Confiança
33 Reconhecendo a Dor
Notas iniciais
Ele se tornou um homem diferente do que Bella conhecia e com isso perdeu a chance de ficar com ela e ser feliz.
Será que ainda há salvação para os dois?
Edward
Dias se passaram desde aquele momento fatídico. E não havia um minuto se quer em que eu não tenha me amaldiçoado. Todos pareciam felizes ao meu redor, empolgados com a minha vitória, menos eu. Tinha me tornado um borrão preto e branco em um mundo colorido.
Não conseguia dormir direito, nem comer. Inclinei-me mais ainda nos negócios, trabalhava quase 24 horas por dia, mergulhar no trabalho sempre foi uma ótima saída para mim. Mas eu não poderia mentir para mim mesmo, desta vez estava difícil esquecer.
Jasper e Alice se uniram nesses dias na tentativa de me convencer a procurar por Bella e dizer tudo o que sinto por ela. Todos os meus sentimentos pareciam claros agora. Agora que eu não a tinha ao meu alcance. Mas não era realmente assim que acontecia? Quando se perde, dá-se o valor.
Fui um burro, idiota, insensível e a cima de tudo cego. Não consegui enxergar à tempo que a mulher da minha vida, a única em que eu poderia confiar o meu amor estava bem na minha frente. Por que eu não entendi isso antes? Por que foi tão difícil? Eu estava cego de ambição e agora...
Estava perfeitamente fácil entender o porquê de não ir procurá-la. Estava envergonhado pelas minhas atitudes e palavras. Nesse exato momento sabia que ela era muito para mim e eu, eu não sou nada, nada. Bella é uma mulher incrível, linda e espontânea, com ela tudo parece mais divertido e fácil. Ela já lutou tanto na vida quanto eu, a diferença era que ela não se prendia a coisas que a incomodavam, e eu sempre fui de engolir sapos.
Estava parado olhando para a tela no computador por um tempo que eu nem sei dizer. O cursor piscava, tinha mais vida do que eu. Olhei para o relógio em cima da minha mesa, 22:04. A essa hora não havia mais ninguém no prédio. O que é que eu estou fazendo afinal? Matando-me de trabalhar para esquecer o que eu fiz com ela, esquecer que ela se foi. Isso não está adiantando em nada.
Levantei bruscamente da cadeira, fazendo com que ela vacilasse. Fechei o laptop e fiquei andando de um lado para outro na sala com um só pensamento: “Preciso vê-la. Preciso vê-la.”
- E tem que ser agora. — Falei decidido.
Peguei meu paletó e minha pasta em uma velocidade desconhecida para mim e no mesmo ritmo alcancei o meu volvo na garagem. Ouvi os pneus cantarem quando sai da garagem, mas nem me importei. Queria chegar o mais rápido possível na casa dela. Queria vê-la, eu precisava disso para suportar mais um dia na minha vida.
Nem sei como cheguei até lá, só sei que parei em frente ao apartamento de Bella, deixei que os instintos me guiassem eles fizeram um belo trabalho me trazendo até aqui. Eu olhei para cima, para a janela dela, as luzes estavam acessas. Segurei com mais força o volante a mão enfaixada doeu um pouco.
No dia que soquei a parede, Alice me convenceu a ir a um hospital, verificar se tinha algum osso fraturado. Fui sem protestar, estava anestesiado com a dor, não a dor física, mas a dor no peito. O médico constatou que não havia fraturas, ele com certeza mudaria de ideia se radiografasse o meu peito.
Ele imobilizou a minha mão para evitar problemas. Para todos os efeitos eu tinha caído de mau jeito por cima da minha mão. Respirei fundo para aliviar a tensão. Foi fácil chegar aqui, agora eu precisava decidir o que fazer.
Ficar ali parado dentro do carro não iria adiantar muita coisa. Mesmo se ela chegasse na janela, eu apenas iria vê-la de longe. Queria ver o seu rosto de perto, queria olhar seus olhos avelã e me perder neles. Queria mais uma vez observar o contorno dos seus lábios, lábios que possuem o melhor gosto que já provei. “Preciso vê-la.” A mesma música cantava em meus ouvidos, mente e coração.
- A única coisa que me resta. — Minha voz soou amargurada até para mim. — Bella... Como vai? — Não! Que pergunta inútil! Vai parecer imbecil. — Bella... Por favor... Me desculpe, fui completamente injusto... — Estava mesmo desesperado. Ensaiava o que iria falar com ela, se ela me deixasse falar. — Não paro de pensar em você. Ah droga! — Me debrucei no volante, escondendo o meu rosto, a verdade era que eu sentia um nó na garganta. — Bella... — Comecei e levantei a cabeça novamente. — Eu estou apaixonado por... — Eu vi alguém saindo do apartamento. — você. — Era o … Black? E ele parecia feliz, com aquele sorrisinho irritante na cara.
Não podia acreditar nisso, tinha chegado tarde e aquele imbecil tinha se aproveitado. Claro que com aquele sorriso ele conseguiu o que queria. Pelo que me consta ele queria a mesma coisa que eu. Fiquei parado olhando-o montar na moto e sair. No primeiro momento queria muito segui-lo e derrubá-lo da moto, mas se ela descobrisse aí sim nunca me perdoaria.
Tinha razão quando imaginei que ela não tinha esquecido esse vira lata. Ele é o cara perfeito. E depois do que eu fiz, não deve haver comparações para ela. A dor em meu peito que eu achava que não poderia ficar pior, ficou. A minha respiração ficou descontrolada assim como os batimentos do meu coração, pela segunda vez desconfio de que terei um ataque cardíaco, e novamente por causa dela.
- Ah merda! Bella... Não... — O que foi que eu fiz? Desperdicei a chance de ser feliz ao lado de uma mulher linda e especial.
Eu fiquei completamente sem rumo. Não sabia o que fazer, para onde ir. Eles tinham voltado afinal e agora ela não iria querer mais saber de mim. Uma lágrima percorreu o meu rosto e eu não tinha nem forças para secá-la, queria muito sentir o pranto chegando, mas nem isso eu sentia.
Meu celular começou a vibrar em meu bolso e eu ignorei, não queria falar com ninguém. Ele parou de tocar para logo em seguida voltar. Sem muito ânimo o peguei do meu bolso e olhei para o visor: “Alice”. Respirei fundo antes de atender.
- Oi. — Pigarrei.
- Edward, você vai ficar até tão tarde novamente no escritório? — Alice perguntou preocupada.
Ultimamente a tenho feito ficar muito preocupada, não faço nada além de trabalhar e quando não estou trabalhando não faço absolutamente nada. Não leio, não assisto, não saio, não converso, me sinto mal por assustá-la, mas não tenho forças para reverter a situação.
- Na verdade, eu já não estou no escritório.
- E onde está? — Ela perguntou curiosa. Eu não poderia falar a verdade.
- Em lugar algum ainda, vou dar uma volta.
- Certo. — Ela disse desconfiada.
- Nos falamos depois. — Encerrei a conversa.
- Tudo bem. Cuide-se.
- Você também, Alice.
Bom, o que eu poderia fazer agora? Dirigir, uma das minhas paixões que tinha deixado de lado por conta do trabalho. Comecei a dirigir sem rumo algum até que vi um bar logo em frente. A decisão veio em seguida. Estacionei e entrei no lugar.
Era um bar de classe média e parecia tranquilo, eu só queria sentar e beber em paz, talvez relaxasse enfim. A música era animada e muitas pessoas estavam confraternizando e exalavam bom humor. As conversas e as risadas eram altas e não combinavam em nada com o meu estado de espírito, mas talvez ficando aqui pudesse roubar dessas pessoas um pouco de ânimo e força.
Dirigi-me até as cadeiras próximas ao balcão e sentei. Logo o barman, uma cara alto, de pele morena e cabelos longos, típico índio virou para minha direção e limpando um copo se aproximou de mim.
- E então amigo, o que vai querer? – Ele perguntou amigavelmente.
- Qualquer coisa, só preciso que seja forte. – Ele riu e colocou o copo em algum lugar atrás dele.
- Dia difícil, não? – Eu apenas assenti. – Tenho algo ideal para você.
Fiquei observando o trabalho dele. Vi quando pegou a coqueteleira e colocou alguns cubos de gelo, logo depois despejou uma bebida transparente, acho que vodka e depois outra, que sinceramente não imagino o que seja. Ele tampou a coqueteleira e mexeu vigorosamente. Despejou a mistura em uma taça e colocou na minha frente.
- Experimente. – Ele disse com firmeza, a poiando um dos cotovelos no balcão.
Eu dei de ombros e corajosamente dei um grande gole na bebida, senti o líquido queimando, rasgando tudo por dentro. Eu tossi um pouco, era forte demais.
– E então? — É forte pra caramba! – Eu dei mais um gole longo, tossi novamente.
– Prepara outro pra mim. – O cara riu muito e começou a preparar outra dose.
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