Confusoes de Uma Cullen
40 O Acordo
Notas iniciais
POV NESSIE
Eu já tinha planejado inúmeras maneiras de ir embora com o Jacob caso meu pai continuasse com aquela loucura de expulsá-lo de casa. Até parece que eu iria aceitar essa merda. Desde quando me conheço por gente sempre tive o Jacob ao meu lado, ele era tudo que eu precisava. Foi um irmão quando precisei de um irmão, meu melhor amigo quando precisei de um amigo e um delicioso namorado, agora que... bem... digamos que meus hormônios femininos estão mais aflorados. Eu não iria permitir esse instinto protetor e exagerado de Edward Cullen estragar isso. Não mesmo!
- Bella eu não acredito que você está do lado desse vira-lata! Vociferou meu pai apontando o dedo na cara do Jacob.
- Edward eu não estou do lado de ninguém ok? A única coisa que eu quero é ver a minha filha feliz... Disse ela tranqüilamente com um sorriso sereno nos lábios.
- E a única coisa que eu quero é continuar vendo a Nessie VIRGEM, qual o problema com isso?
- PAAAAAAI! — Senti minhas bochechas enrubescerem. – Será que vocês poderiam, por favor, parar de falar de mim como se eu não estivesse presente? Sentei em minha cama arrastando Jacob pela mão para se sentar ao meu lado. Eu não iria desgrudar dele nem um segundo até que Edward mudasse de idéia.
“Quaaaanta caretisse, meu Deus! Fala sério hein? Do jeito que ele fala até aparece que rolou alguma coisa entre a Nessie e eu...” Jacob bufou em seus pensamentos e cruzou os braços em cima do seu peitoral. Eu reprimi um sorriso e o meu pai semicerrou os olhos encarando firmemente meu namorado após esse comentário mental.
- Há, era só o que me faltava... Sorriu debochadamente. – Agora o fato de eu querer preservar a honra e integridade da minha filha de apenas 6 anos se tornaram “CARETISSE” cachorro? Indagou para Jacob, inconformado.
- Nossa! HONRA e INTEGRIDADE, pai? — Coloquei as mãos no rosto, envergonhada. — Que coisinha mais cafona, hein? Estamos no século XXI, acho que nem o vovô Charlie usaria termos tão antiquados como esses... Soltei sem pensar. Ele me olhou com os olhos fulminantes e então eu percebi que deveria ter guardado meu comentário debaixo de sete escudos. Minha mãe também me lançou um olhar em advertência.
“Desculpe-me mãe! É que me escapuliu...” Pedi em seus pensamentos. “Mas mãe, é que o papai agindo desse jeito me faz lembrar que ele não passa de um velho ranzinza com mais de cem anos de idade!”
“Renesmee ainda assim ele é o seu PAI, entenda o lado dele e não piore as coisas para o seu lado, ok? Fique quietinha se quiser que eu te ajude com isso, eu não vou permitir que o desrespeite dessa forma.” Repreendeu-me ela brava. Eu sempre achei muito bonito essa proteção que meus pais tinham um com o outro. Eu até conseguia me ver assim com o Jake também.
Assenti e fiquei esperando o sermão do meu pai, que para minha surpresanão disse nada após meu comentário inútil e desnecessário e se virou para o Jacob ainda mais nervoso.
– Agora preste muita atenção no que eu vou te dizer cachorro... Ele semicerrou os olhos aproximando-se mais do meu namorado. — Eu te conheço o suficientemente bem para saber que você não perde a oportunidade de tirar proveito de determinadas situações e eu NÃO vou permitir que você se aproveite da minha filha, como já se aproveitou da minha ESPOSA! — Acusou ele quase num rosnado.
Opa... Hã? Eu não entendi nada, o que minha a mãe tinha a ver com isso? Por que meu pai falou que o Jacob se aproveitou dela? Parecia que eles estavam relembrando de alguma coisa que aconteceu no passado. Ninguém nunca me contou direito como foi essa relação do Jacob com os meus pais e na verdade, eu nunca tive interesse em saber nada... Até agora.
- Do que você está falando pai? Porque você disse que o Jacob tirou proveito da mamãe? Questionei curiosa. Eu não iria sossegar enquanto não me contassem. Edward me encarou suplicante, como se estivesse arrependido de suas pesadas palavras ao meu namorado.
- Sanguessuga! – Jacob arregalou os olhos e ficou pálido ao me encarar, em seguida, voltou à atenção ao meu pai novamente. – Você sabe que as coisas estão diferentes agora... Sussurrou cabisbaixo. Não sei dizer ao certo, se Jacob se sentiu chateado ou ofendido com a acusação de meu pai.
- Edward, o Jacob tem razão! Depois que a Renesmee nasceu tudo mudou, você sabe disso... Completou Bella igualmente ofendida.
-Eeeeiiiii, será que dá para vocês me explicarem o que está acontecendo? Cruzei os braços e fiz um bico emburrada. Se existia algo que eu odiava na vida, era fofoca pela metade!
- ÓTIMO! Viu o que você fez Edward? Minha mãe se afastou do meu pai, nitidamente irritada. — Eu não acredito que você falou sobre isso na frente dela! Eu achei que nós já tivéssemos superado essa historia...
- Que história? Insisti de novo.
Meu pai parecia sentir dor ao fitar a expressão chateada dela. Ele odiava vê-la com algum tipo de sofrimento, principalmente, quando era ele o causador.
- Desculpe-me, eu... acho que...fiquei nervoso demais... e... acabei perdendo a cabeça... Justificou-se atordoado, ignorando completamente a minha pergunta.
- Tá, tá bom pai! Interrompi-o. — Daqui a pouco a mamãe com certeza vai te desculpar, mas agora me conta... Que história é essa??? Meus olhos brilhavam de tanta curiosidade.
- Nessie meu amor... Jacob se aproximou de mim me envolvendo em seu abraço. – Seu pai apenas se exaltou um pouco e falou besteira, não ligue para as merdas que seu pai fala...
- Jacob não me venha você também tentar me esconder às coisas, eu sei que tem um motivo para vocês três terem ficado com essas caras de “Emo deprimido” depois das palavras do meu pai e eu EXIJO saber o que é! Bati o pé impacientemente.
- Muito bem Edward Cullen como foi você que começou isso tudo por causa de um motivo tão insignificante, agora se explique para sua filha... — Ordenou minha mãe autoritária. Os olhos dela queimavam de raiva, ela nunca havia falado com ele daquele jeito. – Mas antes, já que você insiste em relembrar fatos do passado, porque não se lembra disso também? Minha mãe encarou meu pai maliciosamente e subitamente afastou o escudo de sua mente, começando a pensar em sua vida humana, quando meu pai invadia o quarto dela todas as noites na casa do meu avô Charlie, para vê-la dormir. Ela o relembrou das tardes que passaram na campina e nos beijos mais que quentes que eles trocavam naquela época... Eu permaneci concentrada nos pensamentos da minha mãe, com a boca entre aberta ao ver que o meu pai não era tão “comportado” quanto demonstrava... Foi impossível não rir com as lembranças na cabeça dela.
Bella me parecia tão absorta e feliz em seus pensamentos, que nem percebeu que eu também estava concentrada nas coisas que ela mostrava a Edward, foi quando ela começou a pensar em uma grande cama dourada no quarto do meu pai, que ele a interrompeu olhando para minha cara.
- Hã-Hã... Pigarreou — Bella querida, eu acho melhor parar por aí, sua filha já viu coisa demais...
- RENESMEE! Exaltou-se ela com censura na voz.
- Ah mãe, qual é? Então quer dizer que o “Sr Sou um Santo do Pau Oco Cullen” invadia seu quarto e revelava suas “presas” todas as noites hein??? Debochei divertida. – Vou te contar viu? Esses pais com carinha de anjo são os piores... Safadeeeenhoooosssss... — Jacob se desdobrou numa gargalhada deixando meu pai totalmente constrangido e sem palavras.
- Renesmee Cullen, se você não quiser ficar de castigo pela próxima década, acho bom parar de gracinhas... Olha o respeito comigo, eu sou o seu PAI! — Advertiu-me ainda sem graça. Eu estava me divertindo muito com aquilo, eram raros os momentos que eu podia tirar uma com a cara do meu pai.
- E eu sou sua filha e filha da mamãe também, vocês não podem me culpar por uma herança que herdei de família... Falei fingindo inocência.
- Posso saber onde foi que essa menina aprendeu essas coisas??? Questionou indignado para a minha mãe.
- Não fui eu! Eu juro... Defendeu-se minha tia Rose do andar de baixo.
- Conversaremos sobre isso depois dona Rosalie... Avisou Edward. — E com você também baixinha!
- Ah pronto, agora eu sou culpada também? — Reclamou tia Alice. — E Edward, antes que eu me esqueça, baixinha é a pu...
- Alice! Repreendeu minha avó. Tinha horas que eu achava que morava num hospício, só tinha gente doida na minha família.
- Pai não tente desviar do assunto não, viu? Posso saber por que você disse àquela hora que o Jacob se aproveitou da mamãe? Ainda estou esperando uma resposta... Ele achou que dispersando o foco da conversa eu iria me esquecer esse assunto?Ah mas não mesmo papaizinho!
- Nessie, se eu pedisse pra você simplesmente esquecer esse assunto você esqueceria? Pediu ele como se estivesse lendo meus pensamentos.
- Não.
- Foi o que imaginei... Droga, por que você tinha que nascer igualzinha a sua mãe? Ele revirou os olhos e suspirou com pesar. — Bella me ajude... Pediu ao encará-la novamente.
- Eu Edward? Você que cagou agora limpa... Falou ela dando de ombros, ainda zangada.
- Black? Ele olhou suplicante para o Jacob. Aquilo estava me deixando mais curiosa ainda.
- Se vira Telepata... Jacob revirou os olhos e caminhou até a janela. – Cada um com seus problemas... Concluiu, olhando para a floresta lá fora. Tentei ler seus pensamentos, mas ele só parecia chateado.
- Está certo Renesmee, você venceu! Ele colocou as mãos na cabeça e esfregou as têmporas com uma expressão derrotada no rosto. Eu, é lógico, fiquei com a maior cara de paisagem sem entender nada.
- Eu...Venci? Questionei confusa.
- Sim...
- Obaaaa, uhuuu, eu adoro vencer! Comemorei animada. – Mas eu posso saber o que estávamos jogando?
- Renesmee é o seguinte, vamos fazer um acordo, ok? Ele se aproximou de mim e segurou minha mão. – Eu permito que esse vira-lata continue morando conosco, desde que você prometa que não irá tocar mais nesse assunto. — Sugeriu friamente.
Eu imediatamente comecei a dançar “Na boquinha da garrafa” por dentro, com a minha vitória. O Jake continuar morando aqui comigo era tudo o que eu mais queria! Mas é lógico, que conhecendo Edward Cullen do jeito que eu conheço, não foi difícil presumir que pra ele ter dado o braço a torcer tão facilmente era porque o tal assunto era muito mais intenso do que eu imaginava. E é claro que eu sendo uma Cullen NATA, iria me aproveitar um pouco mais dessa repentina “generosidade” do meu pai. Um Cullen sempre foi um ótimo negociador e eu tinha herdado isso da minha família também.
Em poucos segundos, deixei de lado a minha alegria contida e assumi uma expressão mais séria ao dirigir a palavra ao meu pai novamente.
- Hã-hã... Iniciei dando uma leve pigarreada para transmitir mais autoridade na voz quando eu falasse. – Está certo, vamos negociar pai... Coloquei a mão no queixo e me fingi pensativa. — Considerando a gravidade da informação que vocês estão me escondendo, eu penso que só manter o Jacob morando com a gente talvez não seja o suficiente... Despejei tudo naturalmente na maior ousadia.
- O QUÊ??? Perguntou Edward indignado. Nesse momento, o Jacob e minha mãe também se viraram para me olhar, surpresos.
- Sim papaizinho, eu tenho algumas exigências para poder ter uma “crise de amnésia” MOMENTÂNEA sobre esse assunto... Eu podia jurar que meu pai estaria tendo um infarto agora se isso fosse possível. Ele arqueou uma sobrancelha e direcionou o olhar pra minha mãe que estava nitidamente reprimindo um sorriso.
- É Edward... Talvez sua filha tenha herdado mais de você do que você imagina... Disse ela satisfeita.
- Bom pai, eu quero que você permita que eu namore o Jake EM PAZ! E quando eu digo “EM PAZ” estou me referindo a você PARAR de invadir a mente dele, para saber cada detalhe dos seus pensamentos quando o meu escudo não estiver por perto. Eu quero que você pare de pegar no nosso pé e me deixe namorar como uma pessoa normal... – Eu sabia que o que eu estava pedindo era loucura, mas eu ia tentar. – Bom, eu não quero que você proíba mais o Jacob de dormir no meu quarto todas as noites, afinal, ele sempre dormiu e nunca tivemos problemas. E já que você dormia com a mamãe também na casa do vovô Charlie e não acontecia nada, então eu acho justo nós termos direitos iguais, certo?
- Renesmee... você... é... ABSURDA! Ele mal conseguia falar, de tão atordoado que estava.
- Hahahahahaah dessa vez o Edward se fudeu, hahahahaha... Tio Emmett não estava se agüentando de tanto rir na sala, pude ouvir meus outros tios rirem também, mas, um pouco mais discretos.
- Eu não vou ver esse vira-lata se aproveitar de você bem debaixo do meu nariz e ficar quieto! Avisou meu pai, ignorando completamente as chacotas dos meus tios no andar de baixo.
- Pai, nós estamos propondo um ACORDO, certo? Se você não quiser aceitar por mim tudo bem... Olhei pra ele fingindo pouco caso e quando eu percebi que ele iria suspirar aliviado tratei de terminar a frase. – Qual era AQUELE assunto que vocês estavam prestes a me contar mesmo??? Abri um sorriso cínico e cruzei os braços, confiante. XEQUE MATE Edward Cullen.
- Eu não acredito que estou sendo chantageado por minha própria filha! Ele levantou as mãos pro céu e me encarou perplexo. – Eu criei um monstro MEU DEUS! Depois dessa, todos estavam rindo descontroladamente da cara do meu pai.
- O mundo dá voltas Telepata... Respondeu Jacob, divertido.
- Ok Renesmee! Eu deixarei vocês em paz e terem um namoro normal, desde que você respeite o SEU tempo normal, certo? Eu quero que você ME PROMETA que não irá apressar nada na sua vida, pois, você terá uma eternidade inteira para descobrir certas cois... Ele suspirou pesadamente, como se essa fosse uma das piores conversas da sua vida.
- Eu já entendi pai, nada de “Ilha Esme” por enquanto! Eu PROMETO! Interrompi-o encurtando o assunto. Jacob riu e minha mãe só não ficou roxa de vergonha, porque sua pele não mudava mais de cor.
- Quanto a você cachorro, essa é a segunda vez que eu lhe confio a minha filha. Qualquer indicio que ela esteja sofrendo ou triste por sua causa você MORRE, estamos entendidos? Seja cuidadoso com ela...
- Telepata, eu acho que você me conhece bem o bastante para saber que eu NUNCA machucaria a Nessie... Afirmou Jacob.
- Eu sei disso. Meu pai abriu um leve sorriso que foi retribuído por Jacob e se virou em direção à porta, abraçando a minha mãe. Edward podia até implicar, mas eu tinha certeza que ele considerava muito o Jacob e vice e versa.
- Pai! Chamei-o quando ele estava prestes a sair do quarto.
- Sim? Perguntou virando-se para me olhar.
- Um dia vocês me contarão essa história?
- Talvez... Um dia... Ele se virou para sair novamente e eu o chamei mais uma vez.
- Pai?
- Sim?
- Obrigada, eu te amo! Corri na direção dele e o envolvi num abraço apertado. – Saiba que mesmo você sendo um velho ranzinza e enxerido ás vezes, você continua o pai mais lindo e mais legal do mundo, eu AMO ser sua filha! (N/A: Nisso eu tenho que concordar com a Nessie, Ô paizinho lindo!*Tiririca mode on*rs)
- Eu também tenho muito orgulho em ser seu pai! Ele deu um sorriso torto e depositou um beijo na minha testa.
-Ooouu e eu? Onde eu fico nessa história? Perguntou minha mãe enciumada. Nós sorrimos e a abraçamos coletivamente.
- A gente te ama tamb...
- NÃO ADIANTA SEU CACHORRO TRAPACEIRO, EU VENCI! Os berros da Claire ecoaram pela sala, interrompendo nosso “momento ternurinha” em família.
- Não seja presunçosa Baranguinha, é óbvio que eu deixei você ganhar... Respondeu Quil despreocupadamente. Espere aí! Eu disse...
- IMBEQUIL! Ela gritou dando um tapa estalado em alguma parte do corpo dele.
- AAAAIIIII PORRAAA!!!!! ISSO DÓI AGORA CLAIRE... Resmungou Quil possivelmente esfregando o local onde havia apanhado. Minha prima ainda não tinha muita noção do tamanho da sua força. Tenho dó do Quil, haha.
- É pra você aprender a não me trapacear, seu... seu... PULGUENTO! Vociferou irritada.
Meu pai, minha mãe, Jacob e eu nos encaramos por um breve segundo, antes de sorrirmos. Claro que meu pai e eu sabíamos exatamente o que estava se passando na cabeça daqueles dois malucos.
- Acho que as coisas nessa casa, estão finalmente voltando ao normal... Comentou Jacob.
- Você sabe que eu deixei você ganhar Claire! Quil falou num tom provocativo. De repente nós escutamos um estrondo de vidros se estilhaçando na parede. – EEEEEEIIIIIII SUA MALUCA! VOCÊ QUASE ME ACERTOU!
- Você está certo Jake as coisas finalmente estão voltando ao normal, vamos descer antes que eles se matem! Eu sorri e arrastei Jacob pela porta.
Continua...
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