Confissões De Uma Adolescente
11 Primeiro dia de aula
Notas iniciais
Uma semana se passou e minha irmã continuava em coma, na UTI do hospital. Ela estava consciente, porém ali. Era o nosso primeiro dia de aula, mas ela não ia comigo. Eu queria pensar que ia ficar tudo bem, juro como queria.
Eu olhava frustrada para o meu reflexo no espelho. Maldito cabelo, rebelde sem causa. Eu deveria estar lá embaixo, tomando café pois já estava quase atrasada, mas não. Aqui estou eu, tentando arrumar meu cabelo e repetindo para mim mesma: "Não devo dormir com ele molhado, não devo." Olho novamente para o meu reflexo e vejo uma menina baixinha, pálida, com cabelos escuros e olhos verdes olhando fixamente para mim. Desisto. Minha paciência estava se esgotando, o único jeito foi prendê-lo e um rabo de cavalo e torcer para que aquilo estivesse bom. Uma camiseta um pouco amassada, calça jeans e vans. Lá vou eu para o meu primeiro dia de aula. Confesso que estava sentindo muito a falta da Ju. Se ela estivesse aqui jamais deixaria eu ir nesse estado. Ia querer colocar milhões de acessórios em mim, fazer uma trança e me banhar de perfume. Mas ela não estava. Limpei uma lágrima que estava começando a escorrer e desci para tomar o café. Pra variar, só eu e a empregada em casa. Estava terminando de fazer uma torrada quando escuto a campainha tocar. Ué, naquela hora da manhã? Tentei olhar pelo olho mágico mas alguém havia tampado ele.
Abri a porta cuidadosamente.
-Nick? -Eu perguntei assustada já que não havíamos marcado nada.
-Oi, Carol. Como é seu primeiro dia na escola e não conhece ninguém, achei que seria legal se eu e você fossemos juntos. O que acha?
-Ah, sim. É uma boa ideia. -Dei passagem e ele entrou. -Quer café?
-Não, já estou pronto e alimentado. -Nós rimos.
Terminei de comer num minuto, peguei minhas coisas e nós saímos. Dez minutos depois estávamos na escola. Ela era grande e bem bonita. Tinha um jardim enorme e mesas com guarda-sol espalhadas por ele. Vários adolescentes circulando por aquele jardim, todos rindo e conversando alto. Sem uniforme, alguns com instrumentos musicais. Não parecia que eu estava em um colégio, não mesmo. Enquanto eu seguia o Nicolas por onde quer que ele fosse, vi que algumas pessoas desviaram o olhar para mim. Alguns tentaram ser mais discretos ao me olhar, mas outros pareciam não dar a mínima em me medir da cabeça aos pés. Eu tentava esconder meu rosto do sol, que agora já estava mais forte. Andamos mais um pouco entre todo aquele tumulto até chegarmos à uma mesa lotada de gente que é óbvio eu não conhecia.
-Gente, essa daqui é a minha nova vizinha e nova estudante daqui, Caroline. -O Nick disse me apresentando. Eu apenas sorri simpaticamente.
-Hm, Caroline. Interessante, muito interessante. Prazer, meu nome é Pedro. -Um dos meninos brincou se apresentou num tom malicioso.
-Oi, Pedro. -Respondi baixo e tímida.
Não demorou muito tempo eu vi alguém chegar. Alguém que eu conhecia. Sim!!! A Babi chegou com mais duas meninas. Ela me viu de longe, assim que me reconheceu gritou meu nome e veio correndo até mim.
-Carol! -Ela disse alto e feliz, me abraçando.-Não esperava te encontrar aqui hoje, mas estou feliz por isso.
-Oi Babi, pois é, eu também.
Começamos a conversar e ela simplesmente ignorou todos que estavam a nossa volta, e eu fiz o mesmo. A Bárbara me fazia bem, eu esquecia dos meus problemas quando estava com ela. Ficamos ali conversando por bastante tempo até que o sinal bateu. Era a hora em que eu ia ter que me apresentar pra sala toda, aí, que chatisse. Já estava até imaginando.
O Nick e a Babi foram comigo até a diretoria pra ver em qual sala eu tinha caído. Eu estava torcendo para que fosse na turma de um dos dois, pois não estava afim de ficar em uma sala cheia de desconhecidos. Afinal, eu era tímida demais e ia demorar pra eu me enturmar, se eu conseguisse. Carla, a diretora, foi super simpática comigo, me recebeu muito bem e disse que eu ficaria na turma "C", na qual o Nicolas estudava. Fiquei feliz, eu teria um amigo comigo. Confesso que gostaria de ter caído na da Babi, mas não falei nada porque talvez isso constrangesse o Nick. Dei tchau pra Bárbara e nós fomos para a sala. O dia passou rápido, conheci novas pessoas. Eram legais e todas muito extrovertidas, animadas. Eu fiquei no meu canto, quando alguém puxava assunto comigo, só respondia. O Nick me ajudou a me soltar mais, mas além de ser tímida, eu estava sentindo muito a falta da minha irmã. Não conseguia parar de pensar nela.
O sinal da hora de ir embora logo bateu e eu rapidamente me despedi de todos e fui pra casa. Andando rápido e pensando na Ju. Só na Juliana. Eu precisava saber como ela estava e precisava ouvir que ela tinha melhorado. A notícia que ela havia saído da UTI. Só essa notícia me faria ficar feliz, mas infelizmente eu não a recebi. Liguei para o hospital pra saber como ela estava e me avisaram que a Ju estava na mesma situação. Continuei triste, é claro. Subi para o meu quarto, tomei um banho e entrei no computador. Contei para o Lucas sobre o estado da minha irmã e ele disse que tinha uma novidade e que achava que eu ia ficar um pouco "menos triste". O Lucas viria pra NY!!!! Ele já tinha comprado a passagem, e no dia seguinte, a tarde, ele estaria aqui. Com certeza eu pude ficar um pouquinho feliz, pois o meu melhor amigo estava vindo e eu estava morrendo de saudades dele. Finalmente uma notícia boa em meio de toda essa confusão. Eu estava mais ansiosa que nunca. Com tanta coisa pra pensar não foi difícil cair no sono, fui acordar no outro dia em cima da hora de ir pro colégio. Droga! Segundo dia de aula e já estou atrasada. Que horror, Caroline!
Me arrumei rápido e nem tomei café, fui correndo pra escola. Cheguei lá e o portão já estava fechando, mas deixaram eu entrar. Que sorte. Fiquei quieta no meu canto e não prestei um pingo de atenção na aula, estava só pensando na hora do Lucas chegar. O Nick e a Babi vieram falar comigo, mas eu parecia um robô. Só sabia responder "aham", "tá", "ok". Não estava nem ligando pra eles. Hahahaha. Inventei que estava com muita dor de cabeça e fiz um teatro torcendo para que eles da diretoria me deixassem ir pra casa, e foi o que aconteceu. Eu não estava passando nem um pouquinho mal, queria ir embora pra ficar esperando meu melhor amigo. Alguém me socorre? Não conseguia parar de pensar nisso, muita saudade dele! Ás 14hrs ele me ligou dizendo que estava no táxi e dali a quinze minutos estaria chegando na minha casa. Uhu. Fiquei esperando do lado de fora da minha casa, até que ele chegou.
Vi o Lucas descer daquele táxi e era como se não tivesse mudado nada, como se o tempo não tivesse passado. Ele estava com uma calça jeans, um vans imundo e que já devia ter uns três anos e uma camisa. É claro, não poderia deixar de citar aquele sorriso enorme que ele abriu assim que me viu. Eu fiz o mesmo e saí correndo para abraçá-lo. Ficamos ali no meio da rua abraçados por uns cinco minutos ou mais. Depois ele pegou as malas e nós entramos. Mostrei a casa para ele, o quarto em que ele iria dormir, que era bem ao lado do meu, e depois descemos para comer e conversar. Tinhamos muuuuuito assunto pra colocar em dia. Ele contou sobre ele e eu sobre mim, ava. Eu falei sobre o quanto estava difícil sem ele comigo, me apoiando e me ajudando sempre, mas não havia o que fazer. Estava feliz porque ele estava ali comigo. Um pouco depois nós resolvemos ir ao hospital para que o Lucas pudesse ver minha irmã, e eu também. Chegamos, mas saímos rápido. Eu não conseguia ficar muito tempo ali, sempre sentia que eu ia desabar e começava a chorar. O Lucas viu que eu estava mal e por isso fez questão de irmos embora logo.
Contei pra ele também sobre a Babi, que ela tinha uma opção sexual diferente da maioria, contei sobre o Nicolas. Senti que ele ficou com ciúmes, mas se controlou. Afinal, não seria legal brigar com o seu melhor amigo logo no primeiro dia de visita, né?
OBS- Leiam as notas finais. xx
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