Confissões De Um Vampiro: Corpo E Sangue
2 O Despertar
Notas iniciais
Já Fazia um tempo que ela estava ali naquela prisão subterrânea, recebendo poucas gotas de sangue humano em seu corpo inumano. Para que suas veias não secassem, para que seu coração ainda bambeasse o que restava ali.
Mas a maldição já havia sido quebrada, ela já estava acordada a mais de 50 anos, absorvendo tudo que precisava saber, sobre esse novo tempo, sobre os novos humanos, vampiros e bruxas. Ela abriu os olhos, aqueles olhos que um dia já foram de um castanho doce, meigo e encantador, mas que agora trasbordavam ódio e desejo de vingança. Ela sabia como as coisas funcionavam por ali, a troca de horário estava próxima. Gabriel e Daniel a guardavam desde que havia sido aprisionada.
— Olá Daniel -, disse Gabriel ao adentrar na sala onde o amigo estava.
Gabriel olhou rapidamente para a urna que ali havia e sorriu,
— Ela deu muito trabalho? -, perguntou Gabriel em um tom de brincadeira. Daniel não deixou de sorrir.
— Como sempre não -. Daniel se levantou e estava quase saindo pela porta se virou e disse:
— Não há deixe escapar, sabe dizem que ela é a garota mais irresistível do mundo -, era obvio que Daniel queria provocar Gabriel.
Daniel saiu no mesmo instante e parou sobre o portão de aço gigantesco em sua frente e ficou a contemplar as estrelas. Gabriel permaneceu na sala , quando ouviu um barulho , como se algo houvesse se movido em algum lugar. Gabriel se moveu rápido ate a urna que depositava a TAL GAROTA. Mas tudo parecia normal, Gabriel então respirou fundo e permaneceu imóvel por alguns segundo, sentiu um enorme desejo de abrir aquela, urna de ver se aquela garota era realmente tudo aquilo que diziam. Gabriel e Daniel haviam sido escolhidos para guardá-la pelo fato de serem extremamente fieis ao seu mestre Hector.
Mas, naquele momento o desejo, a necessidade de vê-la falou mais alto que tudo Gabriel rapidamente retirou a pedra da urna e se assustou. Não havia nada ali, há não ser tubos que deveriam ser ligados ao corpo da Tal Garota.
Gabriel estava com raiva, por não ver a tal garota e por ter falhado na única missão que seu Mestre havia lhe designado. Ele então ouviu uma voz, uma voz meiga atrás dele, como se cada palavra dita fosse uma nota musical que dançava ate chegar aos seus ouvidos, ele se virou à voz dizia e repetia varias vezes.
– Olá Gabriel, me diga, por quê? , ele olhou em direção a garota de cabelos castanho mel e olhos da mesma cor. A garota tinha uma pele perfeita e seu rosto, se parecia com de um anjo. E uma boca que em qualquer outra ocasião teria gosto de beijá-la. Ele olhou para seu vestido, que estava todo esfarrapado, como de uma mendiga, mas, aquele tipo de tecido e o jeito que o vestido fora feito, era igual aos da época de quando ele havia sido transformado.
— Por quê? O que? . Perguntou Gabriel a fitando.
— Porque sempre tenho que matar pessoas boas como você -, disse a garota inclinando seus olhos que não estavam mais castanhos, mais estavam num tom de vermelho sangue.
Antes que Gabriel pudesse fazer ou falar algo, a garota rapidamente o jogou no chão e cravou seus dois caninos no pescoço do vampiro, ela então sugou todo sangue que havia naquele corpo. O fato de a garota ter sugado o sangue de Gabriel não faria diferença, apenas o cheiro do sangue o traria de volta, mas antes que Gabriel voltasse a ficar consciente, a garota pegou uma estaca e enfiou em seu coração sem pensar duas vezes.
Daniel ainda estava olhando as estrelas, tão admirado que não ouvira nada que havia acontecido. Ele viu um vulto passando, mas achou que era seu amigo fazendo graça, estava sorrindo , quando a imagem de uma mulher surgiu em sua frente, em fração de segundos, Daniel e a garota estavam frente a frente.
— Olá Daniel, quanto tempo não acha?-. Daniel não disse nada tentou sair do lugar, mas, era como se seu corpo não obedecesse a garota então continuou :
– Sabe o que faço com traidores Daniel ? -, o corpo do vampiro se estremeceu, ele conhecia muito bem aquela garota, tanto para saber que ela iria o matar, com alguma dificuldade ele conseguiu falar.
— Julliét, por favor, não! A garota sorriu diabolicamente.
— Adeus Daniel! A garota então mordeu seu pescoço, retirando dali todo sangue que precisava para se manter forte durante o dia. Quando acabou jogou o corpo do garoto ao chão, analisou o corpo por alguns instantes e disse sozinha
– Não serei tão boa com você como fui com Gabriel, disse pegando um isqueiro e o acendendo.
— Seu tempo acabou Daniel e o meu começou, disse jogando o isqueiro no corpo do vampiro que em poucos segundos começou a pegar fogo, a garota permaneceu ali, imóvel vendo o corpo do garoto se transformar em cinzas.
Hector estava deitado em frente à lareira como sempre fazia a noite, mas, por algum motivo o sorriso cativante de Julliét veio a sua memória e uma lagrima junto de um calafrio percorreu seu corpo. Ele se lembrou de como Julliét era quando humana, sua doce e meiga Charlotte de Gauthier. Hector a amava, amava como nunca havia amado ninguém, e preferiu vê-la eternamente dormindo e pudesse voltar a qualquer hora, do que vela morrer diante de seus olhos. Hector não percebera o porquê de se lembrar de Charlotte, e acabou esquecendo um importante detalhe. Hector e Julliét eram ligados por um laço sanguíneo e Hector não conseguiu deduzir que aquilo era um alerta que ela havia acordado e que iria o caçar ate a morte.
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