Confiar
8 VIII. Fogo
Notas iniciais
Se você nunca passou por uma experiência de quase morte, então esqueça. Não tente entender. É inexplicável.
Enquanto olhava desesperada pras minhas pernas, presas debaixo da estante caída, flashs da minha vida vinham à minha mente. Lembrei de um natal que passamos em família. Eu, mamãe e papai. Ganhei minha primeira bicicleta nesse dia. Depois lembrei de uma vez em que eu me machuquei na escola e minha mãe saiu correndo do trabalho pra ir me acudir. Lembrei também quando papai me ensinou a empinar pipa. Lembrei do dia em que conheci a Taylor. Lembrei de quando nós brigamos pela primeira vez. Lembrei do dia em que mamãe saiu pra ir ao mercado. Lembrei de como me desesperei quando vi que já haviam se passado 5 horas desde então, e que ela não tinha levado celular. Lembrei das noites que passei chorando. Lembrei de quando conheci David. Lembrei de quando ele me pediu em namoro. Lembrei de quando papai morreu. Lembrei do David e da Wanessa se abraçando. Lembrei da briga com a Lindsay. Lembrei da troca de olhares com o Edward.
O Edward.
Gritei seu nome o mais alto que eu pude, acompanhado de alguns “Socorro!”. Mas a neve caía violentamente lá fora, e o barulho do vento não iria deixar ele me escutar. Ainda assim, chamei por ele o mais alto que consegui. Desesperei-me quando vi o fogo se aproximar de mim.
Procurei pelo meu celular. Ele estava em cima da mesa. Será que caiu também? Me virei procurando ele, e não o achei. No desespero, não ouvi quando ele parou de tocar. O fogo vinha cada vez mais rápido. Como uma velinha tão pequena causou um estrago tão grande?
“É isso? Acabou?”, eu pensei, desapontada. “Então é assim que eu morro? Que ótimo. Grande vida eu tive.”
— Edward, socorro! – gritei mais uma vez, sem perder as esperanças.
Então ouvi alguma coisa.
— Edward! – gritei mais alto.
— Pam? – ouvi, baixo. As cortinas estavam fechadas, então eu não podia ver quem estava do lado de fora ou vice e versa.
— Ed, socorro!
— Se afaste da porta! – ele gritou.
Fechei os olhos e ouvi o barulho da porta sendo arrombada. Edward levantou a estante de cima de mim, com dificuldade. Minhas pernas doíam como se estivessem martelando-as sem parar, mas não tive coragem de olhar o estrago. Fechei os olhos e comecei a chorar, enquanto ele me levava pra fora. Ele me levou pra casa dele e me deitou no sofá.
— Eu vou ligar pros bombeiros. Você está bem? – ele disse, pegando o celular.
— Não.
— Vamos resolver isso. – ele beijou minha testa e saiu, fechando a porta. Me acomodei no sofá para que pudesse olhar pela janela. Ele falava no telefone, nervoso, enquanto olhava pra minha casa em chamas. Depois de um tempo, ele voltou e me analisou. Quando olhou minhas pernas, fez uma careta. Eu ainda não tinha olhado.
— O que foi? Por favor, diga que eu não vou perdê-las!
— Você não vai. – ele deu um sorriso torto – Não vou deixar nada de ruim te acontecer.
Tentei sorrir mas a dor não me permitia. Comecei a chorar novamente. Edward apertou minha mão e disse que ia ficar tudo bem. Ouvimos a sirene dos bombeiros e ele disse que já voltava. Então ele saiu e dessa vez deixou a porta aberta, e a corrente de ar que entrou me deixou congelando. Mas foi bom, porque anestesiou um pouco minhas pernas. Depois de um tempinho ele voltou e se sentou no chão ao lado do sofá.
— Ed... Eu vou morrer?
— Não seja boba – ele acariciou meu rosto – Eu nunca deixaria você morrer.
— Por que você foi me salvar?
— Ora Pam, não iria deixar você morrer.
— Não é isso... como você sabia que eu tava em perigo?
— Depois falamos disso.
— Acho que não vamos viajar amanhã.
— Tudo bem. Pelo menos eu ganhei uma aula sobre arrumar malas. E uma tarde maravilhosa com você.
Apesar de estar quase morrendo, tenho certeza de que corei.
— Ed...
— O quê, Pam?
— Eu te amo.
Ele sorriu, com seu sorriso maravilhoso, e me fez duvidar se eu realmente estava viva.
— Eu também te amo, Pam.
Não, eu não estava dando em cima dele. Existem vários tipos de amores. Amor de irmão, amor de amigo, amor de namorado. Eu só... não tinha certeza absoluta de qual eu sentia por ele.
Permanecemos em silêncio desde então, até a ambulância chegar.
***
— Precisamos fazer umas radiografias. – o médico disse, pacientemente. Ele continuou falando alguma coisa em termos difíceis que eu sinceramente não estava a fim de entender.
— Mas quando a dor passa? – fui direta.
— Vou te dar uns analgésicos pra melhorar. Mas, como eu disse antes, depende do estrago. Com licença. – ele disse antes de sair do quarto.
— Viu? – Ed chegou mais perto e acariciou meu rosto – Você vai ficar bem.
— Ed, minha casa... – lacrimejei.
— Pam, o que importa é que você está bem. Nós vemos o que podemos fazer na casa depois. Dá pra consertar. – ele sorriu, tentando me passar otimismo.
— Que horas são? – perguntei.
— Já vai dar meia noite. Você deveria cochilar.
— Não consigo. Minhas pernas doem.
— Já vão te medicar. Vai ficar tudo bem, ok? Estou aqui pra cuidar de você.
Consegui forçar um sorriso torto.
Mais tarde, fui encaminhada pra sala de radiografia. Quando voltei pro meu quarto, depois de alguns exames e alguns remédios, o médico voltou confirmando que, resumindo numa linguagem leiga, eu havia quebrado uma perna, e a outra só tava doendo porque, ora bolas, uma estante caiu em cima! Ele também disse que eu fui muito sortuda, porque pela história que eu tinha contado, ele esperava que eu tivesse que amputar.
Depois de engessar a perna quebrada, perguntei quanto tempo eu teria que ficar com o gesso.
— Três meses?!
— Aproximadamente sim. Mas talvez, com um pensamento bem otimista, consiga tirar um pouco antes.
— Ora, Pam – Ed segurou minha mão – São só três meses. Passa bem rápido.
— E é um preço pequeno a pagar. Você poderia perder a perna. – o médico acrescentou.
— Eu sei. Tudo bem. Obrigada, doutor. Já posso ir pra casa?
— Eu gostaria que você passasse a noite aqui. Por precaução.
Assenti e o médico saiu.
— Pam, vou buscar umas roupas.
— Não precisa. Amanhã quando vier me buscar você trás.
— Quando vier te buscar? – ele riu.
— É. Você vem, não vem?
Ele apenas sorriu. Depois beijou minha testa.
— Boa noite, Pam.
Depois que ele saiu, não demorou muito e eu dormi.
Acordei com a enfermeira ajeitando meu soro.
— Bom dia. – ela sorriu docemente.
— Bom dia. – eu respondi, com um bocejo
— Vim te pegar pra tomar banho. Mas se você estiver com muita fome, pode tomar o café da manhã antes.
— Não, eu tomo banho primeiro. Obrigada. – virei pro lado e vi o Ed dormindo sentado, com a cabeça apoiada no recosto do sofá. – Que horas ele chegou?
— Não vi que horas eram. Mas ele não pregou o olho a noite toda. Só agora de manhã ele conseguiu descansar um pouco.
— A noite toda? Ele dormiu aqui? – perguntei, surpresa.
— Bom, não dormiu. – ela riu – Mas te observou a noite toda. Ele é um ótimo namorado.
Corei. Antes que eu pudesse responder alguma coisa, Edward despertou, e rapidamente veio até minha cama quando viu que eu estava acordada.
— Ed! Você passou a noite aqui?
— Você não achou realmente que eu iria te deixar sozinha, né?
— Achei sim! Você não tem obrigação nenhuma de estar aqui!
— Deixe de falar besteiras, Pam. Como você está?
— Minhas pernas ainda doem. Mas estou um pouquinho melhor. Vou tomar banho agora.
— Se você quiser eu posso te ajudar. – ele sorriu, maliciosamente, o que fez a enfermeira rir e murmurrar algo sobre “amor jovem”.
— Não. E nem pense em olhar pela fechadura ou algo assim.
— Só se você prometer deixar a porta aberta.
— Edward!
— Ok, tudo bem, eu não olho. Mas ei, consegui te tirar um sorriso.
— Não estou sorrindo. Na verdade to muito irritada com essa sua safadeza.
— Poderia te irritar o dia todo. – ele riu quando eu fiquei mais vermelha ainda.
— Por favor – me virei pra enfermeira – Podemos ir?
— Claro. – ela disse, ainda rindo. Me ajudou a sentar e pegou a cadeira de rodas.
— Não precisa disso. – Ed disse e antes que eu pudesse reclamar, ele havia me pegado no colo com cuidado e me levado até a banheira.
— Obrigada. – eu disse, tímida – Mas não precisava.
— Quem sabe agora você deixe eu ficar pra assistir. – ele sorriu e saiu do banheiro quando atirei um sabonete nele.
Enquanto me ajudava a me banhar, a enfermeira perguntou há quanto tempo estávamos juntos.
— Não estamos juntos. – eu disse, sem graça.
— Vocês, jovens de hoje... Não gostam mais de assumir relacionamento.
— Não é isso...
— Vocês dois tem uma química muito forte. Acho que ele gosta de você. E tenho quase certeza que você gosta dele. Não gosta?
Suspirei e demorei um pouco pra responder.
— Amo.
Notas finais
mas e o Dave? E a Tay?
não shippo.
mas awn... eles dois são tão... ♥
shippo.
e vcss?
Fale com o autor