Notas iniciais
Disclaimer: Infelizmente TWILIGHT não me pertence, mas essa fanfic sim. Por favor, respeitem!

Capítulo vinte e cinco – Lealdade

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"Sangue faz parente. Mas só lealdade faz família."

— Anônimo -

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Esme Cullen sempre foi uma mulher decidida. Mesmo quando Carlisle era vice-presidente, a mulher sempre fora aquele suporte por trás do marido. Sempre muito meticulosa, muito focada. Sempre que algo envolvia seus filhos, a mulher era uma verdadeira leoa, os defendia com unhas e dentes. Quando viu a vida pública e privada do seu filho Edward ser exposta a todo mundo, recebendo críticas, julgamentos precipitados, a mulher ficou lívida. E por mais que o filho nunca saiba o esforço que ela fizera para conseguir retirar as suas acusações, ela foi fundamental nas conversas que o marido, Carlisle, teve com diversos membros do partido democrático ou políticos e lobistas influentes.

E, por mais que ela odiasse o acordo que levou o filho longe de DC por longos seis anos, ela sabia que essa era a única solução para conseguir limpar a imagem do ex-senador. Contudo, por mais que esses escândalos – na medida do possível, foram contidos, Esme ainda estava preocupada com outro fator: as ameaças veladas que Aro Volturi fizera há um ano atrás – quando o procurou – a Edward.

Toda aquela maldita conversa ficou em sua mente durante todo esse tempo, e desde que Edward estava afastado da mídia, refugiado nos confins do estado de Illinois, a mulher passou a se dedicar em armar um contra-ataque a Aro Volturi. Ela havia contratado uma equipe de investigadores privados para saber tudo o que podia contra o mafioso. Puxando alguns contatos da faculdade e dos tempos de High School, contou com a participação de alguns policiais e membros do judiciário de Illinois para descobrir em que pé estava as acusações contra Aro na justiça e como a polícia tratava ele.

Em seis meses de informações, Esme descobriu que Aro tinha um esquema criminoso que avançava para fora dos Estados Unidos, mas que seus associados, principalmente os dos Estados do Sul – Arizona, Novo México e Colorado – estavam irritados com o homem e estavam fazendo de tudo para destruí-lo. Tirando isso, criminosos do Canadá, do México e da Colômbia também não estavam gostando da forma com que Aro vinha lidando com os negócios – principalmente o seu envolvimento com questões políticas – aka: Edward Cullen.

O assassinato de seu filho, Jacob Black, pelas mãos do político aconteceu por um erro do mafioso em procurar uma vingança à família Cullen por questões românticas do passado. Afinal, para muitos procurar qualquer tipo de envolvimento com um político, que não seja apoio, era uma sentença de morte.

Outro fator que Esme ficou surpresa em descobrir, é que o fato de Isabella ser filha de Aro não era um segredo tão grande assim, pois muito de seus rivais já tinham conhecimento desta informação, e o fato dela estar ao lado de Edward, mostrava que Aro já não conseguia controlar a sua família, quanto mais controlar uma organização criminosa. Somando estas questões familiares, Aro estava cometendo erros grosseiros em seus negócios, fazendo acordos com pessoas que o traíram ou então comercializando drogas e armas que foram roubadas de outros criminosos.

Aro Volturi sempre teve um alvo em suas costas, mas agora o alvo era muito maior. Todos queriam a sua morte. Mas causar isso não era tão fácil. O homem andava sempre muito bem protegido – seja com carros blindados, lugares que mais pareciam fortes de guerra, coletes à prova de bala e uma equipe de milicianos vindos dos melhores exércitos do mundo. Era impossível adentrar o seu círculo pessoal, conversar ou fazer qualquer coisa à ele. O criminoso estava completamente blindado.

Ela considerou ser a única pessoa a romper a barreira e se infiltrar no círculo de Aro, mas todas as pessoas com quem falou disseram-lhe que era uma atitude estúpida, era praticamente assinar o seu atestado de óbito, pois por mais que o mafioso nutria um amor doentio por ela, saberia que a sua ida ali seria o seu fim.

Afinal ela era leal aos Cullen. Leal a Carlisle. Leal a Edward.

Fora numa conversa com Caius Winter – mentor e atual rival de Aro; e Gonzalez – o chefão da organização de Aro no México -, que ambos disseram que a mulher deveria usar Isabella para infiltrar no covil de Aro. Afinal a morena era filha dele, e por mais que não falasse, era evidente que sempre tivera um carinho especial por ela.

Inclusive, Gonzalez disse que se Isabella não fosse casada com Edward, ele já teria usada da jornalista para conseguir monopólio nas operações criminosas de Aro. Mas, segundo ele, fazer qualquer coisa contra a esposa de um homem público, membro de uma das famílias mais importantes dos Estados Unidos, era um verdadeiro tiro no pé.

Por isso que Esme passou a considerar utilizar Isabella para conseguir se vingar e neutralizar Aro.

Foram semanas de consideração sobre esse assunto. Esme, por mais que não soubesse verdadeiramente os problemas conjugais que seu filho e nora enfrentavam, encarava Isabella com certo receio. O fato de ser filha de Aro era algo que pesava contra a morena, e o fato de em seis meses ela não ter ido visitar seu filho nos Grandes Lagos era algo que a perturbava. Mas ali estava a sua única opção: Isabella era a única que conseguiria se infiltrar na vida de Aro e não trazer qualquer suspeita – mesmo ela estando afastada do próprio pai há pouco mais de um ano.

Por isso que depois de muito pensar, Esme decidiu que deveria fazer isso. Usar Isabella para destruir Aro. A morena não sofreria nenhum dano grave – pelo menos ela esperava, contudo, para garantir a segurança e o futuro político e público de Edward ela deveria fazer isso.

Isabella devia isso a família Cullen, afinal fora ela quem trouxera Aro para conspirar contra Edward. Ela podia não ter conhecimento que o mafioso era o seu pai, mas definitivamente ela era extremamente próxima do homem e, se deliberadamente ela se aproximou de Edward o responsável para isso foi o seu pai. Sangue do seu sangue.

Esme encarou o prédio onde a nora estava vivendo. Ela não compreendia o porque a morena estava morando ali, longe da própria filha e do casa confortável que tinha com Edward no quadrante noroeste, mas cada pessoa fazia o que achava melhor. Respirando profundamente a mulher desceu o carro que utilizará para ir até ali, pedindo para o motorista aguardá-la, que voltaria em no máximo uma hora. Alisando a saia de seu vestido de verão, a mulher caminhou decidida pelo saguão do edifício. Seus saltos ecoavam contra o mármore, com uma simples frase disse que Isabella estava a esperando, afirmando ao porteiro que não era necessário informar a sua presença.

No elevador a mulher tentou controlar sua respiração, ela sabia que a sua nora era uma peça fundamental para o seu xeque-mate contra Aro, e esperava, sinceramente, que a mulher concordasse com seu plano. Esme tentou controlar o seu nervosismo, e quando a morena abriu a porta – surpresa pela sogra estar ali, a progenitora de Edward e Alice encarou a mulher.

Esme notou que Isabella parecia cansada. Sob seus olhos tinham olheiras arroxeadas, seu cabelo – por mais que estivesse preso – parecia uma bagunça. Suas roupas fugiam do esmero que ela vestia – shorts e camiseta. A mulher em sua totalidade parecia completamente diferente da pessoa arrogante, confiante e decidida que fora outrora. A mulher mais velha sentiu-se imediatamente solidária a outra, mas antes de expor sua preocupação, seus pensamentos foi varrido com o convite de entrada da nora.

A mulher mais velha notou que Isabella parecia confusa com sua presença quando pediu para que ela entrasse, por isso que assim que ouviu o baque surdo da porta se fechando, Esme não esperou ou fez meia conversa com a outra, foi logo dizendo qual era o motivo da sua visita:

— Eu preciso de você Isabella. Chegou o momento de você mostrar a sua lealdade aos Cullen.

Isabella franziu o cenho e encarou a sogra em um misto de confusão e atordoamento.

— Huumm... com o quê? – pediu expressando sua confusão.

Com um olhar intenso, Esme respondeu:

Aro.

Ouvir aquelas três letras foi o suficiente para Isabella sentir seu coração apertando e suas mãos tremerem. A verdade da sua origem ainda era algo que a morena não conseguia enfrentar. Aro tentou entrar em contato com ela, mas ela se recusou a falar com o homem, o mesmo se deu com a sua mãe, ela também não gostaria de falar com a mulher que traíra a pessoa mais honesta que conheceu: Charlie.

Toda aquela verdade era ainda sufocante. Atordoante. E com as pernas fracas diante da franqueza de sua sogra, Isabella desmoronou no sofá.

— Aro? – repetiu reflexivamente, balançando sua cabeça.

Esme percebeu a reticência implicada em sua voz, e por isso que imediatamente ela ativou seu lado leoa, afinal, ela precisava da morena para afastar para sempre Aro Volturi da sua família. Sentando-se ao lado da nora, Esme pegou com suas mãos a mãos da outra mulher e, com um olhar cheio de carinho, esperança e algo mais que era imperceptível a mulher de cabelos cor de neve disse:

— Isa, eu sei que esse é um assunto delicado para você, Edward me contou que você soube recentemente que Aro é... – engoliu em seco. – seu pai. É terrível, eu só consigo imaginar o quanto, mas se não fosse realmente necessário eu nunca pediria isso para você. Sei que não é justo e, sequer imaginável o que quero de você, mas você é um ponto primordial. Só você pode garantir a segurança de Edward! – exclamou com fervor.

Isabella encarou a mulher com as sobrancelhas arqueadas. Esme puxou uma respiração profunda.

— Tenho pleno conhecimento que você entrou na vida de Edward a pedido de Aro – a morena encarou a sogra assustada. -, Isabella, não a culpo. Imagino que como jornalista política encontrar algo sobre um homem influente como Edward era extremamente tentador para um upgrade na carreira, não te julgo por isso. Na realidade mostra o quanto você é a mulher ideal para o meu filho. – falou com um sorriso sincero.

"Porém, por mais nobre que fosse a intenção de Aro em te ajudar, ele não fez isso tudo simplesmente por fazer, na realidade ele fez o que fez, de certa forma de caso pensado". – Isabella encarou os olhos verdes da sogra tão iguais ao do marido. Imediatamente ela sentiu uma falta do homem que somente com a sua presença a consumia, a deixava tonta. Claro, era nauseante que a sogra soubesse aquilo tudo, mas estranhamente Esme não estava julgando-a.

Será que ela sabia que fora ela quem decidiu investir numa caçada contra Edward? Ou será que ela estava tão cega pelo desejo de poder que ignorou que Aro foi muita influência na sua vida e na sua escolha? Que ela decidiu atacar Edward como um presente a Aro, por seu comprometimento à ela por todos os anos que cuidou e zelou dela?

Imediatamente ela começou a refletir sobre a sua vida.

Sempre Aro falou dos Cullen, e nunca foi falas elogiosas. O criminoso sempre falava que eles eram enganadores, criminosos pior do que ele. Isabella sempre ignorou isso, ela achava que o padrinho, pelo menos ela pensava naquela época, falava sobre isso pelo fato dos Cullen ter muita influência política e policial em Chicago. Todavia, em retrospecto ela percebeu que sempre o mafioso tinha uma palavra nada agradável à Anthony Cullen, Carlisle Cullen e Edward Cullen, mas ela sempre ignorava, afinal tudo que era relacionado aos negócios do padrinho ela sempre ignorava.

Mas se ela se esforçasse bem, ela poderia ver que ela ignorava, mas Jacob não. Jacob sempre soube que Aro era seu pai, e sempre quis provar o homem que merecia ser o único a dar continuidade ao seu legado. Aro sempre ignorou os esforços do filho, o mafioso, sinceramente, achava o filho patético – um homem sem honra. Porém depois que Jake voltou da guerra, ele retornou um homem muito mais frio, muito mais vingativo e principalmente muito mais perigoso. Parecido com o próprio pai, algo que Aro, esperto, percebeu, e por isso começou a usar sua influência em manipular o filho.

Logo Jake odiava Edward Cullen, muito mais do que era necessário. O casamento de Isabella com o político – por mais que tivesse sido algo que fazia parte do plano, fora algo terrível ao moreno. Foi como um golpe. Parecia que o moreno sabia que seus dias ao lado da mulher que amava estavam contados. Que assim como Carlisle roubara Esme de Aro anos atrás, Edward estava roubando Isabella dele. Por isso que o afastamento deles naquele período foi tão esquisito. Ele sempre estivera ali para ele, sempre disposto a ajudá-la, mas será que Aro não estava influenciando o filho, dizendo que o que aconteceu com ele anos atrás estava acontecendo agora com Jacob?

Isabella percebeu em sua própria reflexão que Jacob se afastara dela naquele período (um pouco antes e depois do casamento), mas a morena por muitas vezes achou que era ela que o havia afastado, mas se pensar sinceramente era ele que estava afastando. Mesmo quando retomaram o seu caso, meses depois do nascimento de Elizabeth, seus encontros antes da morte do homem eram frios, meticulosamente calculados, cronometrados. Uma aura ruim envolvia tudo aquilo. Não havia a paixão e o desejo de outrora. A luxúria e a volúpia que eles tinham quando estavam desfrutando do prazer não existia mais, parecia que era uma obrigação, algo fadado ao fim. Jacob não parecia estar com ela, ele parecia ter outras coisas em mente, tanto é que as suas perguntas sobre Edward eram ao mesmo tempo estranhas, e muito intimas.

Então quando Jacob morreu, ela optou por ignorar tudo que envolvia o outro lado da sua vida. O lado negro da sua vida. O lado que tinha um relacionamento com Aro. O lado que um dia sentira amor por Jacob. O lado criminoso de sua família.

Sendo sincera, por dez meses ela ignorou tudo o que era relacionado a Jacob e principalmente ao que levou a sua vida ao fim. Aquele assassinato frio que Edward cometera – segundo ele, para preservar a sua honra, ainda era um dia que a morena tentava esquecer, por mais difícil que fosse, ela estava conseguindo. Mas diante das palavras da sogra ela começou encarar tudo aquilo com uma perspectiva diferente. Uma perspectiva muito mais crua e real dos eventos que levaram ela a cruzar o caminho de Edward.

Esme parecia ler os pensamentos da nora. Por isso enquanto suas palavras rondavam a cabeça da morena, a esposa de Carlisle deixou um silêncio em suspenso. Quando este tornou-se muito longo a mulher optou por continuar o seu discurso.

— Eu não sei se você sabe, mas a fotografia que Aro tem em sua sala, de uma mulher em sua juventude é minha. – disse. Isabella que estava com seus olhos baixos encarou o rosto da mulher e imediatamente a imagem da tal foto veio em sua mente. Ela nunca dera muita importância aquilo, mas observando atentamente Esme, ela finalmente via as semelhanças entre as duas.

Esme sorriu enviesado.

— Por quê? – perguntou a jornalista confusa.

Esme deu um suspiro pesado e decidiu que se ela quisesse realmente a ajuda de Isabella ela deveria ser sincera com a esposa de seu filho. Colocando toda emoção e veracidade em sua fala, a mãe de Edward contou sobre sua juventude e como conheceu Aro e tudo que aconteceu depois – seu casamento com Carlisle e a ameaça que Aro fez meses atrás.

Isabella estava atordoada. O conto de Esme era ao mesmo tempo surpreendente é aterrorizante. Fazia sentido, evidentemente, mas também não fazia.

— Sei que é atordoante tudo isso. Eu mesma às vezes não consigo entender completamente tudo o que aconteceu. Mas Isa, você tem que saber que Aro não vai deixar minha, não, nossa família em paz. Ele tá usando Edward como bode expiatório, principalmente, para se vingar de Carlisle e de certa forma de mim.

"Não sei exatamente o que está acontecendo entre você e meu filho, mas posso dizer que não é algo muito bom, afinal, você não foi nenhuma vez vê-lo nestes últimos seis meses". – disse a mulher com a voz ligeiramente acusatória. – "Claro, não é meu lugar julgar ou fazer suposições sobre o relacionamento de vocês, ambos são adultos e fazem o que quiserem. Mas eu sei que você sente algo por Edward."

Isabella sorriu timidamente, sentindo suas bochechas ficando quentes. Esme sorriu compassiva.

— É por causa desse sentimento, e pelo fato de Edward ser pai da sua filha que eu venho te pedir isso. – a mulher molhou seus lábios. – Andei conversando com algumas pessoas, e fiquei sabendo que Aro está armando algo contra Edward, pior do que tudo que aconteceu. Contudo, essa caçada de Aro contra Edward está atraindo a atenção de muita gente perigosa, pessoas da organização dele que não estão nenhum pouco satisfeitas em saber que Aro está conspirando contra um homem de uma família como a Cullen. – a mulher sorriu orgulhosa.

"Muitos nos veem como os Kennedys da atualidade." – deu de ombros. – "Você faz parte dessa família, você também é uma Cullen, e por isso eu peço para que você, muito corajosamente, se infiltre no meio pessoal de Aro e descubra o máximo que puder para que conseguirmos para colocá-lo atrás das grades". – pontuou com firmeza. Isabella arregalou seus olhos com a proposta da sogra.

— Esme – ela suspirou. -, quando soube do parentesco com Aro, quer dizer um pouco antes de descobrir, eu cortei toda e qualquer relação com ele. Tenho certeza que eu sou uma persona non grata no círculo pessoal dele. – explicou.

Esme sorriu apologética.

— É aí que vc se engana. – disse com um sorriso. – Segundo informações que obtive, Aro está desesperado para se reconectar a você. Ele a vê como uma arma secreta no golpe contra nossa família. Por isso, que o que estou te pedindo é algo muito, mais muito complexo, pois sei que Aro vai tentar por tudo puxá-la para o seu mundo, mas você precisa mostrar a sua lealdade a nossa família.

"Sei que estou pedido para você ir contra o seu pai" – Isabella fez uma careta ao ouvir aquelas palavras. Esme sorriu vitoriosa. – "Você precisa fazer isso para o seu marido. Para sua filha, Isabella. Elizabeth vai herdar todo esse legado, nós precisamos manter esse legado, ou você quer ver sua filha sem o pai, assim como foi para você quando Charlie faleceu?"

Ao ouvir o nome de Charlie, Isabella trincou os dentes e seus olhos se encheram de lágrimas. Aro fora o responsável pela morte do homem mais justo, mais amoroso, e mais querido que ela conhecera. Por mais que não tivesse o sangue de Charlie em suas veias, ele era o único pai que ela realmente conheceu, que ela realmente amou, que até hoje ela honrou. Instantaneamente as palavras de Esme, caíram como um chumbo em suas costas. Ela precisava honrar a vida de Charlie. Ela precisava fazer o que Esme propôs não somente por causa de Elizabeth, Edward, os Cullen, ou até mesmo Charlie. Ela precisava fazer isso por ela mesma. Ela deveria ser a única a acabar com tudo aquilo.

Foi a vez de Isabella molhar os lábios.

— Se eu concordar com esse... hum... plano, o que tenho que fazer? – perguntou, prendendo seus lábios com os dentes.

Esme fechou os olhos e sorriu internamente vitoriosa.

— Reconquistá-lo. Mostrar que você é de confiança. Saber tudo o que puder sobre seus negócios. E principalmente ajudá-lo – Isabella franziu o cenho -, ajudá-lo a se enrolar. – sorriu a mulher. – Deixá-lo vulnerável à justiça e a polícia, para que assim ele possa ser preso. E daí, bem... o destino decidirá o que será de Aro Volturi depois. – contemplou enigmática.

Isabella ponderou. Não era um trabalho difícil, ela teria que ser uma boa atriz na frente de Aro, mas se ela aprendeu algo muito bem na vida, fora interpretar. Aro podia conhecê-la, mas aquele era um jogo que ela precisava fazer. Se desse algo errado, bem... sua vida seria finalizada, mas era o risco.

Ela acenou a Esme.

— Ok. – concordou. Esme sorriu vitoriosa.

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Nas próximas semanas Isabella e Esme se encontraram diversas vezes, e a mulher mais velha passou uma lista de informações sobre os negócios de Aro e o que ela deveria procurar. Os agentes do FBI, que Esme também estava em contato conversou com a morena, informalmente, a alertando para quais provas deveria se ater. Assim, três semanas depois Isabella estava na frente do prédio de Aro para executar o plano.

Claro sua presença ali foi de início vista como ameaçadora, o próprio Aro não estava tão receptivo a morena, mas quando ela disse que precisava conversar, principalmente sobre Jacob e uma forma de vingar a sua morte (conselho de Esme, usar esse recurso), o criminoso enfim decidiu receber a filha.

Isabella sabia que ela tinha que usar todas as armas para dobrar Aro, e por isso que a primeira coisa que ela usou foi:

Pai... desculpe. – disse se jogando nos braços do homem que ela conhecia tão bem. Aro que por alguns segundos hesitou diante do primeiro abraço de Isabela reconhecidamente como sua filha, mas depois que algum tempo retribuiu o abraço carinhoso.

— Oh minha filha. – suspirou o criminoso. – Como é bom revê-la. – disse com um sorriso em sua voz.

Naqueles primeiros quinze dias Isabella tentou ser a filha perfeita a Aro. Sempre prestativa, carinhosa e devota ao pai. Aos poucos o homem fora confiando pouco a pouco na morena, e em dois meses Isabella já estava integrada aos negócios do mafioso, e por isso ele começou a confiar nela. Isabella espertamente começou a reunir provas contra o homem. Bem como ela descobriu coisas sobre Jacob que a deixava inquieta.

Aparentemente Jacob estava ciente do risco que corria, e juntamente com Aro armou para que Edward soubesse sobre o caso dos dois. A morte de Jacob foi um dano colateral ao plano do criminoso contra os Cullen.

Outra coisa que Isabella descobriu e que a perturbou: foi que Jacob havia a enganado.

Ele sem ela saber e a mando do pai, havia instalado um programa espião em seu computador. Como Aro estava desconfiado de Isabella, e diante de seu silêncio a morte de Jacob, havia concedido a James Collins ao acesso do programa espião no computador dela.

A morena se enfureceu. Ela sentia-se atordoada, traída.

Ela queria matar Aro, Jacob, James – mesmo que os dois últimos estivessem mortos, ela queria matá-los novamente. A raiva que sentia por Aro extrapolou. Ela quase pôs tudo a perder naquele momento, mas o olhar de Aro indicou à ela que aquilo era um teste, e necessitando, mais do que tudo vingar todo o estrago que Aro fizera a sua vida, ela recuou.

Sorriu amavelmente ao pai. Agradecendo que ele fez algo que ela hesitou, que não teve coragem. De acabar com Edward Cullen, que ainda só estava casada com aquele "maldito homem" para manter as aparências. Pelo menos foi isso que ela disse para que o criminoso acreditasse na sua devoção à ele.

Porém ela estava determinada. Focada. Ela iria destruir aquele homem.

Quatro meses depois Isabella enfim conseguiu reunir tudo o que precisava contra Aro. E com uma desculpa que precisava ir a Washington ver Elizabeth, a morena levou cerca de mil páginas que havia conseguindo de acusações contra Aro. E assim, duas semanas depois o grande, o perigoso e terrível criminoso Aro Volturi estava preso.

Aro não era tolo, e sabia que Isabella fora a responsável por sua prisão e ele estava com ódio. Jurando vingança a traição da filho. Do sangue do seu sangue. Porém o ódio de Aro não durou muito, pelo menos não em vida. Assim que foi transferido para o presídio federal no meio do centro oeste, Aro foi morto a mando de outro grupo criminoso.

Isabella sentia-se aliviada. Finalmente ela sentia-se vingada por Charlie. Vingada por Edward. Vingada por si mesma. O sentimento de alívio também dominava Esme e Carlisle. Edward, não tinha conhecimento de como Aro Volturi caiu, mas de certa forma ele sentia que a morte do criminoso era um grande alívio. Um ponto de luz em toda a escuridão.

Renée, por sua vez, sentia um misto de emoções, ao mesmo tempo que estava aliviada pela morte de Aro, sentia-se culpada. Ela podia odia-lo por tudo o que fizera contra ela, Charlie, mas ainda assim ele era um ser humano. Desprezível? Com toda certeza, mas ainda um ser humano, não podia ter a vida terminada daquele jeito, sem um pouco de piedade, sem um pouco de amor. Sem poder ter se arrependido. Tanto é que Renée, tentou falar com Isabella, ela queria que a filha sentisse pesarosa, desse descanso a alma de Aro, mas a morena sequer quis conversar com a mãe, afirmando que da mesma forma que seu pai estava morto há anos, sua mãe também estava. A mãe da jornalista sentiu-se entristecida, mas sabia que não podia se intrometer na vida dela. Ela teria que conviver com seus erros e a da mesma forma conviver com a distância da filha.

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A morte de Aro acabou sendo de certa forma favorável a Isabela. Ela que acabou estando no centro do esquema que desmantelou a organização criminosa comandado por Aro, e por isso começou a receber atenção. Por ser uma jornalista formada, muitos meios de comunicação pediam para ela escrever dossiês e reportagens de como ela conseguira destruir uma organização tal como a de Aro Volturi em tão pouco tempo.

Toda essa atenção, e a guinada de sua carreira fez a morena perceber que ela gostava de ser jornalista. Mas por mais que desmantelar organizações criminosas fosse recompensador ela gostava mesmo de falar sobre os bastidores da política. Reconhecendo que tanto Swan, quanto Cullen faria ligações com Aro e Edward, respectivamente, bem como atrairia uma atenção indesejada a sua carreira; Isabella optou por usar um pseudônimo: Lillian Johnson.

Assim, munida de toda a sua capacidade e das ligações que fizera quando estava trabalhando com Edward, ela começou a escrever em um blog sobre as situações políticas do país. Em pouco tempo o sucesso do blog era gigantesco. Pois desde a morte de James Collins não havia jornalistas dispostos a desmitificar os bastidores do poder, e, justamente por isso começou a receber convites para escrever a revistas, jornais de todo país e até mesmo a ir em telejornais – último, que ela recusou, pois não queria se expor.

Ela era um sucesso. Nenhum político odiava ela. Mesmo quando ela se posicionava contrário a algum homem influente, ela era sempre muito dinâmica em ressaltar pontos positivos. Isabella havia tido como mestre com a melhor professor que poderia se ter quando envolvia esquemas políticos: Edward Cullen.

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DOIS ANOS E MEIO DEPOIS...

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Edward que estava no escritório da casa lendo o blog sobre política da impressionante jornalista Lillian Johnson, quando seu pai Carlisle e seu cunhado Jasper surpreendê-lo com uma visita.

O ex-senador franziu o cenho em surpresa.

Durante seus quase três anos ali, Carlisle e Jasper em diversas situações vieram visita-lo, mas essas eram sempre visitas casuais, familiares. A cara dos dois homens indicava que aquela era uma visita diferente, parecia oficial.

— Carlisle, Jasper... o quê? – começou Edward confuso.

— Edward, precisamos conversar. Não será a melhor conversa do mundo. – disse Carlisle cautelosamente, sentando-se na cadeira em frente ao filho. O ruivo encarou o pai com confusão.

— É complicado Edward. – pontuou Jasper sentando-se ao lado do sogro.

— Vocês estão me assustando. Aconteceu alguma coisa? Mãe? Alice? Jane? Alec? Elizabeth? – enumerou preocupado.

— Não! – exclamou Carlisle. – Nada nesse sentido, é sobre outro assunto.

Edward encarou os dois homens confuso e estes trocaram um olhar cheio de significado. Depois de um minuto inteiro Carlisle finalmente quebrou o silêncio.

— Nós estamos com um problema. O partido está perdendo força no Senado. O nome Cullen é uma lembrança, lembrado sempre que algo engraçado ou absurdo acontece. – disse com pesar.

— Sem contar que os democratas tão perdendo fôlego no congresso. Precisamos de alguém forte. Alguém com o nome Cullen. – ponderou Jasper.

Edward riu sem humor.

— Eu não posso! – exclamou confuso. – Vocês sabem muito bem que não posso pisar no Capitólio por mais três anos!

Jasper e Carlisle trocaram um novo olhar.

— Sabemos disso Edward, infelizmente, sabemos disso, e é isso que precisamos conversar. – pontuou o loiro mais velho. – Porém, precisamos de alguém que tenha o nosso nome para dar segurança não só ao partido, mas principalmente para lembrar a todos quem é você!

— Ok. – disse lentamente o ruivo, franzindo suas sobrancelhas em consideração aquelas palavras.

— E por mais que gostaríamos de colocar Jane ou Alec ali, não é possível... por causa... – ponderou hesitante Jasper.

— Por causa da idade. – completou Edward. – Estou ciente disso, ainda precisam de pelo menos seis anos para concorrerem a um cargo no congresso.

— Sem contar que Alec sofreu para conseguir a reeleição ano passado. – lembrou Carlisle com pesar. – Tivemos que literalmente mover céus e terras para conseguir reverter o resultado na última semana. Se não tivéssemos conseguido, toda essa conversa seria ainda pior. – suspirou.

— Nem me lembre disso. Ainda tenho pesadelos! – exclamou Edward. – Quase coloquei meu acordo de não pisar no Capitólio por água a baixo, de tão neurótico que fiquei. – lembrou. – Se Jane e Alec não podem, quem vocês estão pensando? Alice? – divertiu-se.

Jasper riu divertido.

— Alice? Deus, não! – suspirou pesadamente. – Não preciso da minha esposa me controlando no meu lugar de trabalho, sem contar que Alice como Senadora seria...

— Insano. – completou Carlisle divertido. Os três homens riram divertidos.

— Você pai? Você irá concorrer? – pontuou com um sorriso animado.

Mais uma vez os dois homens compartilharam um olhar.

— Infelizmente não, Edward. – disse com tristeza. – O partido acredita que eu me envolver causaria mais danos que outra coisa. Minha imagem, segundo eles, não casa com a perspectiva do congresso. Sou muito antiquado, eles querem sangue novo no congresso.

Edward encarou confuso os dois homens.

— Não estou entendendo então, quem poderia levar o nome dos Cullen ao congresso e ser um sangue novo? – assim que disse sua pergunta a resposta veio a sua cabeça. – Isabella?

Os dois homens loiros assentiram em concordância.

— Não! – disse com um fio de voz. Tossiu recuperando a sua voz. – Não! – exclamou com força.

Carlisle suspirou pesadamente apertando seus olhos com os dedos. Jasper por sua vez, levantou-se e serviu três generosas doses de uísque. Enquanto que Edward tirava um cigarro do maço e o acendia, tragando com ferocidade.

— Edward, seja razoável. – pontuou Jasper entregando o copo ao cunhado. – Isabella é única, ela tem um carisma muito similar ao seu.

— Não! – repetiu o ex-senador.

— Você tem lido aquele blog que eu te mandei? – questionou Carlisle cansado. Edward assentiu. – Você por acaso reparou o quanto esse blog fala sobre você? O quão bem fala sobre você?

— Sim, eu sei. Assim que retornar a DC quero conhecer essa jornalista, ela parece ser impressionante. Tem um conhecimento dos meandros da política impressionantes, vi que o Times e o Post estão sempre compartilhando artigos assinados por ela. Ela parece ter uma voz expressiva, algo que faltava no nosso meio. – enumerou o ruivo.

Carlisle e Jasper trocaram um sorriso conspiratório.

— Não há necessidade de conhecê-la Edward, você já a conhece. – advertiu Jasper. – Até demais, acredito, uma vez que vocês são casados e tem uma filha. – afirmou tomando um gole da sua bebida.

Bella? – questionou surpreso. Fazia anos que ele não dizia o apelido que deu a esposa, mas naquele momento todos seus muros caíram em surpresa.

Isabella Cullen era Lillian Johnson?

Claro que era – refletiu com finalidade.

Edward sempre soube disso. Mesmo não reconhecendo ele sabia que era alguém que o conhecia, a forma como falava dele, a forma como falava sobre seus adversários políticos, a forma com que tratava todo aquele mundo. Sim, ele sempre soube que era ela, só não queria acreditar.

— Ninguém realmente sabe que é ela, mas quando percebi o quão bem falava sobre você, também fiquei curioso para saber quem era. Adivinha minha surpresa quando soube que era sua esposa? – perguntou retoricamente Carlisle. – Ela não sabe que sabemos – pontuou rapidamente. -, afinal, se ela quis usar um pseudônimo e fugiu de qualquer entrevista ao vivo, isso significava que ela não gostaria de mostrar quem realmente é. Mas Edward o ponto é: Isabella sabe fazer política. Ela é a nossa chance de manter o nosso nome no congresso.

— Edward, pensa bem, com Isabella ali entre aqueles urubus, o seu nome será sempre lembrado. E com o trabalho certo, ela vai conseguir construir uma nova imagem para você, a imagem que você veio buscar reconstruir aqui. – expôs Jasper. – Você não precisa estar em DC para conseguir apoio, e assim quando você retornar a cidade não vai precisar de mais quatro anos para tentar concorrer ao cargo que quer, Isabella vai ter feito isso por você! Você estará livre para concorrer é muito possivelmente ganhar.

O ex-senador considerou as palavras de Carlisle e Jasper. Ele sabia que ter alguém como Isabella andando pelo congresso seria incrível. Sua reputação seria reconstruída de uma forma que ele não conseguiria jamais fazer. Seria além de um voto de confiança, seria a prova de que os Cullen eram leais uns com os outros, preservaria o seu legado.

— Olha Edward, eu não sei realmente o que tem acontecido com você e Isabella – falou Carlisle. -, sei que nestes três anos ela nunca veio te ver, isso não importa para mim, o relacionamento é de vocês e vocês fazem o que quiserem, mas pensa sobre isso. Ter ela dentro do Senado será um passaporte para a sua liberdade. Faria você conseguir o que tem querido há anos: a presidência. – pontuou finalizando com um gole o conteúdo âmbar de seu copo.

Edward encarou os dois homens, retirando um novo cigarro de seu maço. Enquanto fumava nenhum dos três trocou uma palavra, cada um perdido em seus próprios pensamentos sobre o assunto que estavam conversando. Cada um daqueles homens que há anos se envolveram no jogo da política sabia o que significava, porém da mesma forma eles sabiam que Isabella seria algo que faltava ao legado Cullen. Um legado que há anos pertenceu somente aos homens, agora poderia pertencer também a uma mulher.

Mulher. Edward era esperto o suficiente para saber que uma mulher como Isabella conquistaria votos onde ele nunca conseguiu, e aqueles conservadores lhe dariam o voto de confiança por causa do seu sobrenome. Sim. Era um cenário maravilhoso.

Por um breve segundo o ruivo se ressentiu por nunca ter pensado naquilo, mas o ressentimento durou isso, alguns breves segundos, pois logo a memória de Edward foi invadida com a traição de Isabella. Se ele estava precisando dessa artimanha para manter o seu nome na memória do congresso a culpada era ela.

Virando o restante do conteúdo de seu copo o político apertou seus olhos com os dedos.

— Por qual Estado ela concorreria? E como ter certeza que ela ganharia? – questionou com os dentes trincados.

— Illinois. – respondeu Jasper. – Ela viveu aqui por anos, e o fato dela ter sido uma das responsáveis pela prisão de Aro Volturi fez ela se tornar mais popular entre os cidadãos.

Edward ouvirá falar que foi Isabella que conseguira reunir informações sobre Aro e denuncia-lo. Eventualmente que o grau de parentesco entre eles foi divulgado, mas como ela havia feito um trabalho exemplar em denunciar um dos maiores criminosos dos EUA, a população compadeceu dela, principalmente se levar a situação da morte violenta do mafioso em seguida. A população projetou em Isabella uma super-heroína, alguém que acreditava na justiça.

— Pedimos algumas pesquisas, e os números de Isabella são impressionantes. – continuou Carlisle, retirando um pasta de sua maleta e entregando ao filho. Edward há muito conhecera os números positivos de uma campanha, e com um pouco de inveja ele poderia dizer que os números de Isabella eram realmente impressionantes. Seria uma vitória esmagadora.

— Mas quem a ajudaria com as coisas do gabinete? Ela viveu em meu gabinete apenas por alguns anos, mas ainda assim ela não saberia resolver muitas questões. Lobistas, favores, congressistas... – enumerou, tentando se valer de cada argumento que podia para fazer com que os dois desistissem, por mais que ele reconhecesse que seria incrível.

— Nós dois iríamos ajudar. Eu mais escondido, Carlisle mais como um conselheiro. – explicou Jasper. – Não seria algo para sempre, Edward. É algo até você poder retornar a cidade, em seguida ela pediria dispensa do cargo, sei lá. É apenas algo para salvar sua carreira. Se é isso que você ainda quer.

Edward fechou seus olhos ponderando as palavras finais de Jasper.

Sim, ele queria salvar sua carreira, mas ele estava disposto a pagar um preço deste? Dar a Isabella um poder como aquele? Ao longo dos últimos anos ela vem se mostrando uma pessoa comprometida, discreta. Em qualquer oportunidade defendia Edward. E tinha o blog. Ela estava escrevendo sobre os bastidores da política. Escrevendo sobre ele anonimamente, não coisas ruins, mas coisas boas.

— Merda! – exclamou o ruivo. Carlisle e Jasper olharam para ele esperançosos. – Que seja! – disse com um aceno de mãos, acendo um novo cigarro.

— Você quer falar com ela? – perguntou Carlisle hesitante.

— Não! Você faz. Eu ficarei de fora disso. – advertiu.

— Mas ela vai querer saber a sua opinião sobre o assunto, o que eu faço? – pediu com urgência seu pai. Edward deu de ombros.

— Faça o que tiver que fazer. Só não quero me envolver na campanha ou no governo dela. Deixe isso claro! – exclamou com finalidade.

Carlisle assentiu.

Os três homens continuaram conversando por mais algumas horas, até que a governanta veio lhes informar que o jantar estava pronto. Com risadas e uma conversa leve os três passaram uma noite agradável.

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Fazia duas semanas que Carlisle propusera a Edward que Isabella concorresse a Senadora. E durante estes quinze dias o homem mais velho, esperava que o filho mudasse de opinião e ele falasse com a esposa. Mas como isso estava longe de acontecer, Carlisle decidiu que deveria ser ele em conversar com a nora. Com todas as projeções e com o projeto de campanha em mãos o ex-vice-presidente seguiu para a casa onde a morena estava vivendo.

Nestes seis anos em que Isabella e Edward estiveram juntos, Carlisle nunca esteve muito próximo a nora, não que ele não gostasse dela, na verdade ele achava que a morena foi a melhor coisa que acontecera ao filho – por ser tão parecida com ele, além de ser difícil de intimidar. E, mesmo com tudo o que aconteceu com Edward em nenhum momento deixou de estar ao seu lado, mesmo que sem estar precisamente ao lado dele. Todavia, o trabalho que ela vinha fazendo como Lillian Johnson era surpreendente.

Ela definitivamente era uma mulher única, tal qual era a sua esposa Esme.

Destemida, obstinada, intimidante, forte. Assim como Esme foi essencial para estar ao seu lado durante todos esses anos – mesmo com a sua infidelidade, Isabella era a mulher certa para Edward ter ao seu lado, para ser sua primeira-dama. Como certamente seria. Tanya, nunca teve o olhar crítico, obstinado, centrado de Isabella. Para a loira-morango o cenário político era algo que ela odiava, não se importava. Para ela era algo que Edward usava para fingir trabalhar.

Ao contrário de Isabella, que sabia e valorizava o cenário político, que entendia o quanto tudo aquilo era importante, como aquilo não era uma brincadeira, mas sim uma carreira que deveria ser constantemente estimulada. Ela em nenhum momento obrigou Edward a desistir de algum evento político para uma viagem ou qualquer outra coisa que ela achava importante. Em todo e qualquer evento estava a bela morena ao lado do marido, dando apoio, distribuindo sorrisos, compartilhando conversas cheias de inteligência e perspicácia.

Carlisle não compreendia muito bem quais os problemas conjugais que seu filho e Isabella estavam enfrentando, mas assim como não gostaria que ninguém intervisse em seu casamento, ele tinha certeza que o casal também não gostaria. Por isso que nem ele, nem Esme, e nem ninguém estava intervindo na vida matrimonial de Edward, fingir que não estava acontecendo nada, também era impossível.

Muitas vezes o médico tentou conversar com o filho sobre a esposa, dando uma brecha, mas nunca Edward dava continuidade ao assunto, sempre mudando muito rápido o tópico da discussão. Por isso pouco a pouco, Carlisle foi deixando isso de lado.

Quando chegou ao andar da nora, a porta do apartamento estava aberta e a bela morena estava lhe esperando com um olhar intrigado. Usando uma calça jeans clara, uma blusa azul escura e sapatos baixos no pé. Seus belos cabelos castanhos estavam presos em um rabo de cavalo, e seus óculos de grau estavam empoleirados na cabeça – era calo que ela estava trabalhando em algo. Carlisle sorriu em reconhecimento.

— Boa tarde, Carlisle. – disse a jornalista com uma voz suave. – Está tudo bem? – perguntou ligeiramente nervosa.

— Boa tarde, Isabella. – repetiu com um sorriso. – Está tudo bem, vim conversar com você. Na realidade vim te propor algo. – completou.

A morena encarou o sogro confusa. Mas silenciosamente pediu para o homem para entrar. O homem sorriu e seguiu para a mesa – afinal a conversa que teriam não era algo casual, mas sim profissional. Observando a postura de Carlisle, Isabella seguiu a cozinha trazendo duas xícaras de café para o que parecia uma reunião de negócios.

— Carlisle, me desculpa, mas não estou entendendo o que é isso aqui. Porque você está aqui. – disse sentando-se em frente do loiro.

Carlisle sorriu compreensivo.

— Reconheço que minha presença aqui é estranha Isabella. Nestes muitos anos nunca tivemos um relacionamento mais próximo, mas acho que está na hora de mudarmos isso. Chegou o momento de tornarmos mais próximos.

— Certo. – concordou lentamente a morena. – O que você tem em mente?

— Quero que você concorre a Senadora. – disse Carlisle com um sorriso grande.

O quê?! – gritou. – Desculpe, mas... o quê? – perguntou novamente confusa.

— Quero que você concorra a Senadora. – repetiu calmamente. Com o olhar confuso e inquiridor da mulher o médico explicou. – Sei que você tem acompanhado as notícias, e o nome Cullen está sendo esquecido, ou então sempre ligado a algo negativo. Você viu a dificuldade de Alec conseguir a reeleição ano passado, quase não conseguimos. – disse com pesar.

"A coisa piora ainda se projetarmos para o congresso. Jasper está perdendo espaço, e ele tem que levar o nome da própria família, não pode simplesmente assumir o nome Cullen. O que precisamos é de um Cullen ali". – explicou.

A morena acenou afirmativamente com a cabeça. Ela sabia que as coisas estavam difíceis para os Cullen no cenário político. Porém ela não conseguia entender o que Carlisle estava querendo chegar.

— Isabella, você sabe que Alec e Jane não tem idade para concorrer. Edward... bem... ele ainda está sob a maldita "custódia" não pode concorrer por mais três anos. Alice, me perdoa, mas Alice nunca foi boa em qualquer coisa relacionado a política. Ela é uma excelente esposa para Jasper, porém o próprio Jasper nunca quis ambições maiores na política. Ser Senador para meu genro é o suficiente. – explicou com um encolher de ombros.

"Quanto a mim, bem... pensei essa hipótese, mas o partido não aceitou, eles querem algo novo, algo inovador. O nome Cullen significa tradição, um legado, porém, por mais que me doa, é um legado que está fatigado. Meu pai nunca foi um homem muito honesto, eu estou velho, e depois de tudo o que aconteceu com Edward... bem... para a maioria dos eleitores os homens Cullen estão perdendo a mão, o que corrobora com a dificuldade de Alec no ano passado". – refletiu com pesar. – "Nossa família nunca teve uma mulher no cenário político, entenda minha mãe, Annie e Esme, sempre foram mulheres influentes, mas nenhuma das duas assumiram uma posição de poder no cenário político. Jane está ainda em formação, talvez em alguns anos ela surpreenda a todos nós". – explicou com um sorriso no rosto.

"Só que o mundo está mudando. E temos pressa. A necessidade de ter mulheres na política está alarmante. O feminismo é uma bandeira que todo mundo está levantando. A igualdade entre os gêneros é fundamental, e precisamos levar essa tendência para a política. E é aí que você entra!"

Isabella assentiu. Em seu blog, sob o pseudônimo de Lillian Johnson, ela havia escrito sobre a necessidade de mulheres na política, de como uma renovação era necessária. Mas jamais ela pensaria que ela seria quem começaria essa tendencia.

— Você é uma mulher moderna. Chama a atenção por sua inteligência, sua sagacidade, e claro a sua beleza, isso atrai multidões. Tudo isso somando com o fato da sua lealdade a Edward, é algo que chama a atenção, pois por mais que você seja uma mulher forte, esperta e independente, você não deixa que a figura de Edward se sobreponha à sua. Quando vocês estão juntos, vocês dividem um protagonismo, que se meu pai estivesse vivo, estaria na lua, a propósito. – ponderou.

— Carlisle, obrigada pelos elogios, mas isso não é suficiente para conquistar uma eleição. Eu não tenho experiência, eu sequer tenho conhecimento real de como devo me portar em uma campanha, ou o que fazer se for eleita. – prendeu seus lábios com os dentes. – Sem contar que não acho que seja uma boa ideia me colocar nesta posição. – disse com sinceridade.

— Olha Isabella, eu sei que tudo parece muito grandioso, mas olha estas estáticas – disse entregando a pasta com os dados sobre uma intenção de votos. -, você chama atenção dos eleitores. Por essas projeções sua vitória está garantida! Quanto a experiência, bom você esteve ao lado de Edward durante alguns anos, então sabe como funciona as coisas no gabinete. Sem contar que você teria apoio, Jasper e eu vamos escolher uma equipe para te dar suporte. E eu seria seu conselheiro, seria seu braço direito e talvez o esquerdo, se for necessário.

Isabella analisou os dados que o sogro lhe entregou. Ela não entendia tudo, mas era claro que os dados ali expostos eram impressionantes.

— Carlisle tudo isso é muito lisonjeiro. Seu suporte é fantástico, mas continuo não achando que isso é uma boa opção. – falou com pesar. – Sem contar que... bem... acho que Edward não gostaria que me expusesse assim.

E ali estava o real motivo de toda hesitação da mulher: Edward.

Carlisle fechou seus olhos em fendas e observou a nora. Era evidente que o casamento de seu filho e Isabella não estava bom. A reação de Edward quando propusera à candidatura da esposa ao Senado fora muito similar à da morena. Parecia que ambos estavam andando sobre cascas de ovos um com o outro. Havia alguma coisa entre os dois que ninguém conseguia ver ou entender, e pelo que Carlisle notava da postura dos dois era algo muito sério, algo que de certa forma danificara o relacionamento dos dois. Talvez esse fosse o motivo da distância entre eles. Da recusa da morena em visitar o marido em sua fortaleza.

Mas se havia algo que Carlisle era bom, era usar as palavras sabiamente. Edward havia dito que não auxiliaria na campanha de Isabella, mas não dissera nada de que ele não pudesse usar o seu nome para fazer a morena concordar com a proposta.

— Acho que você é inteligente Isabella, e se eu estou aqui tendo essa conversa com você é porque Edward aceitou essa proposta. – expôs. – Edward é orgulhoso, não quer se envolver para não sufoca-la ou influencia-la nesta decisão, mas ele sabe a importância que seria ter você no congresso. Além de trazer um frescor ao nosso nome, faria com que todos vissem que vocês dois continuam unidos e fortes, dando apoio incondicional. Sua presença no cenário político também trás visibilidade ao nome de Edward. Quando ele retornar a DC, ele não precisará fazer malabarismos para conseguir ingressar na política, você já terá feito isso por ele.

A morena encarou o sogro, mastigando seus lábios e ponderando as palavras que lhe foram ditas.

Concorrer a Senadora poderia mostrar a sua lealdade a Edward. Poderia mostrar o quanto ela era devotada ao marido.

— Ok. – disse com simplicidade ao sogro. – Eu aceito concorrer.

Carlisle sorriu largamente vitorioso. E principalmente aliviado.

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Nos próximos quatro meses. Isabella, Carlisle, Jasper, Jane e uma equipe escolhida a dedo pelos Cullen montaram uma campanha absurda a Isabella. Ela estava se tornando popular. Mais popular do que ela esperava. Do que qualquer um esperava. Pessoas de outros estados além das fronteiras de Illinois a queria como candidata. Os rivais estavam atordoados, impressionados e principalmente amedrontados pela inteligência, sagacidade e dinamismo da mulher. Isabella chamou a atenção, e chamou a atenção por suas propostas, pelas bandeiras que levantou.

Edward por mais que disse que não se envolveria na campanha de Isabella não pode deixar de acompanhá-la. E o ruivo estava impressionado pela mulher. Por sua esposa. Isabella tinha um dom natural a política, e definitivamente se um dia ele fosse presidente ela era a mulher ideal para ser primeira-dama. Ela seria uma moderna Jackie Kennedy: influente, destemida, inteligente, sagaz, esperta, e principalmente linda.

Com um sorriso que misturava orgulho, desejo e temor o ex-senador admirou as letras garrafais que estavam estampadas no telejornal daquela noite:

VITÓRIA ESMAGADORA DE ISABELLA CULLEN AO SENADO

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Notas finais
N/A: Ooooiii gente! Tudo bão?! Nem demorei, fala verdade pros padrões dessa fanfic fui super, hiper, mega rápida em escrever esse capítulo! Bom, pelo andor vocês já estão vendo que o prólogo tá aí, no virar a esquina ou melhor no próximo capítulo, e pelas reviews de vocês (QUANTAS! QUANTO AMOR DE VOCÊS AINDA POR MIM, E POR ISSO AQUI!) vocês estão animadas pra cena do prólogo e FINALMENTE tá chegando. Vou dizer sinceramente que tem muitas coisas dessa estória que não recordo, dei uma lida e procurei meu planejamento pra ela (e tô seguindo 90%), mas devido ao longo tempo sem atualizar e sem qualquer sinal de vida nisso aqui, eu optei por mudar algumas coisas. Não altera o enredo, mas algumas escolhas do início eu meio que me arrependi, mas né... vida que segue – to tentando ser o mais fiel possível a trama que criei e espero estar conseguindo! Ao mesmo tempo que é fácil escrever fanfic (se comparado a fazer filosofia), ainda é difícil! hahahaha Não tenho muito o que falar, só agradecer a paciência e as reviews de vocês! Vocês são fodásticos! Me dão um carinho que MEU DEUS DO CÉU! Que coisa incrível. Li todas as reviews com um puta sorriso no rosto! Obrigada, obrigada, obrigada! E que o próximo não demore tanto! ;D Beijos, Carol. . REVIEWS? MEREÇO?