XXXIX-Conquista

Por quatro incansáveis horas ficarei

Longe de casa, estarei,

Mas não há distância pior que aquela

Que separa minha casa da minha terra,

Onde meus sonhos são os guias,

As luzes que iluminam

Não mostram mais minha casa,

Casa que não tenho, já nem sei.

Pois casa é lugar terno,

Onde o amor é sempre eterno

E não há tristeza ou dificuldade.

Caso não saiba a verdade,

Provo-te que a realidade

Faz-me sonhar novamente,

Extremamente inconseqüente,

Esta casa nova que ganho.

Que lá não há lágrimas

Que não se transformam em risos.

Pois lá não há gritos ou frases

Nem adornos nem males,

Só há som divino de todos os meus irmãos.

A conquista é cá, minha casa,

E me tira da solidão.

Cada nota a sua perspectiva

A presença que nos ativa,

Gera a música, então.

A conquista que me levou aqui

Enobrece meu coração,

E prova que mais ninguém deve

Dela obter razão.

A conquista é minha e de mais ninguém,

E se acaso não volto, lá estarei,

E jamais retornarei

Enquanto puder sonhar.

Lá meus sonhos espiram,

Não permitem saudade,

E não há vontade de sozinha estar.

Na minha casa tudo é conquista,

Tendo longe de vista a realidade voltar.

Pois se voltar, fujo de novo

Pra minha nova casa,

Onde a alegria reina o meu dia

E não atrofia a vontade de tocar.

Mais uma vez agora,

Já nem vejo a hora por mim passar.

A conquista minha é terna,

Além disso, eterna,

Até meu tempo acabar.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!