Conexão Seattle
17 Seção vazia
Notas iniciais
No Domingo Sam acordou ainda mais cedo. Após sair da casa de Griffin no sabado pela manhã, pensou em ir falar com Carly e Freddie mas hesitou. Estava confusa e não sabia se podia confiar neles. No fim das contas, eles sempre ficariam ao lado dos pais, devia ter percebido isso desde o inicio, mas não podia imaginar que as coisas tomariam tal proporção. Não sabia exatamente por que, mas estava decidida a levar isso até o fim.
Tomou um banho, prendeu os cabelos em um coque um pouco apertado e deixou a franja toda para a frente. A chuva se itensificava cada vez mais, talvez fosse melhor assim, menos pessoas a veria. Agasalhou-se adequadamente e colocou suas botas cano alto, as mesmas que usara na sexta feira. Saiu de casa em alta velocidade com uma guarda chuva que pegara emprestado de Griffin.
Quando cruzava a esquina, esbarrou com um corpo. Já ia pedir desculpas, quando percebeu quem era.
–Com pressa, loirinha?
–To. O que faz acordado as dez horas, do lado de fora, em pleno domingo? E com uma chuvinha dessas?
Jonah riu analisando a situação. Ele mesmo estava surpreso por ter despertado tão cedo e se disposto a ir comprar temperos para o almoço Mas precisava de grana e se fosse bonzinho, talvez os pais liberassem com mais facilidade.
–Comprando. E voce?
–Hã... Vou ali em baixo resolver um assunto. Mais tarde vou na sua casa, manda sua mãe por agua na panela!
–Eu vou com voce. Sabe, dizem que depois desse problema com o Shay, os comparsas do Crawelt andam meio nervosinhos.
–Agradeço.
Sam achou que era melhor impedir que Jonah fosse com ela. Mas pela primeira vez sentiu que estava com medo. Não dos comparsas de Crawelt ou dos ladrões do suburbio, que só atacavam no centro. Estava com medo de ficar sozinha. Se sentia sozinha. Desejou que Joanah a abracesse. Como que lendo os pensamentos de Sam, o garoto fechou seu proprio guarda-chuva, e passou para debaixo do de Sam, envolvendo os ombros da garota com o braço. Ela passou o baraço em torno da cintura magra do garoto e os dois foram caminhando pelas ruas enlamaçadas.
–Pra onde esta indo mesmo?
–Na casa do Juvenal.
–Fazer o que la?
–Ele me pediu uma grana pra comprar um cigarro outro dia e ainda não me pagou. Ai aproveito e pergunto uma coisa que estou afim de saber.
–O que é?
–Hm... Nada de mais. Só que... Não conta pra ninguem, mas parece que a minha mãe ta namorando uma cara meio torto ai. E como aquele la sabe de tudo...
–Ah, sei. Mas não podia esperar a chuva passar?
–Faz tempo que espero. E tambem ultimamente ta dificil ter tempo, tenho que aproveitar. E Domingo é o único dia que ele não ta na carpintaria do Karl.
–Sei. Estranho mesmo é voce ta me dando tanta explicação.
Sam enrubeceu. A voz do agroto tinha um tom desconfiado, e de fato era estranho que ela nãoo dissesse um “não é da sua conta” logo de cara. Sorriu abanando a cabeça e sentiu que a desconfiança de Joanh se dissipou. Ainda assim passou a se polciar mais durante o dialogo.
–Não custa nada, esta sendo gentil comigo. Tambem não é comum da sua parte.
–É sim, voces é que não reconhcem!
–Esta tentando me seduzir, Jonah?
–Estou. É que acabaram o resto das mulheres do mundo, e então, jantar hoje a noite?
–Idiota. Mas soube que a Alete esta afim de voce. Ve, né? Tem louca pra tudo...
–Cheguei nela semana passada. Ta fazendo doce, acredita?
–Ela é linda, o que ela viu em voce?
–Sam, uma coisa que voce tem entender é que só existem dois tipos de mulheres que não se interessam por mim. As da minha familia, e as lesbicas.
–Onde eu me incluo?
–Não vem com essa sei que tem uma queda por mim.
–Ah é.
–Mas voce vai ter que desculpa, por que pra mim voce é como uma irmã, sabe...
Sam gargalhou com a conversa de bebado de fim de festa. Mas sentiu uma enorme segurança. Mesmo se tratando de uma piada, no fundo sabia que ele a considerava como alguem da familia. Mesmo quando se excediam em suas constantes brigas, o carinho entre eles sempre superava as crises.
–Sam, voce que anda com a Carly e tal, sabe o que ta acontecendo com o pai dela?
–Denuncias anonimas afirmam que ele esta sonegando informações quanto ao caso do pai do Freddie, e luta para manter o caso em aberto, não para prenderem o Petter, mas só pela grana e pelos beneficios que o caso da a ele. Viagens de graça, o salario altissimo e outras regalias.
–Que tipo de informação ele estaria sonegando?
–Não sei. Só quem fez a denuncia sabe. Há quem diga que ele armou toda a coisa com o proprio Petter, só pra se promover. Afinal, ninguem ta nem ai pro Petter, quando se tem o Crawelt. E é o Petter que tem que ser pego, ele sabe de tudo.
–Tudo o que?
–Tudo, quer dizer... Ah sei la cada hora falam uma coisa. Chegamos!
Sam suspirou aliviada ao avistar a casa de Juvenal. Pequena e humilde, era bem cuidada para a morada de um homem com problemas de saude que morava sozinho. As drogas haviam lesionado permanetemente o cerebro de Juvenal, e a agora ele dedicava os dias na carpintaria de Karl ou cuidando de suas plantas. Diziam que Karl pagava as contas dele e havia financiado o tratamento dele para se livrar do vicio.
Sam bateu palmas e aguardou. Não demorou muito, Juvenal abriu a porta e e caminhou ágil até o portão. O homeme baixo, magro e de pele pálida, abriu sem nem perguntar o que Sam queria e permitiu que eles entrassem na varanda, livrando-se da chuva.
A sala era pequena e bem arrumada. Um cheiro de cigarro empregnava as paredes. Da nicotina e do etanol, Juvenal não conseguiu se livrar. Apenas utilizava-os com certa moderação, conforme o tratamento.
–Juvenal queria falar com voce. É muito serio.
–Eu vou ficar la fora. –Disse Jonah se dirigindoda a varanda.
O homem, que ainda não havia dito uma palavra, sentou e com um gesto, pediu que Sam fizesse o mesmo. As molas do sofá rangeram alto quando Sam sentou. Não diferente da casa dela.
–Juvenal, você lembra daquele dia em que eu fui com um amigo na carpintaria?
–Lembro. –Ele desviou o olhar nervoso.
–Por que disse aquilo quando a gente tava saindo?
–Aquilo o que?
–Não se faça de bobo.
–Ah, não quis dizer nada...
–Por que não quer falar?
–Por que não. Mas é que aquele menin... Ele parece com outro que fez uma coisa ruim.
–O pai dele? O que ele fez?
–Não vou falar. Alias, eu não sei.
–Sabe sim. Voce disse que a historia estava se repetindo, o que houve?
–É que eles se parecem...
–O Freddie e o pai não são a mesma pessoa.
–Alguem esta apaixonada... –O homem riu mostrando algumas falhas nos dentes.
–Não, ele é só um colega, seu imbecil!
–Então que faz aqui?
–Vai me responder?
–O que? –O homem ainda tinha um sorriso bobo.
–O que quis dizer com história se repetindo e o que o outro homem fez de ruim?
–Eu não sei, eu estava confuso naquele dia.
–Juvenal....
–Eu não sei...
–Não falo mais com você, heim?
–Ele namorava uma menina que morava aqui. Ai abandonou ela e ela ficou doente.
–E que culpa ele tem? Mulheres são abandonadas todos os dias...
–Pois é. Mas ela ficou doente.
–Não faz sentido. Aluguma coisa não se encaixa... Sei que tem algo pior...
–E por que quer saber?
–Nem eu mesma sei. Obrigada Juvenal.
Sam percebeu que Juvenal não queria dizer nada. Era diferente de não saber. Ele estava selecionando o que podia e o que não podia dizer era louco mas não tolo. Levantou-se sorrindo agradecida e se dirigiu a porta da sala.
Jonah estava na varanda observando a chuva e levantu animado ao ve-la. Já estava ficando entediado. Ele analisou o semblante da amiga atentamente e soube que ela não almoçaria em sua casa. Era sua tipica cara de que ia passar o dia no quarto pensando.
–Sam o que houve? Sua mãe ta namorando o Tonho do Pó?
–Não. –Ela não conseguiu reprimir um riso. –Apenas... Sei la. Estou cansada.
Ao chegar em casa, Sam recebeu uma mensagem de Freddie. Na verdade eram tres mensagens e duas chamadas não atendidas. Devia estar preoucupado, não se falavam a horas, e tinha ficado um clima estranho depois que se separaram. Sam tentava dissociar Freddie do pai. Não conseguia. Achou mehor retornar a aligação.
–Sam? –Sua voz ssou preocupada do outro lado da linha.
–Oi. Desculpe não ter ligado. Nem atendido. Estava ocupada.
–Tudo bem. Eu estava pensando, vamos o cinema agora de tarde?
–E o noivado?
–É a noite.
–Mas achei que era perigoso andarmos em publico.
–A seção pra “A era do gelo” vai estar vazia, esta saindo de cartaz. Eu fico te esperando la dentro as tres horas.
–Tudo bem.
–Até la. um beijo.
–Outro.
Sam desligou o telefone sentindo o aperto no peito se esvair. A voz de Freddie, lhe passava uma paz, uma segurança que ela preferia não sentir. Seria mais facil sair de uma vez daquela historia toda. Sentiu-se leve e lhe veio uma subita vontade de cantar, de dançar. Se perguntou o que houve com a garota que saiu da casa de Juvenal como um coelho assustado.
Entrou no banho deixando a água no mais quente que o seu corpo pudesse aguentar. Pensava que sua vida se parecia um filme. Um conto de fadas caminhando para um suspense. Era tão facil quando só praticava seus pequenos vandalismos, caminhava altas horas da madrugada com os amigos fingindo serem pessoas a margem da sociedade. Aquilo lhes dava uma sensação de liberdade, de fuga. Agora mais do que nunca precisava fugir. Mas estava presa.
Havia um verso em especial que se fazia martelar em sua mente. Lembrava de te-lo decorado na oitava serie após ter ficado de recuperação e ter tido que fazer um trabaho sobre a Literatura Portugesa . A pior tarefa que já ficara encarregada de fazer. Havia um tal Luiz de camões. e a sua poesia sobre o amor. Na qual, entre tantas caracterisicas, atribuia o “Querer estar preso por vontade”. Será que essa era sua condição no momento?
Não pensava mais em Camões quando chegou ao shoppin por volta das tres e quinze da tarde. Haviam casais por toda a parte, muitas familias e alguns grupos de amigos. E ela sozinha. Seu namorado, se é que podia chama-lo assim de fato, não podia andar com ela de mãos dadas. Nem ao menos lado lado, pois nem como amigos podiam se passar. O que no principio era divertido, agora parecia triste.
Comprou o bilhete para a seção que Freddie falou e entrou na sala. Teve que esperar uns segundos para se habtuar a caminhar na escuridão. Ele avisara que estava na parte de cima a esquerda. No caso dela que estava entrando, a direita.
Quase que completamente vazia, exceto por umas outras doze pessoas que ou buscavam privacidade, ou ainda não haviam visto o filme pois preferiam a seção assim. Sem risos execivos, conversas nem pessoas passeando entre as cadeiras. Era como se fosse uma sala quase particular.
Ela subiu e o localixou numa poltrona no canto, observando-a atentamente. A escuridão não permitiu que ela completasse seu rosto muito bem, mas percebeu que sorria. Sua droga de sorriso perfeito com um canto da boca fazendo-a se atirar na poltrona ao seu lado, demorando em um beijo.
–Demorei? -Perguntou num sussurrou.
–Não.
–Vamos ter que ficar falando assim?
–Estamos no cinema.
–Lotado! Queria falar alguma coisa comigo?
–Não. Só queria te ver. Voce ficou tensa depois que saimos da escola.
–Estava com sono.
–Queria que tivesse ido dormir la em casa. –Disse rindo gentil.
Sam sentiu as faces ruborizarem. Sua mente trouxe no mesmo instante os sonhos que costumava ter com ele, dormindo ou acordada. Eram imagens perturbadoras, como flashs, relampagos, intimas demais para serem trazidas em momento em que não estivesse sozinha.
–Só domir. –Acrescentou o garoto percebendo o embaraço.
–Eu sei. –Ela forçou um sorriso.
Sam não sabia se contava ou não a Freddie sobre seu passeio matinal. Achou melhor não, mas sua visita a casa de Griffim considerou prudente justificar caso ele ficasse sabendo por outras pessoas ja que morava no mesmo prédio. Sentia ódio de si por não ter aguentado esperar até poder falar com Griffin em outra ocasião, mas no fim acabou valendo a pena. Ou não.
–Eu estive no partamento do Griffin ontem.
–Foi? –Tentou demonstrar surpresa.
–Foi. Eu fui perguntar a ele se ele sabia alguma coisa sobre o Shay. Foi uma bobagem, mas no fim a mãe dele acabou ouvindo tudo...
–Shii... Não quero falar de nada disso. Viemos aqui para outra coisa.
Freddie colou os lábios nos de Sam puxando-a pela nuca. Se deixou embriagar pelo perfume que ela exalava e pela pele macia por baixo da cabeleira. Os ruídos do filme não estragou nenhum um pouco o clima. Sentiu quando ela pos a mão sobre o seu peito e a escorregou para o abdomem até abraça-lo pela cintura. Era um beijo suave, doce, que eles fizeram questão de demorarr.
Freddie sabia de como devia estar a mente de Sam, e que ela simplesmente buscava respostas. Ele conhecia, atraves de Carly as teorias de Griffin, e até bem pouco tempo, as condenava por completo. Foi um dos que apoiou Carly na decisão de se separarem. Mesmo por que na época nutria esperanças.
Marissa vira Sam saindo do Buswell, e ao chegar em casa, fez questão de passar quinze minutos falando que a desfrutável Puckett acabara de sair da casa de um dos seus namorados. E o alertou sobre as doenças que Freddie podia adquirir andando na companhia dela. Após um tempo, Freddie percebeu que o horario em que a mãe a vira de fato não condizia com o que Carly falou que ela saiu. Mas sabia que a mãe levantava falso a ela e aquilo o irritou.
Sentiu raiva. Mas no fundo, a mãe só o estava defendendo de tudo o que ela já fizera. E tinha que admitir, foram muitas as brigas que ela tivera que ir resolver na escola em função das brincadeiras de Sam.
–O mundo da voltas, não é? –Perguntou olhando a tela do filme sem prestar atenção no que passava.
–Por que?
–Ha anos atras, armou uma brincadeira me expondo ao ridículo. E agora, ca estamos nós. Em pensar que te jurei ódio eterno.
–Pois é. Essa era a intenção.
–Como assim?
Sam se afastou um pouco dando um longo suspiro. Estarem na penumbra facilitou as coisas.
–As vezes, voce tem que pegar sua fraqueza e transformar em força. –Disse ela. -E pra isso, as vezes voce tem que enfraquecer o outro. Cruel, nã é?
–Do que esta falando?
–Como uma garota que não obedece as regras age quando uma amiga descobre que ela nunca beijou ninguem?
–Ela mente? –Ele ainda estava confuso.
–E se a amiga dela desafia ela a beijar qualquer um pra provar?
Freddie riu um riso abafado e incredulo. Se não estivesse no cinema, gargalharia. A situação não podia ser mais divertida. Reposndeu tentando irrita-la:
–Uma garota esperta diz que não precisa provar nada e uma...
–E uma estupida pega um celular manda filmarem ela beijando qualquer um. Ai pra não haver sentimento, ela escolhe o ultimo garoto que pudesse sentir qualquer coisa por ela. E por quem ela pudesse sentir alguma coisa. E usa fraqueza dele pra justificar seu proprio ato de fraqueza que ela mente ser uma ato de coragem.
A voz de Sam foi se esvaindo cada vez mais. Parecia envergonhada, arrependida. Freddie se perguntou se aquela melancolia toda era por uma brincadeira de criança que ocorrera a mais de dois anos. Doera bastante, é verdade mas se ele tinha superado, por que ela não? Talvez por que ela tambem tivesse sofrido, e se arrependido. Quando, não se sabe.
Uma semana após aquela piada ela começou a namorar com Michael. Ficara com uma boa fama de “má”, Michael se aproveitou disso, ela sempre gostou dele. Enquanto Freddie sofria com as piadas. Agora se perguntava se talvez ela tambem não tivesse sofrido com aquela situação, tendo que se provar a ponto de beijar alguem que odiava. De aceitar um namoro que era só em função de uma aclamada estupidez que ela cometeu. E ainda ver o nojo estampado no rosto de Freddie após o beijo. A diferença é que ele chorou. Ela riu.
Envolveu-a pelos ombros fazendo ela reclinar a cabeça em seu ombro. Acariciou-lhe o braço, até alcançar sua mão e a segurou com força. Ela suspirou relaxando. Aconchegou-se mais e ficaram em silencio alguns instantes. Freddie falou a única coisa que tinha a dizer sobre aquilo tudo:
–Sabe que, agora, olhando daqui, é engraçado?
–Me desculpa? –Pediu sorrindo.
–Claro sua boba. –Freddie deu um beijo no topo da cabeça de Sam a apertou mais contra si. – Nem entendi pra que me dizer isso agora, mas se faz voce se sentir melhor, saiba que esta tudo bem.
–Sim, eu me sinto melhor.
–Sabe o que foi pior?
–O que?
–Eu ter correspondido. Ah sei la bateu uma curiosidade. Nem ouvi a Carly gritando “sai daí, Freddie” (risos)
–É olhando daqui foi muito engraçado!
Os dois cairam numa gargalhada baixa e logo depois silenciram. Estavam havendo mudanças ali. Puderam sentir isso naquele silencio. Sam estava se desarmando, tornava-se vulneravel e Freddie sentia que tinha que defende-la. Sentia vontade de fazer isso.
Sam levantou o rosto e procurou os labios de Freddie levando-os de encontro aos seus. Quando suas linguas se envolveram em uma dança lenta e acelerada ao mesmo tempo, sentiu arrepios pecorrendo o seu corpo. Freddie levara uma mão por debaixo da sua blusa e apertou a cintura de leve sentindo o contato com a pele quente e macia da garota. Sam mordeu os labios reprimendo um gemido, quando ele desceu os beijos pecorrendo seu pescoço alvo, mordiscou a orelha do garoto lhe provocando arrepios intenso. Se ele conseguia, alisando suas costas e barriga por baixo da bulsa sentir sua pele se eriçando aos toques, aos beijo que lhedava, ela tambem podia sentir ao tocar seu braço e resultado dos afagos em seus cabelos castanhos, e dos beijos que retribuia com igual intensidade.
Só não procuraram outra seção vazia, por que quando o filme acabou já eram quase seis horas da tarde, e Freddie tinha um compromisso as sete. Estava atrasado, mas a verdade é que nem queria ir, sentia um mal pressentimento em relação aquela festa, mas não tinha como não ir.
Durante a noite, a chuva torrencial ainda caia sobre a cidade fazendo seus residentes se recolherem as suas casas. As praças estavam desertas, nas ruas haviam poucos transeuntes, que certamente se dirigiam as suas moradias.
Perfeito, pensou Wendy. A noite do seu noivado não poderia refletir mais o que lhe ia no intimo do que aquele mau tempo. Desejava que raios caíssem na terra para embalar ainda mais o momento. Sentada no sofá com o mais falso e congelado sorriso no rosto, a garota mirava o relógio constantemente.
A casa grande, abrigava dezenas de convidados que passeavam pela sala e pela enorme varanda, que dava uma bela vista para o fenômeno natural.
Havia uma enorme mesa de doces e salgados e duas moças servindo bebidas. A felicidade dos pais dos noivos podia ser sentida no ar. Douglas Roger e Michael Cartney eram velhos conhecidos. A empresa os dois eram um empreendimento dos Cartney, com capital dos Roger.
O enlace entre os jovens não fora desde cedo planejado. Entretanto, quando os dois começaram a se entender e iniciar um namoro devido a proximidade que havia entre suas famílias, a ideia do casamento foi dada como concreta. A principio, Wendy achou divertido, mas as coisas saíram do controle. Aos quinze anos tomou ciência do quão controlada estava sendo, e mesmo tentando desistir, do casamento não conseguiu. Os pais a pressionavam cada vez mais, dizendo que a postura dela ameaçava a estabilidade da empresa. Diálogos deixaram de existir. Eram gritos, e tapas nas faces da menina.
Jeremy não via problema algum. Amava Wendy desde cedo, e qual era a possibilidade de conseguir outra garota como ela? Mesmo quando ela lhe pediu ajuda para que dessem um tempo enquanto ela colocava os pensamentos em ordem, ele se negou a ajudar e disse que não permitiria que ela voltasse atrás.
De repente parecia até uma família do século XVII.
Gibby, Carly e Freddie conversavam apenas entre eles. Seus pais juntavam-se aos demais adultos, enquanto a noiva conversava em um canto com Missy.
Freddie reparou que estavam todos ali. Todos os que poderia ter manipulado o seu pai a cair na sua própria cova. O que sabiam? O que escondiam? Charles, Steven, Ana, Olivia, Douglas, Michael e Marisa eram colegas desde a época do colegial. Esses eram os vivos. Desse antigo ciclo, falta Frederick e Helena. Desse antigo ciclo nasceu um triângulo amoroso, sociedades obscuras, intrigas, problemas.
E la estavam os que restavam (exceto Olivia) sorrindo como se nada houvesse acontecido. Freddie sentiu ímpetos de se retirar daquele lugar. As fotos de Sam no seu celular o confortavam um pouco. Seus lindos olhos azuis. Como aquelas pessoas podiam odia-la sem nem ao menos conhecê-la?
–Freddie, sua cara esta pior do que a da Wendy! –Alertou Carly.
–Estou pensando.
–Disfarça, já estão te olhando!
–Pensando no que? –Perguntou Gibby.
–Não é muito comum uma amizade de colegial durar tanto. É?
–Depende. –Respondeu Gibby. –Se você tiver alguma coisa que te prenda aos seus amigos.
–Tipo o que? –Perguntou Carly.
–Ou uma amizade muito forte, ou negócios. Depende.
–Ou algo incomum que todos saibam...
–Freddie! –Censurou Carly. –Qual é bebeu?
–Nunca estive tão lúcido em toda minha vida! Gibby já ouviu falar numa tal Helena?
–Freddie!
–Já. Uma vez tava olhando umas fotos antigas da minha mãe. E a minha mãe me falou dela.
–Falou o que?
–Que era uma exibida. –Gibby riu- As mulheres são engraçadas. Chamam de amiga alguém que não gosta, ou não confia... –Gibby lembrou-se da conversa com Wendy sobre Missy.
–Sua mãe não confiava nela?
–Sei la, to falando de outra coisa. Mas por que esse interesse numa desconhecida?
–Por que ficamos sabendo recentemente que ela morreu. Há muito tempo...
–Eu não sabia disso. Ai, o que acha de perguntarmos um pouco mais a eles? –Sugeriu apontando para o grupo de adultos.
–Não. Deixa isso pra la. Alias, não comenta com ninguém não.
–Tudo bem. Estou com fome que horas será que a janta sai?
Gibby levantou-se em busca de comida deixando Freddie sob uma chuva de olhares reprovadores de Carly. Ia repreendê-lo com palavras, quando alguém os interrompeu.
–Freddie. –Chamou Jeremy gentilmente.
–Oi!
–Pode vir no meu quarto um instante?
–Claro!
No quarto de Jeremy, Freddie aguardava o garoto voltar quando viu uma garota entrar pela porta. Que diabo de brincadeira era aquela? Jeremy havia dito que ia buscar o que eu queria mostrar, e o que parecia era Missy?
–Oi Freddie.
Sem responder, Freddie se levantou da cama onde aguardava sentado e se dirigiu a porta. Mas a garota o deteve pelos ombros, e o imprensou fechando a porta.
–Pra que a pressa?
–Missy para, o que esta fazendo?
–Você já vai ver.
–Você bebeu? Seus pais estão aqui!
–E se não estivessem?
–Pra mim não faz diferença a minha atitude seria a mesma, mas se não respeita a mim ou a você mesma, respeita a eles, ta?
–Eu amo seu jeitinho certinho, sabia?
–Já chega. –Freddie empurrou a garota pelos braços, e tentou sair. Mas a porta estava trancada. Certamente Jeremy a trancara quando ela se fechou.
–Esta trancada...
–Vão sentir nossa falta.
–É e se você não fizer o que eu quero, digo a meu pai que me agarrou aqui dentro!
–Você é louca! Diga o que quiser a ele, pouco me importa.
–Não vai nem perguntar o que eu quero?
–Não! E a menos que queira que eu ligue pra minha mãe, ou pule dessa janela em baixo de toda essa chuva, pra deixar bem claro o quanto quero ficar longe de você, é melhor abrir essa porta!
–Que droga, Freddie o que tem de errado comigo? –Perguntou num berro indignado.
–Se você não sabe, que dirá eu! Agora abre.
–Primeiro eu quero um beijo. –Disse aproximando-se.
–Para de se humilhar...
–O problema não sou eu, é você. Mas eu posso te ajudar.
Missy agarrou Freddie pelo pescoço abocanhando os lábios do garoto com fúria. Freddie tentou se esquivar sem machuca-la, mas isso só a fazia apertar o abraço, colando seus corpos. Sem sucesso em sua atitude cavalheira, ele a empurrou com tanta força que a garota caiu no chão ruidosamente.
–Você me machucou. –Choramingou massageando o tornozelo.
–Abre a porta -disse após esfregar os lábios com a manga da blusa.
–A outra chave estava atrás desse porta retrato na cômoda. –Disse olhando pro chão.
Freddie abriu a porta e sentiu que vinha tempestade a sua frente. Missy continuou no chão massageando o tornozelo. Doía bastante, pois ele virara sobre o salto antes da queda. Fora tudo um grande fracasso. Mas ao menos havia conseguido algo, que com um pouco de edição de imagens, poderia lhe ser útil em alguma coisa.
Ao caminhar pelo corredor da casa, Freddie ouviu vozes alteradas em um cômodo. Steven Robson falava ao telefone com alguém. Parecia nervoso. Freddie não entendeu muita coisa, havia uma gritaria vindo do lado de fora.
Saiu para ver do que se tratava e não encontrou ninguém na sala. Estavam todos os convidados empoleirados na varanda, disputando espaço para ver um belo carro de som parado na frente da casa. Uma combe azul, com balos em formato de coração, com fotos de ambos. Todos aplaudiam extasiados o belo espetáculo organizado pela noiva. Que ninguém percebeu, havia desaparecido pouco depois de Gibby pedir que fossem todos para o lado de fora.
–Freddie! –Carly saiu se aproximou completamente extasiada. –Onde você estava?
–Caindo numa armadilha. –Disse amargurado.
–O que?
–Esquece!
Mesmo não tendo feito nada de mal, Freddie sentia que aquele episódio sairia muito caro para ele. Sentia raiva de Jeremy e de Missy. Pensava em Sam. Não sabia se contava ou não a ela. Talvez fosse melhor contar, para evitar que ficasse sabendo por outra pessoa uma outra versão dos fatos.
De uma hora para outra, a bela canção das Spice Girls, 2 become 1 foi bruscamente substituída por um rock, com uma letra que estava mais para adolescente rebelde fugida de casa do que para garota apaixonada ficando noiva. O homem do som devia ter se enganado, pensou a maioria. De repente, todos olharam envolta a procura de Wendy, em busca de respostas. Tarde demais.
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