Alma de poeta, perdida no vazio de um vicio

que consome a alma e preenche os papeis

fazendo de nós artistas, mas nao queremos ser

queremos apenas consumir por completo a dor

Tinta! Que nos preenche as veias e as folhas

Que mancha nossas maos como sangue que derrama

Que perfura nossos ossos, nossa carne, nossa alma

até formar letras que consolam ou tiram lagrimas.

Penas! Afiadas agulhas que riscam e arranham

Contornos de letras e linhas que rabiscam

O mais intimo espaço vazio dos papeis

Mas sem claro preencher os vazio da alma

Alma! Preço que se paga por sustentar o vicio

De passar para o papel a dor vivida

de humana rebaixado a espectro, sombra

de o que um dia ja foi algo divino

Poeta viciado em escrever sua dor

Se matando pouco a pouco devagar

Esperando por overdose seu fim chegar

Para nos braços da morte descançar

Esquecendo o amor que o fez definhar

Na busca de um paraiso de labios de mulher.