Uma noite atrás era onde sua mente se encontrava a todo momento.

No quarto bagunçado, nas roupas pelo chão, o lençol desarrumado e os corpos embolados. O seu no dele e o dele no seu.

Na respiração descompassada, nas mãos que queriam tocar todos os lugares do outro, apressadas e ansiosas, no calor do momento, nos suspiros baixinhos ao pé do ouvido.

Queria poder sentir novamente os lábios do outro nos seus, os cabelos entre seus dedos, a cintura ondulando sobre si.

Como se ele fosse o próprio mar e o outro um navio enfrentando a ressaca de seu íntimo.

Só sabia ser mar ressaqueado, sempre revoltado e perigoso, nunca calmo e menos ainda porto, e foi por isso que foi embora, antes mesmo do outro acordar.

O outro ia afundar se continuasse, preferia que o odiasse, do que saísse destruído, sem forças nem mesmo para isso.

Mesmo sabendo disso, doeu deixá-lo sozinho lá, doeu ter que abrir uma ferida nele que cicatrizaria com o tempo para que não se machucasse muito depois.

Tentou convencer-se que era um erro. Mas ao olhar para o outro uma última vez, desistiu e percebeu que era uma coisa boa. Talvez a melhor de sua vida inteira.

Com certeza a melhor, corrigiu-se sorrindo amargurado.

Tomou fôlego, tinha de se apressar então, para não perder a coragem.

Afinal, ele destruía tudo que tocava.