Conexão
1 Capítulo 1 - Talvez seja apenas ilusão
Notas iniciais
Esforcei meu corpo cansado para me sentar, encostado á parede. Forçando meu peito cansado a subir e descer ao ritmo do meu pulmão que também se esforçava para pegar o ar.
Minha cabeça girava e doía, mas a dor já se tornara comum no meu dia a dia a quase dois meses. Senti minha garganta seca implorando por água que eu não via ha uns três dias. Meu estomago roncava, se remoendo e doendo suplicando pela comida que eu não tinha ha quatro dias. Sentia-me fraco, mal conseguindo ficar de pé, na verdade, acho que realmente não conseguiria ficar em pé se tentasse. A porta se abriu e agradeci por isso, fazia tempo que a porta não se abria e que alguém entrava, mas logo quis que ela se fechasse novamente ao saber que provavelmente ela tinha sido aberta para me causar mais dor. Um homem alto e musculoso entrou no local, o mesmo homem que eu sempre via, o mesmo que estava sempre me batendo, cortando, torturando.
Um alívio tomou minha alma ao ver que ele trazia duas coisas na mão, uma embalagem de alumínio que pelo cheiro que senti, era comida. Meu estomago se remoeu novamente ansioso pela comida. Na outra mão ele trazia uma garrafa de água. Fechou a porta e foi até mim.
-Aqui. –Disse estupidamente, praticamente jogando a comida no chão junto com a água. Havia um garfo de plástico ali. –Aproveite, é única comida que verá por algum tempo.
Então ele se levantou e saiu. Abri a embalagem e a comida não era das melhores, mas não me importei, era comida! Não me importei de principio em pegar o garfo, comia desesperadamente. Abri a garrafa de água a despejando em minha boca e sentindo passar por minha garganta. Como aquilo era bom.
Eram em momentos como esses, de fome, sede, dor, pesadelos e saudade que eu passava os meus dias, nem ao menos me lembrava como era a luz do dia. Eram os momentos em que mais desejava que aquilo acabasse, que eles viessem me buscar. Mas era difícil manter a esperança quando eu sabia que todos pensavam que eu estava morto. Havia um corpo completamente queimado, com meus documentos perto do local, meu carro batido, meu DNA que eu não tinha ideia de como haviam implantado nas evidencias. Então todos achavam que eu estava morto. E não havia nada que eu pudesse fazer para mudar isso.
A saudade era algo constante em mim, meu peito doía ao pensar em todos eles. Meu pai, Scott.
Lydia... Nós estávamos indo tão bem. Realmente estávamos próximos, ligações até tarde em que nenhum dos dois queria desligar, sorrisos trocados, olhares. Vários momentos em que quase nos beijávamos, mas alguém sempre tinha que atrapalhar. Então... Tudo virou de cabeça para baixo quando fui trazido para cá e me explicaram que todos achavam que eu estava morto. Incluindo Lydia. Senti as lágrimas virem aos meus olhos. Eu nunca sairia dali, nunca mais viria Lydia ou meu pai, ou Scott. Nunca mais iria para a escola... E morreria ali, sozinho.
Peguei uma pedra que estava jogada ao meu lado e fiz um risco na parede, que se misturou em meio aos outros riscos. O dia seguinte seria o primeiro dia de aula depois das férias. O primeiro dia no terceiro ano.
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POV Lydia
Terminei de me arrumar, não estava tão animada para o primeiro dia de aula como de costume. Faltava algo, faltava... Alguém. Era impossível não pensar nisso, saber que iria para a escola e ele não estaria lá. Que eu não o veria chegando em seu jipe, me olhando e dando aquele sorriso que só ele sabia dar. O único sorriso que faziam minhas pernas amolecerem e meu coração disparar.
Respirei fundo tentando afastar os pensamentos melancólicos, antes que as lagrimas viessem e borrassem minha maquiagem, como vinha acontecendo frequentemente toda vez em que pensava em Stiles.
Saí do quarto pegando minha bolsa e indo até o carro. Joguei a bolsa no banco ao lado, coloquei o cinto, ajustei o retrovisor e girei a chave. Automaticamente o radio se ligou, mas diferente do normal não começou a tocar musica alguma. Ouvi apenas... Uma voz de la.
-Por favor... Encontrem-me... Encontrem-me... Eu estou aqui...
Meu coração bateu forte em meu peito ao ouvir a voz que há meses eu não ouvia. Aquilo era loucura. Apertei o botão de desligar do radio... Estava começando a ficar louca, era isso. Apesar de ter apertado o botão a voz ainda continuava.
-Estou aqui... Encontrem-me...
Então tudo se silenciou.
-Okay Lydia, calma. Respira, não é nada, esta tudo em sua mente. Isso não esta acontecendo.
Pisei no acelerador e dirigi até a escola antes que me atrasasse.
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POV Scott
Deixei minhas coisas no armário e olhei o armário ao lado. Haviam alguns papeis colados e coisas escritas a tinta de caneta própria. “Descanse em paz” “Sempre nosso numero 24” coisas do tipo espalhas por todo o armário. Olhei o bastão de lacrosse em minha mão. Tudo parecia tão estranho, estava faltando ele. Como eu jogaria lacrosse sem meu melhor amigo? Assistiria às aulas ou simplesmente iria até meu armário guardar minhas coisas? Eu mal conseguia olhar para o armário ao lado.
-Hey, Scott!
Olhei o garoto que me esforcei para lembrar-me de onde eu o conhecia. Era da minha turma de inglês.
-Meus pêsames cara. –Ele disse.
-Ham... Obrigada.
Então ele saiu. Me virei para meu armário novamente e fechei a porta.
-Hey, oi. –Kira apareceu ao meu lado e eu a olhei. Ela estava linda. Sorri e depositei um beijo rápido em seus lábios. –Bom dia.
-Bom dia, você esta bem? –Ela perguntou e eu sabia o por que.
-Hm... É, vou ficar.
Ela segurou minha mão e olhou para o armário ao lado.
-Vem, vamos para a sala e esperar Lydia, que deve estar tão mal quanto nós.
-É...
Então eu a segui até a sala.
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POV Lydia
Cheguei á escola, correndo e tentando calar as vozes em minha mente, falando coisa que eu não entendia uma palavra. Nem ao menos parei no meu armário, só procurava uma sala vazia e empurrei a primeira porta que vi. A vozes se calaram e parei em pé no mesmo lugar. Okay... Aquilo não era uma sala de aula. Na minha frente só tinha uma grande sala vazia. Suja e extremamente escura. No canto de uma das paredes eu ouvia uma voz. Havia alguém ali. Caminhei cautelosamente até lá, sentindo a baixa temperatura. A tal pessoa estava encolhida e tremendo de frio, uma embalagem vazia ao seu lado assim como uma garrafa também vazia. Então a pessoa virou o rosto para cima e senti todo o meu mundo desabar, minhas pernas bambearem e a incredulidade tomar conta de mim.
-Stiles...?
Ele não parecia me ver, algumas lágrimas rolavam pelo seu rosto sujo.
-Me encontrem.... –Ele sussurrava.
Reparei nas inúmeras feridas que ele tinha distribuído pelo rosto e pelas costas da mão, onde eu conseguia enxergar.
-Stiles! –O chamei novamente e foi como se eu estivesse sendo puxada por algo, me afastando cada vez mais dele. –Não! Stiles! –Gritei desesperada para que ele me ouvisse, mas ele não esboçava nenhum sinal de que sequer me via.
Então eu estava novamente na sala de aula da escola. A parte ruim? Vários alunos que estavam na sala me olhavam e a professora parecia chamar o meu nome.
-Lydia? Você esta bem?
-Eu... –O que havia acontecido? Será que aquilo era... Real?
Ela me pediu para que fosse a enfermaria e escreveu algo, me indicando obrigatoriamente a falar com a orientadora, coisa que ela disse ter feito com Scott e Kira também. Malia havia sumido, simplesmente. Depois do ocorrido com Stiles ela disse não ter porque ficar e partiu a procura de sua mãe misteriosa. Mas nós sabíamos que parte disso era a tentativa de fugir da dor da perda, coisa que todos nós tentamos fazer, sem sucesso.
Me encaminhei a contragosto até a sala da orientadora e me sentei ali, esperando. O que estava acontecendo comigo? Vendo e ouvindo essas coisas sobre Stiles... Ele pedindo, implorando para ser encontrado. Era como se minha mente se recusava a ver o que meu coração implorava para que ela visse. Não! Eu não podia me iludir e me apegar á ideia de que Stiles estava vivo, não podia!
Alguém sentou-se ao meu lado, olhei e vi que era Scott, ele me olhou e sorriu.
-Estamos aqui pelo mesmo motivo, certo? –Ele perguntou.
Sorri levemente.
-Sim, acho que estamos. Eu meio que acabei de surtar da aula e... –Parei em meio a explicação. Eu deveria contar a Scott sobre minhas visões e suspeitas? Era melhor não, talvez ele se iludisse também, seria ainda pior se criássemos expectativas e no fim descobríssemos que eu estava errada. Mas... E se eu estivesse Certa? Era tanta confusão dominando minha mente.
-É... Eu também meio que me desliguei, o professor fez perguntas demais e acho que respondi alto demais.
Deitei a cabeça em seu ombro. Scott tinha se tornado um grande amigo durante esses anos e eu realmente já considerava como se fossemos irmãos.
-Vamos passar por isso, logo as pessoas vão esquecer e voltar a nos tratar normalmente.
-É...
A porta da sala da orientadora se abriu e ela me olhou.
-Lydia? Sua vez.
Me levantei, me preparando para uma longa conversa.
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POV Stiles
Me encolhi no chão sentindo muito frio, minha cabeça explodia de dor e sentia meu estomago enjoado. Senti uma mão em minha cabeça, os dedos afagando meus cabelos bagunçados. Me assustei levantando a cabeça e meu coração bateu acelerado quando vi Lydia ali.
-Lydia? Lydia! O que faz aqui?
Ela sorria, parecendo tranquila. Não estava suja como eu, na verdade eu podia até mesmo sentir seu perfume doce, os cabelos macios caindo por seus ombros e o sorriso luminoso no rosto.
-Estou cuidando de você.
-Cu-cuidando de mim? –O que diabos estava acontecendo? –Eles te pegaram e trancaram aqui como eu?
-Não Stiles... Não se preocupe. –Ela disse, me fazendo deitar a cabeça em seu colo. Apreciei o carinho fechando os olhos e entendendo o que estava acontecendo. Ela não estava ali. Eu a estava imaginando ali, era minha mente me dando um descanso.
-Lydia... Eu estou vivo... –Sussurrei, algumas lagrimas escorrendo pelos cantos dos meus olhos. –Vivo...
-Xi... Eu sei, você ficará bem.
Não sei por que me senti tão tranquilo com aqui, não era Lydia. Era só uma alucinação da minha cabeça, só isso. Mas não podia ignorar o quão real parecia, e não me importando se era sonho ou realidade apenas... Aproveitei o momento.
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