Confissões de um aprendiz de piloto de dragão
3 Eu ainda mato o Grudento
Notas iniciais
Enquanto meu pai não chega, tenho que arrumar o que fazer até lá. Em um lugar como Berk, aonde os dragões são amigos e não mais inimigos, se você não tem um e não é um adulto para ir num bar tomar quentão, as coisas para fazer são limitadas. Como eu não pensei em nada lembrei que hoje tinha treino (como todos os dias drrrrr) de piloto de dragão a tarde então fui ver como é pela centésima vez, e fiquei babando como sempre.
Algumas aulas são na arena que agora tem teto retrátil e outras acontecem ao ar livre (que são as mais divertidas de ver) e as vezes acontecem duas aulas ao mesmo tempo que uma é “prova” e a outra é normal. Hoje eu, apesar de não ter o que fazer, tive sorte, porquê tinha duas aulas acontecendo ao mesmo tempo, então fui na do ar livre e adivinha quem estava dando a prova? O Soluço! Esse é um fato histórico, pois ele quase nunca aplica as provas e menos ainda quando eu estou assistindo. Pensando bem, nunca ninguém além de um ou outro parente vem ver as provas e as aulas fora eu que só venho de vez em quando, e hoje tem mais do que cinco pessoas! Uau, deve ter alguma coisa acontecendo que eu não estou sabendo...
Agora está na hora de um amigão meu (sabe?) fazer a prova, então ele decola com seu Corta Tempestade (que se eu chutasse como conseguiu, diria que ele roubou da Valka) dá um looping, meio torto na minha opinião, depois ele foi em um rasante por cima das árvores depois do barranco, em direção ao mar. Quando chegou lá, ele fez um ziguezague entre as pedras e na volta foram levantando vikings, do que imaginei que fosse ferro de Gronckle pois não pegava fogo nem destruía, e ele acertou todos e não só isso, ele fez isso de ponta cabeça, que exibido. Tsc, tsc, tsc.
Quando voltou, ele não passou por cima das árvores como na ida e sim por entre as árvores e quando chegou na clareira, o dragão deu uma rajada de fogo e eles passaram por ela já começando outro looping indo em direção a plateia e...
—AAAAAHHHHH...— não acredito, ele me pegou!
—E aí, Cabeçadecocomoledeyak, a não desculpa, eu queria xingar você não ele. FOI MAL CABEÇADECOCOMOLEDEYAK— Quase de tanto medo e susto quase não consegui ficar com raiva, quase.
—TUDO BEM CARA!
—Me põe no chão GrudentoOOO— Ele é sobrinho do Gosmento e agora ele não terminou o looping como eu imaginava, e sim continuou subindo e subindo e... Não sei mais, talvez seja porquê ele tenha me soltado?
—AAAAAHHHHH...
Não acredito, não acredito que ele teve a coragem de me soltar, eu sabia que ele era mal e fazia coisas baixas, mais não que ele teria a coragem de me matar na frente do Soluço. Como eu sou muito burro, fiquei o tempo todo com os olhos fechados e não vi a que distância que estava do solo/morte, então me arrisquei a abrir os olhos fechando-os rapidamente e, quando achava impossível, me surpreendi vendo que não iria cair espatifado como coco mole de yak no chão e sim iria cair no mar. Quando e se eu sair da água vou xingar muito ele. Abri e fechei os olhos rápido de novo. Cinco. Quatro. Trê... O aspirante a piloto de dragão me pegou, sabia que não teria coragem de me deixar cair.
—Ter me deixado cair no chão seria menos baixo que na água seu pilantrinha alado.— Disse ainda de olhos fechados.— Se continuar nesse ritmo vai acabar parando no centro da Terra!
—Tá bom então, se quiser que eu te solte eu solto.— Não era a voz do Grudento.
Abro os olhos de uma vez e quando olho para cima não vejo uma barriga branca, como eu esperava, e sim preta. Quando olho para a frente Banguela olha para mim com aqueles olhos de fúria da noite e vira um pouco a cabeça depois volta sua atenção para a frente. Não me lembro de tê-lo visto com o Soluço lá em baixo.
—Oh chefe Soluço, desculpa eu não vi que era você. Por favor minhas sinceras desculpas não qui...
—Nhá, tudo bem, só estava brincando não fiquei bravo com você, mas com o Grudento... Desculpa a demora aliás, o Banguela estava lá na arena ajudando a Astrid.
—O-o-obrigado e t-tudo bem não me importo.
Quando chegamos a clareira todos aplaudiram o Soluço que por sua vez fez uma cara brava e foi até o grudento que estava esperando ao lado de seu dragão:
—O que você estava pensando em fazer isso, ficou maluco? E se eu e o Banguela— Disse apontando e olhando de relance para seu dragão.— Banguela! Eu estou fazendo um discurso sério aqui dá para parar de ficar me imitando? Eu nem sou assim! Então, desculpa a interrupção, imagina se nós não conseguimos ir pegar ele a tempo? Sorte a sua que conseguimos, se não eu iria te bombar. Como isso não aconteceu as observações sobre sua performance: era para você ir daqui até as pedras e voltar atirando nos inimigos no menor tempo possível com precisão. Você demorou muito com os loopings e coisas desnecessárias como jogar os outros na água. Também derrubou os inimigos de ponta cabeça dando a oportunidade de barcos atirarem em você, então agora, se você estivesse em uma situação real você estaria morto ou seria capturado. Sua nota é 4,5.
—Mas chefe, eu preciso de 5 para passar e isso não é uma situação real.
—Pensasse nisso antes de ter feito tudo isso, desculpa mas você repetiu.
Nãããããooooo. Se ele repetiu, significa que vai ficar na mesma classe que eu! Só era isso que me faltava... Agora, já não basta ter que aturá-lo na vila, ter que aturá-lo nas aulas também? Tenho que tomar uma providência, mas não tem problema já queria falar com ele mesmo.
—Ch-chefe Soluço posso falar com você?— Consegui criar coragem para dizer quando ele estava indo em direção ao Banguela.
—Claro, fala.
Por mais que a multidão já se dispersava e o Grudento estivesse interdito demais em seu choro, queria falar com ele a sós, então fiz um sinal com a mão apontando para mim e para ele dando a entender que era só nós dois.
—Ah, sim, claro. Vamos ao meu escritório.— Disse ele depois de uns vinte segundos. Ele já ia montando na Banguela e decolando quando se lembrou que eu ainda não tinha um dragão e ofereceu— Quase me esqueci, quer uma carona?
As vezes tenho que me lembrar que ele mudou de posição na ilha mas continua o mesmo que era antes. Aceito e, com uma ajuda, me sento atrás dele na Banguela.
Voar quando não se é praticamente arrancado do chão e depois solto é bem melhor, mesmo que por alguns segundos. Principalmente quando isso é em um Fúria da Noite. Chegando na arena, que estava vazia pois a aula havia terminado descemos do dragão e fomos em uma das antigas celas dos dragões, que ao entrar era um escritório.
—Desculpe o fedor, limpamos isso muitas vezes mas não sai nunca. Então o que você queria me dizer?
Fale com o autor