Confie em mim
2 Os meios não justificam os fins?
Notas iniciais
A carta chegou no correio matinal. Quando chegou, pensei que era de
madame Rosmerta, em resposta ao meu pedido para trabalhar de caixa no bar nos fins de semana. Na ultima visita a Hogsmead li que ela estava
contratando e depois de pedir a permissão da diretora, me candidatei ao
cargo. Não era grande coisa, mas já ia me ajudar, afinal, o dinheiro da
minha bolsa mal dava para pagar os livros.
Quase me afoguei com o café que tomava quando vi o remetente, e
depois lí mais duas vezes só para ter certeza que não estava lendo
errado. As letras continuaram em sua formação em todas as três
vezes, o que significava, que não, eu não estava alucinando, e sim, eu
talvez estivesse metido em uma grande encrenca...
Pensei na sena que presenciei no corredor a três noites atrás e me
perguntei se aquela carta tinha qualquer coisa a ver com aquilo.
Respirei fundo, para me acalmar e abri a carta.
Caro sr. Sales
Fiquei sabendo, por meio de fontes confiáveis,
que não revelarei por esta carta, que o senhor
tem habilidades extraordinárias com sua varinha,
e que por acaso, tem interesse em se candidatar ao
cargo de auror quando prestar seus N.I.E.M.s, por isto,
e depois de muita reflexão, gostaria de convida-lo
para ser meu estagiário no quartel de aurores. Venha
ao ministério no próximo Sábado, 23 de Novembro para
conversarmos diretamente.
Atenciosamente
H Potter
Chefe do quartel de Aurores.
Olhei em choque para o pedaço de pergaminho. Eu estava esperando a resposta para um emprego de caixa em um bar, e sou convocado para trabalhar no ministério da magia? Uma raiva cega, que não era minha me tomou. Aquele idiota, será que achou que poderia comprar o meu silencio me subornando com um cargo no ministério?
Se tinha uma coisa que eu odiava mais que pais que abandonavam
filhos, eram pessoas que usavam de sua influencia para escapar de
problemas, como aquele idiota estava fazendo. O pior de tudo isso? Eu
queria aquela vaga, meu sonho, dês de que me entendia por bruxo era ser auror. E trabalhar ao lado de Harry Potter? Somente um bruxo havia
conseguido a honra de ser estagiário de Potter em quase 15 anos no
comando do quartel. Era um Brasileiro chamado André Santos, e hoje, o
cara era comandante no seu ministério.
Ouvi meus colegas se levantarem para ir para as aulas, mas eu fiquei
ali, com a maldita carta na mão. Se eu me vendesse, eu me odiaria, e se
eu perdesse aquela chance, eu me odiaria também. Amaldiçoei o idiota
mais uma vez, ele soube exatamente onde me encurralar. Eu era ambicioso, queria ser alguém, mais que o órfã mais inteligente da turma, queria ser o melhor que pudesse na carreira que escolhi para a vida, e a minha oportunidade estava ali, aprender com o mestre... Mas, a ideia de me vender... Bom, era demais.
Eu não tinha nada, nem família, nem casa, nem dinheiro. Tudo que
tinha, era um punhado de livros, um sonho, a oportunidade de concluir
meus estudos, e o meu maldito orgulho. Será que eu podia passar por cima dele? Será que como os trouxas costumam dizer, os meios não justificam os fins?
Fale com o autor