Confessions
5 16 ou 61?
Notas iniciais
Então sabe no que eu estava pensando? Que sou muito diferente dos jovens da minha idade. Eu não digo diferente no físico: cabelo azul, piercings e tatoos, a diferença está na personalidade. Às vezes eu meio que fujo do tempo, é como se todos estivessem no século 21 e eu ainda estivesse saindo dos 19, isso é estranho. Claro que não é como se eu me sentisse assim sempre, às vezes sou “moderninha” até demais. Ta aí achei uma denominação inexata perfeita, minha personalidade esta dividida entre moderninha e careta – sim, eu sei que isso soa muito estranho, mas quem liga? Eu sou estranha mesmo.
Às vezes me pego pensando, idealizando romances com caras com os quais eu nunca troquei nem um parágrafo de falas, até mesmo com aqueles diálogos que se resumem a umas expressões cotidianas como:
– Ah! Obrigada.
– Bom dia!
–De nada.
– Desculpa!
Ou simplesmente um balançar de cabeças como cumprimento. E isso ainda fica pior, quando os caras passam para a categoria: caras com os quais eu só troquei um olhar. Idiota não è? Eu também acho.
E não fica só nisso, o que complica a história é que, eu também sou portadora de pensamentos tão brutos, práticos e realistas, que eu me assusto.
O engraçado mesmo dessa historia, é que todos me intitulam como “a menina sem emoções”, mal eles sabem que eu sou um turbilhão de emoções.
Sempre que eu ouço the only exception eu fico meio balançada, meio chorosa. Eu choro em filmes, eu gosto de romances água com açúcar (mas, nada tão doce por que não quero ficar diabética) de vez em quando. Entretanto, eu sempre, sempre, sempre vou preferir comédias românticas. Sabe aquelas com um roteiro ridiculamente fácil? Ele é o pegador do colégio, ela a nerd, e ai cabum! Eles se batem no corredor e a magia do amor acontece? Pois é, prefiro comédias românticas a romances de verdade, aqueles que têm drama, oceanos de lagrimas e toda uma historia de perdão.
Sou do tipo de pessoa que diz que ama filmes de terror, mas, na verdade, não consegue assistir nenhum, e se tiver bonecos então, nem pensar!
Sabe aquele tipo que não tem problema nenhum com a aparência, toda cheia de si, mas é um poço fundo e escuro de insegurança? Eu me encaixo ai. E não é uma insegurança física, uma simples e fútil preocupação estética, é algo interno, pessoal, emocional, é um medo de não ser boa o suficiente, de não saber fazer algo, ou o que eu acho mais ridículo, você saber fazer algo e ter medo de fazer.
Tenho vontade de ser chamada de minha morena, de ouvir de alguém que “tudo fica melhor ao meu lado”... Meloso né? Eu sei, eu sei, mas, qual é? Eu estou carente.
Quero conversar animadas e cheias de provocações e quero brigas por conta da minha personalidade instável. Quero sentir como é estar apaixonada, e como é finalmente estar em paz com tudo, quero sentir como é bom conseguir algo que você não esperava. Quero chorar de alegria e rir de tristeza, e finalmente quero ser surpreendida positivamente pela vida. São muitos desejos filosóficos para apenas 16 anos de vida? Acredite, tem muito mais.
Realmente sou um contraste ambulante, instável como a maré, às vezes sim, às vezes não, às vezes nenhum dos dois ou só um talvez. Mas quem não é? A vida é um contraste ambulante que anda por ai vendendo suas mercadorias piratas e ilegais, pregando seu custo barato, seu acesso fácil, sua felicidade imediata, pra depois você constatar que fez um péssimo negócio, por que a felicidade da aquisição não durou nem um mês, e já se desfez, com rachaduras, descolamentos, partiu em pedaços ou simplesmente deixou de funcionar.
Bem eu comecei dizendo que eu me sentia diferente, às vezes quinhentos passos á frente, às vezes mil passos atrás. Talvez eu precise me adequar ao tempo, ou talvez eu deva fazer o tempo se adequar a mim. Quem sabe essa minha diferença temporal pessoal, não me leve á lugares imagináveis? Não me faça enxergar o mundo dor outro ângulo? Talvez até, de cabeça pra baixo.
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