Confissões de Andréa em Crise
2 Capítulo 2 - Continuando a ser uma estúpida adolescente
Depois das férias de julho, houve a inauguração de uma nova loja na cidade. Teria umas atrações e tal, coisa bem boba, mas que reunia o povinho da cidade. Eu estava com Júlia. Víamos os poucos meninos bonitos que estavam por ali, até que, no meio da multidão meu coração paralisou com um rosto conhecido. Fernando.
Ele olhou para mim, sorrindo sempre. Eu o olhava interessada, mas admirada por meus sentimentos por ele. Vaguei mais os olhos, e me deparei com o dono do meu coração. Sorri para Diego e ele atravessou a multidão para vir até mim.
— Desde que horas você tá aqui?
— Faz pouco tempo. — respondi àquela voz maravilhosa.
Conversamos rapidamente e ele disse:
— Meus colegas estão me chamando, quer vir comigo? — e ele segurou minhas mãos. Eu perdi o fôlego.
— Não, pode ir — sorri. Apesar de Diego ser a companhia, eu me sentiria desconfortável com os amigos dele. Não eram as melhores pessoas do mundo e eu lamentava por isso.
— Não mesmo? — ele sorriu já caminhando lentamente, ainda segurando minha mão até ir chegando à ponta dos dedos e se soltar...
Sorri e Júlia pirou. Depois que ele se foi, se despedindo com aquele olhar e sorriso imutáveis, ela me disse:
— Por que você não foi com ele?!
— Ah, porque...
Então Fernando passou por nós, dirigindo-me um olhar conquistador e alucinante, fazendo-me não respirar direito. Retribuí o olhar de alguém sem reação e ele me enviou um sorriso, então sumiu na multidão.
— Meu Deus... — fora apenas o que Júlia conseguira dizer, percebendo como eu me sentia em relação aos dois.
Continuei enfim assistindo a apresentação lá da inauguração, quando vi uma menina ao lado de Diego, pegando o ombro dele. Eu lancei um olhar de fúria ao meu amado e ele sorriu apenas. O sorriso lindo que eu não podia resistir. Minutos depois ele estava ao meu lado.
— Ficou com ciúme? — disse com uma inocente malícia adorável.
— Não. — respondi rude.
Ele sorriu mais uma vez.
— Não precisa se preocupar com isso. Aliás, eu já estou indo.
— Eu vou com você.
Ele parou por instantes e respondeu, sem o sorriso:
— É. Todo mundo vai ficar sabendo.
Júlia veio comigo e também um colega de Diego com ele.
Ninguém conversou com ninguém.
Na despedida ele me lançou seu olhar e sorriso de sempre, como eu adorava e então sorri de volta. Ele sussurrou:
— Tchau.
— Tchau.
E dobrei o canto com Júlia. Deixei-a em casa e depois fui para a minha. Aquela foi a primeira vez que senti ciúme. Hm, foi engraçado, pois eu senti raiva também. Ai, como eu era boba! Com as respostas de Diego sobre “nós” e as suspeitas de nosso suposto namoro, pude constatar que realmente ele considerava que estávamos namorando. Bem, desde quando eu não sei, mas estávamos. Quem era eu para questionar alguma coisa. Namorá-lo era o que eu mais queria!
Setembro, porém, não foi bom como os meses anteriores. Na verdade, foi a primeira vez que chorei por causa de Diego. E pior que não foi a última.
Houve uma passeata da minha escola que envolveu os dois turnos. Era passeata por paz... Ou pela dengue. Na verdade eu realmente não lembro. Primeiro eu andava com minhas colegas, mas depois de ver Diego, ficamos andando próximos, cada qual com sua companhia. Mas depois de um tempo, ele se afastou. Júlia então veio falar comigo:
— Andrea. Tem uma colega minha que está querendo alguma coisa com Diego. Ela não é boa garota, preciso dizer.
Claro que aquilo me apavorou. Fiquei uma pilha de nervos por não conseguir mais ver Diego. No final da passeata, vim embora sozinha, nenhuma colega morava no meu bairro. Atravessei a praça principal da cidade e vi a tal colega de Júlia entrando numa rua. Depois que ela sumiu da minha vista, vi Diego. Ele me olhou. Não sorriu, não tinha um olhar diferente. Simplesmente me viu e entrou na mesma rua que ela.
Cheguei em casa e desabei na cama. Meu travesseiro foi meu consolo.
Foram dias horríveis para mim, imaginar que aquilo poderia ter acontecido. Diego ter me traído. A dor daquele sentimento também era nova para mim, assim como tudo o que estava acontecendo. Fiquei cabisbaixa por algum tempo, e também parei de acompanhar Silvia na igreja.
— Silvia — eu disse quando voltávamos da escola juntas.
— O que?
— Quero que fale uma coisa a Eric. Que ele mande um recado para... para... para Diego.
— Tudo bem, pode dizer.
— Diga a Eric que ele peça a Diego para me devolver todas as cartas e outras coisas que eu já dei para ele. Eu estou pedindo. Diga, por favor.
“I wish you were her”, you left out the “e”, you left without me. And now you’re somewhere out with a bitch, slut, psycho baby. I hate you, why you guys so lame? Everything I gave you, I want everything back but you. Essa música da Avril Lavigne seria perfeita para descrever como me sentia.
— Tudo bem — Silvia respondeu suavemente e fiquei feliz de ela não perguntar por quê. Afinal, eu não queria explicar nada a ninguém.
A resposta de Diego me feriu mais ainda. Ele disse que tudo bem, ele ia me devolver. Eu fiquei um caco durante aquelas semanas, até que em outubro decidi ir à igreja com Silvia. Sorte ou azar, Diego também estava lá.
— Oi — ele disse, depois do culto, se aproximando de mim.
— Oi — mais uma vez eu estava rude.
— Está chateada comigo?
Não respondi.
— Queria mesmo as coisas de volta? — ele prosseguiu.
— Sim.
— Por causa de besteira — ele sorriu, rígido.
— Besteira chama Érica.
Érica o nome da menina que supostamente havia ficado com o MEU namorado. Eu já disse que esse nome é muito feio? Pois é.
— Besteira — ele insistiu —. Não aconteceu nada.
— Não mesmo?
— Não.
Até hoje eu nunca soube se ele estava mentindo ou não, o fato é que eu esqueci tudo e voltamos ao de sempre.
— Pode ficar com as cartas e tudo mais — sorri, um pouco cuidadosa.
— Eu não ia devolver mesmo — ele sorriu, finalmente tranquilo.
A tensão finalmente se aliviou e eu tinha minha paixonite de volta.
Naquele mês finalmente algo diferente aconteceu.
Começavam os torneios de esportes e tal, que sempre acontecem aos finais de anos nas escolas. Num desses dias, nos encontramos. A escola toda estava na quadra lá, vibrando e tal, e ele me levou para uma sala de aula vazia e longe de tudo.
Sentamos um ao lado do outro em cima da mesa do professor, conversamos algumas coisas. Até que paramos e ele me olhou fixamente, com seu olhar perfeito. Quando percebi, os lábios pequenos dele estavam nos meus.
Por mais que eu amasse Diego com todas as minhas forças, aquilo ainda me assustava. Depois de segundos, eu virei meu rosto e o abracei, triste por ser idiota demais. Ele me olhou e percebeu como eu estava triste.
— O que foi? — perguntou-me.
— Nada.
— Tem alguma coisa sim. Me diz.
Claro que eu não ia dizer que me sentia uma inútil e idiota. Então disse que estava pensando nos problemas que eu estava tendo com algumas pessoas da sala. Eu sempre estava nesse tipo de problemas. Eu era facilmente odiada. Antes mesmo de alguém me conhecer, a pessoa já me odiava de corpo e alma.
Saímos dali e ainda permanecemos abraçados em algum canto, até que já escurecia e os torneios daquele dia terminavam. Fui embora com colegas andando em paralelo a Diego na rua. Ele sorria lindamente para mim e eu ainda conseguia sentir a boca dele na minha. Naquele momento, passei a me odiar terrivelmente por desperdiçar a provável única chance que tive na vida de beijá-lo.
Em novembro as coisas entre mim e Diego mudaram. Víamo-nos com menos frequência já que ambos deixaram de ir à igreja. Porém eu não me sentia terrivelmente mal com isso. Parecia que minha paixão ardente por Diego estava passando. Eu estava certa. A paixão estava passando. Porém o amor ficaria para sempre.
Nesse mesmo mês nós nos encontramos uma última vez e naquele dia terminamos. Foram oito meses incríveis para mim. Eu experimentei o sentimento da paixão como jamais experimentaria novamente.
No ano seguinte vi Diego umas duas vezes, assim, pela rua. Fernando falava comigo vez ou outra pela internet, mas agora ele estava morando em outra cidade. Tinha terminado os estudos e agora ia fazer faculdade. Eu queria que Diego estivesse fazendo o mesmo, aliás, também tinha dezoito anos, mas assim como eu, que chegava apenas aos quinze, estava começando o ensino médio.
Eu havia mudado de escola e era definitivamente tudo novo para mim. Novos colegas, novas amizades que durariam somente durante a escola, eu ria por já saber. O ano seguiu sem grandes acontecimentos, fora meu aniversário de quinze anos. Sobre os casos amorosos, não tive nenhum. Bem, sempre tinham os caras interessados em mim que eu não queria de jeito nenhum, além de que Fernando era o meu amorzinho longínquo, mas fora isso, nada.
Bem, eu queria que aquele ano chato tivesse passado tão rápido quanto eu relato, mas não foi. O ano seguinte é que me sacudiria um pouco. Na verdade, muito.
Eu já cursava a metade do ensino médio. No começo do ano, Silvia reapareceu para mim, convidando-me de novo para ir à igreja dela. Bem, se Diego não estava mais lá, eu não podia ir sem problemas. Engano meu.
Chego à igreja, fico sentada ao lado de Silvia. Era uma semana de oração. Especificamente por isso ela havia me convidado. Pois bem. Sentada no banco lá, na minha, ouvindo as fervorosas orações dos irmãos lá, sinto alguém sentar atrás de mim, e sinto também um maravilhoso perfume. De tão admirada, viro-me para olhar.
Ele sorriu para mim como sempre fizera e meu coração congelou.
Sorri de volta, cumprimentando-o, realmente feliz em revê-lo. Ele inacreditavelmente estava mais lindo do que eu me lembrava. Havia crescido. Seus braços estavam maiores, assim como todo o seu corpo. E como não poderia? Ele se aproximava dos vinte anos.
Durante as orações seguintes, tentei me concentrar de olhos bem fechados. Tentativa em vão. Diego pegava nos fios do meu cabelo. Eu não entendia mesmo porque ele fazia aquilo, mas estava gostando. Virei para vê-lo, ele levantou o rosto e sorriu para mim. Lindo! Eu estava de braços cruzados, e ele então começou a pegar minha mão.
Meu Deus do céu! Coisa maravilhosa e perfeita era aquilo. Deus! Ele segurava minha mão e fazia carinho suave... Quando a oração terminava, soltava-me rapidamente e fazia cara de inocente. Na oração seguinte, fez o mesmo. Meu coração saltitava. Eu entrava em frenesi.
Nas noites seguintes o mesmo aconteceu. Numa delas, eu escrevi um pequeno texto. Não necessariamente para ele, mas era óbvio que eram os meus sentimentos por ele. Escrevi que o que eu sentia era muito profundo. Que eu realmente o amava. Dei o bilhete na mão dele quando ele tocou minha mão durante a oração.
“O que consigo descrever não é nada perto do que eu realmente sinto por você. É tão mágico, tão ilusório, mas ainda assim tão romântico... Estou presa a este conto de fadas e penso em tentar me libertar, mas... Quando você me olha, me afundo mais ainda em paixão e quando sorri pra mim... é isso que não consigo descrever. Tento expressar com palavras, mas não consigo; busco tudo o que sei de arte, mas o resultado nunca é bom o suficiente; leio minuciosamente cada palavra das letras de músicas, mas nunca encontro nelas a melodia que toca em meu coração por você. Eu teria de escrever minhas próprias canções para ver se talvez elas expressem um pouco do que há dentro de mim. Mas, por enquanto, contento-me com estas palavras, na esperança de que você as leia e, talvez, entenda meu amor por você”.
Na última noite, foram feitos círculos de oração, dividido pelas pessoas que estavam sentadas próximas às outras nos bancos, o que significaria que Diego seria do meu grupo e eu iria segurar a mão dele completamente!
O círculo foi formado e a mão dele segurou a minha. Primeiro da forma tradicional, depois ele soltou minha mão, logo em seguida segurando-a novamente, desta vez entrelaçando os nossos dedos, movendo-os sempre para um constante carinho. Aproximamo-nos mais para que nossos braços também ficassem juntos. Ai, ai. Realmente não sei o que eu posso ter feito na vida até agora melhor do que aquilo.
Os dias seguintes tiveram seus bons e maus momentos.
Bom momento: estávamos nos gostando como antes.
Mau momento: ele tinha namorada.
Aquilo me afligiu completamente. Busquei mais informações sobre aquilo e dizia a lenda que ele estava meio junto com a garota, mas não definitivamente namorando. Eu chorei muito mesmo. Chorei mais ainda quando descobri que ele havia mostrado aquele bilhete para algumas pessoas. Cara, se ele foi um dos caras que mais gostei, foi também um dos que mais me magoou.
Num domingo na igreja, eu pedi novamente todas as coisinhas que eu novamente estava dando para ele, afinal pensara que tudo estava como antes.
— Não vou te dar — ele sorria tão docemente...
— Me dá logo — eu tentava resistir.
— Toma — e me entregou os papéis e cartões abruptamente.
Corroeu minha alma ver que ele havia escrito em alguns deles “Diego e Andrea”. Por que ele gostava de mim mesmo estando com essa menina? Mas se ele gostava mesmo de mim, por que não terminava de uma vez com ela para ficar comigo?
— Quer saber? Pode ficar — eu me rendi.
Ele tomou de novo da minha mão, alegre. Disse:
— Depois a gente conversa direito.
Só que nunca mais conversamos “direito”.
Eu desisti de tudo aquilo e parei de ir à igreja. Não queria mesmo vê-lo outra vez. Não para continuar chorando como estava. Depois disso tudo, novamente voltei a falar com Fernando. Ele me chamava de amor, futura namorada, essas coisas carinhosas... Aliás, ele soubera do meu “namoro” com Diego. A pergunta era quem na cidade não sabia daquilo – meus pais. O fofo era que Fernando tinha ciúmes, mas eu dizia para ele não se preocupar. Eu já havia esquecido Diego. Ele era meu passado. Sim, ele realmente era meu passado. Um passado que eu nunca poderia apagar nem esquecer.
Em julho desse mesmo ano, tinha um menino novo na cidade. Eu só ouvia os boatos, ainda não conseguira vê-lo mesmo, para constatar se era interessante ou não. Numa ida à escola, eu o vi, pois ele estudava na escola do ensino fundamental próxima à minha do ensino médio. Sim, ele parecia bonito. Era novo, mas bonito. Devia estar terminando à oitava série.
Na verdade eu não queria saber de ninguém, só dos meus estudos. Mas no ano seguinte, no último ano do ensino médio, infelizmente tive um novo colega de classe interessante. Eu já havia estudado com ele quando éramos crianças, mas não o tinha visto depois da infância. Finalmente, aos dezesseis anos, alguma coisa na minha vida iria mudar mesmo.
Victor era um garoto relativamente bonito. Pelo menos ele se destacava em relação aos outros. De início, nós começamos a conversar por temos assuntos em comum. Gostávamos do mesmo estilo de música, de filmes, esportes, então tínhamos bastante o que conversar.
Quase com um mês de início das aulas, ele teve um tom de voz diferente em um dia:
— Andrea?
— Sim? — respondi naturalmente, se eu imaginava o que se passava na cabeça dele.
— Posso te perguntar uma coisa? — ele estava meio tímido, o que começou a me assustar um pouco, admito. Ele era sempre descontraído e tal.
— Claro Victor.
— Você tem namorado?
Essa me pegou de surpresa mesmo. Engoli em seco.
— Não... — com alguma força consegui responder.
— Então... Você quer ficar comigo?
Meu Deus. Eu tentei passar uma expressão de naturalidade. Ficar. Isso era muito comum. Para todo mundo, menos para mim. Eu pensava como eu faria aquilo. Principalmente porque eu explodia de alegria por estar certa de que Victor estava interessado em mim!
— Sim — tentei parecer tranquila.
— Então a gente marca onde e quando, ok? Eu te aviso.
— Tá — engoli em seco mais uma vez.
Inspira, expira. Aprendi a respirar mais uma vez.
Infelizmente eu estava começando a ter sentimentos por Victor e o problema é que deixava facilmente me levar por eles. Eu era totalmente emocional e fraca. Eu me ferraria.
A data marcada foi uma tarde na casa dele. Foi rápido e estranho. Nada romântico e nada bom. Foi bem básico, tipo, ele segurou minha cintura e eu o pescoço dele. Pude constatar depois que ele não beijava bem mesmo. Continuamos conversando como antes, e eu até pensei que pudéssemos ter alguma coisa, mas... Ele me disse que tinha namorada. Como assim namorada? Ele traiu a namorada comigo? Sim. Foi uma coisa estranha para mim. A primeira vez que eu realmente ficava com alguém era na verdade uma traição. Ok, tudo bem. Mais novas experiências bizarras.
Pude perceber como era estranho ter algo do tipo com alguém com quem se estuda. Você vê a pessoa todos os dias e vai vendo como ela é boba, sem nada de encantador. Ou a convivência tira a magia. Pelo menos eu não sofri, apenas adicionei uma ilusão à coleção que eu tinha.
No mês seguinte eu comecei a conversar com um garoto com quem eu estudara no ano passado. Walt era razoavelmente interessante, para não dizer bonito. Quando nós estudávamos juntos, todos diziam que ele era meu namorado, mas eu não conseguia ver dessa forma, por mais que ele fosse bonitinho e tal. Nós conversamos muito mesmo, até que decidimos ficar. Eu já tinha ficado uma vez, poderia fazer isso de novo. Eu comecei a ter alguns sentimentos. Na verdade, tive sentimentos pelo fator ficar, não exatamente por ele. Mas ainda cheguei a escrever algumas palavras sobre ele.
Dessa vez experimentei sensações novas. Com Victor, ele simplesmente segurou minha cintura e não a soltou mais. Já com Walt, as coisas foram um pouco mais intensas e eu percebi qual era a graça de ficar. Ele pegou no meio seio e bunda (meu Deus!). Foi uma coisa louca e boa pra mim. A partir disso, Walt e eu decidimos namorar.
Ele era fofo e tinha palavras delicadas comigo, mas nenhum dos dois tinha verdadeiros sentimentos de paixão pelo outro, mesmo que eu achasse que tinha sentimentos a ponto de escrever tantos textos... Só queríamos mesmo saber como seria ficar juntos. Depois de ficarmos, as coisas não deram mais certo. Fiquei triste e até chorei um pouco, mas me recuperei rapidamente. Depois disso, perdemos o contato e amizade acabou.
Eu finalmente fazia parte do clube das meninas que já tinham realmente ficado. Sentia-me um pouco atrasada em relação às outras, mas percebi que se fosse antes, eu teria me ferrado sentimentalmente muito mais.
Nas férias de julho eu adicionei no Facebook, aquele tal menino novo na cidade. Eu tinha me informado o nome dele e pesquisei nessa rede. Como tínhamos “amigos em comum”, ele foi um dos primeiros resultados. Seu nome era Pedro.
Enviei o convite e ele me adicionou. Numa vez que Pedro estava online, criei coragem para conversar com ele. No início ele não me deu muita atenção. Mas eu falei:
— Já vi você algumas vezes você por aí.
Ele então foi ver minhas fotos. Sei disso por causa das notificações que apareceram, quando ele deu curtiu nas minhas fotos de perfil.
— Eu também já vi você — ele respondeu e então passou a me dar mais atenção. Respondeu no mesmo segundo e tal. Foi engraçado.
Conversávamos e Pedro pediu meu número. Sim, agora eu tinha celular. Já fazia um tempo na verdade, mas só agora ele estava sendo importante.
Passamos então a trocar mensagens no celular. Pedro me chamava de paixão, de minha princesa, amor e tudo mais. O chato é que ele disse que eu não deveria me apaixonar por ele. Mas com todo o jeito doce que ele tinha comigo, eu me apaixonei e muito, como há tempos não fazia.
Os meses passaram assim, até quando ninguém mais colocou créditos para mim. Conversávamos pouco pela internet, afinal eu não era muito fã disso, então nosso contato foi ficando cada vez mais fraco, até ficar totalmente nulo nos últimos meses do ano.
Nesse tempo, conheci outro menino.
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