17/06, verão.

Após o incidente na casa da fazenda, ao contrário das outras vezes, tia Ana se recusou a continuar naquela casa com pessoa "desprezíveis", confesso que acabei dando um pequeno riso de Juliette quando a ouvi dizendo à sua amiga que era uma tremenda pena Raphael precisar ir embora também, pois ela tinha certeza que naquela férias ia rolar, ela estava errada.

Havíamos voltado para nossa casa no estado de Massachusetts, em um bairro de classe média alta, com cercas brancas e velhas fofoqueiras.

Ao contrário das demais pessoas que eu conhecia, eu odiava Rose Garden — meu bairro — tudo era calmo demais, monótono demais, eu odiava a monotonia da minha vida. Gostava de estar em constante movimento, mas como eu disse, eu gostava. Eu não não saia mais à um longo tempo, eu nem mesmo tive mais amigos desde Derek, que acabou sendo preso ano passado por vender drogas. Eu não sabia nada sobre isso.

Minha vida se resumia a: acordar, comer, conversar um pouco com minha família, voltar ao meu quarto, escrever em meu velho computador, ouvir músicas, e então comer. Não era apenas isso, eu comia mais vezes, porém se resumia a essas simples coisas, não havia nada emocionante, e às vezes, eu me sentia completamente vazia por isso.

Me desculpe por lhe decepcionar, mas não tenho mais nada para lhe contar, essa é minha vida, e na maioria dos dias, ela é tão parada quando o asfalto que os carros andam. Eu sei, é uma péssima maneira de comparar as coisas, mas eu também não sou um gênio.

Até mais, Alyss.