Confusões e Confissões por Ino Yamanaka
15 Conflitos
Notas iniciais
Boa leitura.
Não, isso não. Era impossível isto acontecer. Não tinha tanta cara de pau para pedir uma coisa destas para aquele ser humano. Depois de tudo o que passou, forjar um romance com a pessoa que mais se ama (como ele dizia), seria um completo processo de masoquismo. Bom, para mim seria.
O que fazer? O que fazer? Era só isso em que conseguia pensar. Furei a última aula e fui para casa, o colo de meu pai sempre me conforta e era exatamente disso que eu precisava agora. Cheguei lá esperançosa, mas essa fé se foi tão rápido quando Kayoto me entregou um bilhete :
“ Minha florzinha de lótus, papai teve de viajar a negócios, você sabe como minha vida é corrida, não sabe? Desculpe-me se só pude ficar com você esses três dias, mas provavelmente, daqui a algumas semanas nos veremos novamente, ok? E quando voltar, prometo que vamos ter aquelas tardes que você tanto gosta no shopping.
Tenha paciência minha bebê, ligarei sempre que puder e prometo que lhe trago presentes. Mande um abraço para o garoto Sabaku, tenho certeza que ele cuidará muito bem de você. E mais uma coisa: JUÍSO!
Beijos minha neném,
De seu papai que lhe ama muito, Yamanaka Hiroshi.”
Meu pai pensa que sou uma criança? É ele deixou isso bem claro no bilhete. Imagino como deve ter ficado meu rosto, que se tornou pálido e triste. Subi para meu quarto com a mochila nas costas, uma garrafa de refrigerante e o bilhete nas mãos. Fui tomar um banho, um bem demorado. Era disso que precisava.
Aquela água gelada percorria meu corpo e ao mesmo tempo lavava minha alma. E neste momento tive um enorme colapso nervoso. A agua do chuveiro não era mais tão doce, agora estava mais salgada, pois se misturava aos poucos com minhas lágrimas. E sem a preocupação de esconder o choro de alguém, deixei-me levar e alguns gemidos de quase dor e soluços ecoavam pelas paredes do cubículo branco e azul que eu chamava de banheiro.
Talvez umas duas horas depois, resolvi parar de chorar e voltar a realidade. Puxei uma toalha e me enrolei nela. Abri a porta e:
- Assim você acaba com a água do planeta! – o que ele estava fazendo ali? Tomei um susto tão grande quando o vi e meus pelos se arrepiaram ao som daquela voz fria e seca.
- O que você faz aqui? – ainda estava confusa sem entender muita coisa. Depois de nosso afastamento, ele simplesmente veio a minha casa sem aviso. Nem em nossos melhores dias isto aconteceu.
- Vim saber o que pretende fazer. – ele estava recostado na parede em frente a minha cama com meu celular em suas mãos, talvez lendo minhas mensagens. Enxerido.
- Saber o que pretendo fazer?– não compreendia onde ele queria chegar com toda aquela conversa, se é que se podia chamar aquilo de conversa. – O que pretendo fazer?
— Sabe, às vezes, só às vezes, eu penso seriamente que seu pai pulou a cerca com a Kushina. – ele pirou?
- Você pirou? – meus pensamentos se materializaram. – Como ousa falar assim do meu pai e da tia Kushi? Por que diz isso?
- Você e o Naruto são muito parecidos. É que os dois têm os cabelos loiros, têm olhos azuis, têm mais ou menos a mesma estatura, têm o mesmo gosto para coisas estranhas e têm o mesmo nível de idiotice... – e o vagabundo ainda movia os dedos e os pressionava sobre meu telefone. E ainda não tinha sequer olhado para mim.
Joguei um travesseiro em sua cabeça para mostrar minha indignação e ele simplesmente pegou o quadrado inflado por penas e me atirou com força, tanta força que para continuar de pé, tive de dar dois passos para trás. Detalhe: ainda tinha a atenção voltada ao ecrã do celular. Gaara é um completo cavalheiro (N.A.: captaram o tom de ironia?).
- Você ainda não esclareceu o porquê de estar aqui! – já estava irritada com tudo aquilo.
- Ino, você tem o pavio bem curto, tem que se controlar mais. – disse gozador.
- Gaara, não enche! Vamos, fala o que eu você quer? – a impaciência era notável e escorria pelos meus lábios.
- Bem, eu notei que... — eu o interrompi.
- OLHA PRA MIM, SEU TAPADO! – Berrei.
-Tem certeza de que quer isso? – agora fitava o chão com a cabeça bem abaixada. Estranhei, ele não reagiu como esperava por ter falado mal dele.
- Claro. Não quero que vasculhe meu celular e, além disso, quando se conversa com outra pessoa, é normal que ambas se olhem.
- Você não vai ficar envergonhada e me bater e xingar depois? – estava relutante, mas voltara a mexer no objeto que tinha nas mãos.
- Xingar você? Por que diabos faria isto? Acha que sou o quê, uma louca? – ele riu rapidamente, levantou a cabeça e olhou para mim.
- É incrível como você mudou tanto nesses últimos dias, aposto que se fosse semana passada, você iria gritar bastante comigo para que eu saísse do quarto para você se trocar. Mas já tens dezesseis, né? Está mais madura. – estava clara e evidente a ironia da pessoa.
Senti minhas maçãs corarem, não gritei com o ruivo a minha frente, pois já havia prometido e corri para o armário, peguei peças aleatórias e adentrei o banheiro com muita pressa. Saí de lá já vestida, não tão bem porque a blusa que peguei era parte de um pijama muito antigo cheio de pôneis rosa com as caudas de arco-íris. Mesmo sendo o Gaara ali na minha frente, quase morri de vergonha.
- Posso falar com você agora? – dizia entediado.
- Aham. O que quer? – pode ter parecido um pouco desdenhoso, mas não era essa a intenção, estava mesmo curiosa.
- Logo depois do recreio eu notei que... O que foi? Você está rindo do quê? – me olhava incrédulo por minhas risadas repentinas, afinal, eu ria feito uma porca desesperada. – Estou falando com você! – ele já estava irritado. Tentei me recompor, tive algumas pequenas recaídas até enfim lhe responder enquanto este revirava os olhos.
- É tão engraçado... – eu já prendia o riso de novo.
- O que é engraçado? – dizia impaciente.
- Você dizendo recreio. – eu ri de forma mais rápida e contida. – Parece uma criança. –e me pus a rir de novo. Gaara deu um longo suspiro e se pronunciou:
- Você fica rindo feito uma idiota e eu que sou criança? – depois das palavras secas e totalmente sem cabimento (N.A.: ela não aceita nem uma crítica!) Gaara se esquivou do travesseiro que joguei em sua direção. Tem bons reflexos o rapaz. Atirou-o na cama e sentou-se numa cadeira que estava ao meu lado. – Posso falar agora?
-Hai.
-Pois é, logo depois do... Intervalo – destacou -, percebi que você estava muito dispersa, mais do que o de costume. E a Sakura também estava meio inquieta. O teste terminou e fui falar com ela.
~~Flash back on (narrador onisciente)~~
-Sakura, tudo bem com você? – disse o ruivo se aproximando de forma bem simpática e um tanto preocupada.
- É, né? – a garota estava um tanto pensativa. Ele estranhou e continuou com o pequeno interrogatório.
- Hm. E, por acaso, você sabe o que aconteceu com a Ino? – Gaara, quando fez esta pergunta não esperava ser respondido de forma tão estranha, surtada e histérica.
- O que que há com aquela garota? Por que ela tem que ser tão orgulhosa? Gaara, olha para mim – Sakura pôs as mãos, uma de cada lado, em sua cabeça, cobrindo-lhe as orelhas e puxou-a para que o ruivo pudesse encará-la bem de perto -, é tão difícil dizer sim?
- hm... Depende. – o garoto estava assustado com a reação dela e mais ainda com os olhos verdes esbugalhados que o encaravam.
- Depende de quê? – ela pressionava suas mãos com tanta força que estas desceram para a face, apertando as bochechas e formando um biquinho e uma expressão bem engraçada, jamais vista por qualquer outro ser humano.
- Da pergunta. – as palavras saíram meio que deformadas.
- Hm, compreendo. Acho que se fosse comigo, teria saído correndo. – a menina de cabelos rosa soltou Gaara, que agradecia por dentro, e pôs uma das mãos quase que em punho sob o queixo. – Mas o que fazer agora? E se ela disse a verdade? De qualquer forma, não posso arriscar que se sinta infeliz por minha causa.
Gaara estava mais assustado ainda, agora não eram mais os olhos, pois estes encontraram outro lugar qualquer para fitar, mas pelo fato dela falar com sigo mesma.
- Ahm, então, você sabe o que houve com a Ino? — disse meio relutante.
- Ah sim, claro! Suspeito que Ino esteja apaixonada. – Sakura falou com tanta normalidade que ele estranhou, mesmo já sabendo da revelação.
- Apaixonada? Por quem? – ele tentava disfarçar, como se não soubesse para descobrir até onde a Haruno sabia. Tentativa esta feita em vão, pois ela estava se levantando da cadeira e saindo da sala de aula.
- Desculpe Gaara, preciso tratar de algo urgentemente! – e toda atrapalhada, com os cabelos desgrenhados e os cadernos e livros escorregando de seus braços, saiu pela porta gritando o nome do namorado que estava também do lado de fora. – SAAAAAASUKE!!!
- Por que eu só me meto com pessoas malucas? – disse Gaara meio sem expressão para si mesmo, já que estava só. – Socorro, até eu estou falando sozinho!
~~Flash back off (agora, narrador personagem)~~
-É, ela já sabe. Mas ainda não sei como isso aconteceu! Sabe já estou ficando fula da vida com essa história toda! – eu cruzava os braços encarando Gaara.
- Você sabe que a culpa disso tudo é sua não é? – o safado me olhava de forma superior, como quem fala “eu te avisei”.
- Veado. — disse bem baixinho, mas infelizmente, ele me ouviu.
- Por que insiste em me chamar assim? Com tantas palavras no mundo... – dizia indiferente, mas notava-se um pouco de irritação em sua voz. Tentei fazer o joguinho dele e tentei retirar qualquer expressão aparente de meu rosto.
- Gay! – cruzei os braços e mostrei-lhe a língua. Ele suspirou profundamente.
- Estava com saudades de você. — o ruivo me encarava sério, eu acho. Ele não era muito bom em demonstrar sentimentos.
Fiquei meio incrédula. O que fazer numa situação destas? Sorri aliviada, era bom tê-lo perto de mim novamente e, por impulso, o abracei muito forte e por um longo prazo de tempo. Gaara tinha os braços colados ao corpo imóvel, esperou uma brecha para me empurrar um pouco para trás.
- Bom eh... O- O que vai fazer quanto a isso? – disse meio envergonhado.
- Isso? Hã? – demorei a processar. — Ah, sim! A Sakura. Eu estava pensando em... — não consegui lhe contar qual o plano que havia bolado, seria cruel demais. Então resolvi usar uma tática quase infalível: a mentira. — Nada, eu não consegui pensar em nada.
- Mas eu sim!
~~ Enquanto isso, na casa da família Haruno. ~~ Sakura Pov’s
Ino é tão orgulhosa! Qual o problema de apenas confirmar aquilo que eu já sei? Mas a real culpada desta confusão toda é você, sim, é você mesma, Dona Sakura! Não tinha nada que se meter a ouvir a conversa alheia. Sim, a culpa era minha, não percebi que Ino sentia tal coisa, que tipo de amiga cruel, desalmada e inútil eu sou?
Pequeninas lágrimas saíram de furinhos nos cantos dos olhos, elas corriam em desespero, uma atrás da outra como uma maratona para ver quem chegava primeiro a meu queixo. Dava cosquinha. Só conseguia pensar em como tinha sido estupidamente idiota, de como era estranha a sensação que sentia, era um misto de emoções. Ódio de mim mesma, carinho, raiva, amor, tudo, mas tudo mesmo!
Era difícil aceitar aquilo sem querer gritar. Eu só pensava em quanto estava fadada a morrer sem ter plena paz e felicidade. Os tempos que passara a sorrir? Estes eram apenas momentos de excitação e alegria que, diferentes da verdadeira felicidade, são passageiros.
Primeiro a morte de meu pai e agora a perda de Ino, minha confidente, com certeza a pessoa mais doce e petulante que já vi. Não poderia perder minha irmã de coração. Não, nunca! Mesmo que para isso eu tivesse que abrir mão da pessoa que mais amei na vida. E o que faria depois? O tempo me ajudaria a esquecer de tudo e decidir qual a próxima escolha a seguir.
Decidi terminar com aquilo naquela mesma hora.
- Alô Sasuke, é você?
~~ Ino Pov’s
Estava ali, sentada totalmente intrigada com aquela situação. Gaara era uma pessoa super complicada, num dia sequer me olhava e no outro chegara até a sorrir (considerando quem ele é, realmente é surpreendente).
- Pois bem, eu pensei numa coisa bem maluca, não sei se você vai aceitar, mas não tens escolha, não é?- e me encarava sabendo que estava certo.
-Hm... – murmurei.- e no que consiste esse tão brilhante plano?
- Acho que sua experiência no grupo de teatro vai servir para alguma coisa ao menos uma vez.- passou a mão esquerda nos cabelos cor de fogo.- Sempre achei muita falta do que fazer.
- Cala a boca.- disse já irritada.
- Por que se é verdade?- ele não me dava a devida importância por falar daquela forma, apenas falava meio cansado.
- Mas o que isso tem a ver com a Sakura? – estava decidida a voltar ao assunto e evitar possíveis discursões.
Ele suspirou e falou pausadamente:
- Você – apontou para mim – vai fingir que está namorando comigo – apontou para si – Simples, não?
— WHAT?!? – estanquei. Como aquele maluco podia ser tão...tão...tão maluco!? Eu tive a mesmíssima ideia, mas não contei preocupada com ele e agora este mesmo indivíduo me fez a mesma proposta. E o pior de tudo: como pode alguém ser tão insensível? Falou como se fosse a coisa mais normal do mundo inteiro.
- Nossa, sou tão feio assim? – e sorria com escárnio.
- O que te fez pensar nisso? – ainda estava meio incrédula.
- Momentos desesperados pedem medidas extremas. Nesse caso, SUPER extremas. – e a ênfase na palavra super foi notada de longe.
- O que quer dizer com isso? – estava bem claro que era mais uma provocação para mim.
- Conviver com você é um pouco estranho, você é muito bipolar às vezes.
Uma das qualidades que mais admiro em Gaara é sua sinceridade, mas tem horas que a honestidade é tanta que passa de indiferente para grosso. E “grossidade” é algo que eu não tolero.
- Bipolar? A Terra é bipolar, eu não. Sou a pessoa mais zen que eu conheço.
- É, pode ter certeza disso! – como estava sarcástico naquele dia. – Eu não tenho o dia inteiro, vamos, me responda logo: pode ser ou não?
- Já ouvi isso em algum lugar. – pensei alto.
- Isso o quê?
- Nada... – disse tentando descobrir porque aquilo me soava tão familiar.
- Você ainda não me respondeu. – falava impaciente.
- Preciso de um tempo para pensar, essa é uma ideia muito maluca! – respondi.
- Ino, você sempre complica tudo. É tudo só fingimento, não precisa pensar em nada, eu já fiz isso para você. Agora é só seguir o que eu mandar! – achei incrível a forma de como pode falar com tamanha frieza. Às vezes tenho sérias dúvidas sobre Gaara, tem horas que está feliz, mas nunca demonstra totalmente pra ninguém, talvez nem para si mesmo. E quando está irritado, bravo ou algo do gênero, sai soltando os cachorros. E depois ainda me chama de bipolar.
- Depende do que quer que eu faça. Eu não vou te beijar! – saiu bem claro e em bom som.
Aquele melhor amigo de uma figa revirou e fechou por alguns segundos os olhos. Era como se estivesse procurando se acalmar. Abriu-os e pude ver suas belas orbes cor de água cristalina.
- Você é tão bobinha! – e não deu muita importância para o que disse anteriormente. Será que sou tão boba assim como ele diz? – Só o que teremos que fazer é frequentar mais as casas um do outro sabe ficarmos tardes inteiras juntos, só os dois para gerar suspeitas.
- Quanto tempo acha que vamos precisar? – perguntei meio receosa.
- Umas duas semanas creio que sejam suficientes. – sua atenção voltou ao celular.
- Mas só isso não vai convencer aquela testuda, tenho certeza disso! Desculpe Gaara, mas isso não vai dar certo. Eu agradeço por tudo o que quer fazer por mim, mas realmente, não dá. – Sakura é muito teimosa quando quer e eu tinha a certeza de que ela não desistiria fácil assim.
- Como você desiste fácil das coisas. Aposto que nunca leu um livro de mais de vinte páginas. – a dureza em suas palavras era notável.
- Já li sim, um de mais de cem páginas! – me senti superior.
- E qual o nome do livro?
- Oi? – é, a mentira tem perna curta mesmo! – Ah, isso não importa! O que nos interessa é que esse planinho não vai dar muito certo!
- Vai sim. – como ele conseguia responder tão rápido. Eu não conseguiria nunca raciocinarassim, tão ligeiro! Será que ele é um sobrenatural? Daqueles que é pajé para ver o futuro e saber o que eu vou dizer, ou então... MEU KAMI!!!! Gaara lê pensamentos! Tô frita. (N.A.: esse é o momento Ino tem titica de galinha na cabeça)
- Mas a Sakura...
- A Sakura não vai desconfiar de nada depois que eu pedir você em namoro na frente dela. – e falava aquilo como se fosse a coisa mais normal do mundo inteiro! Fiquei indignada, mas, além disso, fiquei surpresa pelo conteúdo de suas palavras.
- Vo-vo-você vai o quê? – disse com o indicador no canto da boca.
- A gente faz uma ceninha dessas bem patéticas, como nos filmes que vocês gostam de assistir, mas só na frente dela. Tenho certeza de que não vai ter dúvidas sobre isso! – e ele ainda fitava o celular.
- Hm... Boa ideia. – e ficamos em silêncio por um tempo. Ele ligado no meu Delgadinho querido e eu sentada olhando para o nada, no maior vácuo supremo. Não consigo ficar muito tempo sem me mexer ou sem falar. Sou uma pessoa muito ativa. Muito mesmo. – Gaara?
- Sim? – levantara a cabeça para me mostrar aquele olhar de desinteresse.
- No que você tanto mexe aí? Não está lendo minhas mensagens, não é?
- Não, estou vendo as suas fotos de você fazendo caretas.
Eu me arrepiei naquela hora. As tirei num dia quente e como estava sem companhia e com os miolos torrando, resolvi fazer carrancas. Sabia que deveria ter apagado aquelas malditas fotos!
- Sabaku no Gaara – as palavras saíram duras e firmes, de forma rígida enraivecida e bem, mas bem devagar. –, me dá isso aqui, seu palerma, nojento, filho de uma égua, babuíno, medíocre, burro e inconveniente!
- Não. – simplesmente abaixou a cabeça e se pôs a realizar sua tarefa anterior. Meus nervos estavam pipocando e com um puxão, peguei o telefone de suas mãos. – Sua lerda, me fez perder o jogo!
- Ahm, jogo?
- É, jogo. Baka.
- De qualquer forma, vou apagar essas fotografias imediatamente. E o que você viu senhor Sabaku, não vai sair daqui, ouviu? – Falei igual a um ditador.
- Hai. Mas se quiser mesmo ser minha namorada, tem que parar de fazer essas coisas e vestir roupas mais bonitinhas, essa sua camisa é muito infantil. – apontava para minha blusa de pôneis coloridos.
- Ah, mas essa blusa não vale é que... Ei péra aí, e quem disse que eu quero ser sua namorada?! Você se acha muito, não é? Se for assim, eu não quero de jeito nenhum participar dessa coisa toda!
- Mas você não tem escolha. Fora que, com você falando muito e alto desse jeito, quem vai desistir sou eu! – ele estava calmo. Acho que estava pensando em outra coisa. Gaara, você é muito misterioso!
~~ Pov’s Gaara ~~
Como pode alguém ser tão inocente? Como que eu pude gostar de uma garota tão ingênua e irritante? Com certeza fugi de mim ultimamente. Ainda bem que ela esqueceu aquela história toda.
Mal sabe ela que eu passei todas as fotos para o meu cartão de memória enquanto ela trocava de roupa. Baka.
~~Pov’s Ino~~
Já havia combinado com o ruivo Sabaku de que no dia seguinte, eu iria para sua casa depois das aulas. Acordei um pouco receosa por tudo aquilo. Arrumei-me para a escola, disse a Kamoto que comeria fora e fui andando até a escola. Não era longe.
Kurenai nos fez copiar mais de quinhentas mil palavras, o que fez minhas mãos ficarem dormentes por um tempo e enquanto me recuperava Sasuke veio até mim:
- Ino, por acaso, você sabe o que está acontecendo com a Sakura? (N.A.: lembrei da conversa do Gaara com a Sakurinha ;)) – perguntou-me meio aflito.
- Com a Sakura? Não, por quê? Ela tá doente? Tá com dor de barriga?
- Dor de... Não, claro que não!
- Então é dor de dente?- insisti.
- Hã? – ele não estava entendendo muita coisa, ou pelo menos, foi o que percebi naquele momento.
- Ah, já sei! – exclamei.
- Sabe? O que é? – disse ainda esperançoso, mas era como eu disse: ainda.
- Sim, sim. É dor de cotovelo! Tenho certeza. – sabe, tem certas horas em que eu posso ser mais idiota que o Naruto (N.A. de novo: tadinho do Narutinho, ele nem é tão baka assim. Bem, quer dizer, só um pouquinho. Hina-chan, não fique chateada comigo! Onegaai’ Dx)
- O que você tem na cabeça, hein? – essa era a forma delicada dele dizer: você é louca.
- Eu não sei. – fiz biquinho. Por que eu ficava tão atrapalhada e tão besta quando falava com ele? Mas Sasuke riu bem discretamente.
- Só você para me fazer rir hoje. Mas quero que fale sério, o que se passa na mente das garotas? Uma hora elas dizem que te amam, na outra dizem que nunca sentiram nada por você e ainda te empurram para a melhor amiga! É mole? – não sei se era só impressão, mas aquilo me soou mais como um desabafo do que qualquer outra coisa.
- Melhor amiga? – reparei no que ele disse, e quase não consegui conter o desespero. – Ahm Sasuke, o que a Sakura te disse?
- Aquela maluca resolveu, assim, sem mais nem menos , terminar o nosso namoro. Falou que não me ama mais, que nunca me amou na vida e que nunca mais quer olhar pra mim. Me diz o que foi que eu fiz? – o coitado estava indignado.
Lembrei-me do trailer de um dos filmes do Harry Pother e filosofei:
- Calma Sasuke, tempos difíceis hão de vir!
- Mas eu simplesmente não consigo entender, foi muito repentino. Será que ela está gostando de outra pessoa? – especulou um tanto desolado.
- Não, não. Pode ter certeza disso. Sakura apenas está passando por uma fase. – procurei palavras para consolá-lo, mas não conseguia, eu também estava em estado de choque. A testuda tinha ido longe demais com aquela história toda e o pior: era tudo por minha causa. Eu tinha que tomar providências! – Devem ser os hormônios, você sabe como ela é quando está de TPM.
- Será mesmo? – dizia frio. – Mas algo me diz que há outra pessoa envolvida. E acho que sei exatamente quem é essa pessoa. – o som que saía de sua boca era sombrio, senti meus pelos se arrepiarem, um a um.
- M-Mas quem seria? — e não se pronunciou, apenas levantou-se da cadeira em que estava sentado. Estava decidido de que iria fazer algo. – Sasuke, no que está pensando, o que vai fazer? –Sua expressão era o que mais me assustava, aquele não era o Sasuke Uchiha, não poderia ser! Tentei impedi-lo de fazer qualquer coisa, mas fraca como sou, não pude fazer absolutamente nada.
O moreno de olhos negros simplesmente saiu da sala, as aulas já haviam cessado naquele dia e eu orava para que nenhuma fatalidade ocorresse.
Aflita e sozinha naquela sala com as carteiras estudantis todas bagunçadas, me senti uma daquelas formigas nas piadas de pontinhos coloridos. Mas Temari tirou-me de meus devaneios surgindo na porta grande de madeira sólida (pera aí, todas as madeiras são sólidas, alguém aí já viu madeira derretida? Se já, não quero saber!):
- Ino, vamos! Gaara falou que vai almoçar conosco hoje, pegue logo seu material que eu estou morrendo de fome. – apressada como sempre, Temari, toda descabelada, tentava me apressar.
Chegamos na casa dos Sabaku uns trinta minutos depois. Como lá só moram esfomeados, fomos direto para a cozinha almoçar, de uniforme e tudo. Entre palavras e bife acebolado, o som da campainha surge. Gaara se ofereceu para atender. Depois disso, só ouvimos um grito:
- Seu cretino, você vai morrer agora!
Notas finais
Ou um monte de reviews, hehe. :)
Fale com o autor