Confissões doloridas
6 Mar
Uma noite atrás era onde sua mente se encontrava a todo momento.
No quarto bagunçado, nas roupas pelo chão, o lençol desarrumado e os corpos embolados. O seu no dele e o dele no seu.
Na respiração descompassada, nas mãos que queriam tocar todos os lugares do outro, apressadas e ansiosas, no calor do momento, nos suspiros baixinhos ao pé do ouvido.
Queria poder sentir novamente os lábios do outro nos seus, os cabelos entre seus dedos, a cintura ondulando sobre si.
Como se ele fosse o próprio mar e o outro um navio enfrentando a ressaca de seu íntimo.
Só sabia ser mar ressaqueado, sempre revoltado e perigoso, nunca calmo e menos ainda porto, e foi por isso que foi embora, antes mesmo do outro acordar.
O outro ia afundar se continuasse, preferia que o odiasse, do que saísse destruído, sem forças nem mesmo para isso.
Mesmo sabendo disso, doeu deixá-lo sozinho lá, doeu ter que abrir uma ferida nele que cicatrizaria com o tempo para que não se machucasse muito depois.
Tentou convencer-se que era um erro. Mas ao olhar para o outro uma última vez, desistiu e percebeu que era uma coisa boa. Talvez a melhor de sua vida inteira.
Com certeza a melhor, corrigiu-se sorrindo amargurado.
Tomou fôlego, tinha de se apressar então, para não perder a coragem.
Afinal, ele destruía tudo que tocava.
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