Confiance

11 Now bring my boys in


Jonas se preparava para encerrar o expediente quando Manuela invadiu sua sala. Os olhos da pernambucana estavam escuros de raiva, as bochechas marcadas por lágrimas. Ela parou em frente à sua mesa, colocando uma pasta em suas mãos.

“Eu estou indo para os Estados Unidos hoje à noite. Vou apresentar esse projeto aos acionistas.” Ela disse com a voz trêmula, os braços cruzados em frente ao corpo.

“Como?” O homem franziu o cenho. “Manuela, que história é essa? A inauguração do Regenera é amanhã.”

“Olha, Jonas, eu sei que tu não com a menor vontade de rodar o Junior, você deixou isso bem claro.” A morena falava, enquanto Jonas analisava os papéis que ela havia entregado. “Esse é o projeto de uma impressora 4D, tenho trabalhado nisso há algum tempo. E acho que é o melhor momento para apresentar isso aos investidores.”

“É realmente um ótimo projeto.” Elogiou o empresário, erguendo os olhos para ela. “Bem melhor que o Júnior. Mas você sabe que, se mostrar isso para eles, vai prejudicar o Davi e o sonho dele.”

“Eu não me importo.” Garantiu a morena. “E então... Posso ir?”

“O jatinho estará pronto em duas horas. O Edimilson vai te pegar na sua casa.” Ela assentiu, saindo em silêncio. Jonas suspirou, começando a digitar em seu computador. Precisou de dois cliques para que a imagem se formasse a sua frente.

Confirmado romance entre a herdeira Parker-Marra e Davi Reis

A chamada vinha acompanhada pela foto de Megan e Davi se beijando no mezanino do baile, além de algumas citações (provavelmente distorcidas) que eles deram antes da festa.

“Bendito dia que resolvi trabalhar até mais tarde.” Suspirou o homem, observando o tardar da hora. “E bendito fuso-horário.”

Se Manuela apresentasse o projeto para os investidores, com certeza o Junior estaria fora da jogada. E ele não sairia como vilão nessa história toda. Afinal, tinha que dar a mesma chance para os projetos de seus dois sucessores.

~M&D~

Em outro canto da cidade, a situação também era analisada, mas por outros olhos. Herval estava sentado em frente ao seu computador, observando as imagens que o drone lhe transmitia em tempo real.

“Alô?” Atendeu o celular. “Sim, eu vi, eu vi... Mande uma generosa bonificação para a fotógrafa. A Yanes está embarcando para São Francisco hoje mesmo, vai encontrar os investidores amanhã. Certifique-se que as pessoas certas estarão lá. O Júnior não pode vir à luz com a ajuda da Marra.”

E jogou o aparelho na mesa, levantando e indo até um pequeno cofre na parede. Digitou a senha, abrindo a porta e tirando uma pasta dali. Caminhou de volta para sua mesa, retirando os papéis com cuidado.

Noivo da grande atriz Pamela Parker morre em acidente de carro.”

“Pamela Parker espera um bebê do falecido noivo.”

“Jonas Marra assume filha de Pamela e Jérome.”

As diversas matérias acerca da morte de Jérome e nascimento de Megan enchiam sua mesa, enquanto ele corria os olhos de uma para outra. As fotos davam o tom à história e faziam as vozes em sua cabeça despertarem. A imagem de Jonas Marra segurando a pequena garotinha nos braços, fazia seu coração se retorcer.

A sua garotinha.”

“Ela nunca foi minha.”

Ela sempre foi sua, ele que a roubou de você, te privou de estar com ela, de vê-la crescer. Você sabe que é a verdade Jérome.”

“Não me chame assim, ninguém pode saber.”

E ninguém pode me ouvir. Eu estou dentro da sua cabeça, esqueceu?”

“Não, não me esqueci, porque você me lembra disso todos os segundos.” Rosnou, se levantando e começando a caminhar pela sala.

Faziam 20 anos que tudo havia acontecido, mas as feridas ainda doíam profundamente. Não se lembrava do acidente, nem de nada que havia acontecido depois. Se lembrava de estar dirigindo, e de estar sentindo muito sono. Havia acabado de sair de um jantar com Jonas, no qual os dois haviam discutido feio. Saiu do apartamento do empresário irritado, um pouco grogue, apesar de não ter ingerido uma gota de álcool.

E então, acordou em uma cama velha, dentro de um casebre, com uma senhora cuidando dele. Levou semanas até estar em condição de dizer quem era, e qual foi sua surpresa ao descobrir que estava “morto”.

Pelo menos, para o resto do mundo estava.

Pelo menos, para Pamela estava.

E principalmente, para a criança que acabara de nascer, seu pai estava morto.

Ou melhor, seu pai era Jonas Marra e ela era Megan Lily Parker-Marra.

“Você vai me pagar, Jonas Marra. Vai me pagar muito caro.” Rosnou o programador, amassando a foto do empresário.

~M&D~

A madrugada já estava no fim, mas Megan ainda não havia pregado o olho. Sua cabeça viajava para o beijo trocado horas antes, o toque delicado dos lábios de Davi nos seus quando ele lhe desejou boa noite.

Os lençóis já estavam longe, mas o calor não a abandonava. Seu corpo estava em chamas, e não havia nada que ela pudesse fazer. Quer dizer, até tinha, mas...

“Oh shit.” A loira se levantou em um pulo, correndo até o banheiro. Precisava de uma banho gelado o mais rápido possível.

Alguns cômodos para o lado, outra pessoa também sofria com o calor, apesar de o ar condicionado estar no máximo. Davi se revirava na cama, o corpo arrepiado com a temperatura gelada, mas sentindo o interior ardendo em chamas.

Que raio de sentimento era aquele? Um desejo incontrolável, algo que o atingiu de uma hora para outra. Era homem, mas nunca foi apegado ao sexo, sempre preferindo passar as noites enfurnado em frente ao computador. Mas agora... Seu corpo clamava e gritava por aquela garota, e nada que fizesse conseguiria apaziguar isso.

“Droga, droga, droga.” Socou o travesseiro diversas vezes, nervoso pela falta de sono. A manhã logo chegaria e ele não teria pregado o olho. E esse desejo insaciado apenas o deixaria mais mal humorado. “Merda.”

Levantou da cama bufando, escancarando a porta do quarto. Marchou a passos firmes, começando a socar a porta de madeira da americana, impaciente.

“Megan?” Chamou, sem obter resposta. “Megan, abre essa porta, agora.”

Sem resposta, ele simplesmente empurrou a madeira, abrindo o portal para aquele local sagrado. Foi atingido por uma súbita timidez, enquanto entrava acanhado. Observou o local, bastante clean e moderno, bem a cara de Megan.

Se aproximou do espelho, vendo a primeira foto que ela tirou dos dois, presa na moldura. Tirou com cuidando, observando a foto com carinho.

“Davi?” Virou depressa, vendo Megan o observando. Engoliu em seco ao constatar que ela tinha o corpo coberto apenas por uma toalha branca, ridiculamente pequena, vale comentar. “O que você está fazendo aqui?”

“Não consigo dormir.” Ele respondeu, sentindo a boca seca. Observava as gotas de água na pele alva da loira, sentindo o calor aumentar. “To com calor.”

Well, liga o ar condicionado.” Um leve rubor começou a preencher o rosto de Megan, enquanto ela sentia os olhos de Davi percorrendo seu corpo.

“Ele tá no máximo.” O rapaz deu um passo. “E eu ainda estou fervendo.”

“Então você pode estar, like, com febre.”

“Você guardou.” Ele mostrou a foto em sua mão. “A selfie antes do nosso primeiro beijo.”

“Esse não foi nosso primeiro beijo.” Davi já estava em frente a ela, tão próximo que ela podia sentir o calor que realmente emanava do corpo dele.

“Então tira uma selfie agora.”

Why?”

“Porque eu quero uma selfie... Antes da nossa primeira noite.” E com essas palavras, acabou com a distância entre eles.

Não demorou para a toalha felpuda estar esquecida no chão, assim como o short e a cueca de Davi. A temperatura no quarto subiu tanto que alguns poderiam considerar uma amostra do inferno, mas para os dois jovens apaixonados, era uma amostra do paraíso.

Como em um romance clichê, basta dizer que eles se amaram até quando aguentaram, e não era possível saber onde começava Megan e onde terminava Davi. Os dois foram um só e consumaram aquele sentimento tão bonito que começava a se tornar palpável para todos.

Quando os primeiros raios de sol invadiram a janela, os dois se encaravam fixamente.

“Você tem uma reunião.” Lembrou ela.

“Seu pai mandou uma mensagem, ela foi remarcada para amanhã.”

“Então, temos o dia todo, just for us.”

“Todo, todo, todo.” Sorriu o rapaz, lhe dando um selinho. “Mas para isso, precisamos dormir.”

Yeah, eu estou really cansada.” Ela sorriu, se aconchegando a ele. “Bom dia, silly boy.”

“Bom dia, minha maluquinha.”

Notas finais
Esse capítulo foi muito importante para o desenrolar da história, está bem? Bom, eu particularmente gostei muito dele. E preciso dizer o quão feliz estou com o resumo e as notícias que estão saindo. Se Deus quiser, as coisas vão caminhar para o nosso casal. Até breve peanuts.