sabia que Athelstan desejava tanto esse momento como eu. Talvez até mais. Com tantos anos de convivência, aprendi a decifrar seu olhar. Mesmo ele não sabendo, eu sabia o que ele sentia.
Estava próximo às peles quando tirei a parte de cima das minhas vestes e fui até ele. Os olhos deles estavam presos em meu torso, e já de imediato senti a excitação. Peguei em seus braços e prendemos os olhares um no outro. Permiti-me me hipnotizar pela imensidão dos olhos tão claros dele por alguns segundos.
Depois, virei ele de costas pra mim e o abracei. Passei a mão pelas vestes pesadas dele, que lhe caíam tão bem. Mas naquele momento, não queria elas nem um pouco. Lentamente fui tirando a parte de cima de suas vestes, começando a parte que eu mais queria. Com sua pele exposta, passei meu rosto por suas costas, fazendo ele retrair um pouco.
O cheiro dele era muito bom, tão leve. O mesmo cheiro que ele tinha sempre, e não mudava. O mesmo bom cheiro de grama molhada. Não entendia como ele conseguia não cheirar mão. Todos os homens da Noruega tinham um odor que com o passar dos dias era insuportável, mas com ele isso não acontecia.
Sem enrolar, me abaixei e tirei suas calças e o resto das vestes debaixo. Terminei quando tirei suas botas e seus pés, brancos e largos ficaram para fora. Nenhum tecido mais restava em seu corpo. Nunca antes tinha cobiçado uma nudez como eu cobicei a dele. Nem mesmo as das minhas mulheres.
Veio-me a lembrança de quando eu o capturei anos atrás. Estava com Lagertha e propus à ele que fizesse parte do nosso sexo. Era evidente que queria apenas fazer uma brincadeira com aquele monge medroso, apesar que eu não acharia nada ruim se aquilo acontecesse. Veio a memória na cabeça e percebi o quanto aquela brincadeira havia se tornado tão real.
Fiz ele se virar de frente para mim, comigo ainda ajoelhado. Fiquei encarando seu sexo que lentamente apontava para o céu. Era tão pálido e tão bonito, parecia uma estátua. Mas algo chamava a atenção. O prepúcio, não havia. Estranhei de início, já havia escutado sobre homens que tinham suas pequenas peles arrancadas quando bebês, a chamada circuncisão. Mas eu nunca tinha visto um desse jeito, frente a frente.
Fiquei um pouco confuso sobre o que fazer naquele momento. Foi então que me lembrei de algo que era feito em algumas terras, e pensei que seria incrível proporcionar isso para meu parceiro. O presente ideal. Fui com minha boca em direção àquele membro duro e o abocanhei. Fazia movimentos para cima e para baixo, vagarosos e desajeitados.
Sentia com a língua aquele gosto desconhecido, mas não era ruim como eu imaginava que seria quando eu ouvi falar sobre. Pelo contrário, era bom. E Athelstan estava gostando muito. De onde eu estava, conseguia enxergar ele levantar a cabeça respirando ofegante e estufando o peito. Acertei em cheio no ato e me viciei nisso.
Alguns segundos depois, interrompi o ato para arrancar as vestes que ainda estavam em meu corpo. Eu já sentia um calor imenso e estava mais animado que nunca. Levantei e virei ele para minha frente. Olhei bem fundo nos olhos dele para aproximar nossos lábios e colarmos um no outro. Beijar Athelstan tinha um gosto tão único, como se estivesse saboreando uma boa dose de hidromel.
Não era apenas nossas bocas que estavam grudadas mas nossos corpos também. Nossas carnes inteiramente nuas se juntavam como se estivessem se fundindo, nos tornando um só. Sentia as mãos mornas dele, e que só não eram mais ásperas que as minhas, me agarrando pelas costas enquanto as minhas percorriam pelas suas costelas e por todas as direções onde meu dedo pôde alcançar.
Em sincronia, minhas duas mãos colaram em suas costas e desceram a parte onde eu mais queria. Apertei com as duas mãos aquela bunda que era tão macia, fazendo ele dar um gemido. Pegar nela me fazia virar os olhos de tão excitado. Parecia que aquela parte era desenhada de tão perfeita para mim.
Não queria terminar aquele beijo tão cedo, então da maneira em que estávamos levei ele até nosso canto de repouso. Deitei ele sobre as peles, que pareciam abraçar seu corpo nu. Com isso, me permiti ser abraçado por aquele ninho assim que me deitei por cima dele e voltei a beijá-lo, enquanto o abraçava.
Nossos movimentos eram tão suaves, mas os sentimentos eram tão intensos. Pois nossos atos alí eram a mais pura sinceridade. Algo que há tempos eu não sentia. Não me lembro de ter tido algo assim com outro homem, daquela maneira, daquela longevidade. Lembro me que tive um momento com Rollo uma única vez. Quando éramos muito jovens e estávamos nos descobrindo internamente. Mas fora isso nada. Nada que fosse da maneira que eu tinha com Athelstan.
Colocava meu peso sobre o corpo dele e eu ouvia-o suspirar. Beijava-o incessantemente enquanto alimentava meu vício em sentir seu cheiro e tocar sua pele cada vez mais. Eu olhava para aquele corpo e não sabia o que me excitava mais. Se eram seus braços, que estavam mais musculosos que outrora, ou o peitoral com aqueles pelos ralos que desciam para o umbigo. Colava meu corpo no dele e seus mamilos grudavam nos meus como em uma sincronia inexplicável.
Fazia movimentos para cima e para baixo. Meu sexo roçava no dele. E eu só queria mais e mais daquilo. Nossos membros pareciam lutarem como nos muitos treinos de espada que já tive com ele. Segurei em seus ombros e mantive o controle do ato em todo o momento. Não conseguia fechar os olhos, não conseguia parar de olhar para aqueles olhos azuis que me encaravam de volta.
Eu não aguentava mais, sentia uma enorme vontade de avançar aquele ato para algo diferente. As coxas dele me tocando me faziam querer mais aquilo. Mas hesitei o máximo que eu podia. Aquela posição me dava muita vontade de penetrá-lo. Contudo não faria isso. Queria que aquele momento fosse bom para nós dois. Não queria fazer isso com ele, não merecia. E não precisava. O que nós estávamos tendo já era mais do que especial e eu não precisava de mais nada.
Athelstan me encarava o tempo todo, resistia em perder o controle. Eu sabia que ele queria ter o comando daquele ato tanto quanto eu estava tendo. Ficou mais perceptível isso quando suas mãos apertaram minhas costas e foram descendo. Até que ele repetiu o mesmo ato que fiz com ele quando estávamos de pé. Ele apertou na minha bunda. Ninguém nunca fez isso comigo. Fez questão de realizar o meu prazer vergonhoso mais secreto. Fazendo-me sentir sua faceta de menino-homem na sua forma mais íntima, que me sutilmente me provocava e me conquistava.
Um pouco mais cansado, deixei de ficar por cima e deitei-me do lado. E um do lado do outro continuamos no ato. Agarrando e beijando. Toques, gostos e aromas se entrelaçavam mais que nunca. Um momento em que ninguém sabia quem tinha o controle da situação pois nos permitimos ficar imerso aquela situação tão escaldante.
— Ragnar…
Escutei seu sussurro. Seus olhos fechavam. Já estava sendo tomado por completo a noção da realidade. Mas pouco importei porque naquele exato momento, eu também estava perdendo. Era o momento do grande ápice, e não poderia ter sido em um jeito melhor. Em uma união perfeita, nossos gemidos se juntaram em um único som, como um coro para os deuses. Até que veio a explosão, o orgasmo.
Surpreendentemente no mesmo momento, sentimos tudo. O sêmen de ambos se espalhou pelos nossos corpos. Finalizando o ato que consumou de verdade a nossa relação e estreitou muito a nossa conexão tão perfeita.
— Eu te amo…
Sussurrei completamente exausto. Não tinha disposição para falar, mas essa era a única frase que passava para minha cabeça.
— Eu também te amo…
Ele sussurrou de volta e voltei à beijá-lo. No fundo não precisávamos ter falado aquilo. Tanto eu quanto ele sabia o quanto era nosso amor pelo outro. Que acabara de se transformar em ato real.
Em seguida mudamos de posição. Ficamos sentados por cima daquelas peles que ainda nos abraçávamos. Athelstan se sentou na minha frente como se estivesse no meu colo e eu o abracei. Voltamos a nos beijar e não terminamos tão cedo aquilo. Porque o que mais queríamos era que aquele abraço fosse eterno, que fosse durar o máximo possível. Queria sentir permanentemente o seu beijo e a sua pele nua sobre a minha.
Prendia-o em meus braços pois não queria largar ele. Eu já era totalmente dele, assim como ele era meu. Queria aproveitar por completo aquele momento. Pois pela primeira vez, temia o dia de amanhã. Temia o fato de que inevitavelmente, poderia perder ele para sempre.
Mas eu tenho mais certeza ainda de que ele era mais que um rapaz, e muito mais que um homem. Era um ser único que estava predestinado a estar em minha vida. Ele era protegido pelos deuses, por todos os deuses. E com ele, compartilhava toda essa proteção, e todas as glórias.
Ele foi a maior conquista que eu tive em vida.
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