Confiar

11 XI. Ciúmes


Notas iniciais
ok, podem me matar pq prometi que ia postar ontem, MAS N DEU!! mas aí está, capitulo novinho em folha e recém saido do forno. have fun! ♥

Mordi os lábios e não pude segurar umas lágrimas por causa da dor. Se antes minha perna já doía, agora era como se estivessem chutando-a sem parar. A dor era tão insuportável que eu acho que me desliguei do mundo um pouco, e só voltei com as batidas de Edward na porta.

— Pam! O que aconteceu? Abre a porta!

Tentei me levantar, mas meus membros não permitiam.

— Pam! – Edward gritava.

— Estou aqui! Estou bem! – tentei acalmá-lo – Não consigo me levantar.

— Vou arrombar a porta! Saia de trás!

— Não! – gritei – Já estou abrindo!

Ajeitei minha toalha em volta do corpo e fui me arrastando até a porta. Com dificuldade, consegui destrancá-la. Quando Edward abriu a porta, imediatamente senti a corrente de ar frio, o que fez meu corpo ainda meio molhado tremer. Ed me pegou no colo com cuidado enquanto eu fazia de tudo pro único pedaço de pano que me cobria não cair. Ele me colocou em cima da cama e fechou a janela.

— O que aconteceu? – ele perguntou, sentando-se ao meu lado.

— Me dê algo pra vestir, por favor.

Ele pegou um lençol na cômoda e me cobriu.

— Obrigada.

— O que aconteceu? – ele perguntou de novo.

— Eu caí. Em cima da minha perna.

— E não está doendo?

Eu não tinha percebido. Não estava mais doendo. Imediatamente bati por cima do gesso.

— Edward! Não estou sentindo minha perna!

Edward parou por um momento, avaliando a situação e pensando no que fazer.

— Edward, socorro! – eu disse, chorando – Não quero perder minha perna!

Ele abriu a mala que tinha acabado de trazer da minha casa e colocou algumas roupas na mochila. Depois, pendurou-a em um ombro e me carregou. Desceu as escadas com cuidado pra não me derrubar, já que eu só segurava em seu pescoço com uma das mãos. A outra estava segurando o lençol. Quando saímos, a curta caminhada até o carro pareceu ser o suficiente pra congelar meu cérebro. Ed me ajeitou no banco de trás e dirigiu o mais rápido que pôde até o hospital.

***

— Está sentindo? – o médico bateu com um martelinho na minha perna.

— Sim. – suspirei aliviada.

— Bom. Você é muito sortuda. Não aconteceu nada com sua perna, foi só o impacto. O gesso deve ter protegido. Pode ir pra casa hoje. Mas não force mais a perna.

Assenti e o médico saiu, dizendo que já voltava pra engessar minha perna novamente, já que pra avaliar precisou tirar o gesso. Logo a enfermeira entrou e me ajudou a trocar a camisola de paciente por minhas roupas que estavam na mochila. Percebi que era a mesma enfermeira que me atendeu da outra vez.

— Seu garoto está lá fora, com a maior cara de preocupação. Toda hora pergunta como você está, e se já pode entrar.

— Estou com pena dele. Isso só aconteceu porque fui teimosa e não escutei o que ele disse. Ok, não tinha muito a fazer. Eu tinha que tomar banho. E não iria deixar de jeito nenhum ele me ajudar.

— Está certa – ela riu – Não tens nenhuma amiga que possa te ajudar?

— Não. Ela está viajando.

— Só tem uma?

— Não sou muito sociável. – admiti.

— Se quiser posso indicar uma pessoa. Só que não sei se ela trabalharia de graça, principalmente hoje.

— Obrigada. É o único jeito. Não quero vir parar no hospital toda vez que tomar banho.

Ela riu. Quando eu já estava vestida, pedi que deixasse o Ed entrar. Assim que ela saiu, não demorou nem um minuto e ele já estava no meu quarto.

— Como está se sentindo?

— Bem. Desculpe por estragar o natal.

— Pare de falar bobagem. Ainda dá tempo da gente armar a árvore de natal.

— Puxa – parei pra pensar – Eu não armei árvore esse ano.

— Nem eu. Mas nunca é tarde demais. – ele sorriu.

O médico chegou e engessou minha perna novamente. Quando estava me aprontando pra sair, chamaram o Ed na recepção pra assinar alguns papéis. Aproveitei que estávamos só eu e a enfermeira no quarto, e enquanto ela me ajudava a sentar na cadeira de rodas, perguntei:

— Se você... gostasse de alguém, mas alguma coisa impedisse vocês de ficarem juntos, o que faria?

Ela sorriu, singela. Depois segurou minhas mãos.

— Quando um amor é verdadeiro, nenhum obstáculo pode impedi-lo de se concretizar.

— Mas... e se tiver outra pessoa? E você gostar muito dela e não querer magoá-la?

— Pensar no outro é uma atitude muito digna. Mas você não pode deixar de viver sua vida por isso. Minha jovem, você e esse rapaz tem uma afinidade muito grande, um laço muito forte. Vocês formam um casal lindo, porque acima de tudo, são amigos. Eu posso ver claramente que você gosta dele. E tenho certeza que ele gosta de você. Se a outra pessoa, a quem você não quer magoar, gostar de você, só vai querer ver sua felicidade, não importa com quem você esteja.

Sorri, com vontade de chorar. Nesse momento, Ed entrou no quarto. Agradeci a enfermeira e fomos embora.

Passei o caminho todo em silêncio. Fiquei olhando pela janela os flocos de neve caindo, agora de maneira mais fraca. Quando finalmente chegamos em casa, não posso deixar de admitir que aproveitei o momento de Edward me carregando pra enterrar minha cabeça em seu peito surpreendentemente quente.

— O que foi? – ele perguntou, preocupado, ao me colocar deitada no sofá.

— Nada.

— Quer armar a árvore, doentinha?

Balancei a cabeça negando. Depois disse que queria ligar pro David, e estranhei a cara que o Ed fez.

— Pam, o David ligou mais cedo. No hospital. – ele admitiu.

— E o que ele disse? O que você disse?

— Ele ligou pro seu celular e ninguém atendeu. Então ele ligou pra Tay, que explicou toda a história. Acho que ainda assim ele está meio bravo por você estar dormindo aqui. Então ele me ligou...

— E?

— E perguntou sobre você. Disse que estava dentro do quarto do hospital.

— Só isso?

— Sim.

— Sei que está mentindo. O que mais?

— Nada, Pam. Estou falando sério.

Sabia que ele não estava falando tudo, mas também sabia que não iria conseguir arrancar dele. Então pedi meu celular e liguei pro Dave.

— Pam?! Onde você está? Está tudo bem? – ele atendeu muito preocupado.

— Oi, amor. Estou bem. Meio quebrada, mas viva.

— Por que você não me ligou quando tudo aconteceu? Eu teria voltado na hora!

— Porque eu não queria que você voltasse na hora. E nem daria, de qualquer jeito. O aeroporto está fechado. Só iria fazer você ficar muito preocupado, como está agora.

— Estou voltando agora.

— David, não!

— Pamela, você é minha namorada! Eu não vou deixar você ficar dormindo com o Edward!

— A Taylor aceitou bem isso, até porque o Ed ta sendo muito gentil. Você confia em mim ou não?

— Eu não confio nele!

— David! Eu nem acredito que você está com esses ciúmes idiotas!

— Idiotas? Você dorme na casa de outro cara e acha que estou com ciúmes por bobagem?

— David, eu estou com a perna quebrada! Você queria que eu dormisse na minha casa?

— Não! Queria que você viesse pra cá! E por que você não me disse que ele ia pra Nova York com você?

— Porque eu sabia que você ia ter essa reação babaca que você ta tendo agora!

— Reação babaca? Pamela, pelo amor de Deus! Estou voltando. De noite estou ai.

— David, eu juro que se você voltar hoje, eu acabo com esse namoro agora mesmo!

— Pois que acabe. Te vejo à noite.

— David, eu juro que vou terminar com você!

— Desde que você não durma na casa desse otário pra mim ta ótimo.

— Já chega! Está tudo acabado!

— Feliz natal, Pam.

— Argh! – desliguei na cara dele.

Depois que voltamos, meu namoro com o David nunca mais foi o mesmo. Não discutíamos constantemente, mas eu não me sentia mais tão... vamos dizer, feliz? Apaixonada? Sim. Todo o brilho do começo do namoro tinha ido embora. Toda a perfeição do meu namorado não era mais tão perfeita pra mim.

— Eu ouvi o que acho que ouvi? – Edward surgiu da cozinha.

— O David me irrita profundamente! Cada dia mais! O que ele disse pra você?

— Que se eu encostasse um dedo em você ele iria me cortar em pedaços, ou algo assim. – ele riu.

— O quê?! Argh! – grunhi.

— Ele só está com ciúmes, Pam. Convenhamos, ele não confia em si próprio. Acha que quando você ficar muito próxima de um cara que nem eu, ele pode te perder.

— Um cara assim que nem você? – ri.

— Claro. Eu não sou um pedaço de mau-caminho. Sou o mau-caminho inteiro. – Ed piscou, o que me deixou extremamente nervosa. Mas ainda assim consegui sorrir.

— Verdade. Mas poxa, ele não poderia ser como a Tay? Ela só quer o melhor pra mim. Ela confia em mim e em você.

— Mas o David não confia em mim. E eu já disse que ele não confia nele. Coitado. Não o culpo. Se eu estivesse no lugar dele não faria diferente.

— Ed, estou com fome. Pode preparar alguma coisa pra mim?

— Certo. – ele beijou minha testa antes de sair. Não preciso nem dizer que fiquei arrepiada.

Que diabos eu sentia pelo Ed? Eu deveria falar? Não, não podia. Taylor é minha melhor amiga. Eu nunca trairia ela. Sim, não trairia ela. Isso me fez pensar: eu trairia o David? Não. Gosto muito dele. Eu amo o David.

Mas não sou mais apaixonada por ele.

“Que profundo”, ri sozinha.

A enfermeira disse que acha que Ed gosta de mim. Talvez ela pudesse estar enganada, ele só queria ser gentil, amigo. Talvez ele só gostasse de mim como amigo. Como irmão. E eu? Gostava dele como irmão? Não. Eu gostava como...

Ai meu Deus.

Respirei fundo. Conto ou não conto? Eu seria uma vadia se contasse? Que tipo de pessoa eu seria? A Taylor merecia isso? O David merecia isso? Mas e eu? Eu merecia isso? “Sim.”, pensei finalmente. Eu mereço uma resposta. Eu estava determinada a terminar com o David, independente do Edward. Na verdade, acho que já tinha terminado. Não, por telefone não. Quando David voltasse iria por um fim no nosso relacionamento. Mas eu queria saber se o Ed sentia algo por mim.

Mas eu amo a Taylor.

“Estou com a perna quebrada, a casa queimada, e apaixonada. Ser chamada de vadia é só um bônus. Além do mais, eu não vou beijá-lo.”

— Ed? – gritei-o.

— Sim, Pam? – ele respondeu da cozinha, sem aparecer.

Reuni toda coragem que eu tinha e que eu não tinha. Meu estômago embrulhou.

— Acho que estou apaixonada por você.

Silêncio se fez, e uma vontade suicida surgiu. Então ele apareceu na porta da cozinha.

— Que remédio você tomou hoje?

Notas finais
GENTE, ALGUÉM CHAMA O HOSPICIO PQ A PAM SURTOU DE VEZ!!!