Confissões De Uma Adolescente

8 Ciúmes ou proteção?


Notas iniciais
Fiquei MUITO feliz com o crescimento da história. Não desmerecendo os novos leitores, mas eu fiquei muito muito muito feliz quando soube que a AnnaBelle ainda acompanha aqui. Ela foi uma das primeiras leitoras ♥ Enfim, obrigada pelas reviews e espero que tds continuem acompanhando!

-Nick, eu tenho que ir na papelaria antes de voltar pra casa, então to indo. Depois a gente se fala, tchau. -Eu disse já indo abrir a porta.

-Espera, eu vou junto. Já fiz o que eu tinha que fazer aqui. -Ele respondeu num tom sério.

-Tem certeza? Pode ficar aqui na Babi, não tem problemas. A gente se vê outro dia. -Eu sugeri e sorri pra não parecer que eu queria aquilo. Eu queria que ele viesse comigo.

-Tenho, eu vou contigo. -O Nick levantou do sofá, despediu-se da Babi e foi até a minha direção, que já estava no portão. A Babi o seguiu.

-É, tá bom. Tchau Babi. -Falei e sorri simpaticamente.

-Tchau Carol, voltem quando quiser. -Ela sorriu também.

Eu e o Nick fomos caminhando até a papelaria que era um pouquinho longe dali, mas tínhamos tempo então... Ele perguntou sobre os meus cortes, eu respondi que estava tudo bem e estava tentando me controlar. Era verdade.

-Você falou tão sériosobre ir embora aquela hora na casa da Babi. Aconteceu alguma coisa e eu não perguntei? -Eu virei pra ele e perguntei enquanto continuávamos a andar.

-Não, não aconteceu nada. É porque eu já tinha pego minha apostila e não tinha mais nada pra fazer ali.

-Achei que vocês fossem amigos.

-Mas nós somos.

-Amigos ficam na casa de amigos sem problemas nenhum. Mesmo que não tenham nada pra fazer, eles ficam lá.

-Eu ás vezes visito a Babi, mas não gosto de ficar lá sozinho por muito tempo. Ela não é tão boa companhia assim.

-Como assim? -Perguntei assustada.

-Lembra a festa open bar que nós fomos? Costumava ir muito em festas desse tipo, sempre tem várias por aqui, mas eu não vou mais tanto assim. Conheci esse tipo de festa "pesada" pela Babi e a turminha dela. Eles são da pesada. Ela tem uns problemas também... Enfim, se você puder evitar ficar sozinha com ela será melhor.

-"Ela tem uns problemas" -Repeti dando ênfase na frase. -Que problemas? Turminha da pesada? Nicolas, me explica.

-Não sei se você sabe, mas ela é lés...

-Lésbica. Eu sei. -Disse interrompendo ele.

-Você... Você sabe? Como? -Nicolas gaguejou.

-Não desconfiava de nada até irmos na cozinha pra eu beber água. Ela deu em cima de mim. -Eu respondi numa boa.

-Ela deu em cima de você? Porra! Ela tá maluca? Vou falar com ela, isso não tá certo. -O Nick falou alto no meio da rua e ele estava nervoso.

-Relaxa Nicolas. Não aconteceu nada demais. Ela até pediu desculpas, e explicou que ela tinha interesse em meninas, mas eu não falei nada sobre mim.

-Então ela percebeu que você é hetero, né? Porque se ela não percebeu isso, eu faço questão que ela saiba.

-Eu... -Queria contar pra ele que eu tinha sentido algo por ela, mas ele ia ficar possesso de raiva. Não conseguia falar, eu travei. Como se tivesse um nó na minha garganta. Olhei pra baixo e tentei disfarçar.

-Tá tudo bem? -O Nicolas perguntou meio preocupado com a minha reação.

-Tá sim, é só o sol que tá forte demais e me deu um pouquinho de tontura e dor de cabeça. -Menti.

-Já estamos chegando na papelaria, lá você bebe água.

Continuamos a andar e conversar sobre outras coisas por mais de dez minutos até que chegamos à papelaria. Comprei minhas coisas e estava quase na hora do almoço, minha barriga já roncava de fome.

-Nick, vamos almoçar? To com fome. -Reclamei.

-Vamos sim. Tem um restaurante ótimo e é bem ali na esquina. Eu to com fome também.

Nos sentamos e fizemos nosso pedido. Eu tirei minha blusa de frio e pendurei nas costas da cadeira quando vi um papelzinho amassado caído no chão. Provavelmente tinha caido do bolso da minha blusa. Eu agachei e o peguei.

"Achei você muito legal, pena que não tivemos muito tempo pra nos conhecer, mas mesmo assim, queria sair com você. Numa boa, como amigas. Ah, se você quiser, esse é meu celular, pode me ligar ou mandar um sms avisando que você viu esse recado que eu coloquei no seu bolso sem que você percebesse. Babi."

Estava escrito isso no papel e tinha um número, o do celular dela. Achei legal ela ter colocado "como amigas" porque isso significava que ela entendia que eu era hetero, mesmo que nem eu tivesse mais certeza disso.

-O que é isso aí? -O Nick perguntou curioso.

-Nada, é o número do meu dentista. -Eu disfarcei e peguei meu celular pra mandar o sms pra Babi.

"Babi, eu vi seu bilhete. Carol."

Mensagem enviada.

Depois de um tempo eu celular apitou uma nova mensagem, era da Babi. Eu já tinha colocado ela nos meus contatos.

"Oi Carol, que bom! Achei que não ia ver e ele ia junto com a sua blusa pra máquina de lavar. Seria triste, hahaha. Então, podemos marcar de sair?"

"Podemos sim, é só decidir o dia e o lugar :)"

"Por mim a gente marcaria agora mesmo mas eu estou indo almoçar, então que tal marcarmos pra amanhã a tarde?"

"Pode ser. Onde?"

"Sabe aquele parque de diversões que fica na rua Versatti?"

"Sei sim, pode ser lá!"

"Ok, a gente se encontra ás oito na entrada do parque, tá?"

"Combinado! Até amanhã (:"

"Até, tchauzinho :)"

O Nicolas nem percebeu que eu estava trocando sms porque estava com as mãos e o celular no meu colo, então voltamos a conversar até que a comida finalmente chegou. Nós estávamos comendo, quando eu senti algo "estranho". Eu estava menstruada então logo soube o que era. Pedi licença pro Nicolas, levantei e rapidamente amarrei minha blusa na cintura para não correr o risco de alguém ver, se estivesse realmente sujo e fui ao banheiro. Entrei correndo, eu estava em pânico e torcendo pra que não tivesse manchado minha calça. Seria uma vergonha. Ainda bem que não tinha acontecido nada, era paranoia minha. Estava indo onde ficavam as pias e os espelhos quando vi uma menina lavando as mãos. Ela estava de costas mas eu tive a impressão de que a conhecia. Então, disfarçadamente, ou pelo menos eu achava que estava sendo discreta, encostei na pia do lado e comecei a lavar a mão. Não conseguia ver o rosto dela porque ela estava encurvada para frente e também usara um chapéu, o que dificultava as coisas. Desisti e já ia saindo quando escuto alguém chamar meu nome.

-Carol?

Me virei e era a menina. Era a Babi.

-Babi! Você por aqui. -Eu disse animada dando passos para trás e indo em direção a ela.

-Oi, nem sabia que você estava aqui, juro que não. -Ela disse me abraçando.

-Tudo bem, eu tinha visto você e achei que te conhecia mas sou muito tímida pra chegar nas pessoas e perguntar. -Nós rimos.

-Você tá acompanhada? -A Babi perguntou.

-Sim, depois da papelaria eu e o Nicolas viemos almoçar aqui. Quer sentar com a gente?

-Ah, o Nicolas... -Ela resmungou. -Não, eu vim com uns amigos também. Não me importaria se você fosse sentar conosco, mas acho que não vai querer. -Deu ênfase no "você".

-É, seria chato deixar o Nick sozinho. Mas se ele quiser ir sentar lá também, eu vou. Não tem problemas, né?

-Não, nenhum problema, mas nem perca seu tempo perguntando. Ele não vai querer. Tenho certeza disso. -A Babi avisou séria.

-Hm... Então vou ficar na minha mesa mesmo, mas obrigada pelo convite. -Eu sorri. -Babi, posso te perguntar uma coisa?

-Outra né? -Ela riu alto e eu forcei uma risada para não parecer desagradável. -Pode.

-O Nicolas me falou algumas coisas sobre você, mas ele não explicou muito bem e me deixou curiosa.

-O que ele disse sobre mim? -Ela perguntou alto e ficando brava.

-Calma, ele só disse que você anda com uma turma da pesada etc.

-Filho da puta! -Ela resmungou trincando os dentes.

-O que você disse? -Perguntei assustada.

-Nada. -Ela respondeu sem graça. -Sabe o que acontece? O Nicolas não gosta muito de mim. No colégio nós nos falamos bastante e ás vezes até andamos juntos, eu vou aos jogos dele e fico torcendo, essas coisas de amigo. Mas ele mudou comigo desde que eu e a ex namorada dele tivemos um caso. Foi uma coisa rápida, nós ficamos juntas por um mês no máximo, quando ela resolveu se apaixonar por outra. Porém, tente se colocar no lugar dele, talvez até entenda. Deve ser constrangedor você namorar, gostar de verdade da menina e ela terminar com você porque ela descobriu que curte meninas. E eu fui a primeira menina por quem ela se apaixonou, mas a culpa não foi minha. Naquela época eu não era tão atrevida assim, e não provocava as meninas. Eu deixava que elas chegassem em mim porque ainda não tinha experiência.

-Ah... Entendi. -Eu respondi.

-É, mas eu também vou entender se você não quiser manter contato comigo.

-Não, é claro que eu quero. Você é legal e não vejo nada demais em sair com você. Deixa o Nicolas reclamar, eu já sou bem grandinha e não preciso de babá, muito menos de um garoto me dizendo o que eu posso fazer ou não.

-Nossa! Mostrou atitude hein, gostei! -Nós rimos.

-Eu estava tentando parecer madura. -Rimos outra vez. -Acho que seria legal se saíssemos do banheiro, né?

-Pois é, estamos aqui conversando já tem um tempo. O negócio do parque está certo? Não quero que você fure na hora!

-Pode deixar, eu não vou furar. Estarei lá ás oito.

-Tudo bem, eu também. Nos falamos depois. -Ela sorriu, me deu um beijo na bochecha, é claro e saiu do banheiro.

Eu fiquei ali por mais alguns minutos me olhando no espelho e pensando em o que eu era, o que eu queria ser. Minha cabeça estava confusa. Depois voltei pra mesa e acho que o Nick não tinha visto a Babi porque da nossa mesa não dava pra ver a dela, o que era ótimo. Pedimos uma sobremesa e fomos embora.

-Amanhã você tem alguma coisa pra fazer? -O Nick perguntou.

Eu ia sair com a Babi, eu queria sair com ela mas achei melhor não contar para o Nicolas, ele ia implicar.

-Ixi, amanhã to cheia de coisas pra fazer.

-E a noite? -Ele insistiu.

-Também. Tive que marcar meu dentista a noite porque os horários estavam lotados. E de dia tenho que ajudar minha mãe em umas coisas, ajudar minha irmã... -Eu tentei enrolar.

-Ah, tudo bem então. Deixa pra outro dia. -O Nicolas falou calmo.

-Ok. Obrigada por hoje, gostei de passar a tarde com você. -Eu sorri, ele também e eu entrei pra casa.

Estava subindo para o meu quarto quando escutei a Ju chamar meu nome.

-Carol? Volte aqui!

-O que eu fiz dessa vez? -Resmunguei descendo e indo até ela.

-É isso que eu quero saber. Você passou a manhã e a tarde toda com o Nicolas, não é possível que nada tenha acontecido.

-Ai Juliana, eu não acredito que você me chamou pra perguntar isso.

-Ué, o que que tem? Sou sua irmã, mas antes sou sua amiga. Quero saber já!

Me senti bem quando ela disse que era minha amiga. Ultimamente nosso relacionamento tinha evoluído e estávamos bem mais próximas.

-Tá ok, mas não aconteceu nada.

-Não minta pra mim. -Ela me cutucou.

-Não to mentindo, a gente foi na casa de uma amiga dele, depois na papelaria e depois almoçamos. Foi SÓ isso.

-Ai Carol, como você é frouxa! Podia ter lascado um beijo nele. Atitude, garota!

-Mas eu nem sei se é isso que eu quero. -Eu disse séria e olhei pra baixo.

-Como assim, você nem sabe se é isso que você quer? Dá pra ver que quando vocês estão juntos rola uma química. E vai me dizer que você não gosta dele?

-É isso que eu não sei. Tá tudo muito confuso.

Eu contei pra ela sobre a Babi, o que tinha acontecido na casa dela e o que eu estava sentindo, contei sobre tudo. A Ju entendeu e disse que também já tinha ficado em dúvida sobre o que ela era, mas quando ela era mais nova. Agora ela tinha certeza que gostava de meninos, estava até namorando com o João. Depois dessa longa conversa, e que eu seja bem sincera, não adiantou nadinha, eu não havia me decidido... Eu subi pro meu quarto e decidi tomar um banho. Fiquei pensando em tudo, o que só me deixou mais confusa. Mas sabe, eu tinha ficado feliz com a ideia de ter minha irmã como uma amiga, era bem melhor do que ficar o dia inteiro brigando com ela. Também foi legal da parte dela se preocupar comigo.

Notas finais
Postei dois capítulos de uma vez porque estava inspirada hehe!