Confession Of A Friend

1 1 - O primeiro passo.


Talvez aquele fosse um dia como qualquer outro na casa dos rapazes do TVXQ. Talvez. Se não fosse o fato de que Xiah estava se aprontando para sair. Até parecia uma saída misteriosa, se não fosse o fato de que JaeJoong sabia exatamente para onde o amigo iria. Eram quase confidentes um do outro, apesar de que o mais velho vez ou outra tirava uma brincadeira qualquer com o outro. Era mesmo engraçada a relação dos dois.

Junsu caprichou no visual, vestindo-se com uma calça jeans mais arrumada, de cor escura, uma camisa leve, clara, com mangas longas, as quais foram dobradas até a altura dos cotovelos do cantor, um par de tênis brancos, com alguns detalhes aleatórios. Nada mais, além disso. Então, de frente ao espelho, ele escovou os dentes mais uma vez, mesmo que já o tivesse feito quando terminou de almoçar, arrumou bem os cabelos, como sempre, e tomou o tão costumeiro banho de perfume. Gostava de andar perfumado assim, para que as pessoas notassem sua presença pelo cheiro.

Já pronto, ele caminhou com calma pela casa, até que chegasse à sala, onde parou para avisar ao líder que iria se retirar por algumas. O procurou por alguns segundos, notando que o outro estava na cozinha, fazendo alguma coisa qualquer, na qual achou melhor não prestar atenção. Então caminhou até o balcão do outro cômodo, que dava para a sala, e começou o aviso.

— Líder, eu vou sair agora, viu? Vou visitar uma pessoa, e não sei que horas vou voltar. Só pra você não ficar preocupado. – Xiah afirmou com a cabeça ao dizer aquelas palavras, para que o que disse fosse reforçado e ele pudesse entender por completo.

— E quem você vai visitar, eu posso saber? – Curioso, como todo líder quando se tratava de seus ‘protegidos’, YunHo teve que perguntar. Zelava pela segurança de todos os integrantes do grupo, então, quando os mesmos saíam de casa, ele sempre perguntava para onde iriam e com quem, a fim de que, caso demorassem demais, pudesse procurar mais facilmente.

— Não, não pode. – Xiah retrucou sorridente, sabendo que deixaria o mais velho ainda mais curioso, e, enquanto dava um ‘tchauzinho’ com uma das mãos, a outra fora colocada no bolso da calça e ele prosseguiu com a fala, enquanto ia andando na direção da porta. – Tchau, líder! Até depois!

Ao que saiu da vista do outro, ele foi até a porta, sabendo que o mais alto estaria a observá-lo de onde estava, por cima do balcão, Xiah abriu a porta e saiu pelo corredor do prédio em que moravam. A pessoa que iria visitar também morava naquele mesmo lugar, apenas em um andar diferente, um pouco mais embaixo do que ele morava com o grupo. Assim, Junsu andou apenas um pouco, já chegando de frente a um dos elevadores, que o levaria ao destino que ele desejava. O vocalista apertou o botão da caixa metálica e aguardou que a mesma chegasse àquele andar, entrando lá assim que a viu abrir a porta. O outro andar fora escolhido rapidamente. Aquele número 9 sempre trouxe boas lembranças para ele, porque sempre o fazia lembrar de uma pessoa. Uma grande amiga, que conheceu há bastante tempo, visto que já estava trabalhando ali quando ela chegou.

No andar escolhido, o homem andou um pouco pelo corredor, passando por poucas portas, já que o prédio era grande o bastante para ter apartamentos enormes em um só andar. A porta que ele queria estava bem à frente, com uma placa colorida, feita por várias pessoas, onde estava escrito, em hangul, So Nyeo Shi Dae. Era o lugar onde queria chegar, afinal já havia alguém esperando por ele.

A campainha fora tocada apenas uma vez, para avisar de sua chegada, e em poucos segundos já havia alguém à porta, e o cantor conseguiu ouvir até o barulho das chaves sendo rodadas ansiosamente. Com certeza já tinham olhado pelo olho mágico, a fim de terem certeza de quem se tratava àquela hora. HyoHyeon, a Main Dancer do grupo feminino. Ela levava na face um sorriso divertido, como se estivesse fazendo alguma brincadeira qualquer com alguém. Ele já poderia até imaginar com quem seria, já que sempre passava pelas mesmas coisas em casa, com os outros rapazes do grupo.

— Annyeonhaseyo, oppa! – Seu sorriso tornou-se quase sugestivo, quando a garota virou o rosto para dentro de casa, buscando outra das meninas com o olhar, para chamar a ‘escolhida’. – FanyFany, Tiffany....! Seu príncipe encantado chegou! – Completou a brincadeira entre risos muito divertidos, olhando para o homem mais velho que estava na porta e piscando para ele.

Quando aquelas palavras foram ditas, o cantor conseguiu ouvir claramente os passos apressados que pareciam vir da direção dos quartos. Só havia entrado ali uma vez ou duas, no máximo, com JaeJoong, ainda na época em que o mesmo namorava Jessica, uma das integrantes daquele grupo feminino. Em pouquíssimos segundos a jovem já estava à sua frente, lançando um olhar de completa reprovação para a amiga que havia feito a brincadeira.

— Desculpa, oppa... Não liga pra Hyo, tá? Ela não sabe o que diz. Né, Hyo? – E mais um olhar fuzilante fora direcionado à garota, arrancando risos do mais velho, que observava toda a situação sem dizer uma palavra sequer. – Agora vamos, antes que ela se junte com a SooSoo e a coisa fique feia aqui. – Recomendou a americana, que foi logo saindo do apartamento e fechando a porta atrás de si, para que pudesse cumprimentar seu amigo com calma, mesmo sabendo que poderiam estar olhando por trás. – Aish... Oi, Junnie oppa! Nossa, desculpa a Hyo, viu? Ela gosta mesmo de fazer essas brincadeirinhas de mau gosto. – Desculpou-se mais uma vez e aproximou-se do outro, deixando um beijo muito leve em sua bochecha, o que já a deixou sem graça.

— Tudo bem, Fany... Não se preocupa, tá? Eu não ligo de ser chamado de príncipe encantado. Até porque eu pareço mesmo com um, não acha? – Ele brincou com o tão costumeiro sorriso no rosto, o qual sempre ficava estampado no rosto todas as vezes que encontrava com a cantora.

Tiffany apenas sorriu, e Xiah ofereceu-lhe o braço, para que ela o segurasse enquanto caminhavam até o elevador, a fim de que fossem ao estacionamento pegar o carro. Dentro da caixa metálica novamente, o homem observou a outra com atenção, discretamente, para que ela não notasse os olhares e não ficasse com vergonha, como sempre acontecia quando alguém a olhava assim.

— Tá muito bonita hoje, Fany. – Ele comentou mesmo sabendo das reações que a mulher teria. E, como previsto, ela ficou completamente vermelha, desviando o rosto para o lado oposto ao que o outro estava, buscando conter o tom rubro que surgira em sua face.

— A-aigoo, ‘ppa... O-obrigada, ne... – A resposta fora curta, e o silencio tomou conta do elevador, até que este chegasse ao andar que o mais velho havia escolhido, o estacionamento. Quando chegaram ao andar que queriam, ele deixou que a cantora saísse primeiro, num gesto de cavalheirismo, e a acompanhou em seguida, andando com ela ao lado até que chegassem à vaga onde o carro dele estava estacionado.

O alarme fora desligado, e ambos entraram no veículo, colocando o cinto de segurança. Todo cuidado era pouco naqueles tempos. Afinal, o trânsito tinha inúmeras armadilhas.

Ambos prontos e o mais velho ligou o automóvel tranquilamente, dirigindo pelo estacionamento com habilidade, por causa do costume que tinha de estar ali, todos os dias, quando ia trabalhar e saía sozinho ou levando algum outro integrante do grupo. Seguindo por um caminho rápido, já havia saído na avenida de frente ao prédio, que os levariam para o lugar que tinham combinado de ir. Talvez nem demorasse tanto assim, devido a hora, pois as ruas, naquele momento, pareciam bem tranquilas.

Xiah ligou o rádio em uma música qualquer de sua playlist, e deixou que a lista continuasse aleatoriamente. A conversa durante o percurso foi bastante divertida. Falaram desde o comeback do grupo de Tiffany até sobre doces, e a forma que as garotas faziam brincadeiras entre si, quando estavam sem visitas em casa. No apartamento onde o DBSK morava também não era diferente. Mesmo que os integrantes fossem bem diferentes uns dos outros, sempre tinham brincadeiras.

Talvez por conta da conversa divertida, ou não, eles chegaram logo. Um grande parque, muito bonito, com pessoas vendendo diversas coisas. Desde bijuterias até algodão doce, sorvete, e coisas parecidas. O carro fora estacionado em uma área destinada àquilo e o mais velho deixou o veículo com pressa, indo ao outro lado, a fim de abrir a porta para sua companhia. E, quando o fez, a ajudou a descer, fechando a porta e ligando o alarme novamente, para que o carro ficasse seguro.

Os dois começaram a caminhar pelo parque, e o fizeram como se fossem passar o resto da vida fazendo aquilo. A tarde fora bem divertida, de fato, pois fizeram de tudo um pouco. Tomaram sorvete, brincaram no parquinho, comeram cachorro quente, algodão doce, pipoca, e tudo que tinham direito. Pareciam até mesmo duas crianças de 10 anos cada, mesmo que ambos fossem completamente adultos.

Porém o tempo passou e a noite chegou. Uma noite agradável, realmente, um pouco fria, mas tranquila. Os amigos se encontravam sentados em um dos bancos daquele parque, não tão próximos, mas o bastante para que os corpos se tocassem levemente.

— Aish... Hoje tá um pouco frio, né, oppa? – Tiffany deixou escapar, inocente até, enquanto passava as mãos nos próprios braços, a fim de esquentar-se um pouco.

— É mesmo... Vem cá. – Carinhoso, Xiah se aproximou um pouco mais, colocando um dos braços sobre o ombro da cantora, num abraço lateral, no qual tentou ser o mais amável possível.

Sem mais palavras, devido a vergonha da mulher, eles ficaram ali, olhando um pouco para o céu, e ela, quase inconsciente, deitou a cabeça sobre o ombro de Junsu, cerrando os olhos até que estes ficassem apenas entreabertos. Não tinha como negar que aquele abraço era realmente muito bom, e ela achava gostoso estar tão próxima dele, mesmo que aquilo a deixasse completamente sem graça.

Parecendo um pouco ousado, ele usou a mão que estava livre para segurar a da moça, deixando seus dedos entrelaçados aos dela, enquanto o polegar ia fazendo um carinho muito leve e lento sobre a pele da outra. O mais velho não tinha a menor vergonha de fazer coisas assim, ao contrário de Tiffany, que sempre ficava sem jeito por qualquer coisa que ele fizesse.

— Vou cantar uma música especialmente pra você agora. – Dito aquilo, Junsu afastou-se um pouco da jovem, fazendo com que a mesma olhasse para si, e logo começou a cantar, baixinho, My Little Princess, uma música que cantava com os outros de seu grupo. O clima parecia completamente propício para aquilo, porém ele tinha certo receio de que fosse visto com maus olhos pela cantora, mesmo que seu objetivo estivesse muito evidente. Afinal, a letra daquela música dizia muita coisa. Por fim, ele terminou a canção tão calmo quanto havia começado, sorrindo muito leve, sem deixar de fita-la nem por um instante. — You're my love, yagsoghargge...

No findar da música, ela estava muito mais do que perplexa. Havia achado aquilo a coisa mais linda do mundo, mas talvez não tivesse entendido o que ele quis dizer com todas aquelas palavras envolvidas em uma melodia tão bonita. – Que lindo, oppa! Nossa... Eu já ouvi você cantar várias vezes, sozinho e com os meninos. Mas pra mim assim... Nunca vou esquecer, viu? – Mesmo que ficasse vermelha novamente, beijou uma das bochechas do outro, sorrindo feliz logo depois.

Não tinha sido interpretado da forma certa, mas não se deixou abater por isso. Logo Xiah anunciou que seria melhor que fossem para casa, afinal o tempo estava mesmo esfriando e ele não queria que ficassem doentes. Por isso, levantaram do banco e voltaram ao carro. A volta não foi tão animada quanto havia sido mais cedo, talvez pelo fato de que estavam cansados, ou não.

Dentro do prédio novamente, Junsu acompanhou a amiga até o andar em que ela morava. Quando a porta do elevador abriu no andar devido, ele, em vez de despedir-se dela, a segurou pelo pulso, com certo cuidado, e respirou fundo, antes de começar a falar.

— Tiffany... Sabe aquela música que eu cantei no parque? – Estava apreensivo, e isso era totalmente visível no tom da voz do cantor, em seus olhos, expressivos por causa do momento, e pelo fato de que estava sério.

Assustada por estar sendo segurada por ele, a jovem o olhou confusa, com os lábios entreabertos, puxando o ar com certa dificuldade, apesar de tentar esconder tais reações. – Sim, oppa... O que tem a música? – Perguntou-lhe completamente confusa, querendo saber o motivo de tanta seriedade.

— Se... Se eu falasse que não a escolhi aleatoriamente. O que me diria?

— Não escolheu aleatoriamente? O que quer dizer com isso?

—Bem.. Eu.. – O ar naquele momento parecia pesar muito mais do que se estivesse no alto de uma montanha. O peito enchia e secava com dificuldade, e, impulsivo, Junsu usou sua mão livre para segurar a cintura de Tiffany e encostá-la na parede do elevador. Quase instintivamente aproximou o corpo ao dela, levando os lábios aos da cantora em questão de milésimos de segundos, ao mesmo tempo que as pálpebras cobriram os olhos, talvez por medo de ver as reações que ela teria.

A mulher não teve tempo de reagir, quando viu já estava sendo beijada. Isso a fez arregalar os olhos assustada, ficar sem reação, perder o ar completamente. Por dentro lutava para retomar a consciência que fora tirada por aquele beijo. Parte da mente dela queria afastá-lo, queria brigar com ele, dizer que não deveria fazer coisas com aquela. Porém, uma parte absurdamente maior a obrigava a permanecer ali.

Numa ação quase inconsciente, as mãos do vocalista já estavam segurando a cintura da outra, e os braços dela já estavam a envolver o pescoço do mais velho, enquanto os dedos de uma de suas mãos se infiltravam por entre os macios fios de cabelo dele, acariciando seu couro cabeludo com cuidado.

O beijo fora retribuído, e o coração de Xiah praticamente pulava do peito de tanta felicidade. Tal contato fora se desenvolvendo lentamente, totalmente sem pressa, mostrando que ambos estavam aproveitando o máximo daquilo.

Porém, como tudo que é bom dura pouco, Tiffany, ouvindo passos no corredor, afastou o outro de si, o olhando completamente desconcertada.

— A-aish... Eu... A-até depois. – Ela disse sem saber nem ao menos o que estava falando e virou-se na direção do apartamento onde morava, correndo como uma criança que fugia de algo. Estava atordoada. Tanto que nem ao menos conseguiu abrir a porta de casa, tocando a campainha freneticamente.

Junsu apenas a observou desaparecer pela porta, quando a mesma fora fechada, e logo apertou o botão do andar de onde morava. Durante a pequena espera, ele encostou-se em uma das paredes do elevador, pensando sobre o que havia feito, sentindo-se completamente idiota por ter sido tão impulsivo.

Enquanto andava até a porta, que parecia mais distante que nunca, a mão tocava a parede, sendo arrastada por ali. De frente ao apartamento, abriu a porta lentamente, vendo que os outros estavam jogando vídeo game com o maknae, o que quase nunca acontecia. Ele se aproveitou da falta de atenção dos amigos e os cumprimentou muito rapidamente, indo até o próprio quarto. Nem ao menos notara o olhar preocupado de JaeJoong.

A porta fora trancada, e ele se jogou na cama, com as roupas que estava, sem nem se dar o trabalho de retirá-las.

— Droga, Kim Junsu... Como você é burro... Assustou a garota.. – Falava consigo mesmo, sobre o que havia acontecido no elevador, e o cenho franziu, chegando a ficar irritado por causa das próprias ações. – Devia ter esperado mais.. Mas foi tão bom.. – Suspirou um pouco pesado, fechando os olhos e repetindo na mente aquela cena, até que acabou por dormir. Um sono profundo...

Notas finais
Então, é isso. Meio confuso de início, mas logo eu devo arrumar essa parada toda e deixar as coisas mais 'entendíveis' ^-^