Conheça o Amor
1 Conheça o Amor
As pessoas podem dizer o que quiserem, tudo é permitido, entretanto nem tudo convém. Não sei vocês, mas já ouvi muitos falarem sobre o amor, bem e mal, como uma flor sujeita ao mal-me-quer e o bem-me-quer.
Hoje eu me peguei andando sobre as nuvens, semeando estrelas e colhendo árvores inteiras de frutos irradiantes.
Passei a fronteira e entendi o verdadeiro significado da expressão: “vida é uma caixa de bombons”.
Diferente do que a atualidade proclama, o amor não é conjugal, restritivo, e direcionado a uma só alma. Ele é comunitário, abrangente. Não é egoístico como a contemporaneidade prega. Admito que é um bom começo amando uma só pessoa, todavia aquele que se restringe a um só rio, esquece que há oceanos. Longe de todo o hedonismo, longe de toda resignação... Há um mundo que necessita de pessoas como nós, que esquece por um momento a cor, a religião, se o céu é azul esplendor ou vermelho sanguinário.
Vi pessoas dançando em harmonia, vi sorrisos, beijos apaixonados, tristemente enxerguei tanques e artilharia pesada, crianças chorando nos braços de guerreiros, que na sua forma de fazer o bem cantavam a única cantiga de ninar que conheciam: a guerra, no choro da criança, o suplício por Amor.
Ao retirar correntes, seja ela de prisioneiros ou puritanos, vemos que os seres humanos podem ser muito melhores do que se apresentam. Do mesmo modo que a abelha busca o mel e o abutre encontra a carne, nós podemos encontrar a beleza, e não a massificação, essa destruição que deixa sequelas como a normalidade.
Admito que ainda estou acorrentando ao passado, ainda sinto-me abandonado por antigas companhias. O arcaico conto da montanha: o homem vê a carroça em chamas e avista uma oportunidade de salvar seu alimento para o resto da vida, no entanto hesitante em soltar a cesta de frutas, deixa seus alimentos a deriva do vento atrito.
Ainda estamos presos ao “um”, ao único, ao ego. Nada substitui o calor humano, nada supri essa necessidade inata do diálogo, apenas uma psicopatologia leva um homem a sobreviver sem afeição. Ninguém vive de paixões, pois a busca é ininterrupta, é um fogaréu aceso e incandescente, depois das chamas vêm as cinzas, e o calor intenso esfria-se, em doces ruínas. Ledo engano.
Os indivíduos associam-se a sintonias que os apetecem, a dona de casa sintoniza uma rádio aprazível, o homem encontra o canal que o diverte, e a criança elege um brinquedo para chamar de seu ou um prato para não deixar cair o esqueleto. Se eles escolhem a guerra, com a desculpa da paz, eu escolho o Amor, e levando em conta o meu grau evolutivo, escolho o Amor com todo o perdão que me será requerido.
As noites insones pela alta influência do mal tentando me corromper, a deturpação moral e espiritual por flechas que tentam me desviar descontroladamente. Sei que encontrarei prazeres fugazes e me sentirei derretido por tentações avassaladoras, mas não prometo abraçá-las, até onde sei, isto não se chama Amor.
Não ponha-se uma coroa, nem de espinhos, nem de pérolas, aprenda a domesticar o que te atordoa. Perguntam-me a causa de todo o caos que assola a humanidade, em seus diferentes estágios, digo que continuará assim enquanto os alicerces civis não serem fundados na fraternidade, na solidariedade, no verídico altruísmo.
Não se trata de religião ou cultura. Vejo muitos ateus serem melhores que espiritualistas afora. Leia um conselho, não busque uma política salvacionista, e sim uma libertadora. A salvacionista é terceirizada, pois é necessário outrem para retirar-te de uma situação intolerante. A libertadora diz: “O problema é seu, cuide você dele, nós damos os fundamentos, você constrói a sua estrada”. Repetir sentenças, ou jogar-se de um abismo não te libertará, anote isso. Por favor.
Véspera de ano novo. Esta é a hora de por em uma balança as suas ações. A filantropia ou os atos misantrópicos cultuaram sua morada e caminhada? Não é tarde demais, leia as palavras de um garoto que com certeza já foi esmurrado diversas vezes por pessoas que tanto tinham a sua confiança, e ainda têm, mesmo longe e inalcançáveis por meios físicos.
Não baseiem-se em seus transtornos narcísicos, isso afasta as pessoas, enriquece uma bolha invisível e nos acouta dentro dela em profundos desenganos e torturas involuntárias, em um método de punição instintiva: o medo de amar, afugentamo-nos com fobia de que o próximo ser a se aproximar seja capaz de atos atrozes, necessitamos do outro.
Lembre-se sempre disto: não importa de quem tenha vindo o leite materno que te alimentou, seja da sua mãe sanguínea, adotiva, ou de um banco de leite materno qualquer, se uma pessoa não estivesse disposta a doar um mínimo do pouco que tem, você, querido ou querida, não estaria lendo isto. Não mesmo.
Espero que a mensagem tenha sido passada, ou que pelo menos uma frase tenha se instaurado no inconsciente. Há um universo de possibilidades além do óculos escuro.
União, não adeus.
FIM
31/12/2014
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