Confusoes de Uma Cullen
31 Queda
Notas iniciais
POV JACOB
Eu não via a hora de chegar logo no meu quarto, a saudade que sentia de Renesmee estava quase me matando. Só de pensar o perigo que ela correu se expondo daquele jeito, dava vontade de decapitar cada membro do corpo do infeliz que fez isso e atirar numa fogueira. Abri cautelosamente a porta na intenção de não despertá-la, mas, para minha total surpresa, Renesmee já estava acordada esperando por mim.
- Jake! Seus olhos brilharam no instante que ela falou meu nome. Imediatamente, meu coração se encheu de alegria e alivio ao ver que ela estava bem, descansando em minha cama.
- Oi princesinha... Minha voz soou mais como um desabafo. — Como é que a minha heroína esta se sentindo, hein? Forcei um sorriso tranqüilo, na tentativa de esconder toda minha preocupação e raiva daquele manipulador dos infernos.
- Agora muito melhor... Disse Renesmee, retribuindo o sorriso. Encaramo-nos em silêncio por alguns segundos, mas foi impossível fingir que estava tudo bem por tanto tempo. Como se um imã me puxasse até ela, corri em sua direção aninhado-a em meu abraço.
- Ow, meu amor! Que susto você me deu... Sussurrei em seu cabelo, prensando seu corpo cada vez mais forte contra o meu.
- Oh, Jake! Eu sei que eu sou forte, mas se você continuar me espremendo desse jeito, daqui a pouco eu vou virar uma limonada... Ela sorriu ofegante.
- Er... Hã... Desculpe-me, amor... Soltei-a devagar lhe encarando nos olhos novamente. E sem nenhum tipo de explicação, nossos lábios se colaram um no outro, saciando toda aquela saudade que sentíamos. Renesmee me beijava com vontade e o meu corpo respondia com urgência. Eu estava tão envolvido com aquele momento, que perdi a conta do tempo que ficamos nos beijando, o melhor de tudo, era que nenhum de nós precisava tomar fôlego para respirar.
- Sabe, é tão bom ficar assim com você, Jake... Ela suspirou se aconchegando em meu peito. – Faz com que eu me sinta mais forte e segura para lidar com tudo isso, mas o que mais está me preocupando agora é o caso da Claire... Indagou respirando um pouco mais fundo. – Amor, você tem noção de que ela tem apenas a minha idade aparente e já não tem mais nenhum parente vivo em sua família?
- É, eu sei... Afirmei enquanto lhe acarinhava a cabeça. – Nessie, a Claire pode não ter família, mas tem amigos verdadeiros ao seu redor para lhe confortar e um cara chato pra caramba que vai tentar de tudo para fazer com que ela se sinta melhor a cada dia.
- Assim como você...
- Ei mocinha, esta dizendo que me acha chato pra caramba? Encarei-a me fingindo magoado.
- Não seu bobo, eu quero dizer que você faz com que eu me sinta melhor a cada dia... Ela sorriu e se apertou novamente em meu peito.
- Ness, você não imagina o quanto sou feliz ao ouvir essas palavras de sua boca...
- Eu te amo, Jake!
- Eu tamb...
- NÃO QUIL! NÃO! VOCÊ ESTÁ MENTINDO! Os berros da Claire ecoaram pela casa. Nessie saltou da cama feito um foguete e me encarou assustada.
- Jake, ele esta contando a ela! Disse desesperada. Eu assenti com a cabeça e disparamos para a sala.
Encontramos Claire sentada no sofá, com os cotovelos apoiados nas pernas e as mãos escondendo o seu rosto. Quil estava ao seu lado, abraçando-a protetoramente na tentativa de consolá-la, era nítido o sofrimento nos olhos de meu “irmão”.
Feito um flash, Dr Caninos surgiu em seguida, trazendo um copo d’água. Jasper e Alice pareciam duas estátuas, encostados na porta, ambos mantinham o semblante preocupado. Pela cara do “Emossuga” ele provavelmente estava fazendo aquele negócio esquisito de controlar as emoções da Claire, o que pelo visto, não estava adiantando muito no momento.
- Claire, você precisa ser forte agora... Sibilou Quil com a voz cortada, eu podia sentir a dor que emanava do peito dele.
- FORTE??? VOCÊ ESTÁ DIZENDO QUE A MINHA AVÓ VAI MORRER E QUER QUE EU SEJA FORTE? Esbravejou Claire com o rosto inchado de tanto chorar. – VOCÊ NÃO PERCEBE QUIL? MINHA AVÓ É A ÚNICA PESSOA QUE EU TENHO NA MINHA FAMÍLIA! EU VOU FICAR SOZINHA NO MUNDO...
- Claire, você tem a mim, eu nunca vou te deixar sozinha... Respondeu Quil chorando.
- Quil-você-não-me-entende... Disse ela entre soluços.
- Você tem a nós também, amiga... Renesmee se aproximou tentando consolá-la.
- Ness, eu tenho vocês, HOJE! Mas, o que vai ser de mim amanhã? Quando vocês precisarem se mudar? O que vai ser de mim amanhã? Se o meu namoro com o Quil não der certo? É isso que vocês não estão entendendo... A partir de agora, eu serei sempre sozinha! Ela se levantou e correu em direção à porta.
- Claire, espere! Quil a segurou pelo braço, impedindo-a de sair. – Amor, eu...
- Quil, por favor, eu preciso pensar um pouco, me solte... Claire fitou as mãos de Quil agarradas em seu braço. – É irônico eu dizer isso, mas no momento eu preciso mesmo ficar um pouco sozinha... Ele a soltou sem dizer uma palavra e Claire saiu disparada porta a fora.
- Eu vou atrás dela! Quil ameaçou correr por um segundo, mas suas pernas não obedeceram. Em vez disso, ele se encolheu com a mão no peito.
- Quil, deixa a Claire pensar um pouco, ela está nervosa agora, logo ela irá refletir e perceberá que estaremos sempre ao seu lado... Dr Caninos estendeu o copo que era pra Claire, oferecendo-o para o Quil.
- Eu não suporto vê-la sofrendo desse jeito, como ela pode cogitar a idéia do nosso namoro não dar certo? Eu... eu... eu a amo... Quil soluçava feito uma criança.
- Quil, acalme-se, ela vai morar conosco. Afirmou a “mini-vidente” forçando um meio sorriso ao encarar Carlisle. Eu tinha certeza que o “Sanguessuga Pai” não deixaria Claire desamparada.
- Vô, que ótima idéia! Nessie correu para abraçá-lo. – Ow, vô muito, muito, muito obrigada... Comemorou Renesmee.
- Nessie, minha querida, não está nada definido ainda... Primeiramente, nós precisamos reunir a família inteira, para sabermos a opinião de todos e depois ver se a Claire vai aceitar, não podemos decidir nada por ela... Justificou Carlisle.
- Isso é loucura! Uma humana morando com um monte de vampiros? E se o sugador aí sofrer uma daquelas crises de “abstinência sangüínea” e decidir atacá-la no meio da noite? Ponderou Quil apontando para o Emossuga.
- Cala a boca idiota, o Jazz jamais faria isso... Defendeu Alice.
- Chega de discussões, nós já temos problemas demais para mais uma briga. Eu já disse, nós precisamos avaliar nossos riscos muito bem antes de confirmarmos alguma coisa...
De repente reinou um silêncio no local, todos ficaram sem reação no momento em que Seth e Emmet entraram na sala com a Janete em seus braços.
- O que... aconteceu... com... ela? Indagou Renesmee chocada.
POV CLAIRE
Eu não conseguia acreditar em tudo que o Quil havia me falado. Por que eu? Já não bastava Deus ter levado meus pais juntos em um acidente de carro, agora tinha que acontecer com a minha avó também? E agora, o que seria de mim? O que eu ia fazer da minha vida? Corri pela floresta sem saber ao certo onde queria chegar.
Deixei que minhas pernas me levassem a um dos poucos lugares que eu conhecia em La Push e estranhamente me sentia confortável. Não sei como, eu consegui lembrar o caminho e chegar ao topo daquele penhasco onde descobri que estava apaixonada pelo Quil, no dia que ele quis brincar comigo e se jogou do alto para me assustar.
Ali, era o lugar mais lindo que eu já havia visto na vida, eu podia tranquilamente avistar a praia toda. Sentei-me próximo a beirada e deixei minha alma ser lavada pelas lágrimas que escorriam descontroladamente pela minha face.
- O que a “bibelô humana” dos vampiros faz aqui sozinha? Dei um salto e me virei para olhar o rosto da voz que eu já sabia muito bem quem era.
- Você??? O que você está fazendo aqui? Ela abriu um sorriso irônico e se aproximou de mim.
- Por que o espanto? Está com medo de mim, patricinha? Questionou presunçosa.
- Não tenho medo de espantalhos... Revirei os olhos, debochada.
- Você continua a mesma patricinha atrevida e arrogante. Ela cruzou os braços, me fuzilando com os olhos. Só me faltava essa agora, ter que agüentar esse “chassi de pernilongo” torrando meu saco.
- Verônica, eu não estou a fim de discutir com você hoje! Por favor, me deixe em paz!
- Eu avisei que queria você beeemmm longe do Quil, não avisei pirralha? Ah pronto, lá vem ela com esse assunto de novo.
- O Quil NÃO É, nem NUNCA FOI propriedade sua... Respondi rispidamente, frisando bem as palavras “Não é” e “Nunca foi”.
- Ele ERA meu SIM, antes de você aparecer e estragar TUDO! Berrou irritada.
- Verônica, eu já te falei isso uma vez e vou repetir, não fui eu quem escolheu a ele, foi ele que escolheu a mim.
- Claire, se você quer continuar viva, termine com esse namorinho ridículo de vocês! Ameaçou com as mãos trêmulas.
- Eu juro que se eu não estivesse tão mal agora, cairia num ataque de risos com essa sua ameaça grotesca. Verônica coloque uma coisa na sua cabeça, eu me APAIXONEI pelo Quil, não vou desistir da minha felicidade por sua causa...
- Pirralha, essa é a ultima chance que estou lhe dando, senão...
- Senão, o quê? Interrompi antes de ela terminar a frase. — Você vai me matar? Debochei. A raiva em seus olhos era tanta, que o seu corpo inteiro imediatamente começou a tremer e em questão de poucos segundos, um lobo castanho claro enorme tomou forma na minha frente. Seus dentes grandes estavam trincados, rosnando diretamente para mim. – Verônica pare com isso! Pedi demonstrando tranqüilidade. Ela me fitou e avançou dois passos na minha direção, instintivamente, eu repeti seus movimentos recuando dois passos para trás.
Foi então que eu percebi que ela falava sério, quando disse que me mataria. – Verônica, se você relar o dedo em mim, o Quil vai acabar com você! Tentei persuadi-la, mas, parece que obtive o efeito contrário, pois, ela ficou mais nervosa ainda, avançando mais um passo. Olhei para o lado e me certifiquei que eu estava encurralada, se eu desse mais um passo para trás, cairia do penhasco. Eu não sabia o que fazer, até pensei em gritar, mas, eu jamais deixaria essa “tripa seca” imaginar que eu estava com medo dela. O quê? Eu tinha orgulho próprio.
- Vamos logo com isso, Verônica! Leah adentrou meu campo de visão em sua forma humana. Ué, elas não haviam dito que iriam viajar? – Você não vai desistir agora, não é? Ande, não seja covarde, acabe logo com isso... Pensei por alguns segundos e o óbvio, de repente, ficou claro em minha mente.
- Foram vocês! Acusei surpresa. É lógico, que elas estavam envolvidas nisso tudo que tinha acontecido.
- ÓÓÓÓ... A “monstrofriend” descobriu a America! Zombou Leah aplaudindo. – Vocês são um bando de otários mesmo. Tudo estava saindo perfeito até você, a “monstrinha” e aquela bicha esquisita entrarem no meu caminho... Ah, mas vocês vão pagar muito caro por isso, começando por você... Ela cruzou os braços e encarou a loba na minha frente de novo. — Vai logo Verônica! Nós precisamos ir embora, o Nahuel contou que meu irmão quase pegou a Muhane, a essa altura eles já devem desconfiar de nós...
- Nahuel? Esse não é aquele meio-vampiro que estava afim da Nessie no aniversário dela? Não foi ele que ajudou a salvar a vida dela há um tempo atrás? O que ele tem a ver com isso? Quem é Muhane? E a Janete? O que vocês fizeram com a Janete? Despejei um monte de perguntas e Leah explodiu uma estrondosa a gargalhada.
- Garota, você é mesmo esquisita, hein? Está com o pé na cova e ainda arruma um jeito de ser curiosa e intrometida, Verônica, se você não acabar com essa “puxa saco de vampiro” agora, eu mesma faço! Ordenou autoritária. Verônica encarou-me fundo nos olhos e alguma coisa naquele olhar me disse que ela realmente não queria me matar.
- Você não quer fazer isso... Sussurrei, sem tirar os olhos dela. – Você não precisa fazer isso... Ela desviou o olhar para Leah e sem seguida, voltou o olhar pra mim. – Você não precisa fazer o que ela manda, ela não é nem de longe um Alpha para ordenar alguma coisa... Eu pude claramente, sentir a fúria de Leah com minhas palavras.
- Ah não Veronica, era só o que me faltava! Esbravejou irritada. — Eu não acredito vai deixar essa “pirralha” que ROUBOU o Quil de você, te desencorajar... As duas continuaram se olhando em silêncio por alguns segundos. – Ele vai superar isso Verônica, relaxe, perder o imprinting não é o fim do mundo... Ela rosnou pra Leah e me encarou, como se estivesse tentando dizer alguma coisa. – Eu sempre soube que você era uma fraca Verônica, eu não sei como eu pude confiar em você! Agora vaza da minha frente, que quem vai acabar com essa “puxa saco de vampiro” sou eu. Leah explodiu no ar se transformando e imediatamente, Verônica se posicionou na minha frente de forma... protetora?
Eu já não estava entendendo mais nada. Ela rosnava alto para Leah que respondia com os dentes trincados rosnando mais alto ainda. Por que a Verônica estava afrontando a Leah pra tentar me proteger? Nesse momento o celular vibrou em meu bolso, peguei-o discretamente e no visor vi o número que eu mais temia. O da minha casa. Aquela briga de lobas na minha frente não era nada, perto da noticia que eu iria receber se atendesse aquele telefonema.
Imediatamente, minhas pernas bambearam e sem que eu pudesse perceber, eu já não sentia mais o chão aos meus pés. Talvez fosse porque eu realmente não tivesse mais o chão sob os meus pés. Sim, eu estava caindo... E essa, não foi como da primeira vez que eu saltei para salvar o Quil, dessa vez eu havia me desequilibrado de qualquer jeito.
Eu não estava preocupada com a minha queda, na verdade, eu me sentia estranhamente aliviada, por meu telefone ter escapado de minhas mãos, impossibilitando que eu o atendesse. Eu não sabia quanto tempo eu ainda tinha antes da água fria do mar atingir o meu corpo. E também não me preocupei em olhar pra baixo para constatar. Eu estava curtindo aquela curta sensação de... fuga! Fuga da noticia da morte de minha avó, fuga da briga entre Leah e Verônica para tentar me matar, fuga dos meus problemas, fuga do mundo... Eu até deixei escapar um sorriso, foi quando meu corpo congelou e uma dor muito forte me atingiu em cheio a cabeça...
Continua...
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