Confiar

14 XIV. Telefonemas


Notas iniciais
gente, desculpa a demora de postar, mas daqui pra frente vai ser assim. só vou poder postar nos fins de semana, por causa da escola. peço desculpas a vocês, mas vou me esforçar ao máximo pra conseguir colocar dois capítulos no fim de semana.não vou abandonar a história, e peço que vocês não abandonem! obrigada, divirtam-se! ♥

[N.A: ei, leia as notas iniciais antes, por favor, ok?]


Nunca fui boa em dizer “não”. Quando eu tinha quinze anos, estava numa festa com minhas amigas. Então um amigo nosso pediu pra Tay falar pra mim que ele queria ficar comigo. Minha reação imediata foi “não vou ficar com alguém por quem eu não esteja apaixonada, ou pelo menos tenha uma quedinha”. Ela falou pra ele, mas depois ele me chamou pra conversar pessoalmente. Pretendia dizer “não”, mas quando ouvi ele pedindo... e assim eu dei meu primeiro beijo.

Se eu não consegui negar um beijo, imagina um pedido de casamento?


- Ed! – eu disse quando ele entrou na sala – Eu vou me casar!

- Você vai o quê?! – ele arregalou os olhos.

- David acabou de me pedir! – olhei pra ele como se dissesse “falamos disso mais tarde”, e ele graças a Deus entendeu. – Não é maravilhoso?

- Ah... – ele ainda parecia surpreso – É sim. Parabéns. Como vai, David?

- Muito bem. Acabei de noivar. Vamos, Pam? Onde estão suas coisas?

- Estão no quarto. Vou pegar. – Ed se ofereceu.

- Não. Pode deixar que eu pego. Sou o namorado dela. – David disse antes de se dirigir ao quarto.

- Pam?! Que história é essa? – Ed sussurrou.

- Não consegui dizer “não”! Eu não soube o que fazer!

- Mas... e a gente?

- Ed... tudo o que eu disse era verdade. É verdade. Eu... – abaixei mais o tom de voz – Eu te amo.

- Casando com o David?!

- Depois conversamos.


Então Dave chegou com minha mochila nas costas e minha mala nas mãos.


- Vamos, amor?

- Vamos. Tchau, Ed. Muito obrigada por tudo.

- Tchau, Pam. Até depois. – ele parecia chateado.


Desde o momento em que entramos no carro, não falei mais nada até chegarmos na casa do David. Eu finalmente consegui usar minhas muletas na rua. Já tinha até esquecido como se andava. Enquanto ele colocou minhas coisas no seu quarto, me ajeitei no sofá da sala. Fiquei pensando o quão idiota e irresponsável eu fui por ter aceitado. Eu havia acabado de me declarar pro Ed! “Ele agora com certeza deve achar que eu sou uma vadia.”


- No que está pensando, amor? – David me despertou de meus pensamentos.

- Nada. Só estou meio cansada.

- Não dormiu direito?

- Não – menti – O gesso incomoda bastante. Como foi a viagem?

- Foi legal. Meus primos estavam lá. Mas fiquei morrendo de saudades de você. – ele me abraçou.

- Também estava com saudades. – disse, sem muito ânimo.

- O que foi, Pams? Você está estranha, distante...

- Ah, desculpa, Dave. Eu só estou cansada mesmo.

- O que aconteceu na casa do Edward?


Se ele estava desconfiado de alguma coisa só piorou, porque eu fiquei corada.


- Nada, Dave.

- Onde você dormiu?


Corei mais ainda, mas decidi falar a verdade. Em parte. Até porque não tínhamos feito nada demais. Em parte.


- No quarto dele. Por quê?

- Ele dormiu com você?

- No segundo dia sim. Por que está perguntando essas coisas, Dave?

- Ele te tocou, Pam?


Fiquei igual a um tomate.


- Não do jeito que você está pensando, David! Que ideia absurda! O que você está insinuando?

- Não gosto desse cara. Não gosto do jeito que ele olha pra você, ou do jeito que ele chama seu nome.

- David! Ele é namorado da Tay! E cuidou muito bem de mim enquanto você estava fora! Não vou aceitar que fale assim dele!

- Desculpe. Eu só... não sei. Não vou com a cara dele.

- É melhor começar a mudar isso, Ed é meu melhor amigo e eu gosto muito dele.

- Tudo bem. Me desculpa. – ele beijou minha testa – Já tomou café da manhã?

- Não.

- Vou fazer pra você.

- Obrigada.

- Pam...

- Sim?

- Eu te amo. É bom estar com você novamente.


Sorri meio sem-graça e culpada. Puxei seu rosto e lhe beijei, pra eu não ter que responder com palavras. Provavelmente diria alguma coisa bem idiota.

Quando David foi pra cozinha, peguei o celular e liguei pro Ed.


- Pam? – ele atendeu.

- Oi.

- David está aí com você?

- Não. Mas acho melhor eu não falar muita coisa. – abaixei o tom de voz.

- Certo. Me responda com “sim” ou “não”, ok?

- Ok.

- David te pediu em noivado porque está com ciúmes de mim?

- Não sei.

- Sim ou não?


Suspirei.


- Sim.

- Você me ama?

- Sim.

- Você vai casar com ele?

- Não.

- Então por que aceitou?

- Sim.

- Pam, é sério...

- O combinado foi “sim” ou “não”. – falei mais baixo.

- Ok. – ele fez uma pausa – Você o ama?

- Mais ou menos.

- Como assim?

- Sim, mas não tanto.

- Não tanto quanto me ama?

- Sim.

- Você vai terminar com ele hoje?

- Não.

- Você vai terminar com ele?

- Sim.

- E a gente vai ficar junto?

- Não. Tem a Tay.

- Vou terminar com ela. Aí a gente vai ficar junto?

- Sim. – me senti uma vaca falando isso.

- Certo. Era isso que eu queria saber. Então depois nos falamos. Última pergunta: você me ama?

- Você já perguntou isso.

- Mas eu não me canso de ouvir a resposta. Você me ama?

- Sim.

- Então vou alugar um cavalo.

- Pra quê?

- Pra gente fugir.

- Me avise quando alugar. – fiquei com um sorriso bobo no rosto.

- Você esqueceu sua cadeira de rodas aqui, doentinha.

- Depois passo aí pra pegar.

- Não, eu levo. Aí já fico conhecendo a casa do David pra armar uma rota de fuga.

- Certo. – ri. – Tchau, Ed. Beijo.

- Tchau, Pam.


Assim que desliguei David voltou da cozinha.


- Está falando sozinha, amor?

- Não, foi o Ed que ligou.

– Não ouvi seu celular tocando.

– Estava no silencioso. – menti – Ed avisou que eu esqueci a cadeira de rodas lá na casa dele.

- Mais tarde vou lá buscar.

- Não precisa, ele disse que vem deixar aqui.

- Certo. Ah, vim perguntar se quer chocolate quente.

- Quero sim. Obrigada. Ah, Dave, pega o controle da televisão pra mim?


Ele me entregou e voltou pra cozinha. Eu fiquei mudando de canal e achei um que estava passando Titanic. A cena em que Jack desenha Rose. “Deixei meu desenho lá, droga”, lembrei. Sacudi a cabeça afastando as lembranças dos últimos dois dias. Estou com o David, repeti pra mim mesma. Temporariamente, mas estou. Achei melhor mudar de canal.

Logo David chegou com um copo de chocolate quente e torradas com queijo. Quando beberiquei o chocolate, pensei “O do Ed é melhor”. Logo me puni mentalmente e disse a mim pra parar de ser uma vadia. Tentei focar no David e nas torradinhas deliciosas. Bati na mão dele quando ele tentou roubar uma.


- Estou doentinha, tenho direito a todas as torradas.

- Eu fiz as torradas da doentinha, tenho direito a uma.

- Não tem não.

- Então tenho direito a um beijo.


Ele colou os lábios nos meus de forma doce, e me deu um beijo singelo. Essa forma carinhosa e gentil dele me beijar fez eu me apaixonar. Mas agora, não podia parar de pensar no beijo ardente do Ed. Quando Dave me beijava eu me sentia uma princesa. Quando Ed me beijou, eu me senti eu.

Estava tão perdida em meus pensamentos que quando ele me soltou, derrubei chocolate em cima de nós dois.


- Que merda! – gritei quando o líquido quente caiu em minha perna.

- Vou pegar um pano. – Dave se levantou.


Então meu celular tocou.


- Alô?

- Oi Pam!

- Oi, Tay. Acabei de me queimar com o chocolate quente.

- Você é uma desastrada. Está na casa do David?

- Quem contou?

- Ed. Ele mandou eu te ligar porque disse que você tinha alguma coisa importante pra falar.

- Ah. David me pediu em casamento.


Ela gritou alguma coisa que não entendi.


- O quê? – perguntei.

- Ah meu Deus! Você vai casar! – ela deu gritinhos histéricos.

- É o que parece, né?

- Me conta tudo!

- Mais tarde te ligo. Preciso de um banho urgente.

- David vai te dar banho?


Ruborizei.


- Claro que não, Taylor!

- Ué, por quê?

- Porque não!

- Ele não já te viu sem roupa?

- Não! – eu corava cada vez mais.

- Não? Então vocês nunca...

- Não! Achei que você sabia disso!

- Pam, você é virgem?

- Sou. Algum problema? Você não?

- Não. Achei que tinha te contado.

- Desde quando?

- Foi com o Ed. Semana passada.

- Ok. Não quero detalhes.

- Não acredito que vocês nunca fizeram. Já namoram há um tempão!

- Mas eu não me senti pronta ainda! E por que estamos discutindo isso mesmo?

- Porque você não quer deixar ele te dar banho.

- E ele não vai. Eu me viro, como me virei na casa do Ed.

- E acabou caindo.

- Não faz mal. Beijo, Tay.

- Tchau, recém-noiva. Quero detalhes do pedido depois.


Me senti péssima depois desse telefonema. Então o Ed e a Taylor já tinham...? Posso parecer uma romântica careta, mas isso pra mim é um passo importante no relacionamento. Eu iria destruir a intimidade deles? Taylor merecia isso? Minha melhor amiga?

Talvez eu devesse desistir do Ed. Eu iria falar pra ele que estávamos cometendo um grande erro. Não estávamos apaixonados. Era só impressão. Eu amava o David, e ele amava a Taylor. Eu iria ser madrinha dos filhos dele e ele iria ser meu padrinho de casamento. Nós seríamos melhores amigos e nossas famílias iriam viajar juntas nas férias. Eu teria uma filha com David. Ela teria seus olhos e meu nariz. Ed e Tay teriam um menino, que se chamaria Peter. E tudo o que aconteceu nesses últimos dias seria esquecido pra sempre.

Mudei completamente de ideia quando vi seus olhos verde-acinzentados e seus dentes extremamente brancos e perfeitamente alinhados sorrindo pra mim pela janela.

Notas finais
fala sério, ninguém vai dar uma chance pro David?

até o próximo cap! ♥