Notas iniciais
Bom, novamente, mais dois poemas, se bem que "Aqui" não é bem um poema e acho que se a pessoa para quem eu escrevi essa poesia ler isso aqui, lembre-se: não se sinta culpado e não venha pedir desculpas de novo, porque você sabe que eu não tenho paciência e nem gosto desses seus dramas :v Espero que gostem e boa leitura!

Dança

Sua alma pede socego
Ela dança, canta, encanta
Sua alma quer um descanço
Ela envolve, corre, torce.

Sua alma quer um par
Para dançar, cantar, encantar
Sua alma quer brilhar
Ela vive, revive, continua a esperar.

Pés aqui, corpo lá
Sua alma te chama para dançar
E baila, desfila, cria
Dança pela noite sem parar.

Grita, chora sem parar
Sua alma quer se libertar
Sonha, emociona, encontra
Sua alma quer dançar.

Aqui

Eu sempre estive aqui
Mas nunca fui o suficiente
Sempre precisei ser mais que eu
Mais que você
Mais que todos.

E eu tentei, mesmo fracassando
Eu me brinquei, acabei atirando
No meu próprio pé.

Eu fui sua, fui de todos
Sucumbi a todos os seus desejos
Tentei ser perfeita
Tentei ser o suficiente pra você
Mas eu nunca fui o bastante.

Tentei te agradar
Tentei não chorar
Lutei, querendo apenas teu amor
Mas tudo o que encontrei foi a dor.

E não é a minha primeira desilusão
Já gostei de outros caras
Até mais do que de você
Mas sempre acabei me iludindo
Nem eu sei porque ainda vivo.

Cresce em mim
Uma espécie de esperança
De que, um dia, eu possa
Encontrar alguém que compense esse pesar
Alguém que não me faça chorar
Sei que é quase impossível
Mas o que seria mais impossível do que amar?

Eu estive aqui pra te amparar
Sempre me esforcei pra te agradar
E, mesmo que doesse em mim
Eu te ajudei com outra pessoa
Porque só queria a sua felicidade.

Eu fui capaz de me colocar
Em segundo plano
Apenas para que minha existência, o meu sentimento, fosse completamente em vão.

Eu pareço rude em minhas palavras
Mas eu assumo minha rudez
E digo que invejo a outra
A quem pertence teu coração
Porque ela te conquistou
E eu aqui.

Eu aqui tentando te fazer me amar
Eu aqui te apoiando
Eu aqui me entregando, me cegando
Com esse amor ilusório
Quando sempre soube
Que nunca teria seu coração.

Então adquirir uma psicose amorosa
Caindo, cedendo à qualquer um
Foram dois, já, bem de repente.

Obrigado por fingir que se importa
Mas não precisa fingir
Não preciso da sua caridade
Porque tudo que quis de ti
Você já entregou a outra.

Me dói ainda
Mas eu jamais te desejo o mal
Ao contrario
Desejo que não se iluda como eu.

E nunca foi sua culpa
Eu bem queria poder te culpar
Mas não foi sua culpa
O meu coração fraquejou, assumo.

Mas doeu, sabe
Eu finjo que não sinto, que não vejo
Mas eu estou aqui
E sempre estive.

Vi você demonstrar algo
E, depois, nem se quer me dar ouvidos
Como se eu fosse descartável
E isso me parte o coração.

Parte o mesmo coração que eu queria te entregar.
Esse coração já foi tão estilhaçado
Que acho que ninguém nunca vai
Querer a mim.

Vou rir, pois sou tola
Não devo pensar dessa maneira
Não estou tão desesperada
Nem mesmo anseio por um outro alguém
Cada coisa a seu tempo.

Já catei tantos cacos de mim mesma
Juntei tudo e colei, consertei
Eu mesma
Mas, a cada queda, este vai perdendo
A essência, a inocência.

O amor se torna ódio
O calor se torna inverno
A paixão se torna vingança
E, a pureza é corrompida.

E eu questiono agora:
Onde está o Amor?
A paixão fervorosa descrita pelos poetas?
E onde encaixa a minha dor?
Que me quebra as pernas e me atira ás cobras?

Eu vivi um sentimento completamente em vão
Mas nunca te amei verdadeiramente
Pois a força do coração ainda é maior do que
A minha força de vontade
De esquecer você.