Confissões De Uma Suicida
1 Confissões
Eu estava totalmente gelada, algumas lágrimas escorriam em meu rosto, me fazendo sentir o quente das gotas, tentava manter o meu corpo em pé, mas estava tão mole e fraca que quase não me aguentava e ainda por cima tinha o cenário daquela tarde, que era nostálgica e fria por sinal, aquilo só complementava mais o meu sofrimento, que me deixa ainda mais morta por dentro, desfiando, completamente vazia.
Havia uma neblina no céu, uma brisa fria e forte que me embalava naquilo tudo, minha vista já estava completamente embaçada, mal conseguia ver por onde andava e onde tocava, eu tonteava pela casa, esbarrando nos moveis, me chocando contra parede, tentando achar o caminho para varanda, então eu consegui, caminhei lentamente, eu mal sentia minhas pernas, elas estavam dormentes e bambas. Parecia que aquilo era um sonho, eu não conseguia saber o que era verdade ou mentira, se aquele momento era meu fim ou o meu começo, meus pensamentos estavam bagunçados, estraçalhados, embaralhados em minha mente, era um turbilhão de pensamentos, milhões de coisas soando em meu ouvido, eu só não conseguia saber o que era real e foi impossível decifrar o que realmente aconteceu naquela tarde. Eu me sentei naquele velho banco e olhei para o céu, eu me lembrei de todos os motivos que me fizeram chegar aquilo, aquela poça de sofrimento, aqueles respingos de sangue, aquela dor coagulada.
Há uma dor escondida por cada sorriso que dou. Há sentimentos que eu não quero que ninguém veja. Há uma parte de mim que quase ninguém conhece. E nem nunca vai conhecer, pois eu não costumo mostra-la. É fácil esconder tudo por um tempo. Toda a dor, o sofrimento, as ilusões, as mentiras, os meus cortes. Mas, alguma hora começa a ficar tudo pesado. E mais difícil de carregar. E eu me pergunto: Eu consigo suportar? E não tenho certeza da resposta. Eu vivo cada dia sem ter certeza se vai ter um "amanhã" para mim, e sem se importar se haverá ou não, pois pra mim tanto faz depois de tudo que eu já passei. Estou cansada de carregar tudo sozinha, mas eu não me atrevo a pedir ajuda a ninguém, cheguei até aqui sem a ajuda de ninguém, e não vai ser agora eu irei precisar dessa porra de sociedade. Mas estou cansada de esconder minhas lágrimas com todos aqueles meus sorrisos falsos. E sim, é realmente muito difícil. Não gosto de me aproximar de todos a minha volta, não faço questão disso, não faço questão de ser uma pessoa social, gosto de ser assim, gosto de ser uma-quase-suicida. Prefiro meus livros do que as pessoas. Meus discos. Meus objetos.Eu gosto disso, prefiro isso do que muitas pessoas por ai. É isso, e odeio pessoas que forçam simpatia comigo.
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