Notas iniciais
Kiss me or Kill me.

Ela ouviu sobre ele através de seus informantes. Seu território se estendia pela parte norte de Londres, sendo Camden Town seu coração — e em Camden Town ela estava agora, esperando para falar como um homem em específico.

Ela era uma mulher de negócios, e isso fazia com que ela e o homem que ela esperava ver fossem como iguais. Seus pensamentos se voltaram para seus arranjos novamente, as mercadorias dela tinham rota assegurada pelo Tamisa, desde que estivessem dentro dos termos da legalidade, tudo detalhado no papel com permissão da Coroa, mas haviam coisas que ela precisava esconder dos olhos da lei.

Devido a essa situação, ela precisaria usar a doca de Limehouse e consequentemente Camden Town, e para que isso acontecesse ela precisaria entrar em acordo com o dono do lugar.

O Rei iria rir ao ouvir que outra pessoa supostamente era o "dono" de alguma propriedade pública, sendo que todos os bens públicos obviamente pertenciam ao governo. Mas, na realidade, a pessoa que realmente comandava as docas em questão era um certo judeu de reputação e seu nome era Alfie Solomons.

Os informantes dela tinham dito que o Sr. Solomons lidava com três tipos de negócios no momento, sendo o primeiro deles as corridas. Corridas podiam ser muito lucrativas para as partes envolvidas, mas, assim como ela havia escutado, os Italianos estavam começando a crescer, entrando em choque direto com os judeus na luta pelo poder, assim como por influência e território, dessa forma empurrando Sr. Solomons para fora do jogo.

Ele havia pregado alguns Italianos, mas não o suficiente para que eles parassem de emergir novamente.

Ela poderia ter procurado pelos Italianos — como havia sido recomendado — afinal, eles sendo um poder em ascenção, poderiam ambos envolvidos se ajudarem a crescer, já que eles tinham boas conexões com as famílias de Nova York, e tendo a polícia em seus bolsos em ambos os países, no entanto, ela não confiava nos Italianos.

Todas as suas negociações anteriores com eles sempre terminavam em sangue e honra, no entanto, ela sabia que ter uma relação com o Judeu iria desestabilizar as coisas nos EUA.

Todas as mudanças eram acompanhadas de um preço, ela pensou.

Maureen mordeu seu lábio como se esse simples gesto pudesse fazer com que seus pensamentos fluíssem com mais facilidade. Ela também tinha cavalos de corrida, puros sangue árabes, alazões Thoroughbred e os bons e velhos Standardbreds. Uma fortuna em cavalos só valeria a pena desde que fossem colocados nas corridas, e ela percebeu que a melhor oportunidade seria investir com Sr. Solomons, e eles poderiam chegar em um acordo quanto a porcentagens razoaveis — óbviamente, ela teria que forçar uma boa barganha com ele, pois havia chegado a seu conhecimento que ele normalmente era agressivo em suas negociações, muitas vezes oferecendo um acordo em seus termos ou a morte.

Outro negócio em que o Sr. Solomons estava envolvido era o de bebidas, Rum para ser precisa. Ela também tinha um meio de colocar a bebida no mercado em lugares além de Londres, ainda além da Inglaterra, em lugares que havia a lei seca. Ademais, a bebida que ele fazia era mais barata do que aquela que era comprada para os estabelecimentos dos parceiros dela, mas sobre tudo isso ela nada falaria.

Nada disso era relevante, nem eram seu objetivo principal.

Ela estava ali para encontra-lo por outro motivo, e então julgaria se negociar com ele valeria o conflito iminente com os Italianos.

Particularmente, ela estava esperançosa.

Por fim, ele também completava sua renda com as quantidades que ganhava para proteger estabelecimentos locais e bookmakers judeus.

O objetivo dela era extender seu domínio por Londres também, e ele era sua porta dourada, uma oportunidade e expandir seu negócio e seus lucros, mas como aconselhada mais cedo, ele era um homem de temperamento difícil com a inevitável predisposicão de partir crânios. Muito imprevisível até, eles diziam.

Por que ela arriscaria a certeza com os Italianos e suas tradições com um homem dessa reputação? Bem, talvez fosse pois ela tinha um ponto fraco por reputações ruins — ela estava para conhecer o monstro que colocava medo no coração de homens adultos.

Contra toda probabilidade, ela estava parada em frente a porta do galpão na rua Bonny, esperando anunciar sua chegada, no entanto, ela sabia que eles já deviam saber que havia uma mulher parada a porta.

Uma semana atrás ela havia enviado um telegrama o cumprimentando, um telegrama de um representante sem nome de uma empresa de exportação e importação chamada SEAMDU. Ele havia respondido positivamente para que o encontro ocorresse.

Foi muito fácil, não é? Eles deveriam estar esperando algo diferente, ela tinha certeza disso. Ainda que estivesse esperançosa, ela tinha certeza que o Sr. Solomons ia tentar engana-la ou ameaça-la — mais provavel ainda pois ela era uma mulher em um mundo de homens.

Ele a testaria, com certeza, e também estaria a analisando e julgando se ela valia o transtorno do negócio, pois havia sido SEAMDU que tinha entrado em contato com ele, dessa maneira dando a ele uma grande vantagem nas negociações.

Sr. Solomons deve ter procurado pelos registros da companhia, e seria um tolo se não o fizesse, mas não encontraria nada fora do comum. A companhia estava registrada em nomes falsos, tendo em seu patrimônio alguns estaleiros, um barco e propriedades de campo, nem mesmo 1/3 da empreitada estava da Inglaterra ainda — estando espalhada entre os EUA e a África.

Então, que tipo de informação ele conseguiria das ruas? Muito provavelmente as palavras que haviam sido implantadas nas bocas daqueles escolhidos, aqueles que haviam sido pagos para mentir.

No fim, quem poderia saber com certeza o que esperar dele?

Maureen bateu na porta de metal do galpão, suspirando profundamente — lá ia ela novamente.

Talvez ela morresse naquele dia, estando sozinha com ele, mas para ela a morte não poderia vir rápido o suficiente. Era tudo parte da sua barganha.

Ela olhou para o céu cinzento, o sol escondido atras de nuvens novamente — Maureen nunca pensou que um dia teria saudades do Sol, nunca tendo sentido falta do astro tanto quanto naquele país escuro e chuvoso. Podia ouvir os passos de alguém se aproximado do outro lado da porta, mas não se virou, até que a mesma se abriu para ela.

Um homem de cabelos negros e avental sujo a atendeu.

—O que você quer? – ele perguntou.

Enquanto ela se virava, percebeu como o homem a olhava com uma expressão franzida e desconfiada, quase incrédulo, e ela entregou um cartão para ele.

—Eu vim em nome de SEAMDU, Import & Export.

O homem olhou para o cartão, confuso e então para Maureen, julgando se ela estava falando a sério com ele. Eles realmente não sabiam o que os havia atingido, não é mesmo?

—Espere aqui – ele disse, entrando na contrução novamente, porém deixando a porta aberta.

Maureen havia chego uma hora antecipadamente, e sendo uma mulher e não um homem, isso deve ter confundido seus planos. Ela adentrou no lugar em silêncio, analisando seus arredores, as paredes de pedra, o chão nu sem qualquer tipo de piso. No entanto, o lugar era quente e abafado, e o ar era carregado pelo cheiro do álcool, e ela secretamente quis se inebriar com o odor, quem sabe isso relaxaria seus nervos.

As vozes pararam por um momento quando ela entrou. Pessoas em geral não gostavam de estranhos se metendo em seu território, suas tarefas, e aqueles não eram diferentes.

Logo, o homem que a recebeu estava voltando, tendo outro seguindo seu encalço. Mauren ladeou sua cabeça os analisando.

—Levante os braços – disse o primeiro homem.

O homem revistou ela sem mesuras, procurando por armas – as quais encontrou – em dois holters laterais. Ele revirou os olhos.

—Ser cuidadosa nunca é o suficiente, não é?

—Então, você representa uma companhia... SEAMDU, o que isso quer dizer? – o segundo homem disse olhando para o cartão através de seus óculos de meia lua dourados. A primeira coisa que ela notou foi que havia uma cicatriz no rosto dele, fazendo uma falha em sua barba cheia.

—É em honra a um amigo. – ela disse, bem sabendo do significado implícito em afirmar isso.

Ele olhou para ela através de seus óculos. Ele era diferente. Ele não olhava para ela com suspeita ou cautela, mas sim com curiosidade. Curiosidade era bom, isso significava que ele comandava as coisas ali pelo menos em alguma medida. Só poderia ser Alfie Solomons.

—Amigo morto? – ele perguntou, tirando os óculos.

—É o que parece – ela disse.

—Huh, eu estava esperando um representante, não um fundador – ele disse – Veio ver minha bakery, é isso?

Ele se virou de costas para ela e seguiu para o fundo da construção.

Ela o seguiu.

—Eu vou olhar para o que você quiser me mostrar – ela disse.

—Qualquer coisa, é? Que tal se eu te mostrar a porra da porta de saída? – ele disse.

Uma parte dela queria abrir o crânio dele naquele momento.

—Uma escolha muito ruim, verdade – ela disse.

—E por que seria isso?

—Já presenciou uma avalanche?

—Não.

—É claro que não, você estaria morto se tivesse visto uma de perto. Todas elas começam com um pequeno floco de neve, até as maiores delas.

—E você sobreviveu, suponho? – ele perguntou.

Ela riu, satisfeita.

—Eu já estou morta.

Ambos entraram no que parecia ser um escritório, ele sentando em uma cadeira perto da mesa cheia de papéis empilhados. Ela não pediu permissão para sentar na cadeira em frente a ele, apenas o fazendo.

—Então, o que um fantasma poderia querer? – ele disse, movendo suas mãos no ar.

—Bem, eu estava esperando para ver o que você tinha para mim – ela disse, provocando ele um pouco para ver como ele reagiria.

—Sabe, foi a porra da sua companhia que mandou, você sabe, o telegrama, isso foi a sua companhia. Eu não vejo porque eu deveria te mostrar qualquer coisa, então que merda que você quer?

—E você aceitou nos ver quando eu meramente mencionei uma conversa polida, então não acha que deveríamos conversar claramente? Eu acho que ambos temos objetivos aqui. Vamos falar sobre eles.

Ele a olhou intrigado por suas palavras. Por alguns instantes ficou em silêncio, julgando ela por um minuto, coçando sua barba e tentando perceber algo nos olhos dela, nem que fosse uma pequena hesitação, testando o terreno que começava a pisar.

—Falar, você diz? Huh, ta bom. Você gosta de pão, senhora...?

—Senhorita von Braunn.

—Huh, então...?

—Eu gosto o suficiente. – disse ela.

—O suficiente? Mas que merda horrível é essa, ninguém gosta de algo apenas o suficiente – ele disse abrindo a gaveta de sua escrivaninha e tirando uma garrafa que colocou sobre a mesa.

—Ouvi dizer que sua companhia... – disse ele abrindo a garrafa e pegando dois copos – tem negócios com homens muito... – ele começou a encher os copos – muito... muito poderosos. Homens do Rei.

—Eu não trabalho para a porra de um Rei – disse ela – Não é meu Rei.

—Ai que você está enganada, todos somos homens do Rei quando no Reino.

Ele empurrou um copo para ela, o líquido translucido era familiar, rum branco.

—Se você achasse que eu era do Rei, nem sequer teria me deixado entrar no seu estabelecimento.

—Oh, agora é um estabelecimento, ey? Por acaso parece a porra de um estabelecimento onde você pode entrar e começar a fazer malditas exigências? – ele estava começando a mostrar suas cores reais.

Alfie Solomons não estava predando ela, no entanto. E ele também não estava a tratando diferente só por ter uma buceta entre as pernas, e isso era justo, ter o mesmo tratamento recebido pelos homens. Maureen permaneceu calma, esperando para ver onde aquela tempestade o levaria – Porra de companhia, vindo do outro lado da porra do mundo, para se meter nos meus negócios. Você sabe que porra eu deveria fazer com você?

—Espalhar a porra dos meus miolos pela sua parede ou algo assim? – ela disse, imitando o sotaque dele.

—Não tem nenhuma parede atrás de você. – ele disse.

—Sr. Solomons, estamos perdendo tempo precioso.

—Eu nunca me apresentei, como sabe que sou quem você acha que sou?

—Porque ambos sabemos o que queremos, é por isso. Você certamente sabe o que quer, não é Sr. Solomons?

—E como você sabe o que eu quero? – ele perguntou, interessado.

—É simples. Eu quero o que você quer. Isso faz de nós aliados com um objetivo em comum. Talvez possamos negociar um pouco de cada um de nós – ela disse, bebericando seu copo – Eu tenho meios de fazer valer seu tempo.

—E você precisa de uma rota segura para Londres, longe da lei – ele disse, provando do seu copo de rum também.

—... E você tem sofrido para se manter no topo da cadeia alimentar no seu negócio. Quando foi a última vez que você esteve no topo dela? E as corridas, como tem controlado elas?

—Eu controlo elas muito bem – ele disse, olhando para ela com ressalvas.

—Não foi isso que escutei, Sr. Solomons.

—Bem, você ouviu essa merda errada. Do jeito que eu vejo, é você quem precisa mais de mim do que eu de você.

—E do jeito que EU vejo, eles vão te encurralar como um animal. Eles já tem a polícia na coleira curta.

—Eu não confio na polícia. – ele disse.

Ela riu.

—É verdade, a polícia é um cachorro treinado, e vai morder sob o comando de quem pagar mais.

Ela o olhou novamente, e manteve o silêncio enquanto tentava adivinhar o que acontecia dentro da cabeça dele. Seus olhos azuis tinham um pouco de verde, ela podia notar, e isso fazia com que eles parecessem lagoas.

—Sabe quanto pão produzimos por semana? – ele perguntou, por fim.

—Eu não imagino.

—Por volta de dez mil – ele disse.

—Vocês têm cozinhado bastante – ela disse, bebendo mais um gole de seu copo.

—É... gostando do que está provando? – ele disse.

—Apenas o suficiente, Sr. Solomons.

—Huh, alright! — os olhos dele se deslocaram dela para os papéis na mesa, ponderando o que havia escutado, e então olhou para ela novamente – E tudo isso para que você passe algumas mercadorias rio acima. Eu já perguntei duas vezes, não me faça perguntar uma terceira.

Eles permaneceram em silêncio por alguns instantes, apenas se encarando. Ela então abriu sua cigarreira e aceneu um cigarro, respirando profundamente.

—Eu quero... – ela olhou para ele. Ele era tão inteligente quanto bonito, e obviamente mortal também. – Eu quero um beijo.

Ele debochou dela.

—Mas que puta merda, eu pensei que estávamos discutindo a porra de um negócio, isso não é a merda de uma de suas festas do chá ou qualquer que seja o nome que você chame. Isso aqui é você desperdiçando meu tempo. Se você queria tanto uma foda, deveria ter virado a esquina em outra direção. E mais do que isso, eu não misturo negócios e uma trepada – ele disse, sua face séria agora, quase irritada, mas seus olhos sorriam.

Era estranho ver que ele não estava nem sequer incomodado, ou mesmo interessado. Mas, também era bom para os negócios, ele era um parceiro que não era facilmente tentado por um rosto. Pragmatismo era uma qualidade, e também uma maldição.

—Então vamos manter isso profissionalmente. Meu desejo é passar minha mercadoria pelo canal sem ser incomodada, e armazenar ela em um galpão próximo, já temos o endereço, e tudo isso com sua proteção. Eu pagarei... 15% do meu lucro líquido.

Ele olhou seriamente para ela.

—Tudo me leva a crer que você é muito inteligente, ou burra pra caralho pro seu próprio bem – ele disse, descansando contra a cadeira – Primeiro, 15%? Essa é a sua merda de proposta? Não. Isso não funciona para mim – seus olhos eram curiosos novamente – Tente de novo.

—Com todas as despesas que tenho com transporte e o pagamento dos inspetores, e os policiais, isso é o que vai sobrar pra você. É apenas justo, você não vai lidar com nada perigoso.

—Não, sweetie, não é assim que funciona. Eu sei o que você vai trazer por essa linha. Peças de arte e esculturas? Esse tipo de coisa não se vende barato. Provavelmente 1/10 do valor de uma peça paga o transporte. Só o transporte. Policiais se vendem barato, o que faz com que os inspetores DE ARTE sejam os únicos que realmente podem pegar uma boa parte do seu lucro. Eu digo... que tenho que ficar com 70% do seu lucro.

—Agora você está sendo irracional!

—Veja vem, eu vou ter que colocar meus homens nesse negócio de proteção, e eles vão ter que receber mais por isso, e vão ter que se afastar daqui, logo, eu ficarei com menos homens para trabalhar e portanto, produzirei menos, reduzindo meu próprio lucro. Do jeito que vejo, é apenas justo.

—Ah é mesmo? Então deveríamos começar a cortar custos. Seus homens não são caros de se manter, mesmo que triplicasse o salário deles, ainda assim eles não seriam “bem pagos”. Em segundo, se o galpão é o problema, então, armazene meus produtos aqui, é um lugar bem grande, não é? Eu só preciso de um lugar seco e limpo. Você quer ser ganancioso Sr. Solomons, mas não funciona assim. Além disso, como eu disse antes, dependendo de como as negociações ocorram agora, podemos pensar em outros tipos de parceria no futuro.

—Eu não vou ser pago para foder com você – ele disse, zombando dela.

—Eu tenho uma ou duas coisas para te ensinar sobre negócios, Sr. Solomons, e não preocupe sua cabeça com pagamento por horas extras, eu não vou pagar... 20%.

Ele se aproximou da mesa, seus dedos entrelaçados, seus anéis dourados reluzindo na luz morna.

—Querendo me mostrar como gerenciar minha bakery? Essa é uma piada, uma porra de uma boa piada. Olha, 50% então – ele disse – desse jeito nós dois ganhamos, e isso sim é justo pra caralho.

—Isso não é justo, você não está fazendo nem metade do trabalho. Armazenar e permitir passagem segura? Isso é uma tarefa menor, eu só estou aqui porque você é quem dá as ordens nessa área. Olha, eu posso ser generosa, claro que posso. Talvez eu até seja, como uma prova de boa-fé.

Ele a olhou com divertimento e colocou a arma sobre a mesa em uma ameaça silenciosa.

—O que você quer dizer com isso? – ela perguntou – É muito pequena para me impressionar, de qualquer maneira. É 30% do lucro líquido, e isso é final.

—É final? Puta merda, não. Você ta vendo essa arma aqui? Você não tá impressionada com essa merda? O que você acha que vai acontecer se você não aceitar meus termos? Sua cabeça, estourada. Seus malditos miolos, espalhados pelo chão. E o que vai pensar disso? Nada, obviamente.

—Você pode tentar me matar, Sr. Solomons. Você pode até acertar um tipo bem na minha cara, mas você não vai me matar. Eu já estou morta, e eu vou voltar e te caçar com coisas que você ainda não compreende.

Ele apontou a arma para ela, puxando a trava do tambor. O lugar permaneceu silencioso, como se o tempo tivesse parado, estranhamente ela se sentia confortável estando do lado errado de uma arma, quase libertador. Ele esperava para ver ela desmoronar sob o peso da arma, esperava ver ela hesitar, mas, agora ela parecia estar ainda mais concentrada nele. Não havia medo no olhar dela, apenas uma certeza. Ela aceitava a morte? Ou achava que ele não ia matar ela? Ela não se rendeu a ele, permanecendo orgulhosamente sentada, confiante e inabalável, e aquilo era muito excitante de ver.

—Eu já te disse, Sr. Solomons, é 30% e isso é final. Dessa maneira, nós dois podemos sair daqui como parceiros de negócios.

Ela defendeu o território dela, e ele podia admirar isso.

—Eu vou pedir para meu advogado elaborar um documento, e você pode assina-lo depois.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!