Confessions Of A Teenage
1 I kissed my friend
Notas iniciais
Boa leitura ♥
Justin jogava uma partida de basquete, sozinho, enquanto eu o observava, sentada no banco de madeira que havia embaixo da macieira de seu jardim. Ele fez uma cesta, pegou a bola caída no chão e virou-se para me olhar.
- Vem jogar. – Fez um gesto convidativo com a mão.
- Você sabe que eu não sei jogar basquete.
- Pelo menos tenta. Eu só não quero jogar sozinho. – Reclamou.
- Ah, não – fiz um gesto involuntário com a mão. – Nem rola.
- É claro que rola. É uma bola. – Revirou os olhos.
- Hehe, muito engraçado. – Cruzei minhas pernas, desconfortável.
A campainha tocou. Nós dois já sabíamos do que se tratava. Justin largou a bola e saiu correndo para abrir o portão, enquanto eu limitava-me a suspirar, lamentando.
- Mitch. – Cumprimentou-me Samantha dando um breve sorriso.
- Oi, Sam. – Retribuí o breve sorriso.
Justin e Sam passaram por mim de mãos dadas, adentrando na sala de estar. Sam continuou a andar, mas Justin parou, virando-se para mim.
- Não quer vir? – Perguntou.
- Não. Aproveite esse tempo com ela. – Descruzei as pernas, mudando de posição.
- Você é incrível. – Disse Justin, sorrindo de orelha a orelha e seguindo Samantha.
- É, realmente eu sou incrível... – Murmurei comigo mesmo.
Levei minhas mãos aos bolsos laterais de meu short rosa pink e levantei, caminhando. Abri o portão e fui para casa.
Eu tinha apenas 9 anos quando tudo começou.
Poderia ser mais um lindo dia de inverno em Stratford. Mas esse dia ficaria aprisionado em minhas lembranças até que meu coração parasse de bater.
Justin corria atrás de mim com uma bolinha de neve. E eu por ser muito desajeitada, caí. Justin não conseguiu parar a tempo e caiu em cima de mim.
Não sei dizer bem o que aconteceu. Talvez tenha sido o baque entre minha cabeça e uma pedra, mas Justin parecia diferente. Ele parecia mais bonito. Seus olhos pareciam estar mais vívidos. Percebi que ele me encarava e disfarcei. Virei o rosto. Senti uma dor se ampliando em minha cabeça, senti um cheiro de ferrugem e gemi. Ter que aturar o cheiro de sangue nunca foi o meu forte.
- O que aconteceu? – Justin indagou, ainda em cima de mim.
- Não sei. Acho que foi minha cabeça. – Retorci os lábios. Ele examinou minha cabeça.
- Levante-se. – Disse ele saindo levantando e me oferecendo sua mão. Levantei. – Deixe-me ver. – Virei de lado. Ele fuçou meus cabelos até encontrar a raiz para ver o machucado. Senti seu dedo gelado no corte.
- Ai! Jus, tá doendo. – Fiz beiçinho.
- Desculpe. Vamos falar com sua mãe. – Ele passou seu braço por sobre meu ombro e entramos em sua casa. Minha mãe e Pattie conversam absortas do mundo num sofá caramelo que ficava de frente para a lareira.
- Mãe! Mitch se machucou.
- Hã? Ah! Venha cá, Mitch. – Pattie me chamou e indicou seu colo. Sentei em seu colo. Minha mãe estava assustada.
- O que aconteceu, filha?
- Nós estávamos correndo, eu tropecei, caí e machuquei a cabeça. – Choraminguei.
- Oh, meu Deus! – Minha mãe levou a mão à boca pasma. – Precisamos ir ao médico já!
- Calma, Sylvia. Vamos ver se o corte é grave ou não. Se for nós vamos ao médico, caso contrário faremos um curativo aqui mesmo.
- Ok.
- Justin, vá ao banheiro e pegue a maleta de emergência. – Justin foi ao banheiro e um vazio preencheu meu coração ao sentir sua ausência.
- Ain. – Gemi por sentir falta de Justin, não pelo corte. O corte já nem doía tanto.
- Tá doendo muito querida? – Mamãe perguntou.
- Já tá passando. – Justin voltara com a maleta. Repreendi um sorriso.
- Abaixe a cabeça. – Pediu Pattie. Abaixei a cabeça. Ela pegou um pequeno pedaço de algodão e molhou com álcool. Mexeu em meus cabelos para encontrar o corte. – Vai arder um pouco. – Senti como se tivessem dando agulhadas no corte. Prendi um grito e fiz careta. Agora senti um líquido quente tocar o corte, mas esse não ardeu. Pattie colocou uma gaze e prendeu-a com esparadrapo. – Pronto. Só não sacuda muito a cabeça e evite cair.
- Tentarei. – Sorri.
- Por que não vamos jogar vídeo game? – Justin indagou.
- Sim. – Sorri com a ideia de jogar vídeo game e ficar ao seu lado.
- Emily, cuidado. – Mamãe advertiu.
- Tá. – Subi as escadas no encalce de Justin. Sentei em um dos pufes que havia em seu quarto enquanto ele ligava a TV. Justin veio para o meu lado me entregando o controle do vídeo game.
- Preparada para perder?
- Você quis dizer: preparado para perder, certo?
- Errado. – Sorriu meigo.
- Que vença o melhor. – Sorri olhando para ele. Ele retribuiu o sorriso. Até seu sorriso estava mais bonito, mais branco, mais puro. Isso não fazia sentido, porém provavelmente esse surto de beleza do Justin iria cicatrizar junto com o corte.
Já em casa, resolvi acessar o Twitter e logo vi o desnecessário.
A @SamOvercoat acabou de sair daqui. É incrível, mas a falta que ela faz é imensa
Um novo tweet
Não sei se suportarei 1 mês longe dela :(
Outro tweet
Eu AMO você @SamOvercoat ♥
Revirei os olhos, enjoada com tamanho exagero de Justin. Decidi fazer cena.
E se por acaso eu tivesse que ficar 1 mês longe de você, o que você faria @justinbieber?
Menos de um minuto e Justin já havia me respondido.
@ordinarygirl Eu morreria. Por que, afinal não podemos viver sem ar, concorda?
Fingi não entender.
Não entendi @justinbieber
@ordinarygirl Eu quero dizer que você é o meu ar! E é impossível viver sem respirar, é impossível viver sem você ♥. Entendeu?
Awn, é claro que eu entendi, anta *-* @justinbieber
@ordinarygirl Acho que você já pode vir pra cá. Só acho...
Vou esperar minha mãe terminar de tomar banho para ir com ela @justinbieber
@ordinarygirl Ok, to esperando
Almocei na casa de Justin e assim que terminamos nossa refeição fomos para os fundos de sua casa. Sentamos na beira da piscina e colocamos nossos pés na água, que apesar de estar sol continuava gelada. De início senti frio, mas depois me acostumei à temperatura da água. Olhei para Justin. Ele forçava a vista tentando focar o sol. Tão lindo, mas tão idiota...
- O que foi? – Perguntou Justin interrompendo meus pensamentos.
- Hã... nada. – Corei. Ele me pegara no flagra.
- Você estava me olhando engraçado.
- Nem percebi. – Dei de ombros.
Justin baixou o olhar, fitando a piscina.
- O que foi? – Perguntei preocupada com sua mudança de humor.
- Discuti com a Sam. – Confessou tristonho.
- Por quê?
- Ela não sabe quando volta.
- Como assim?! – Sobressaltei-me.
- Ela não sabe quantos dias ficará na Califórnia. Talvez fique as férias toda. Talvez não.
- E o que isso tem a ver com a briga?
- Tudo! Ela deveria ao menos saber quando volta. Poxa, me dá uma satisfação, sabe? Acho que mereço. – Gesticulou suas mãos, agitado.
- Justin, é férias. Mesmo que ela não volte semana que vem, quando as férias terminarem ela terá de voltar. Eu sei que é difícil você aceitar isso, mas pô cara, pega leve! Vocês só namoram. Ela também tem o direito de respirar, às vezes.
- Acontece que é insuportável. Você não percebe? Eu a amo. – Choramingou.
Eu também te amo, mas você tem namorada, e nem por isso eu brigo com você por dar mais atenção a ela do que a mim, que sou sua melhor amiga. Pensei. Dei um longo suspiro antes de respondê-lo.
- Eu só quis mostrar o meu ponto de vista. Se isso não ajudou, lamento. – Movimentei os ombros, fazendo bico.
- Está bem. Desculpe. É que eu... ah, enfim. Vamos esquecer isso.
- Como quiser. – Falei, desfazendo o bico.
- E você e o Dan? – Perguntou Justin, parecendo mais interessado do que deveria.
Dan era um menino da escola. Bonito até. Mas ele era o oposto de Justin. Dan era rebelde, quase toda semana era suspenso da escola, havia boatos de que ele se drogava. Dan era o erro em pessoa, e era isso que me chamava à atenção. A maioria das mulheres se atraem ao menos uma vez por um cafajeste. Dan era o cafajeste da minha vida. Mas não tínhamos absolutamente nada, exceto uma amizade conturbada e estranha. Ele investia em mim quando o assunto era azaração, porém eu sempre arrumava uma forma de me esquivar. Mas chega uma hora em que não podemos mais fugir de nossos problemas e precisamos encarara-los de frente. Era assim que eu me sentia em relação a Dan.
- Na mesma. – Respondi.
- Como sempre.
- Pois é
- Vamos sair? – Perguntou, animando-se.
- Pra onde? – Perguntei sem a mínima vontade de sair.
- Shopping.
- Eu nunca vi um garoto que goste tanto de shopping como você. – Ergui uma sobrancelha.
- Não tem nada pra fazer aqui. – Reclamou.
- Ok. Então vamos fazer nada no shopping. – Murmurei desanimada.
- Eu te amo! – Comemorou interesseiro e abraçou-me.
- Ah, é claro...
Não trocamos de roupa. Apenas pegamos o dinheiro necessário com nossas mães e fomos para o shopping.
Chegamos ao shopping e nos encontramos com Ryan e Chaz. Chaz logo veio soltando uma piada.
- Cara, fala sério! A Mitch parece mais sua namorada do que a Sam. – Falou.
- A Sam viajou, esqueceu? – Respondeu Justin parecendo impaciente.
- Não, mas mesmo assim. Ah, vamos esquecer isso.
- E aí, qual filme veremos? – Perguntou Ryan.
- Por mim tanto faz. – Respondi.
- Por mim também. – Concordou Justin.
- Já entendi.
Assistimos a um filme de suspense que não me chamou muita atenção. Após o filme demos uma volta pelo shopping e logo após cada um voltou para sua respectiva casa, exceto eu que fui junto de Justin para sua casa.
- Sabe do que eu acabei de lembrar? – Perguntou Justin enquanto entrávamos em sua casa.
- Não. – Respondi.
- De quando você me deu dicas do que uma garota gosta. – Justin fechou o portão.
- Ah. Hum... e porque lembrou disso?
- Sei lá.
Sentamos no banco que ficava abaixo da macieira.
- Me lembro de quando você disse que toda garota gosta quando um garoto põe uma mecha de seu cabelo atrás de sua orelha. – Disse Justin, colocando uma mecha de meus cabelos atrás de minha orelha. Acompanhei o movimento de sua mão com os olhos, ficando arrepiada. – Me lembro também quando você disse que a garota fica sem graça quando o garoto faz isso, mas ela gosta. – Justin olhou em meus olhos, me fazendo corar. – Você tá gostando? – Olhou-me com total interesse.
- Todas gostam. – Respondi me esquivando da pergunta.
- Eu perguntei se você gosta.
- Todas gostam. – Insisti na resposta.
- Espera aqui. – Pediu, levantando do banco e correndo para dentro de casa.
Juntei minhas sobrancelhas imaginando o que Justin poderia estar fazendo.
Poucos minutos depois ele voltou com um casaco cinza da GAP em mãos.
- Você também disse que as garotas gostam quando está frio e o menino dá o casaco dele para a garota, esquentando-a. – Justin colocou com cuidado seu casaco sobre meus ombros.
Baixei o olhar para o casaco, evitando olhar nos olhos dele.
- Ou que ele simplesmente não precisa dar seu casaco a ela. Basta abraçá-la. – Justin abraçou-me, instantaneamente me aquecendo mais que o casaco. Engoli em seco, confusa com essa situação.
- O frio tá passando? – Indagou.
- Que frio? – Perguntei com a voz abafada.
Justin afastou-se de mim, colocando suas mãos entre meu rosto e fitando-me profundamente.
- É estranho. – Confessou ele. – Muito estranho. – Franziu o cenho.
- O que é estranho? – Perguntei abobada. A essa altura nada mais fazia sentido pra mim.
- Essa vontade repentina que me deu de te beijar. – Balançou a cabeça negativamente como se quisesse espantar os devaneios.
Justin aproximou-se, deixando nossos narizes colados um no outro. Entreabri os lábios, ofegante. Ele tentou falar, mas eu o impedi colocando meu dedo indicador em seus lábios.
- Shh, não fala nada. Apenas me beija. – Pedi, surpresa comigo mesma por dizer aquilo.
Nossos lábios encontram-se. Passei meus braços por cima de seus ombros e entrelacei meus dedos entre os fios de seus cabelos dourados. Ele abraçou minha cintura e perdeu o equilíbrio. Caí deitada no banco e Justin caiu por cima de mim, porém não desgrudamos nossos lábios. O beijo continuava fervoroso e intenso. Sua mão desceu pela lateral de minha barriga e parou ao lado de meu bumbum, apertando-o. Ri e sem querer interrompi o beijo.
Justin saiu de cima de mim, sentando-se. Sentei também. Olhamos para a pequena quadra que havia a nossa frente. Ele se sentia tão desconfortável quanto eu, tenho certeza.
- E então, o que fazemos agora? – Perguntou baixo
O olhei pelo canto do olho. Ele ainda olhava a quadra.
- Fingimos que nada aconteceu e voltamos a ser os mesmos amigos de antes. – Respirei fundo e torci para que Justin me contrariasse na parte de “fingir que nada aconteceu”.
- Fingir que nada aconteceu? Difícil, não acha? – Virou para me olhar.
Suspirei e sorri de olhos fechados, satisfeita com o que ele falara. Abri os olhos e o olhei.
- O que foi? – Cerrou os olhos.
- Outra dica: quando uma garota disser tchau, sempre peça pra ela ficar.
- Hã? – Fez uma careta. Aquilo significava que ele não havia entendido.
- Um dia você vai entender o que eu quis dizer com isso. – Falei e olhei para minhas unhas.
- Vamos entrar?
- Sim.
Levantamos e entramos. Em cima do sofá tinha um bilhete.
Fomos no mesmo bar de sempre. Beijos, Sylvia e Pattie.
Mamãe escrevera o bilhete.
- Sozinhos em casa? – Disse Justin num tom um tanto quanto malicioso.
- Ao que parece, sim. – O olhei, provavelmente pensando no mesmo que ele.
- Vou pegar o PC. – Disse indo para seu quarto.
Caí no sofá como uma tábua. Então quer dizer que ele me beija, nós estamos sozinhos em sua casa e ele vai pegar o PC para mexer na Internet? Não, nós não estávamos pensando o mesmo. Argh, Justin.
Justin voltou e sentou-se ao meu lado. Ligou o notbook e o colocou em meu colo. O olhei, fazendo bico. Senti vontade de socá-lo por ser tão idiota. Coloquei o notbook em seu colo e levantei.
- Outra dica: Sempre, sempre surpreenda uma garota. E jamais, jamais a decepcione por idiotice. – Falei apontando com o dedo indicador seu rosto.
- Oi? – Olhou para meu dedo ficando vesgo.
- Vou dormir. Boa noite, Justin. – Respondi-o ríspida.
- Mas... por quê? Mitch, peraí. – Disse, mas eu não dei ouvidos a ele.
Entrei no quarto de hóspedes e tranquei a porta. Andei um pouco e me joguei na cama, abraçando um travesseiro.
Garotos, argh. Se já é ruim com eles, imagine sem eles? Mas por que são tão idiotas? Facilitaria mais a situação se eles vissem as coisas e as compreendesse. Mas não. Preferem se fingir de cegos.
- Mitch! – Gritou batendo na porta.
- Eu disse: boa noite, Justin. Vá dormir. – Gritei.
- Não antes de você falar comigo.
- Já estou falando. Agora já pode ir dormir. Boa noite e ponto final.
Justin P.O.V
Após o filme, Mitch foi ao banheiro. Chaz, Ryan e eu fizemos a mesma coisa. Estávamos saindo do banheiro quando Chaz passou seu braço por sobre meu ombro e me fez parar.
- Cara, deixa eu te mandar a real. – Falou, tirando seu braço de meu ombro e pondo-se a minha frente.
- É, se liga, cara. – Disse Ryan juntando-se a nós.
- O que foi? – Perguntei já ficando confuso.
- A Mitch, cara. Você não percebe que ela é gamadinha em você? – Disse Chaz.
- É, ela se amarra na sua. – Complementou Ryan, dando um leve soco em meu braço.
- Qual é a de vocês? Enlouqueceram? Qual foi? – Tudo o que eles falaram era loucura. Ou será que não? Eu estava confuso demais para chegar a uma conclusão.
- Qual foi, foi ontem. – Respondeu Chaz fazendo cara de tédio.
- Se liga, Justin. Ela gosta mesmo de você. – Disse Ryan.
- Cara, chega nela pra ver qual é. Se liga. – Incentivou-me Chaz.
- E a Sam? – Lembrei-me dela e logo fiquei cabisbaixo.
- A Sam tá viajando e você nem sabe o que ela tá fazendo lá.
Franzi os lábios, pensativo e inseguro.
- E então, vai chegar nela ou não? – Perguntou Ryan me pressionando.
- Eu não sei! Tenho medo de ela ficar chateada e não ser mais minha amiga.
- Qual é, Justin. Ela não vai deixar de ser sua amiga por causa disso. Dá ideia nela e vê o que vai acontecer.
- E se ela disser não?
- Vai ficar dito, ué. Um toco a mais um toco a menos que diferença faz? Faz parte da vida. – Chaz deu de ombros.
- Tá bom. Vou fazer isso. – Me rendi só por curiosidade.
- Aêêê, esse é o meu garoto. – Chaz gargalhou batendo em minhas costas.
Ryan apenas gargalhou e eu permaneci calado e ressentido. Talvez não desse certo.
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