Confissões
1 Confissões
Notas iniciais
Espero que gostem!
Faz um mês que contei o que sinto para Reade. A minha atitude de contar os meus sentimentos foi puramente egoísta, pensando apenas em mim e o que me faria sentir melhor naquele momento – sim, porque no segundo a seguir a ter dito a verdade arrependi-me imediatamente.
Não pensei nas consequências que teria para Reade, como afetaria a sua relação com a Meg e até mesmo a nossa relação, que eu venho a destruir a cada dia que passa.
Ele sempre me convida para assistir os jogos de futebol em casa dele, ou ir tomar uma bebida num bar aleatório nas ruas de NY. A minha resposta é sempre a mesma, “Hoje estou muito cansada, talvez outro dia” ou “Já tenho planos – que, na verdade, são ficar em casa sozinha com a minha garrafa de uísque para consolar as minhas atitudes idiotas”. Reade sempre dizia que não havia problema, mas eu o conheço, bem demais até, para perceber que ele fica ligeiramente dececionado comigo.
A nossa rotina já não é mais a mesma, deixámos de almoçar juntos, no trabalho trocamos poucas palavras e estas nunca são relacionadas à nossa situação atual. E, para melhorar a minha situação de vida, Patterson não consegue dirigir-me o olhar, mas eu a entendo, eu que não lhe disse a verdade sobre Borden.
É nesses momentos que penso em voltar ao jogo, não tenho ninguém para me apoiar, já desiludi todos à minha volta, não tenho absolutamente nada a perder, tudo o que tinha no passado já se desmoronou.
P.O.V Reade
A confissão da Tasha fez várias sensações virem ao de cimo, sensações que eu pensava já estarem enterradas.
Porém, percebi que a minha relação com a Meg era apenas uma tentativa falhada para esconder esses sentimentos que achava não serem recíprocos e, decidi dizer-lhe a verdade, acabando com o nosso noivado. A verdade é que com a minha reação assustou Tasha de uma forma que nunca antes previra, se soubesse que a nossa relação se iria desgastar desta maneira, nunca reagiria assim, deixando-a assustada e com medo do que estava por vir.
Embora não tenha sido fácil conversar com ela ultimamente, preciso de contar-lhe urgentemente a minha decisão de acabar com Meg e dizer-lhe quais são os meus verdadeiros sentimentos por ela e, acima de tudo, desculpar-me pela minha reação.
P.O.V Tasha
Ouço uma batida suave na porta do meu apartamento, mas o som ecoa na minha cabeça, talvez pelo facto de já ter exagerado na dose de álcool esta noite.
—Reade?— Digo ainda mais confusa, a dor de cabeça não me está a ajudar absolutamente nada.
—Oi, posso entrar? Preciso falar com você.
—Sim— Fui completamente apanhada desprevenida com esta visita, ele era a última pessoa que eu queria encontrar neste momento.
—Como você tem estado? Não temos conversado muito desde que…, você sabe.— O tom de voz apreensivo utilizado por ele deixava-me nervosa pela conversa que vinha pela frente.
—Ótima, tenho pensado em voltar CIA, já falei com o Keaton e no final desta semana vou para Langley — Novamente, não pensei como essas palavras fossem magoá-lo.
—Não ia falar nada?— Dava para ver pela cara dele que ele se sentiu traído e eu entendia perfeitamente o porquê, embora já não estivesse totalmente sóbria. Há algumas semanas atrás, eu certamente pediria os seus conselhos e opiniões sobre o assunto.
—Eu ia, mas não sabia quando— Cada palavra que dizia parecia apunhala-lo no coração.
—Porque vai embora?— O olhar magoado dele partia o meu coração, os pedaços que já estavam desfeitos, agora desfaziam-se mais, tornando-se cada vez mais minúsculos.
—Quer beber alguma coisa?— Tentei desviar a conversa o mais rápido possível, não estava pronta para admitir as minhas razões, não quero mostrar as minhas vulnerabilidades para ele, ainda que eu saiba que ele não é um estranho qualquer, sei que posso confiar a minha vida nas mãos dele.
—Tash, por favor, seja sincera comigo— Não aguentava mais ver aquele olhar, ele tinha razão, ele merecia saber o que eu sentia e o porquê de tomar aquela decisão.
—A última vez que fui sincera com você, destruímos a relação que tínhamos!— Instalou-se um silêncio constrangedor em todo o apartamento e eu não consegui controlar as minhas lágrimas.
—Tasha, eu…
—Não Reade, me deixa falar agora! O que eu estou fazendo aqui se não tenho as duas pessoas mais importantes perto de mim? Você sabe como está a minha relação com a Patterson e nem preciso falar como nós os dois estamos. Eu até pensei em voltar a jogar sabe? Estou completamente sozinha aqui!
—Me desculpe, quando me falou o que sentia reagi de forma exagerada, o que deixou você magoada e, eu entendo perfeitamente porque não aceitou os meus convites. E eu não vou martirizá-la por querer ir ao casino, porque embora tivesse vontade você não foi, o que prova o quão forte você é, não que eu tivesse dúvidas disso.
O sorriso dele me deu todas as certezas que eu precisava naquele momento e o meu subconsciente não resistiu àquele maldito sorriso cheio de ternura e eu lhe dei um dos meus sorrisos mais sinceros, mas extremamente tímido.
Como é possível eu deixar de estar tão chateada e ficar como se estivesse nas nuvens com apenas um sorriso ternurento de um homem que, sem dúvida, é o mais importante da minha vida.
De repente vi a distância que nos separava, ou melhor, a falta dela. As nossas mãos estavam quase se tocando e ele parecia não se importar com isso, ele tinha Meg, eu não seria capaz de fazer uma crueldade dessa.
No entanto, o meu corpo ansiava por aquele toque, sentir a pele dele na sua…
—Reade, não podemos. Você tem a Meg e, eu vou embora essa semana e para não falar da possibilidade de estar ligeiramente bêbada.
—Eu acabei com a Meg. Quando revelou tudo para mim, os sentimentos que eu pensava estarem esquecidos vieram à tona e não era justo para nenhum dos dois estarmos numa relação falsa.
—Sério?
Não queria acreditar naquilo que estava a ouvir, Reade terminou com Meg por minha causa? Isso quer dizer que ele também gosta de mim? Minha cabeça está cheia de perguntas que parecem levar todas à mesma resposta.
Num piscar de olhos, uma sensação estranha, mas excelente, invade o meu corpo, Reade selou a sua resposta com um suave beijo. Essa sensação é das melhores que alguma vez senti, ele verdadeiramente me completa, tornamo-nos um só.
Quando reparei, os beijos tinham-se tornado cada vez mais intensos e apaixonados e, rapidamente, dirigimo-nos para o meu quarto, onde passamos uma noite recheada de carícias entre os nossos dois corpos repletos do fruto do amor que sentimos mutuamente. E certamente que recusaria a viagem para Langley e ficaria por NY alguns bons anos…
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