Confissões de Uma Iniciada

5 Capítulo 5 -A escolha Part.2


Notas iniciais
E aqui vai a parte 2 das aventuras e desventuras de Elena. Espero q gostem bjs!

Ao chegar ao Eixo,o prédio no qual a Cerimônia de Escolha seria realizada não conseguia fazer minhas mãos pararem de suar.Enxugava-as a todo momento e não conseguia parar de pensar em como esse movimento era suspeito.E se alguém descobrisse? Pensava aflita.Eu estava ficando paranoica mas não havia como contestar o fato de estar muito nervosa.Afinal eu estava prestes a escolher uma facção quando na verdade não deveria entrar em nenhuma.

Esperei em meio a multidão o elevador chegar e quando as portas foram abertas senti-me ser empurrada para dentro e espremida em uma posição desconfortável contra a parede fria de metal.Só voltei a respirar normalmente quando o andar onde a cerimônia aconteceria chegou e fui novamente levada pela maré de homens e mulheres de diferentes facções.

Acomodei-me em um assento de acordo a ordem de sobrenome e esperei.Por mais que eu quisesse não conseguia me livrar da sensação de ser uma fraude,o que obviamente era a verdade.E como estava quente...Meu Deus!Eu não parava de suar.Desde quando estava fazendo todo aquele calor?Sem que eu notasse o líder da Audácia começou a dirigir a cerimônia daquele ano enquanto eu acreditava que fosse desmaiar na frente de todo mundo.

O homem realizou um discurso cujo conteúdo eu não consegui prestar a mínima atenção e para o meu horror começou a chamar pelos iniciados mais rápido do que eu imaginava.Meus músculos enrijeceram-se e desisti de tentar enxugar as mãos.Onde eu estava com a cabeça?Quem eu estava tentando enganar,afinal?Eu fui criada na Franqueza!Fora treinada para dizer a verdade e abominar a mentira!Era uma mentirosa terrível!Eu...Não conseguiria fazer aquilo,não conseguiria escolher uma facção na frente de todos como se tudo estivesse bem.Não seria capaz de tamanha encenação!

Com o coração a mil e tomada pelo desespero a força que me motivara a vir até o Eixo e escolher a Amizade não importava o que acontecesse me abandonara e agora eu sabia que precisava encontrar um modo de sair dali.Não ouvia nada alem do pulsar em meus ouvidos.Sabia que ainda restavam alguns iniciados na minha frente e antes que meu nome fosse chamado deslizei para o chão e ignorei os olhares surpresos de todos os meus colegas enquanto eu passava engatinhando sobre seus pés rumo a porta que me levaria a liberdade.

Só parei quando a porta se tornou visível e me esforcei para me levantar discretamente enquanto ia a pontas dos pés em sua direção.Coisa que eu nunca deveria ter feito pois ao tocar a maçaneta da porta ouvi a terrível voz,alta e clara,que sobrepôs todas as outras:

–Elena Recht! –gritou o homem da Audácia.

Meu corpo todo endureceu. Todos olhavam diretamente para mim.A única pessoa de pé em todo o salão.E com um sorriso duro e as mãos tremulas apontei para a saída.

–Eu só estava...Indo ao banheiro. – Gritei em resposta.Alguns membros da Franqueza ergueram as sobrancelhas ,surpresos, ou por me reprovavam com o olhar fulminante.Sabiam que eu mentia.

–Você pode ir –o homem decretou com um gesto de mão e eu suspirei aliviada.Infelizmente cedo demais.-Logo depois que fizer sua escolha é claro.Venha logo,não temos o dia todo!

Permaneci imóvel,a única coisa que me motivava a caminhar até o palco eram as mãos impacientes que me empurravam para frente.E,ao me aproximar aos tropeções do imponente líder da Audácia este me segurou pelo cotovelo para que eu não caísse e praticamente me obrigou, com aquele jeito bruto típico de sua facção,a segurar a faca cerimonial.

–Já sabe o que fazer ou quer que eu desenhe, Ruivinha? –ele grunhiu baixo próximo a minha orelha para que somente eu pudesse ouvir. –Ande logo com isso.Você está atrasando a todos!

E então o líder me empurrou de maneira que o resto da platéia pudesse acreditar ser um gesto amigável e, hesitantemente, aproximei-me dos cinco enormes recipientes no qual deveria derramar algumas gotas de meu sangue.Respirei fundo diversas vezes.Não tinha como voltar atras agora.Não podia deixar que soubessem que eu nem poderia estar ali.Seria obrigada a seguir com a mentira.Mordi o interior da bochecha,o calor(assim como as chamas que emanava de um dos potes) fazia tudo parecer distorcido ao meu redor. Tinha que acabar logo com aquela tortura e apertando o cabo da faca com força passei a lâmina rapidamente por uma das palmas de minhas mãos.

O sangue brotou instantaneamente sobre o corte e um filete vermelho começou a escorrer sobre minha palma e a arder como fogo.Cerrei os dentes para não gritar e tremula devolvi a faca para o homem da Audácia.No nervosismo do momento acabara por fazer uma besteira e agora precisava colocar a mão sadia em forma de concha em baixo da ferida para impedir que o sangue pingasse no piso do salão.Com a dor tirando-me a capacidade de pensar fiz o máximo que pude para me concentrar e tentar localizar o frasco que representava a Amizade.Agora, qual deles era o certo?Vidro,água,terra,pedras ou brasas?É nessas horas que lamentamos por ficar dormindo na sala de aula!

Calma Elena,você precisa se concentrar! Mas uma vez,respirei fundo e tentei buscar fundo em meu cérebro a informação que precisava.O vidro.Pensando bem,eu já ouvira falar sobre o seu significado na Franqueza então só poderia pertencer a minha facção.Mas e o resto?Pedras e brasas...Não, aquilo não parecia ter nada a ver com a Amizade.E de repente só me restavam duas opções reais:Terra ou Água?Água ou Terra?E o meu sangue não parava de escorrer do talho que abrira na mão.

Caramba!Como vou saber?A amizade consegue cultivar alimentos tanto na terra quanto na água!E um desses dois era o frasco onde eu mal podia esperar para despejar aquele liquido pegajoso e repulsivo que se acumulava em minhas mãos.Eu poderia passar horas ali,pensando em qual dos dois frascos continha um melhor significado para a Amizade mas o líder tatuado pigarreava com impaciência e eu sentia que poderia ter uma hemorragia grave se não cuidasse logo daquele ferimento.

Tinha que tomar uma decisão rápida!E como se uma luz se acendesse em meu cérebro lembrei-me de um infalível método de escolha que minha mãe havia a muito tempo me ensinado.

UNI DUNI TE, SALAME MINGUÊ...

Terra. Tinha que ser a terra!Eu escolhia a terra!

Levei as minhas mãos rumo ao grande pote cheio de terra,no entanto durante o movimento no qual eu direcionava minhas mãos,o inesperado aconteceu.Como em um filme em câmera lenta uma pequena gota vermelha desprendeu-se de meus dedos e caiu antes que eu pudesse impedi-la,chocando-se sem piedade contra a superfície da...

...Água

–Erudição! –anuncia o líder da Audácia.

Notas finais
Até a próxima,pessoal!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.