Conhecendo o passado
5 Capítulo 4 "O Professor "
Notas iniciais
P.O.V Snape
Acordei nesta manhã com a cabeça girando pela ressaca da noite anterior, já se fazia mais de 10 anos que ela se fora e por incrível que pareça nem um dia se quer deixei de pensar nela.
Me sentei na cama, odiava a proximidade desta data, não conseguia esconder minhas emoções.
Pensar que eu tive uma chance de fazê-la feliz, de tê-la comigo e essa oportunidade esvaiu em minhas mãos, desde então, quando chegava perto do dia em que ela se foi eu me deixava levar pela bebida, decaía, entrava em um bar trouxa onde ninguém me conhecia e só saia de lá quando o lugar fechava, posso não estar bem, mais nunca deixaria minha moral cair em frente ao mundo bruxo. Nunca!
Respirei fundo e voltei ao meu estado normal, esvaziei minha mente, nenhum sentimento poderia me afetar agora.
Fui ao banheiro, tomei um banho para retirar aquele cheiro de Whisky do corpo, coloquei minhas vestes de sempre e quando me virei para ir para ao Salão Principal, deparei-me com Dumbledore em minha porta com aquele sorriso de criança que estava preste a aprontar, que eu conhecia tão bem graças aqueles cabeças ocas!
– O que quer Alvo? – perguntei logo de cara.
– Fico feliz que já tenha se recuperado da noitada. — ele sempre sabia de tudo, posso deduzir que nem fora necessário legilimência.
– Já estou melhor. E o que te traz tão cedo ao meu dormitório? Com certeza seria mais uma de suas missões suicidas? – perguntei com ironia.
– Tenho algo fácil para você Severo, quero que vá buscar uma aluna que já era para estar aqui a algum tempo. – falou ele sorrindo.
Um aluno em Hogwarts? Em pleno mês de julho? Isso não estava certo, com certeza há muito mais por traz disso do que posso imaginar.
– Eu? Buscar um aluno? Não me faça rir Alvo, mande Hagrid fazer isso. – respondi de mau humor.
– Isso não é uma piada Severo, se bem que você anda precisando rir um bocado. Mas infelizmente Hagrid não vai poder ir, ele está em uma missão em que eu o enviei.
Minha paciência já tinha se esgotado, Hagrid em uma missão? Por Merlin, a única coisa que aquele “ser” consegue fazer é causar confusão, e agora Dumbledore quer me ver de babá novamente, já não basta ter que ficar de olho no Potter, que parece ter herdado a esplendida qualidade de seu santo pai, de atrair problemas.
Respirei fundo.
– Onde quer que eu vá?
Seu rosto se abriu em um largo sorriso.
– Quero que traga para mim a Srtª Susan Baker, é essencial que ela esteja em Hogwarts a partir de agora, ela mora em Londres com uma família trouxa, a garota terá que comparecer a uma audiência no Ministério, praticamente matou um jovem na escola em que estudava, eu irei acompanha–la no dia que em a audiência estiver marcada. Lembre–se provavelmente ela e a família, estão assustados com a grande novidade, então peço que tenha cautela e principalmente paciência.
Eu tendo paciência? Definitivamente Alvo não estava batendo bem da cabeça, nunca fora um exemplo de sanidade mas agora ele conseguiu vencer seu próprio recorde.
– Quando eu devo partir?- perguntei entre os dentes
– Agora são... – alvo consultou o relógio que estava em minha escrivaninha- exatamente 9:55... creio que já pode ir aparatando.
Devo ter acordado com uma enorme quantidade de sorte, não me impressionaria se alguém me dissesse que junto com o Whisky, eu tivera bebido um frasco inteiro de Felix Felicius.
– Nos vemos no almoço. – respondi enquanto pegava minha capa de viagem
– Ah... esqueci de lhe avisar Severo, você terá que acompanha–la ao Beco Diagonal para as compras, aqui está à lista de materiais, ela terá que comprar alguns livros extras, já que vai ter que complementar os anos perdidos, e ai está também o endereço. – falou Alvo me entregando a lista e um pedaço de pergaminho.
Devo ter cuspido no tumulo de Salazar para merecer isso. Li o pergaminho com o endereço.
Street San Paul Mark, 213. Londres.
– Então... nos vemos mais tarde.
Foi a última coisa que lembro ter dito antes de aparatar no único lote vazio de uma rua lotada de casas.
Era uma manhã fria e nublada, pelo menos o clima não estava aquele calor infernal, o sol se escondia atrás das grandes nuvens espessas. Peguei o pedaço de pergaminho que Alvo tinha me entregado.
Agora eu entendi, o pergaminho não era só o endereço da casa dos Bakers, mais sim o segredo do feitiço fidelius. A casa da garota era protegida por Dumbledore? Isso não fazia sentindo algum, ela era nascida trouxa porque necessitaria de proteção?
Depois de ter lindo e relido o endereço e pensado um pouco sobre o assunto, percebi que a casa já tinha se formado na minha frente, fui até a porta dos fundos, o que eu menos queria era chamar a atenção de um bando de trouxas.
Bati na porta e esperei que alguém viesse até mim, para minha surpresa não demorou muito para a porta se abrir e uma garota muito branca de cabelos pretos aparecer.
Ela realmente me lembrava... não...não podia ser... a ressaca de ontem á noite deve ter afetado os meus neurônios, mais antes que eu pudesse ter tempo para fazer algo ela se atirou em meus braços. Em primeiro momento não soube como reagir, ela era tão pequena, indefesa, parecia amedrontada senti que deveria protege–la, foi como se minha vida de agora em diante só pudesse existir se ela estivesse a salvo.
Esse momento fraternal durou mais do que devia, segurei em seus braços e disse:
– O que pensa que esta fazendo Srtª Baker?
A face da garota ganhou um tom avermelhado, fazendo com que parecesse ainda mais indefesa.
– Me–me Des–desculpe... – respondeu envergonhada.
– Onde estão os trouxas? Não tenho tempo para enrolação. – respondi me recompondo.
– Trouxas? – me perguntou ainda muito tímida.
Odiava ter que ficar dando explicações fora da sala de aula.
– É assim que chamamos as pessoas que não são tem sangue mágico. – respondi com desprezo.
Ela franziu o cenho, não precisei olhar muito para os seus olhos para perceber que não havia compreendido uma palavra se quer do que eu havia dito.
– Vou simplificar para a Srtª, Trouxa, é quem não é bruxo. – respondi com mais desprezo do que podia, o que eu odiava mais do que dar explicações era falar dos trouxas.
– Ah, sim... entre por favor. – me disse ainda com um leve tom de vermelho no rosto.
Ela me levou até a sala, onde estavam uma mulher de olhos extremamente azuis e um homem carrancudo que me olhou com um ar de superioridade que chegou a me causar náuseas.
– Quem é esse homem Susan? – ouvi a mulher sussurrar para a garota.
O homem carrancudo parecia que estava se sentido intimidado com a minha presença, se levantou e foi em direção a Srtª. Baker
– Quem você pensa que é sua delinquente – berrou ele enquanto apertava o braço da garota – para colocar esse tipo de gente dentro de casa?
A menina me olhou com um desespero enorme estampado no rosto, posso ter os meus defeitos, mas nunca suportei um homem maltratar uma mulher na minha frente, já tinha visto o suficiente na minha infância, quando meu pai batia em minha mãe. Não aguentei tive que me pronunciar.
– Os trouxas se gabam tanto de sua “educação”, e por incrível que pareça, eu nunca tive a oportunidade de aprecia–la. – respondi com um sorriso sarcástico nos lábios.
O homem pareceu extremamente envergonhado, soltou o braço da garota, não sabia se tinha feito bem em ter intrometendo em uma discussão familiar.
– Quem é você? E o que você quer?– O homem reafirmou novamente a pose de autoritário.
– Melhor assim. – respondei com um leve tom de sarcasmo. – Vamos direto ao assunto, me chamo Severo Snape, sou professor de poções na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, vim buscar a Srtª Baker, ordens de Dumbledore, diretor de Hogwarts.
– Você não vai levar ninguém. – retorqui-o trouxa.
– Infelizmente eu vim á esta casa hoje fazer o que me mandaram, e acreditem preferia estar em qualquer outro buraco no mundo em vez de estar aqui, apenas estou cumprindo ordens. – respondi totalmente azedo, mais por incrível que pareça a garota sorriu para mim
– Mal conhecemos você! Susan não vai sair daqui! – falou a mulher.
Aí meu Merlin! Eu não me levantei em um sábado, de ressaca, para ter que aguentar briguinhas de família. Suspirei “Ah...Trouxas”.
– Ordens uma pinoia, ELA NÃO VAI E PONTO! – gritou o homem
Parece que hoje, todos acordaram para tornar o meu dia mais agradável, e esse babaca gritando comigo era uma forma de reafirmar isso.
– Ordens foram feitas para serem cumpridas caro Sr. Baker, se Dumbledore me disse para levar a Srtª. Baker é o que eu farei. – o homem abriu a boca em protesto mais não o deixei que prosseguisse – E Não tente me impedir.
– Mais... – começou a mulher.
– Não existe mais. Ela irá comigo e nossa conversa pode ser dada como encerrada.
Acho que agora perceberam que eu não estava para brincadeiras, porque em fim calaram a boca.
– Pegue suas coisas. – falei para a garota.
Ela me obedeceu imediatamente, o que por um breve momento me fez sentir um pouco mais aliviado, pelo menos alguém ali mantinha o mínimo de respeito possível pela minha pessoa.
Os pais dela ficaram ainda mais perplexo, pelo visto ela não era muito de obedecer, mas comigo as coisas seriam diferente, se fosse para passar à tarde em minha companhia, ela teria que ter alguns quesitos.
– Segure firme. – disse enquanto estendia meu braço esquerdo para ela.
Aparatamos no beco que ficava nos fundos do Caldeirão Furado e entre a passagem para o Beco Diagonal.
– Onde estamos? – perguntou a garota meio animada meio zonza ainda se segurando em mim.
– Em Londres. – respondi secamente.
Provavelmente à desapontei, acho que ela esperava uma casa mal assombrada onde pessoas faziam rituais sangrentos, mais para mim o Caldeirão não era muito diferente disso, aqui pelo menos você pode encontrar qualquer tipo de criatura.
Entramos no bar, tudo muito escuro, apinhado de gente, vozes que vinham de cada canto do estabelecimento sessaram de repente, as cabeças se voltavam para mim e para a garota, me admirando? Talvez...porém as caras de espanto já demonstravam claramente o que cada um estava pensando.
“O professor mais mau humorado de Hogwarts está passeando por aí com uma garota de 15 anos.”
Passe normalmente com minha capa esvoaçante como se não houvesse um misero inseto no momento, parei no balcão com a garota ao meu lado.
– Tom. – chamei pelo homem corcunda e branquicelo que era o dono do bar.
– Professor Snape. Eu já lhe aguardava. Deseja beber algo?
– Estou a trabalho, leve as bagagens da Srtª. Baker para cima, volto antes do almoço.
Quando me virei para ir embora para minha felicidade ouvi a voz do Tom novamente:
– Professor. Professor Snape, espere por favor, há um pequeno problema. – disse ele quanto vinha apressado em minha direção.
– Problema? – perguntei levantando a sobrancelha.
– Sim, a garota não pode ficar aqui sozinha sem autorização!
– Autorização? – mais de que diabos ele estava falando?
– Sim, ele precisa da autorização dos pais ou do guardião legal. O Senhor trouxe a autorização?
Como poderia ter a autorização se eu praticamente a raptei e a trouxe para cá.
– Eu não fui informado sobre isso.
A garota soltou uma risada baixa mais era notável que ela estava se divertindo com a minha desgraça.
– Infelizmente ela não poderá ficar aqui sozinha, a não ser que o professor se hospede junto.
– Eu? – mas será que todos estavam contra mim?
Olhei para a garota que se assustou também.
– Sim professor, a Srtª. Baker só poderá ficar aqui com um adulto.
– Então reserve dois quartos... – antes mesmo de que eu terminasse
– Não será possível professor.
– Por que não? – minha paciência já estava no limite.
O dono do bar estava suando frio.
– É que estamos lotados por causa das férias de Hogwarts, Professor, só temos um quarto disponível.
E é isso que eu ganho por ser um professor dedicado, dá próxima vez que Alvo me pedir algo...
– Então leve as malas da Srtª. Baker para cima vou resolver algumas coisas dentro de meia hora estou de volta.
– Está bem me acompanhe Senhorita. – disse Tom enquanto subia as escadas com as coisas da garota, antes que ela o acompanhasse a chamei.
– Srtª. Baker...
– Sim professor?
– Não sai do seu quarto, eu volto logo.
– Vai me deixar sozinha aqui? – perguntou ela olhando em volta.
– Você não é mais um bebê sabe se virar, suba e fique no quarto.
– Eu não posso ir com o senhor?
– Você acha que vou ficar andando com Srtª. nos meus calcanhares? Vou resolver um assunto e em breve estou de volta...
– Que assunto?? — me questionou curiosa.
Fico alguns minutos com a pessoa e ela já acha que sou sua propriedade.
– Um assunto do qual não lhe interessa. Agora eu vou sair e você vai ficar, não me arranje encrencas. Fique no quarto!
– Que Saco! – retrucou ela,
Arquiei a sobrancelha — pensar que ainda vou te que ficar de babá dessa garota ate amanhã.
– Tá bem, te espero lá em cima. – ela disse bufando em quanto acompanhava Tom.
Sai em direção à rua, precisava ver se as minhas suspeitas eram verdadeiras, a marca ardia em meu braço não havia erro aquele-que-não-deve-nomear estava por perto.
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