Confusions Of Love
13 Capítulo 13 - Preparativos
Notas iniciais
Saí do salão linda, acabei fazendo californianas também. Alexis iria me encontrar lá na praça, que é do lado do salão às 15:00, eram 14:56, sentei num banquinho e fiquei observando as pessoas. Crianças correndo de um lado pro outro, brincando, mães, algumas sentadas, outras correndo atrás, mas só vi dois pais, atualmente poucas crianças tem crescido com a presença do pai, felizmente, meu pai foi um dessa exceção, sempre esteve ao meu lado. Minha mãe, bem, sei que nunca falei dela, não é que eu não a amo, é que.... é difícil sabe. Ela era bailarina, muito delicada, meiga. Um dia quando eu tinha 15 anos, nós brigamos e disse a ela que a odiava, logo depois da briga ela teve uma reunião com o pessoal do ballet, ela saiu de carro e eu liguei pra ela.
– Me diz um motivo para eu não ir na festa da Lexi! – Disse ainda com raiva! -Era assim que eu chamava a Alexis
– É muito tarde Julia, e outra não sabemos quem vai nessa festa, vai que eles servem bebidas. Já falei que não Julia, chega diss.... – Ouvi um grande estrondo, eu havia feito minha mãe bater num poste, eu havia... matado a minha mãe! Chorei ao lembrar disso. Abaixei o rosto e senti uma mão no meu ombro.
– Calma mocinha, calma. – Era uma senhorinha já de idade de cabelos brancos – Sabe, a vida as vezes prega peças na gente, de uma hora pra outra, tudo desmorona, eu perdi uma filha sabe, ela estava grávida, mas felizmente conseguiram salvar o bebê, o meu neto é aquele ali – Disse apontando para um menininho bem pequeno, suponho que tenha nascido prematuro, que brincava de pique com os outros meninos. – A mãe dele sempre amou o nome Natan, então foi esse o nome que demos a ele, Natan Peter. Nosso presentinho de Deus.
E o pai dele, onde está? — Disse ainda chorando.
– Está trabalhando, aqui, não chore minha lindinha. O melhor ainda está por vir! Ah, não se culpe, não foi sua culpa. – Arregalei os olhos “Como ela sabia disso?” pensei comigo mesmo. – Sou Beth, a enfermeira que tentou salvar sua mãe, você não mudou muito. Fica tranquila. – Disse se levantando e me dando um beijo no topo da minha cabeça – Fica com Deus. – E foi caminhando até seu neto. Sequei minhas lágrimas e Alexis chegou.
– Quem era aquela senhora que você estava conversando?
– Longa história.
– E que doideira foi essa de californianas? — Disse ela mexendo nos meus cabelos. – Ficou linda!
– Obrigada, agora vamos? — Felizmente, não fiquei com os olhos vermelhos do choro.
Nós íamos para a casa de Paul, ajudar Nancy com os preparativos do casamento que seria daqui a 3 meses. Chegamos lá e ela nos abraçou.
– Oi minhas lindas.
– Oi Nancy! – Dissemos em uníssono.
– Amei seu cabelo Julie!
– Obrigada. O que vamos ver hoje?
– Eu tinha pensado nos arranjos de mesa.
– Ok.
– Alexis, pega aquela revista ali pra mim?
– Claro.
Estávamos sentadas ali, vendo milhões de revistas de casamentos e eu, a idiota, pensando no Paul.
– Cadê ele, Nancy?
– Tá na casa da afilhada dele. – Disse ela sem tirar os olhos da revista. Eu já havia conhecido a afilhada dele, ela é uma gracinha! Têm 6 anos, muito esperta e me chama de tia Ju. Nível de fofura = 1000.. Quando fui lá ela perguntou ao Paul se eu era a sua namorada, naquela época, o que eu sentia era só amizade mesmo, isso já faz 1 ano, Paul me contou que ela tá doidinha com o fato de ser a madrinha da Nancy. Imagina que fofura toda de branco.
– Ah sim.
– Tá com saudades é?
– Que isso.. – Elas me olharam tipo “Sério Julie? Tá estampado na sua cara!” – Okay, só um pouquinho.
Nancy cantarolou alguma coisa em português, que eu não entendi e Alexis disse:
– Eu sabia, tá louquinha de amor.
– Shiiiiiu, as paredes tem ouvidos! – Rimos e continuamos a olhar as revistas, até que um arranjo me chamou muita atenção, era tipo um vaso de flores com duas pessoas, os noivos, se beijando, trocando as alianças, brincando e de mãos dadas, cada coisa em um lado do vaso, mas eram bonequinhos que você podia pedir para fazer parecidos com você e seu noivo, e dentro uma rosa vermelha, simbolizando a paixão. Meus olhos brilharam, mostrei pras meninas que piraram junto comigo, Nancy disse, que esse com toda certeza do mundo, seria o seu arranjo.
– E agora, o que nós podemos ver? — Perguntou Alexis
– Vamos ver um filme, descansamos um pouco e depois voltamos ao trabalho. O que acham? — Perguntou Nancy. Eu acho que já deu pra perceber o quanto nós amamos ver filmes né?
– Com certeza.
Pegamos o DVD de Querido John e fomos assistir, nunca tinha o assistido, mas já havia lido o seu livro. O filme foi passando e eu ficando cada vez mais indignada, acabou o filme e eu fiquei incrédula, de boca aberta.
– O que houve Julia? Você tá bem?
– Como eles tem a coragem de modificar um livro tão lindo? Eles cortaram partes, modificaram o final, eu vou chorar!!! – Dramática? Eu? Nem um pouco. – Por que eles nunca fazem um filme exatamente como tá no livro, que saco! – Disse cruzando os braços.
– Julie, baixou a criança pirracenta! – Alexis disse, sem graça ela!
– Cala a boca.
– Vou deixar passar só porque você está brava com o filme.
– Ok.
– Okay. – Disse Nancy, assustada. Acho que ela nunca tinha me visto assim, só acho.
– Oi gente que me ama! – Disse Paul entrando em casa.
– Quem disse que eu te amo? — Perguntei
– A Nancy. – Ele disse me deixando de olhos arregalados. – Eu sei que você ama o seu irmão né?! Que pergunta besta.
Tive um surto dentro de mim.
– Ah.. tá...tá. – Ai ai, eu amo quando começo a gaguejar, isso mostra quando eu fico nervosa, e o melhor, todo mundo sabe disso, principalmente e infelizmente, Paul.
– Tá nervosa com o que Julie?
– Ah.. Foi com o filme que assistimos agora. – E nos abraçamos, e eu beijei seu rosto.Bem que ele podia ter virado o rosto né?!
– Aham sei...
– Fala ae Cabeça de Batata.
– Oi Alexis. – Ele odiava esse apelido, nós o chamávamos assim por isso! Somos más! Só que não. Eles se abraçaram e eu senti um pouco de ciúmes, é claro, ele gostava dela né? Não posso mudar isso. Mas o Senhor Pode, né Papai do Céu? Me ajuda ae!
Logo depois ele falou com Nancy e pegou de dentro da sacola que estava em sua mão, 4 caixinhas de comida japonesa. Abrimos e devoramos.
– E aí, como está a Luisy? — Perguntei. Esse era o nome da afilhada dele.
– Tá bem, cresceu muito desde a sua última visita, ela perguntou de você!
– Jura?
–Aham.
– Como?
– “Cadê a tia Ju, tio?”. – Disse ele imitando a vozinha dela, sem sucesso, é claro.
Voltamos a comer, e assim que terminamos eram umas 19:30, decidimos dormir ali mesmo. Preparamos nossas camas na sala e nos deitamos, deitamos os 4 para ver o nosso seriado favorito, “F.R.I.E.N.D.S”, teria uma maratona dele num canal. Ficamos assim, Alexis,eu, Paul e Nancy.
– Tá friooo! – Disse e Paul me abraçou. Nem preciso dizer que amei né?
Não conseguia mais me concentrar no programa, só fazendo suposições do que poderia acontecer. Acabei dormindo encostada nele...
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