Confie em Mim
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Ela me olhou triste e eu sorri para ela, depois saí, deixando-a sozinha na sala. Liguei o carro e peguei o caminho para minha casa.
Tirei a camisa e afundei na cama quase me sentindo culpado por ter deixado Isabella. Não naquela noite, especialmente. Mas há muitos anos atrás, pouco tempo antes de saber que ela tinha leucemia. Às vezes ela parece tão saudável como qualquer um, como nessa noite, mas ás vezes parece frágil como vidro e por alguma razão, penso que ela estaria melhor se eu fosse o companheiro que ela sempre quis. No meio desses pensamentos, reconheci o jeito que Sarah batia na porta do quarto (toc-toc, toc-toc-toc, no mesmo ritmo sempre) e disse um preguiçoso "entra!".
- Ligaram pra você. — me informou minha dedicada e intrometida assistente vestindo um pijama com estampa de bolinhas. — Sua namorada.
- Como? — perguntei de olhos fechados.
- Lola, aquela mulher famosa, não sei se você conhece... — ela disse com sarcasmo.
- Já entendi. O que era?
- Ela viria jantar aqui e falou que ia dormir aqui também, mas eu avisei que você estava na casa da Isabella e que tinha compromisso amanhã de manhã. Fiz mal?
- Podia ter mentido. Agora ela vai implicar sobre eu estar na casa da Isa e vai ficar ligando toda hora, além do mais, eu... Ei, Sarah, você não estava de folga hoje? Você tinha um tempo de curtir sua vida pessoal e não complicar as coisas pra mim, sabia?
- Ah, até parece. Eu passo quase todo o MEU tempo cuidando dos SEUS interesses e você fala como se eu ainda mantivesse ligações pessoais com alguém. Você acabou com a minha vida social! Quer saber? Eu vou dormir e não me importo com você! — ela saiu batendo a porta num de seus acessos de raiva que logo passariam. De repente ouvir a porta se abrindo outra vez. — Quer mais travesseiros ou tá bom assim? — eu ri da persistência dela.
- Não gosto de você, seu esnobe! — ela piscou pra mim e saiu. Demorei muito pra dormir pensando em Isabella e como eu desejava poder voltar no tempo.
— Patrick? — atendi ao telefone assim que acabei de escovar os dentes.
- Tava dormindo, cara?
- Não, pode falar.
- É sobre a turnê... Vamos ter parcerias em uns quatro shows, começando com o de hoje em Warwick. Liguei pra avisar você.
- Ah, tudo bem. É com Good Charlotte, ou talvez Blink...?
- Não, com nenhum desses. A gente meio que ousou dessa vez, com artistas de estilos diferentes. — isso sempre dá problema.
- Com quem, Patrick?
- Lola B...
- Beppy? A Lola Beppy?
- Alguma coisa contra ela?
- Não, contra ela, não. Valeu por ligar.
- Ei, Pierre, larga o meu sanduíche, seu gordo sedentário!
- O quê?
- Nada, é só um morto de fome tentando roubar meu pão de cada dia. Tchau, até mais, David... Me devolve, Pierre! — desliguei o telefone e fui arrumar minhas coisas para uma nova turnê que logo seria internacional. Sentei-me à mesa para o café-da-manhã e Sarah parecia de bem com a vida hoje. Contei sobre a ligação de Patrick.
- Dá para acreditar? O Simple Plan e a Lola não têm NADA a ver, acho que a gente não combina tocando juntos e...
- Ele roubou mesmo o sanduíche do Patrick? Que abusado!
- Foca no meu contratempo, Sarah! — ralhei, gesticulando.
- Fala sério, David... Primeiro: ninguém te obrigou a seduzir a Lola, então não reclama não. Segundo: — ela disse rindo — A agente dela não deve ser tão chata assim. Tudo isso é porque o Peter nunca namorou sério antes e você tá com medo de perder seu filho pra ela. — pensei sobre isso por um instante.
- É, pode ser verdade. Mas isso é coisa de mãe, não de pai.
- É coisa de pais corujas, isso sim. E nem adianta fingir que não suporta seus filhos, porque você faz tudo por eles... Até demais.
- Você tem razão. Não há motivo pra eu implicar com ela, não é? — Sarah concordou com a cabeça — Afinal ela é quase uma criança! — ela concordou outra vez, enquanto eu tentava convencer a mim mesmo sobre tudo o que dizia.
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