Confissões de um Adolescente em uma Pista de Dança
1 Capítulo 1: Confissão
Notas iniciais
“A porta do elevador abriu, eram duas da manhã, meus pais não me viram sair. Mais cedo eu discuti sério com eles, estava cansado de viver sendo repreendido por ser o que sou, um garoto na flor da adolescência, louco por maconha, meninas, sexo e alguns cigarros. Pus os fones de ouvido, aumentei o volume do IPhone e caminhei pelas ruas de Nova York. A noite realmente é uma criança. Peguei um táxi e ele me deixou na porta da boate Fighter, entrei.”.
Feixes coloridos de luzes florescentes refletiram sob o rosto de Brad. A casa estava lotada. Todos estavam coreografando Hung Up. Ele entrou no meio da multidão, seu corpo foi movido pela música. De repente o tik tok do relógio soou, ambos jovens estavam girando no salão. O cheiro da maconha era notável. Os DJs desceram de seus postos para se juntar a eles. Brad já não sentia nada.
“Me descobri em um lugar sombrio. Já não tinha noção do que se passava no ambiente. Os minutos passavam tão devagar. Quando olhei para o lado, o relógio marcava uma e meia da manhã. Acho que era o êxtase. Ao olhar para trás, me encontrei no pátio da escola, era assustador.”.
Megan pôs sua mão esquerda por dentro da calça de Brad, a professora loira, gorda, alta, de aparência velha e assustadora, estava estimulando o órgão genital do aluno de sete anos de idade, que pedia baixinho, para ela parar.
–Para, por favor, eu não quero. –Pediu Brad. –Isso é errado.
–Fica quietinho, por que você vai ter que aprender querido. –A mulher rasgou a blusa social e fez o menino tocar seus seios caídos e cavernosos. –Pega com vontade.
–Eu não quero.
–Não discute porra!
“Um trecho assustador da minha infância havia voltado durante segundos. Acordei tocando os seios de uma garota, da minha idade, 19, ela olhava para mim com o mesmo olhar da velha gorda. Girei meu pescoço para a esquerda, meus pais discutiam no meio da pista de dança. À direita um avião despencava, o mesmo avião em que meu avô morreu. Adormeci novamente.”.
Brad caminhou junto aos outros adolescentes até uma sala escura. Nela continha cadeiras de madeira e uma mesa. Cada um pegou seu lugar, o aniversariante iniciou o jogo. A garrafa foi girada. Brad foi o primeiro a ter de cumprir o desafio.
“Era aniversário de quatorze anos do meu primo mais velho, estávamos jogando verdade ou consequência, fui desafiado a beijar um rapaz. Eu nunca tinha feito algo do tipo, provar do mesmo sexo nunca foi uma curiosidade em questão, porém eu fiz. Eu e o rapaz gostamos.”.
O relógio estava marcando meia-noite. Brad abriu os olhos. Tudo estava girando em círculos. Os feixes de luz voltaram a invadir sua mente. Tudo parecia surreal. Ele caminhou até o bar da boate, pediu uma bebida ao garçom, era sua mãe.
–Ainda não terminamos aquela conversa querido. –Mônica entregou a bebida ao filho. –Seu pai e eu estamos nos divorciando.
–Já disse que não quero saber o motivo, isso não é problema meu.
–Sei que está zangado com as traições dele, mas amor, nosso casamento já acabou há anos.
–Mãe, por favor!
“Fechei os olhos. Ao meu redor estava minha família. Era dia de futebol, estávamos todos na sala assistindo o jogo. Até a programação ser interrompida por um noticiário urgente. O avião em que meu avô havia embarcado tinha caído no mar. Olhei para esquerda, meu pai estava transando com outra mulher no sofá, à direita minha mãe berrava sob o caixão do meu avô. O tik tok do relógio acelerou, eram cinco da manhã, todos estavam saindo da boate. Menos eu, que não consegui levantar do chão.”.
As mãos de Suzana percorriam pelas costas de Brad, ela estava deitada em baixo do rapaz, sendo penetrada. Os gemidos intensos se tornaram mais altos quando o ato ganhou velocidade. O suor do rapaz pingava sobre o rosto de Suzana, que implorava por prazer. Após o sexo, o pai de Brad pagou a cafetina e saiu do prostíbulo com o filho.
–E então, como foi? –Indagou Albert.
–Nada mal. –Respondeu Brad.
“Era natal, minha família havia alugado um furgão, que mais parecia uma casa móvel. Viajamos pelo Kansas. Meu pai estava dirigindo. Em uma dessas noites, ouvi um dos dois discutindo sobre o desaparecimento do meu irmão mais velho, pelo o que entendi, eles se culpavam pelo acontecido. Allan desapareceu há três anos em um parque de diversões que foi alvo de ataques terroristas.”.
Brad andou para o meio da pista de dança, a introdução da canção inicial estava sendo executada. Ele caiu em sono profundo novamente. Acordou com gritos, eram seus gatos, anunciando que a fêmea estava tendo filhotes. Brad, cinco anos, correu até sua mãe para contar o que estava acontecendo, mas se surpreendeu ao ver uma poça de sangue no tapete do quarto.
–Meus gatos... –Ele desviou o olhar para sua mãe. –Nada.
–Isso mesmo, você não viu nada. –Mônica lacrou o corpo em um saco preto. –Semana que vem iremos nos mudar.
“Tentei um tipo de comunicação com aquela menina que se encontrava junto dos DJs na área VIP da boate, porém não consegui nada. O relógio marcava três e meia da manhã. Olhei para cima, sangue caía do teto. Corri para as escadas. Não encontrei nada.”.
Sheila, a psicóloga de Brad, entrou no consultório, sua aparência jovial impressionava o adolescente, que um dia sonhou em fazer sexo com aquela linda mulher, porém o desejo não passou de sonhos. Após a técnica de relaxamento, ele se encontrava em um estado em que tudo que havia passado, poderia voltar, a qualquer instante.
–Vamos lá Brad, confesse o que você viu, confesse o que sua mãe fez. Vamos lá querido!
“Minha mãe enterrou o corpo de uma das amantes do meu pai no quintal e depois se livrou de todas as impressões digitais na casa com produtos de limpeza. Mudamos-nos meses depois, ninguém além de mim e ela soube do ocorrido. Guardei aquilo comigo para sempre.”.
Eram seis em ponto, quando o efeito do êxtase acabou. Brad saiu da boate com um maço de cigarro na mão. Sua vida havia sido confessada em uma noite, na pista de dança da Fighter.
Fale com o autor