Confused
1 Shining Sky
Notas iniciais
Não tenho certeza do que aconteceu, eu estava sentado na sala de aula, na minha, quando aquela garota apareceu rindo de algum comentário infeliz que eu fiz.
Eu fazia aquilo, não exatamente esperando que além do vizinho da esquerda risse de vez em quando, mas ali estava ela, me cutucando no ombro, com aquele sorriso imenso de aparelho fixo.
Eu não sei o que ela faz aqui. Tem essa garota que é meio pirada que não para de gargalhar ao meu lado no intervalo, me olhando como se eu fosse o seu doce preferido e parece não se enjoar de provar. Ela está por todos os lugares que eu vou e é difícil não notar sua gargalhada alta no meio disso tudo.
Nem sei por que ela fala comigo, eu não sou de falar e, se falo, é meu humor negro tentando se expressar. Eu zombei da cara daquela garota que se acha a gostosa da sala da pior maneira possível e todos me olharam com nojo porque ela é popular, mas a pirada está ao meu lado, segurando o riso na frente de toda a classe, com seus olhos me dizendo que aquilo tinha sido demais. Estou me perguntando o que há de diferente nela.
Fico confuso com o que ela viu em mim, aquelas duas orbes grandes me cercando, olhando no fundo dos meus olhos e parecendo enxergar a minha alma. Aquele seu sorrisinho de canto me acalma quando estou nervoso com uns idiotas que tentaram jogar suco em mim. Ela parece entender o que eu sinto quando eu roubo os celulares deles na hora do intervalo como vingança e sorri de aprovação quando eu os jogo em cima do telhado da escola.
Não sei o que ela está vendo de tão interessante em mim, tem todos aqueles outros aos seus pés, que vem a cada minuto possível lhe tentar agradar e fazer ela se apaixonar por eles depois que tirou o aparelho, mas ela não vai. Ela está muito ocupada sorrindo para mim com o canto da boca sujo de sorvete. Parece não se importar em deixar aquelas garotas que diz serem suas amigas de lado enquanto anda comigo pelos corredores da escola. Definitivamente, ela é diferente do resto.
Eu não tenho ideia do porque ela anda comigo, um garoto palmito de cabelos enrolados, antissocial, que prefere um computador aos amigos, mas ela parece gostar. Parece enxergar algo que eu talvez não tenha visto quando olhei no espelho de manhã.
Não tenho noção do que ela planeja fazer com isso, mas ela está tão mais perto do que o normal que me deixa meio tonto; Suas mãos estão me tocando á todo momento, no braço, nos ombros, nas mãos; ela parece ter essa necessidade te manter o contato comigo. Principalmente nas mãos, ela adora brincar com os meus dedos e falar das minhas unhas roídas.
Não sei o que fazer quando ela me abraça desse jeito. O seu corpo está tão perto do meu que eu fico meio tonto e eu não sei onde colocar as minhas mãos. O seu cheiro está impregnando meu nariz e mesmo quando estou longe dela, ainda consigo o sentir. O sorriso dela está por todos os lados e me faz rir nas horas mais improváveis. Eu não sei como eu consegui sobreviver todo esse tempo sem ela.
Eu não sei o que aconteceu com ela, mas ela estava aos prantos quando chegou à sala de aula hoje e não quis saber de outra coisa a não ser chorar nos meus braços. Ela se escondeu na volta do meu pescoço e não saiu mais. Minha garganta se fecha ao ver ela daquele jeito, mas é impossível não notar a quentura do seu corpo perto do meu. E eu simplesmente beijo o alto de sua cabeça e deixo ela me abraçar enquanto chora, impossibilitada de falar.
Não sei o que há com ela, mas aquele sorriso fácil e gargalhada alta se foram. Ela parece um eco do que um dia foi a garota eu conheci. Estamos calados sentados em um lugar qualquer na hora do intervalo e tudo o que ela faz é olhar para os pés e conter suspiros. Ela não quer me contar o que está acontecendo, mas eu não vou parar de insistir até ela me dizer.
Eu não sei como ela aguentou aquilo sozinha; eu poderia ter brigado com ela por não ter me contado o que se passava, mas ela está tão péssima que parece que sou rasgado ao meio quando eu vejo os seus olhos chocolates ficarem mais gelados. Ela está tentando fingir que está bem, mas sei que não está. Não quando sua família toda está no hospital e ela não pode fazer nada. Eu preciso fazer algo para ajudar.
Não sei por que ela ainda tenta esconder de mim que está mal; seus sorrisos são dolorosos de ver e mesmo assim, ela tenta fingir que está tudo bem. E eu sei que não está quando o estado que sua família no hospital é grave e que ela se culpa pelo incêndio. Ela andou tentando fugir de mim e evitar me olhar, mas eu não soltei sua mão um segundo desde o momento em que a encontrei. Sei que é pouco o que faço para tentar ajuda-la, mas é o que eu tenho para oferecer.
Não sei o que aconteceu. Ela sumiu da escola e o telefone de sua casa não me atende. Deixei tantas mensagens no seu celular que não é mais possível deixar mais nenhuma. Ela não aparece faz dois dias, mas eu sei que ela está ali dentro de sua casa. Não posso mais suportar toda essa preocupação. Ela precisa de mim e eu sinto isso no meu peito.
Não sei o que eu faço; Eu pulei a janela e a encontrei encolhida em uma bola no meio do tapete da sala. Seus olhos estão vidrados e o telefone está jogado ao seu lado. Eu posso ver as quase noventa chamadas perdidas que eu fiz ali. Ela parece um robô e quando finalmente notou minha presença, não quer me soltar. Eu sou obrigado a carrega-la no colo até o seu quarto. Eu mal aguento seu peso e cambaleio o caminho todo, mas ela parece não notar. Ela está tão fria.
Não tenho ideia do que estou fazendo, mas ela parece estar melhorando. Minha mãe está furiosa por eu não voltar para casa á quase três dias e muito menos ir para escola, mas eu não posso deixa-la. Ela ainda não voltou ao seu normal, mas pelo menos está comendo, mesmo que sejam as coisas queimadas que eu faço na sua cozinha. O ápice de seu estado quase normal é quando o hospital liga para lhe dar informações, e elas têm sido melhores a cada dia, mas é só desligar que ela volta á ser o caco da pessoa que era antes.
Não tenho ideia do porque ela ter mentido; O hospital ligou querendo falar com o responsável que estava cuidando dela enquanto sua família estava no hospital e eu tive que atender. Ela me olhava com aqueles olhos suplicantes e agradecidos quando fiz minha voz mais grossa e menti. Ela não tem mais ninguém sem ser seus pais e seu irmão que estão internados. Eu não sei fazer outra coisa se não abraça-la e protege-la depois disso. Não quero sair de perto dela.
Não sei o que ela tem na cabeça, mas não é coisa boa. Ela ligou para minha mãe e a fez me arrastar para longe. Não hesitou ao abrir a porta para minha mãe e me deixar ser levado. É a primeira vez que estou de castigo por cinco meses e não estou bravo com isso e sim, por ela ter me traído. Eu não posso a proteger trancado em meu quarto.
Não entendo por que ela não me atende ou dá noticia, já faz uma semana e se quer consigo dormir de tanta preocupação. Não tenho ido para escola. Em vez disso fico o horário da aula sentado em sua porta, esperando alguma movimentação, mas não há nada. Não sei mais o que eu faço. Eu só sei que não posso viver sem ela.
Eu acho que perdi as esperanças, voltei a minha rotina normal depois de quase dois meses. A sua casa parece mais abandonada do que nunca e meu peito parece tão abandonado quanto. Eu tenho pesadelos com ela todas as noites, onde ela desaparece enquanto eu a abraçava. O dia parece cinza e as noites vermelhas e estou sem um propósito. Os olhos dela estão gravados nas minhas pálpebras e cada vez que eu pisco, lá está ela me olhando. Eu não sabia que eu gostava dela tanto assim até ela sumir. Não sei o que fazer.
Ainda não tenho certeza se está mesmo acontecendo ou é um dos meus pesadelos, mas ela está parada na minha frente, com aqueles grandes olhos preocupados observando minhas reações. Ela parece estar se contendo de empolgação e abre um daqueles sorrisos do meu pesadelo e sei que ela quer me abraçar, mas eu estou tonto com tanta informação. Ela não pode estar mesmo parada na minha frente dizendo isso. Ela está vindo na minha direção, querendo me abraçar.
Não sei por que, mas estou gritando com ela. Meu peito parece que vai explodir ao saber que seus pais já tinham voltado para casa fazia quase uma semana; Mas explodir não de felicidade e sim, de raiva, por ela ter me deixado às escuras todo esse tempo. Eu estou pilhado enquanto grito o meu monólogo no meio da rua para ela, dizendo tudo o que eu passei aquele tempo todo e a acusando, e eu nem ao menos percebi que depois de algum tempo, eu não estava mais a acusando e sim me declarando. No fim, eu estava segurando os seus ombros com força — quase raiva — enquanto colava nossos lábios.
Não sei descrever a sensação de ter os lábios dela grudados aos meus e também não faço ideia de quanto tempo estou á beijando, só sei que não quero que pare e eu sinto, pelo jeito que ela segura com força os meus cabelos, que também não quer parar. O cheiro do cabelo dela está impregnando o meu nariz novamente.
E eu nem tinha reparado, mas o dia agora está azul e sem nenhuma nuvem no céu. Ela me deixa tão confuso que não consigo notar coisas tão simples como o abrir de um céu nublado.
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