Confie em Mim
2 Capítulo 2
Notas iniciais
- Já, e você? — Pierre perguntou, ajeitando o retorno de som no ouvido.
- Também, já vim arrumado, tive de deixar os meninos lá na casa da Isa. — eu informei, também colocando meu fone de retorno. — A gente vai tocar no começo, né?
- Bem, nós iríamos, mas acho que a sua namorada que vai abrir o festival, mas a agente nova dela ainda vem confirmar... — para fins de informação, o Pierre estava falando da Lola Beppy, minha namorada-cantora-pop-que-é-linda-e-sem-cérebro.
- A agente bonita dela! — disse Chuck, virando pra mim. — Muito gata mesmo, David, você precisa ver, tem uma bunda que, Meu Deus... — ninguém merece o Chuck.
- Sabe de uma coisa?Isso é falta de sexo. — ela disse de cara fechada, a garota que para mim não parecia ter mais do que dezenove anos.
- Sabe de uma coisa?Isso é falta de sexo. — ela disse de cara fechada, a garota que para mim não parecia ter mais do que dezenove anos. Nunca vi o Charles tão vermelho!
- Eu...
- Esquece. É isso mesmo que eu falei pra vocês. A Lola vai abrir o festival, como esperado. — ela disse com o nariz empinado e um walk-talk na mão.
- Mas por que essa mudança? — perguntei.
- Ora, porque geralmente um festival começa com a melhor atração e vai seguindo com as "mais ou menos". Você devia saber. — ela definitivamente não sabia quem eu era.
- Sabe de uma coisa?Isso é falta de sexo, pirralha. — disse, fazendo cara de pena. Ela me deu as costas e saiu irritada. — Bunda legal! — eu gritei para ela que me olhou com fúria e seguiu andando. Depois da apresentação de Lola, com todas as danças e músicas sem conteúdo (mas com roupas curtíssimas), entramos no palco tocando a terceira faixa do nosso novo CD. Todo mundo adorou, como previmos. Estávamos nessa vida há tanto tempo e ainda continuávamos tendo fãs maravilhosos. Fui dormir bem cansado depois de uma entrevista a respeito do festival. Amanhã começa tudo de novo, mesmo.
Festa da Much Music. Não estava com vontade de ir, por que essas festas são um saco, sempre. Mas lá estava eu, vestindo meu smoking mais decente, quando entrei junto com a banda. Dentro do salão, nos dispersamos e encontrei vários artistas amigos e tive boas conversas. Até que não estava muito chato. Fui conseguir uma taça de champanhe quando vi Isabella com algum cara. Coitado do cara. Era bom saber que ela não deixava-se afetar por sua doença. Depois de dois meses do divórcio, descobrimos que ela estava com leucemia e pensei que ela mudaria seu estilo de vida, mas isso só a fez ser mais alegre do que nunca. Esperei que o homem se afastasse e fui cumprimentá-la. Ela me disse ter conversado com Peter e ele disse que iria tentar mudar... Pela milésima vez.
- Você sabe que isso não vai acontecer. — eu disse a ela.
- Acho que dessa vez é sério. Ele já está tendo algum progresso, Dave.
- É mesmo, é?- perguntei, incrédulo.
- É. Ele disse que quer nos reunir para apresentar a namorada. A namorada! Para nós, que somos os pais dele! Ele nunca faria isso em estado normal, você sabe.
- Isso é verdade. E quando ele vai fazer isso?
- Amanhã à noite. Você tá livre? — acho que eu tinha alguma coisa pra fazer.
- Estou. Na sua casa? — ela balançou a cabeça positivamente, e o pobre homem que a acompanhava voltou. Depois uma música horrível começou a tocar e eu saí disfarçadamente daquela festa ridícula.
Na noite seguinte, cheguei pontualmente à mansão de Isabella, mas me surpreendeu todos já estarem me esperando à mesa.
- Boa noite pra vocês. — disse. Luke tinha tirado os óculos, que milagre.
- Boa noite. — eles responderam todos juntos e não pude deixar de notar a voz não familiar entre nós.
- E você é... — disse para que me apresentassem a mocinha sentada ao lado de Peter.
- Pai, essa é Anne- Louise, minha namorada. — quando fui apertar a mão da garota, não poderia ter sido mais inoportuno.
- A agente da Lola! Que surpresa, hein, Anne... — ela parecia tão impressionada quanto eu.
- Ela é agente da sua namorada? Que legal! — Luke gostou da ideia, já que segundo ele, a Lola era a melhor pessoa pra mim, porque não me contrariava em nada.
- Namorada? — Anne perguntou – A Lola é... sua... namorada?
- É, sim, por quê? Ela não tinha contado pra você? — eu perguntei, sorrindo com aquela situação.
- Na verdade, não, mas deixa pra lá. — Ela não mencionou muito sobre como nos conhecemos, só contando o necessário. E parecia bem constrangida. Eu estava achando engraçado.
- E quantos anos você tem, querida? — Isa perguntou depois.
- Vinte e um. — "Mentirosa!", eu pensei.
- E esses cachos são feitos com baby-liss?
- Que pergunta, Luke... — Isabella ralhou.
- Desculpe. Mas enfim, nem parece, Anne, você parece ter uns dezoito anos! — não era mentira.
-Quatro anos mais velha que Peter. Talvez fizesse bem a ele.
O jantar terminou bem. Luke tinha se retirado para seu quarto, e Peter também subira as escadas para fazer alguma coisa. Isabella falava com a empregada na cozinha e eu meio que estava plantado na sala com aquela garota insuportável num silêncio mais insuportável ainda. Depois de um tempo ela se manifestou.
- Você mora aqui?
- Não.
- Mas o Pete estava na sua casa essa semana, não estava?
- Sim.
- Você... — "alô! Eu não quero conversar" — ficou irritado comigo pelo que eu disse no festival? — ela perguntou receosa.
- Não, eu tenho dois filhos adolescentes, Anna. Sei lidar com esse tipo de infantilidade.
- Então tenho duas coisas pra te falar. Primeira : Não sou infantil, eu só estava mal-humorada. E segunda: Meu nome é Anne- Louise. — ela disse ficando irritada outra vez.
Você é tão engraçada... — eu disse a deixando com mais raiva ainda.
- Sabe o que eu acho de você, David?
- Tô pronto, a gente pode ir, amor. — Peter desceu as escadas com uma mochila nas costas.
- Você pensa que vai aonde, Peter? — perguntei ao garoto.
- Pro apartamento da Anne. A gente se vê, pai. Boa noite. — ele pegou na mão da namorada e saíram no carro dela antes que eu conseguisse concluir uma frase. Não gosto dela.
Olhei no relógio que marcava onze horas e cinquenta minutos. Como fiquei tanto tempo? Tenho de acordar cedo amanhã. Levantei-me para ir embora, quando Isabella me chamou.
- Está tarde, Isabella. — disse, olhando no relógio novamente.
- Você podia... dormir aqui. — ela disse com uma cara bem estranha. — Me fazer companhia.
- Desde quando você é tão direta? — eu disse notando como ela ainda era, mesmo com o efeito dos remédios, bonita, quase como quando nos conhecemos.
- Desde quando você é tão sarcástico? — ela disse a três centímetros de distância de mim.
- Desde sempre. — eu me afastei. — Você sabe disso. E também sabe que eu não sou mais seu marido.
- Toda essa resistência é por que você está namorando com aquela loira burra cheia de silicone? — eu ri disso.
- Não, é porque eu... Não posso te magoar outra vez. — ela se aproximara de mim novamente e estava prestes a me beijar, mas virei o rosto e a abracei. — Durma bem.
Fale com o autor