Notas iniciais
Depois de muito tempo sem postar aqui estou eu com um capítulo beem grandinho.Espero que gostem bjs!

Quando abri meus olhos estava sozinha na sala espelhada e ao me levantar da cadeira inclinável e me aproximar encarando meus profundos olhos âmbar nos espelhos provei mais uma vez a mim mesma que a Abnegação não era o meu lugar.Ajeitei meus curtos cabelos ruivos cortados rente ao queixo e sorri para meu reflexo,só ai me lembrando que deveria estar fazendo meu teste e não me arrumando para alguma câmera inexistente.Rodei a sala.Mas por onde andava aquela mulher que estava comigo a apenas alguns minutos atrás?

“Escolha” ecoou uma voz distante e me virei para ver quem estava falando comigo.Ninguém.Não havia ninguém.Senti um arrepio de terror e de repente a cadeira na qual havia me sentado a um instante atrás havia sumido e,em seu lugar duas pequenas colunas haviam surgido.Aproximei-me lentamente.No topo de cada coluna cada uma delas trazia consigo um prato de metal contendo um objeto diferente.Um queijo no primeiro,uma faca no segundo.

Meu estômago roncou de fome diante da visão formosa do queijo e deixei que ele tomasse a decisão por mim.

–Quero o queijo! –gritei para a voz,sentindo-me uma verdadeira tonta quando a mesma não me respondeu. –Educação é bom e todo mundo gosta,tá? –Menos a Franqueza,é claro –Eu disse que quero o queijo!

Esperei.Nada.Quando finalmente percebi que estava sendo ridícula e não fazia sentindo discutir com uma voz sinistra que poderia muito bem ser fruto da minha imaginação dei de ombros e caminhei até o prato que guardava o queijo.E caramba ele era muito maior do que tinha imaginado! Com mais de vinte centímetros de largura,grosso,deveria pesar no mínimo ,uns dois quilos.Mas não importava.Meus dedos quase roçaram a sua superfície fria e macia enquanto ponderava que mesmo faminta não conseguiria comer aquilo tudo sozinha.Não assim de uma vez.Seria melhor comer apenas um pedaço.De repente lembrei-me da existência do outro pilar me virei lentamente para ele.Então era para isso que servia aquela faca!

Em um movimento rápido e preciso agarrei o cabo de couro marrom da faca e voltei imediatamente para a coluna com o prato de queijo,mas para o meu completo horror o pilar havia desaparecido.

E o meu queijo também.

Meus olhos se encheram de lágrimas, mas antes que pudesse começar a soluçar pelo “queijo derramado” uma porta que eu podia jurar não estar naquele lugar antes foi aberta,rangendo.Arregalei os olhos,horrorizada da porta saiu nada mais nada menos que

–UM...UMM...! -Não conseguia nem pronunciar as palavras,que situação!Tudo parecia tremer sobre meus pés e as vistas recusavam-se a enxergar o que estava a sua frente.Larguei a faca com ímpeto e comecei a correr como se minha vida dependente disso.Na porta,encarando-me com seus olhos redondos,brilhantes e repletos de selvageria oculta por uma camada de pêlos e pelas crenças gerais de que era um bicho adorável, fofinho, estava um esquilo.Um esquilo!

Continuei a correr em disparada meus pés escorregando no piso liso e lustroso que parecia ser feito de gelo da sala de simulação.O esquilo deveria estar me perseguindo enquanto estalava seus dentes minúsculos e afiados.Ele deveria estar vendo algo bem gostoso preso ao meu cabelo e queria me atacar!Tinha certeza!Droga! Então era essa a verdadeira função daquela faca enorme!Por que eu fui largá-la?!Por que não fui mal-educada e comi o queijo com mordidas. Por quê???

A parede que anunciava o fim da linha crescia a minha frente,impedindo-me de fugir para onde quer que fosse.Grudei meu corpo a parede,ofegando como louca enquanto acompanhava com os olhos meu agressor :Não me perseguia como um monstro como imaginava mas me ignorava por completo e começava a retroceder e voltar para a porta por onde veio.No entanto se aquele esquilo horrendo saiu por aquela porta o que me garantia quais coisas ainda mais horríveis poderiam passar por ela para me amedrontar?A minha única chance seria sair daquela sala!

Aproveitando a distração do esquilo e a corrente de adrenalina deitei-me buscando apoio para as pés nas paredes e, flexionando os joelhos impulsionei-me para frente deslizando de barriga pelo chão e agarrando a faca a minha frente.O esquilo estava a pouquíssimos centímetros da porta e antes que pudesse sair, me coloquei de pé em um salto entre o pequeno roedor e minha última saída.Empunhei a faca(com aquela arma afiada em mãos me sentia mais capaz)e usei a lâmina para afugentar o pequeno animal.O esquilo emitiu um som estridente pela boca e se afastou,fugindo para a outra extremidade da sala e, a passos largos recuei tateando a esmo até sentir a maçaneta da porta sobre meus dedos e a abrir com afobação antes que aquele roedor voltasse a me perseguir.

–MÁQUINA VAGABUNDA!Esquilo?Era para ser um cachorro!Um CACHORRO FEROZ!Por que não funciona direito??? –ouvi alguém gritar enquanto chutava com ferocidade uma das chapas de metal que revestiam a máquina.Abri os olhos sobressaltada,coberta de suor e de volta a realidade.Era a mulher da Abnegação que vociferava daquela maneira tão pouco elegante?! –Caramba! A Erudição não faz mais nada que funcione ultimamente!Foi-se o tempo que faziam soros alucinógenos ou máquinas controladoras de mentes como antigamente.Isso sim era glorio...OH CÉUS!Você já acordou, querida?!

–Eu achava que sim,mas ai acabo de ver uma mulher da Abnegação gritar e falar palavrão.Não tenho mais certeza agora... –disse incrédula enquanto esfregava os olhos e voltava a me encostar na cadeira.

A mulher corou.

–Por favor... O que acontece na sala de simulação fica na sala de simulação...

–Vou fingir que não ouvi nada. –afirmei e pude ouvi-la suspirar de alívio e tratar de mudar logo de assunto.

–Imagino que esteja querendo saber seu resultado .-ela volta a dizer enquanto recupera a pose ajeitando seu longo vestido e o seu coque apertado. –Bem eles –disse enquanto apertava os lábios em sinal de aflição –Não foram nada bons.

–Nada bons? –repeti incrédula engasgando com o ar ao meu redor,pois de todas as alternativas nunca imaginaria que ouviria algo assim.O ar condicionado assim como aquela máquina parou de funcionar e o suor escorria pelo meu corpo. –Olha não é culpa minha se um esquilo apareceu ao invés de um cão!Eu tenho medo de esquilos desde pequena,sabia?Isso foi golpe baixo.

–Querida acalme-se –e tocando em meus ombros para que eu parasse de gesticular com tamanha fúria,começava a falar aos sussurros,visivelmente preocupada –Durante o teste sua decisão de segurar a faca com tanta convicção sugeriu que possuísse uma personalidade forte,determinada,corajosa como um membro da audácia mas a possibilidade foi eliminada assim que você largou a faca e saiu correndo.Era só um esquilinho!Pelo amor de Deus! –ela riu e senti meu rosto enrubescer –Desculpe,não consegui me controlar.Enfim,a Erudição também foi eliminada de cara, quando você acreditou que a faca servia para cortar o queijo e não compreendeu o significado do verbo “escolher” logo no inicio do teste.A Abnegação foi descartada assim que se olhou no espelho por vaidade e ao decidir cortar o queijo não para dividir mas para guardar para si mesma.E enquanto a Amizade..

–S-sim?

–Bem,digamos que você não foi muito amigável ao assustar um bicho inofensivo e indefeso.Só restou a Franqueza,quando admitiu que queria a comida foi sincera mas acabou pegando a faca e tal ato não foi suficiente para se considerar honesto. Estamos com um problema aqui...

–Problema? Por que? Qual foi o meu resultado,afinal? –perguntei aflita.

–Esse é o problema.Não houve resultado.Segundo o sistema você não pertence a nenhuma das cinco facções.

Notas finais
E agora o que será de Elena?Gostaram? :)