Notas iniciais
Disclaimer: Infelizmente TWILIGHT não me pertence, mas essa fanfic sim. Por favor, respeitem! .

Capítulo vinte e seis – Encarar

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"Você pode encarar um erro como uma besteira a ser esquecida, ou como um resultado que aponta uma nova direção."

— Steve Jobs -

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Edward encarava as palavras estampadas no noticiário daquela noite. Ele sabia que Isabella se daria bem na política. Ela tinha todas as características que um bom membro da política possuía: sagacidade, inteligência, pulso firme, eloquência, conhecimento, mas principalmente ambição. Foi justamente a sua ambição desenfreada, sua sede de poder que havia a levado até ele. Naquele momento, supunha-se, que sua ambição e sua sede de poder era direcionada a sua vontade de se provar como uma grande jornalista em escala nacional e mundial.

Inconscientemente Edward aumentou o volume da televisão para ouvir o pronunciamento que a esposa dava.

— Obrigada a todos pelo o imenso apoio durante toda a minha campanha. – começou com um sorriso, que parecia ser direcionado a todos. – Toda a minha campanha foi em busca da igualdade, da justiça e dos valores familiares que são fundamentais para a base da nossa sociedade moderna. A inclusão feminina em um cenário tão masculino como a política, faz com que entendamos a necessidade de igualdade de cargos e de salários entre os gêneros, algo que infelizmente na América ainda é algo discrepante. – disse com leve pesar.

"A luta pela igualdade de condições é o que irei me focar no meu mandato, evidente que a minha luta nessa busca é apenas o primeiro passo. Devemos mulheres, homens, jovens, nos unir e mostrar que a nossa sociedade não é avessa ao avanço, devemos nos unir e juntos trabalharmos para que todos consigamos superar as inúmeras barreiras que ainda mancham a nossa sociedade." – falou com fervor. – "Mas pouco importa o meu trabalho incessante para isso, se todos não trabalharmos juntos para que essa tão utópica, tão necessitada igualdade deixe de ser um ideal e se torne uma realidade."

O seu discurso sobre suas propostas de trabalho seguiram-se, mas foi somente quando as perguntas sobre suas propostas foram iniciadas que o nome do ex-senador Edward Cullen foi, não inesperadamente, citado.

— Senhora Senadora – começou um jornalista ao fundo, que Isabella demorou a encontrar. -, todos sabemos que seu marido, o ex-senador Edward Cullen foi um homem importante e uma voz ativa tanto na política estadual de Illinois, quanto nacional, bem como a sua influência no partido democrata, porém, como a senhora irá lhe dar com as dificuldades que irão surgir no mandato? Será que o ex-senador será seu conselheiro? Ou talvez aquele que impedido de governar, a colocou no cargo para conseguir sedimentar novamente o terreno da sua carreira? Como o ex-senador encarou sua candidatura? Por que Edward não esteve em nenhum momento ao seu lado durante a campanha? – finalizou o repórter do Washington Post, que a morena reconheceu como Paul Lahote, um implacável jornalista que recentemente voltara de Londres para o cargo que um dia pertencera a James Collins e que ela própria tanto almejou.

— Senhor Lahote – começou Isabella com um sorriso enviesado e irritado. -, o fato do meu marido Edward Cullen não estar ao meu lado durante a minha campanha, não quer dizer que ele não me apoia, muito pelo contrário foi ele quem optou por não me acompanhar, sabendo que ante aos escândalos infundados que seu nome esteve envolvido antes de deixar o Senado que estes seriam matéria para debates, entrevistas, como acabamos de provar – completou com certo rancor. -, ao invés das minhas propostas como membro do Congresso.

"Sei que para muitos a ausência do meu marido foi algo questionável, sobre o estado do nosso casamento, porém afirmo que estas suposições sobre nossa vida matrimonial são ridículas e infundadas. Edward, sim, não nego, foi fundamental para minha decisão de concorrer. Ele me deu apoio, mas como opção preferiu ficar distante. Pois ele não é e não será um conselheiro de campanha ou governo, e muito menos me colocou ali para que ele governasse através de mim." – sua voz ficou uma oitava mais alta e mais fria. – "Ao contrário do que a maioria supõe, não me candidatei para reerguer o nome de Edward, mas sim porque como jornalista que sou, vi que nossa sociedade algumas injustiças ainda são tão marcantes, e me deixava inquieta, sei que o sobrenome Cullen é conhecido neste cenário e que nunca houve uma mulher com esse sobrenome ocupando um cargo público."

"Minha decisão de me candidatar, evidente foi facilitada pelo sobrenome que possuo por ser esposa de Edward, mas em nenhum momento foi a razão de concorrer. Edward, como todos sabem cometeu erros e se arrepende deles, ele já foi julgado por todos, inclusive está cumprindo uma pena social que lhe foi estipulada, por isso, volto afirmar: Edward não teve nada a ver com a minha candidatura. Não fiz isso por ele, mas fiz isso por mim, pela minha enteada Jane, minha filha Elizabeth, por minha sogra, minha mãe, pela sua mãe Paul, pela sua filha, suas netas, por todas as mulheres da América, que necessitam que uma representação, de uma voz ativa, de alguém que saiba como é ser uma mulher forte em um país ainda manchado por machismo!"

Isabella encarou os diversos homens que estavam ouvindo-a na pequena saleta, e como se tivesse encarando cada um deles e os esbofeteando sentenciou:

— Edward, claro, é alguém de suma importância na minha vida, afinal ele é meu marido, meu companheiro, o pai da minha filha, mas estar hoje declarando minha vitória a esse cargo que um dia eleocupou, nada tem a ver com ele, mas sim comigo e com o futuro que quero para minha filha e minha jovem enteada. Um futuro com igualdade. – finalizou a morena com fervor.

Mas algumas perguntas foram feitas a agora Senadora Isabella Cullen, porém o nome do marido não foi novamente levantado. Edward que havia se sentado quando começou o pronunciamento da esposa agora andava para lá e para cá no escritório da casa que era sua fortaleza nos Grandes Lagos. O homem correu seus dedos longos por seus cabelos acobreados, bagunçando-os, para em seguida retirar um cigarro de seu maço e levá-lo aos lábios.

Ele tinha conhecimento que sua fala era para evitar chamar uma atenção indesejada a ele e a relação que tinham, mas suas palavras foram tão duras, tão cheias de rancor, que um ódio que vivia na baía, sobre a sua pele o consumiu. Todo o rancor que de certa forma havia minimizado conforme os anos foram passando, de repente alvoreceu como um fogo. Consumindo tudo em seu ser, o cegando, desejando vingança por tudo de ruim que ela causara a ele.

Isabella Swan, ou melhor: Isabella Cullen, havia usurpado de sua confiança, de seu amor por ela para conseguir o que queria. O mais puro e cobiçado poder.

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Em retrospecto Isabella nunca imaginou um dia concorrer ou muito menos ganhar a um cargo político. Porém, ali estava ela: assumindo um cargo público que na sua concepção era inimaginável. Claro ela sabia que tinha seu mérito, suas ideias e suas falas foram algo puramente dela, mas toda a perspectiva de campanha e demais pormenores do percurso isso era de Carlisle. O sogro disse que a ajudaria, mas a campanha que ele fez em prol da nora era surpreendente, e por causa disso a morena sentia-se confiante. Não apenas confiante de conseguir lhe dar com o cargo e todos os meandros na rotina no congresso. Mas principalmente confiante em conseguir reerguer o nome de Edward.

Porém, ser uma Senadora dos Estados Unidos não era tão fácil ou simples como se esperaria, ainda mais com os problemas que Isabella enfrentou nos primeiros meses de mandato. Os desafios iam desde não conhecer direito a malandragem dos bastidores políticos, a por não saber lidar com lobistas, senadores e congressistas que tinham o desejo de vê-la fracassar, ou ainda, seja por ser esposa de Edward.

Viver à sombra de Edward tinha o seu lado positivo e seu lado negativo. O lado positivo era porque o seu nome voltou a circular pelos corredores do Capitólio, e invés de ser ligado a coisas ruins, estava ligado a algo bom, como progresso, igualdade e principalmente novidade, frescor no cenário político. O lado negativo de viver à sombra de Edward era que para muitos Isabella nada mais era que um fantoche, alguém que Edward estava manipulando a seu bel-prazer, para conseguir reerguer seu nome – todos nos bastidores da política supunham que Isabella estava ali principalmente para colocar o nome de Edward Cullen em bons termos.

No início foi difícil conviver com os falatórios, com as constantes alfinetadas de seus companheiros de partido e adversários sobre a sua capacidade de governar. Várias vezes passou pela cabeça da morena desistir, porém, com o apoio incondicional de Carlisle e de Jasper, a Senadora conseguiu superar cada desafio. Aos poucos o fato de acharem que Edward quem estava governando e não ela, foi superado, e toda vez que era sequer levantada essa suposição rapidamente perdia força ou era recebida com desgosto por qualquer interlocutor, por ver que no governo de Isabella, nada dos costumes de Edward eram aplicados.

Isabella sempre fora uma mulher dedicada, inteligente, sagaz, ambiciosa, decidida, focada em sua carreira, logo quando cada desafio que lhe era imposto era superado, a morena sentia-se confiante, como se ela pertencesse aquele mundo – não como uma contadora de histórias, uma jornalista que deveria relatar os bastidores daquele lugar, mas sim como uma protagonista. Uma pessoa que vive aquela história.

Todavia, a morena sabia que ser Senadora era somente um emprego com prazo determinado, e, por mais que estivesse se dando bem no cargo, não era algo que ela gostaria de exercer pro resto da sua vida, sem contar que ela só aceitara essa empreitada para restaurar a figura de Edward na política. Ela só aceitara ser Senadora para compensar Edward pelos seus erros. Pelo o erro fatal de escrever aquele artigo que James roubou, e com isso difamou o nome do marido e do sobrenome Cullen.

Sua pauta pessoal pelos corredores do congresso eram tão claros que onze meses depois de ter assumido o cargo, e ter conquistado a confiança de seus companheiros de Senado, a morena começou a mexer os pauzinhos para trazer Edward de volta a DC. No início era sobre a possibilidade dele voltar a se vincular com o partido, sendo um tipo de conselheiro – claro, todos sabiam que Edward já era, indiretamente, um conselheiro do partido democrata.

Quando a ideia de conselheiro foi bem recebida, a morena começou a questionar como o ex-senador se portaria sendo um congressista, novamente o fato de Edward, em início de carreira já ter sido um, foi muito bem recebida. Para a maioria Edward seria uma figura essencial de ligação entre as duas casas do congresso com a presidência. Por muitos meses Isabella deixou a ideia de Edward retornar como congressista conquistar os companheiros de congresso e, principalmente de partido. Para a maioria era certeza que Edward entraria a qualquer momento pelas portas do Capitólio como congressista, revolucionando uma casa que necessitava de mudança.

Carlisle estava exultante com a jogada da morena.

Pouco a pouco o homem passou a admirar ainda mais a nora. Ingressa-la na política sem sombra de dúvidas fora uma jogada de mestre, ela era o que o partido, que o congresso, o que os Cullen precisavam. Jasper também estava satisfeito com o trabalho de Isabella. Ele que sempre ficou à sombra de Edward, sendo mais um suporte para as articulações do homem, alguém que o ajudava nos bastidores, ao lado da morena a loiro passou a ter uma posição mais central, seja por ajudá-la, seja para mostrar confiança no trabalho.

Com os dois ali – mesmo que o senador do Texas não tivesse o sobrenome Cullen, mas era casado com uma – fez com que o nome da família ganhasse força novamente. Se Jasper que antes era um Senador que tratava das questões burocráticas mais nas sombras, agora ele passou a ser conselheiro direto da presidência – tudo graças a influência de Isabella. Tanto é que quando finalmente Jasper conseguiu a confiança do partido republicano, e Isabella o respeito, principalmente, do presidente por conseguir aprovar um projeto de lei, ligeiramente indigesto, a morena sabia que era hora da segunda parte do seu plano: lançar a ideia de Edward voltando a ser Senador.

Enquanto ela fazia sua campanha indireta, pelos corredores do Capitólio, com Edward ocupando o seu antigo cargo como Senador, seu pseudônimo Lillian Johnson, começou a lançar outra ideia: a de Edward como um possível pré-candidato a presidente.

Por mais que ela, Jasper e Carlisle afirmassem que Edward não tinha intenções presidenciais, a ideia começou a ganhar corpo – principalmente quando um escândalo envolvendo o presidente, levou toda a população a questionar a sua capacidade de governar o país. Bem como a impopularidade do partido do presidente que começou uma campanha que infligia os direitos básicos dos cidadãos: criminalizar as relações homoafetivas. O partido republicano começou a ficar em frangalhos, seus próprios membros estavam divididos, possibilitando que o partido democrata significasse a esperança que o país precisava.

E era justamente a figura de Edward, que de certa forma, era aquele que despertava a esperança do povo. Era o "Yes, we can" de Obama ganhando forma novamente, porém na figura de Edward.

Assim, diante desse cenário o nome de Edward passou a ser uma constante na corrida presidencial. Seus erros do passado, ainda eram lembrados, mas os seus feitos como político sobrepunham as suas faltas pessoais. Sem contar que o apoio público e político que Isabella estava arrecadando para si, trazia muitos votos a uma futura eleição do marido – pois, muitos acreditavam que como primeira-dama a mulher conseguiria dar o suporte necessário as empreitadas políticas do marido e se possível aumentar seus feitos. Isabella era vista por muitos como a nova Jackeline Kennedy: uma mulher a frente do seu tempo.

Com o nome de Edward retornando indiretamente na mídia, e uma constante nos bastidores da política nacional. Isabella sabia que estava chegando o momento dela enfrentar o marido. Desde que Edward refugiara na casa dos Grandes Lagos, muitas vezes a morena pensou em visita-lo, mas frente a conversa que haviam tido no dia anterior dele ir para o seu refúgio a morena sabia que não havia como ela enfrentá-lo.

Ele estava irritado, se sentia traído, e principalmente ele a odiava. Sim, Isabella não esquecia da frase que ele disse, e por mais que eles tivessem feito sexo luxuriante, necessitado, até mesmo apaixonado, era a ideia de que aquele ato era um simples ato sexual, sem qualquer significado para ele, e tal como ele frisara: ele a odiava fez com que ela se sentisse um objeto – algo ou melhor alguém, que ele precisava naquele momento para saciar o seu desejo sexual. Por isso que ela foi deixando pra lá a ideia de visita-lo.

Ela o defendia com unhas e dentes para todos. Sempre o descrevendo como um homem honrado e apaixonado, pois sabiamente a morena estava constantemente em Chicago, o que fazia a mídia acreditar que ela e Edward ainda eram o casal apaixonado de outrora. Mas a realidade era pior. Claro a família de Edward rapidamente notou que a morena não visitava o marido, apesar de estar a menos de 40 minutos de distância da onde ele estava, mas as únicas que tentaram de alguma forma falar com a jornalista sobre o assunto, mas falhando miseravelmente foram Alice e Jane, irmã e filha de Edward respectivamente. Por isso que com o tempo todo mundo deixou de falar sobre a relação dos dois, percebendo que viviam um casamento de aparências.

Elizabeth, ainda era o que ligava os dois. Após a mudança de Edward, ela sabia que não podia deixar a filha morando em uma casa diferente da dela, por isso Elizabeth, logo após a prisão de Aro e sua consequentemente morte, passou a morar com ela no apartamento em downtown. A menina ainda ficava bastante com as babás, mas Isabella fazia questão de passar todas as noites e quando era possível os fins de semana na companhia da filha.

Fora quando a morena fez dois anos no cargo, e enfim o período de seis anos do afastamento de Edward estava no seu fim que a morena tomou uma decisão que durante anos rondou sua cabeça: ela precisava enfrentar o marido. Ela precisava lhe contar toda a verdade. Ela precisava trazê-lo de volta para enfim conquistar o que tanto almejava. Porém, a certeza de que era o momento de visitar o marido no seu refúgio, veio quando Elizabeth voltou de uma visita ao pai acompanhada dos avós.

— Mamãe! – gritou a menina de quase oito anos com seus longos cabelos castanhos com mechas bronzes, olhos verdes e pele clara, correndo porta adentro do escritório de Isabella. A menina usava um belo vestido azul, com pequenas borboletas coloridas estampadas. A Senadora sorriu com a imagem da filha.

— Oi meu anjo. – sorriu carinhosa. Levantando-se de sua cadeira e indo ao encontro da menina. – Como foi a viagem? Obedeceu a vovó e o vovô? – perguntou a mulher abraçando a menina.

— Sim! – exclamou rolando seus olhos divertida. A jornalista riu divertida com o atrevimento da menina.

— Você teve um bom tempo com o papai? – questionou com urgência a mulher a criança. A menina balançou efusivamente em afirmação a cabeça. – O papai está bem? – aquela era uma pergunta que sempre a mulher fazia a filha quando retornava das visitas ao pai, e desde que Elizabeth aprendera a falar sua resposta era sempre a mesma:

— Sim, mamãe! O papai está ótimo! – sorriu brilhantemente. – E ele me contou um segredo. – acrescentou misteriosa.

Isabella ficou curiosa.

— Ah é? Que segredo? – questionou a mãe da menina. Elizabeth mexeu em uma pequena mochila branca, retirando um quepe de aviador da mesma e colocando na sua cabeça.

— Papai disse que está voltando pra casa e que vai me levar pra andar de avião com ele! – exclamou animada, soltando-se do braço da mãe e subindo no sofá ao lado. – Ele disse que vou ser a copilota dele! Que nós vamos juntos pra Disney! – gritou, batendo suas pequenas palmas.

A morena admirou a filha. A sentença que a menina lhe dissera era surpreendente. Ela sabia que estava perto de Edward retornar a DC, mas para ele fazer promessas a filha ela sabia que era sério. Que sua volta era iminente, e por isso que ela precisava conversar com ele antes de retornar pra casa.

— E ele disse quando está voltando? – sondou. – Quando vai ser esta viagem incrível pra Disney? – perguntou com um sorriso, sentando-se no sofá em que a filha ainda estava empoleirada, fingindo pilotar um avião.

— Ele disse que depois... hum... depois... – a menina ficou calada um pouco pensando. – depois do ano novo. – disse, sentando-se no sofá e arrastando-se para o colo da mulher.

— Huumm... – disse reticente a Senadora.

Naquele momento Isabella soube que ela não deveria mais adiar o inadiável, que ela deveria encarar o marido. Era impreterível, era necessário e deveria ser feito o mais rápido possível.

Assim com um planejamento claro a jornalista seguiu para Illinois uma semana depois das notícias de sua filha. Sua coragem ia e vinha, tanto que ficou dois dias em Chicago tentando se acalmar ante a derradeira conversa que teria com o marido. Quando já estava ridículo postergar ela enfim decidiu que aquela sexta-feira de outubro era o dia de olhar nos profundos olhos verdes do marido.

Isabella mesmo não tendo qualquer perspectiva de seduzir Edward, vestiu-se com um cuidado exacerbado. Ela optou com um conjunto de lingerie de renda preta, com um sutiã sem alças. Meias de seda, que iam até o meio de suas coxas também na cor preta. O vestido era de um azul profundo, que ia até a altura dos joelhos, de manga comprida e decote canoa. Um leve casaco cinza acinturado era um item que ela teve que acrescentar pelo vento gelado e inesperado da primavera. Em seus pés, scapins negros altíssimos. Seu anel de noivado brilhava em seu dedo anelar esquerdo, fazendo um par perfeito com sua aliança de casamento. Uma maquiagem leve, que destaca seus profundos olhos castanhos e os cabelos soltos em largas ondas chocolate completavam sua imagem perfeita. A Senadora no carro que havia alugado seguiu para a casa de campo da família Cullen.

Isabella estava uma pilha de nervos, tanto é que ela nem viu que estava em frente a grande casa até que estivesse passando os grandes portões de ferro da propriedade.

Quando parou o carro frente à entrada a jornalista sentiu que seu coração iria saltar da sua boca. Sua respiração estava superficial – como se ela tivesse corrido quilômetros. Suas mãos suavam e tremiam. Fazia anos que ela não se sentia tão nervosa como estava naquele momento. Quando a porta da frente abriu e uma mulher elegante de cabelos brancos presos em um coque apertado apareceu a morena sobressaltou.

— Senadora Cullen! – exclamou a governanta, claramente surpresa pela visita de seu patrão. – Entre! Está chovendo, a senhora ficará toda molhada. – advertiu. Isabella estava tão nervosa e imersa em seus próprios pensamentos que sequer percebeu as grossas gotas de chuva que molhavam seus cabelos e casaco. Limpando seus pensamentos a morena seguiu para o hall de entrada onde a governanta estava lhe esperando.

— Olá Sra. Tanner. – disse com um sorriso a morena. – Como você tem passado? – perguntou educadamente, retirando seu casaco cinza e afastando as gotas de chuva de seus cabelos.

— Bem. Absurdamente bem. – respondeu a governanta. – E a senhora? – perguntou encaminhando a mulher para a sala de estar.

— Muito bem. – sorriu torto. – Hum... Edward... ele está em casa? – pediu com urgência.

A mulher sorriu enviesado.

— Sim. Ele está. – acenou. – Ele está no escritório, vou chamá-lo. Por favor, fique à vontade. – disse a governanta que seguiu pelo corredor em direção ao escritório de Edward.

A morena suspirou pesadamente. Sentando-se no sofá branco. Nervosamente ela passou a mão pelos seus cabelos, tentando se acalmar.

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Bree Tanner há muitos anos serve os Cullen, ela praticamente viu Edward e Alice crescer, tanto que quando Edward decidiu se refugiar na casa dos Grandes Lagos, a mulher, que estava considerando se aposentar, pediu a Esme que a deixasse acompanhar o Senador. Esme que sempre gostou da dedicação de Bree, e como a mulher tinha Edward como um filho, achou que a companhia dela ao lado dele era algo importante para o filho no momento.

A governanta bateu suavemente na porta semiaberta do escritório, fazendo com que o homem de cabelos bronze e profundos olhos verdes levantasse a cabeça.

— Bree, eu ouvi um carro, quem é? Ninguém disse que vinha para cá esse fim de semana. – falou o homem, abaixando o livro que lia.

A mulher sorriu.

— Alguém que você não esperava Edward. Alguém que nunca veio lhe visitar antes. – explicou. O ex-senador a encarou confuso. – Sua esposa Edward. Isabella veio finalmente te visitar.

— Isabella? – repetiu. – Uau! Realmente inesperado. – disse levantando-se da sua cadeira. – Bem Bree, pergunte se ela quer alguma coisa para beber e informe que eu já irei.

— Claro Edward. – concordou a mulher com um aceno de cabeça.

O ruivo andou a esmo pelo escritório. Sim, ele sabia que o dia de enfrentar a esposa estava próximo. Ele muitas vezes considerou chamá-la, ou procurá-la em Washington ou mesmo em Chicago – ele sabia que ela estava quase toda semana a menos de 40 minutos de distância, mas mesmo assim sempre faltava algo. Faltava o que realmente dizer.

Quer dizer, ele sabia que havia um abismo de coisas a serem ditas entre eles, porém os mesmos sentimentos que o aterraram durante aqueles meses em que fingiram sem um casal perfeito, como reparo ao artigo que ela mesmo escrevera ainda estavam muito presentes. Muitos vivos em seu interior.

Ele a odiava.

Ele odiava como nunca odiou outra pessoa. Ela o traíra, ela o enganara. Ela fizera com ele algo que somente se espera de um inimigo. Sim. Isabella era a inimiga. Desde quando soube dos motivos que a levaram à ele, Edward deveria saber que ela era uma inimiga. Mas claro, seu pau é que havia tomado qualquer decisão. Pensando por ele. Suas atitudes desde que se envolvera com a morena nunca foram racionais. Sempre impulsivas, emocionais.

Emocionais.

Edward sentia o ódio que nutria pela esposa se duplicar quando pensava nos motivos emocionais que o levara a cometer tantos erros. Emocional. Pungente. Eletrizante. Afetivo.

Afeto. Carinho. Amor.

Ele odiava aquela palavra de quatro letras. Mas da mesma forma que o seu ódio por aquela mulher o consumia como um fogo avassalador, o amor que nutria por pela era como uma inundação. Capaz de causar mais destruição que o fogo odioso, capaz de afogar cada mísero pensamento. Era como fogo e água – incapazes de coexistirem, mas irremediavelmente abusando da sorte convivendo.

O político suspirou pesadamente, arrastando seus longos dedos pelos cabelos acobreados os desalinhando.

Sabendo que não havia mais como postergar o impostergável o homem serviu-se de uma generosa dose de uísque que o consumiu em um gole só. Aquele líquido âmbar por um breve segundo foi como coragem líquida. Era aquilo que ele precisava: coragem. Fechando seus olhos e fazendo uma oração silenciosa para manter sua compostura o ex-senador seguiu para onde sua esposa o esperava.

Mesmo que tivesse tentado controlar anteriormente, seus pensamentos voavam – ele pensou em tudo o que conviveram, em tudo o que ela despertava nele, tudo o que ela fazia ele sentir.

Seu coração martelava ruidosamente em seu peito.

Era terrivelmente inquietante saber que ela, depois de tudo o que fez, depois de tanto tempo sem pisar ali, veio até onde ele estava durante os últimos anos. O homem que antes foi temido por tantas pessoas, que fez tantas coisas ilegais e imorais que não se pode enumerar, foi enganado pela única pessoa com que ele fora realmente verdadeiro, puramente sincero.

A única pessoa neste mundo que teve dele algo que nenhuma outra pessoa antes teve; nem mesmo seus pais, sua ex-esposa ou seus filhos, haviam conseguido o que aquela impressionante mulher conseguiu, e mesmo depois de quase seis anos longe, ela ainda detinha este algo dele e era simplesmente impossível recuperá-lo por mais que ele tentasse. E como ele tentou.

O homem alto de cabelos de um tom singular de bronze, profundos olhos verdes, corpo com músculos esguios e bem torneados, de rosto bastante anguloso, maxilar firme, queixo quadrado, nariz ligeiramente cumprido e reto, de lábios voluptuosos, caminhava despreocupadamente pelos corredores do local que nos últimos anos faziam parte de sua fortaleza; ele não vestia os ternos de alfaiates de renome internacional ou gravatas de seda italiana de outrora, ele trajava uma calça de linho caqui, uma camisa de botões preta e um sapato esportivo em seus pés. Era estranho ele se vestir de tal maneira, pois nem mesmo nos dias em que ficava longe de suas obrigações, que passava com seus filhos, ele usava um figurino como tal, porém ele teve que admitir que se vestir informalmente, mas ainda elegante era até certo ponto confortável.

Entretanto, ele não compreendia porque ela, depois de ter feito toda aquela balbúrdia e conseguido unanimemente uma vitória avassaladora, se deu o trabalho de ir visitá-lo, ela não precisava de sua aprovação, sua congratulação ou o seu desejo de boa sorte e sucesso. Ela nunca precisou disto, porque hoje depois de ter conseguido o que sempre almejou veio até ele?

No começo era compreensível os motivos das suas não visitas, por mais que fora ela quem o traiu, o enganou, fazendo com que todos que depositaram sua confiança naquele homem o desacreditassem, todavia, ninguém tinha conhecimento que fora ela quem o levara para aquele fim, que ela usurpara da intimidade que partilhavam para arrastá-lo para sua própria ruína, afinal, perante a sociedade eles ainda eram o impressionante e apaixonado casal que lutaria um pelo o outro até a sua morte, como ela afirmava continuamente em todas as suas entrevistas.

Não obstante, depois dela finalmente ter conquistado o que desejou avidamente durante todo o tempo em que esteve ao seu lado, usurpando-se de seu amor por ela, para conseguir o sucesso, o poder, o lugar que lhe fora destinado, ela resolveu agir como mandava o figurino da situação conjugal, depois de quase seis anos sem pisar naquele lugar ela veio lhe ver.

Ele tinha plena consciência que ela não veio até ele pedir o que seu advogado insistia para que ele pedisse: o divórcio. Ele, como um bom político, sabia muito bem que o que seu sobrenome significava perante o Congresso Nacional, ela não abriria mão disso, nunca. Ela tinha outro motivo para esta visita, e ele estava curioso para saber o que era.

Ansioso para saber o que lhe trouxe ali, buscou em seus bolsos o maço de cigarros, situações de estresse como esta o faziam fumar mais do que normalmente fazia, pois por mais que houvesse sentimentos conflitantes sobre ela, encarar aqueles profundos olhos castanhos era a mais óbvia situação de estresse a seu ver. O trago que deu na comercializável droga, sem demora, fez seus pulmões se encherem com a fumaça. Instantaneamente a nicotina começou a correr em seu sangue como se fosse um alucinógeno. Era exatamente disso que ele precisava: torpor.

Cada passo que dava, seu corpo sentia a presença dela, mesmo que ainda estivesse a uma certa distância. A corrente elétrica que parecia os conectar continuava a mesma, da mesmíssima maneira que fora desde a primeira vez que seus olhos se encontram no miserável dia que ela entrou em sua vida ou como ela foi multiplicada quando se uniram carnalmente o enfeitiçando com seus dotes e poderes de sedução. Foi indecifrável a emoção que tomou seu ser quando seus olhos bateram no corpo minúsculo da espetacular mulher.

Ela continuava bela como ele se recordava: sua pele clara, macia, sedosa, ainda reluzia ao ser iluminada por qualquer fonte de luz. Seus cabelos castanhos refletiam alguns reflexos avermelhados tão comuns quando estavam expostos a luz natural. Suas curvas eram cobertas por um vestido justo azul marinho. A sua cor preferida nela. Suas pernas torneadas eram escondidas por meias de sedas negras e em seus pés sapatos de salto alto eram sedutoramente exibidos. Ela sabia que ele adorava quando ela usava saltos, como este. Estiletes.

O homem sorriu torto com a sua pretensão. Depois de tanto tempo vir encontrar-se com ele usando justamente a cor e o item feminino que mais o seduzia quando ela usava, se ele não a conhecesse tão bem, ou melhor, parcialmente bem, ele poderia deduzir que essa visita era mais que amigável, seria um encontro sexual dos dois, algo que há muito não faziam, mas ela era quem ela era: fria como uma pedra de gelo por uma razão, e nunca se submeteria a algo tão miserável como o amor, como tão duramente ele constatou depois de toda a desgraça que causou, ela queria algum favor ou informação que somente ele podia lhe dar.

— O que devo a honra dessa imensa surpresa? – perguntou o homem com sua voz profunda e masculina, aproximando-se dela e atraindo sua atenção. Seu rosto em formato de coração e emoldurados por seus longos cabelos castanhos, virou-se para encarar o rosto tão bem decorado do homem.

Seus olhos castanhos profundos esquadrinharam todo o corpo do homem, constatando que em nada os últimos anos haviam lhe alterado, que o mesmíssimo corpo que inúmeras vezes se perdeu continuava da mesma maneira que tão bem recordava. O homem não pode deixar de notar que seus olhos que antes tinham um brilho impressionante, como chocolate derretido, agora se encontravam opaco e sem nenhum brilho, era como chocolate endurecido, frio, amargo.

— Você não veio até aqui para que eu lhe desse os parabéns pessoalmente, não é verdade, senadora? – provocou o homem, sentando-se em uma cadeira a sua frente, ainda com seu cigarro em mãos, o levando aos lábios e tragando com freqüência.

Ela fechou seus olhos e tentou controlar a sua respiração. 'Ela estava nervosa', concluiu o homem enquanto dava mais um longo trago em seu cigarro. Ele a observou buscar algo em sua bolsa, e da mesma forma que ele, ela foi atrás de sua cartela de cigarros tirando um e levando aos seus lábios voluptuosos e luxuriantes que tanto ele havia beijado, que tanto se fecharam em torno de seu membro. Ela acendeu a porção de tabaco o tragando com fervor.

— Você deveria controlar o nível de nicotina. – comentou despreocupadamente o homem, dando um trago longo em seu próprio cigarro.

— Você também. – respondeu a mulher com sua voz rouca e doce. Ele sorriu torto.

— Eu estou condenado, não preciso me preocupar com isso. Ao contrário de você, senadora. – provocou mais uma vez o homem.

— Edward. – exasperou-se a morena.

— O que, Isabella? – devolveu o homem com sarcasmo. – Não vai se utilizar do título que lutou tanto para conseguir? – ponderou friamente, com uma clara nota de escárnio fechando seus olhos em fendas a desafiando.

— Isabella? Por que você está me chamando assim? – pediu ela urgentemente. O homem de fantásticos cabelos acobreados riu em zombaria, dando mais uma tragada em seu cigarro.

— Este é o seu nome, senadora. Isabella Cullen. – respondeu calmamente.

— Eu sou sua esposa! – exclamou nervosamente a mulher. – Por que não me trata mais como me tratava antes, me chamando carinhosamente como você fazia? – pediu com urgência.

O homem riu outra vez em menosprezo. Ela não havia mudado absolutamente nada, fazendo o mesmo teatro de sempre. Se fosse atriz ela seria muito convincente, apesar de que, ela sendo uma mulher da política, saber interpretar era algo extremamente útil, nada mais era do famoso: fingir com decência.

— Você não precisa fingir ser a esposa dedicada aqui, Bella. – comentou o homem dando ênfase em seu apelido, que ele escolheu carinhosamente anos atrás, dando uma última tragada em seu cigarro e jogando o filtro no cinzeiro ao lado de onde estava sentado.

Um silêncio incomodo caiu sobre os cônjuges. Após longos cinco minutos, onde foram mais que suficientes para a mulher terminar seu cigarro, finalmente o homem quebrou o silêncio, curioso pela vinda de sua esposa aquele lugar tão remoto, que ela fez questão de esquecer pelos últimos dois mil dias. Pelos últimos cinco anos e nove meses.

— O que devo sua visita? – perguntou, tirando um novo cigarro do maço que estava em seu bolso. – Você não se preocupou em me ver durante estes cinco anos e meio, nem mesmo durante sua campanha. O que fez você mudar de ideia e vir até aqui? – novamente a mulher fechou seus olhos castanhos, para que o homem não os visse marejados, mas ele estava desconfiado do seu teatro, ele não conseguia acreditar em nada que ela dizia, ou que fazia, nem mesmo suas emoções ou ações o deixavam solidário aquela mulher, para ele, ela era muito dissimulada.

— Edward, eu estou... oh... me perdoe por tudo. – pediu, terminando por fim encarando o homem que agora dava sua primeira tragada no novo cigarro. Imediatamente suas sobrancelhas arquearam em um misto de surpresa e descrença.

— Te perdoar? – inquiriu o homem perplexo. – Por que devo fazer isso? Você somente agiu da maneira que o sobrenome que você carrega pede. – replicou com um sorriso presunçoso em seu rosto.

— Você não pode deixar de ser arrogante apenas por um segundo? – rebateu a mulher, ligeiramente nervosa. Ele ampliou o seu sorriso.

— Quem pede que eu deixe de ser arrogante? – inquiriu, fechando seus olhos em fendas. – A Isabella senadora? A Isabella jornalista? A Isabella manipuladora? Ou a Isabella esposa do senador Cullen? – enumerou o homem.

— A sua Bella. – respondeu com um fio de voz e seus incríveis olhos castanhos tomados por lágrimas.

— Hum... interessante. – disse o homem com descaso e desprezo, dando mais uma longa tragada em seu cigarro. – Não me recordo desta. – concluiu pensativo.

A morena a sua frente suspirou pesadamente, procurando novamente em sua bolsa a cartela de cigarros e tirando mais um. Desta vez suas mãos trêmulas não conseguiam fazer com que o isqueiro emitisse sua chama alaranjada, e ela se debatia com o pequeno objeto prata. Mesmo que fosse contra sua vontade o homem estendeu seu próprio isqueiro para que acendesse o fumo de sua amada, porque ele ainda era perdidamente apaixonado por aquela mulher, por mais que ela tivesse acabado com sua vida.

— Edward, por favor, me ouça. – pediu, mais uma vez a mulher.

— Ok, Isabella, irei te ouvir, mas antes que eu te ouça, você vai me ouvir primeiro.

.

A sentença do seu marido pareceu congelar o seu interior. Ela sabia que o ódio que ele nutria por ela era gigantesco, mas o seu tom irônico e cheio de rancor era esmagador. Lógico, ela não esperava uma recepção calorosa, mas aquela fria e cheia de ódio era nauseante. Isabella estava, na falta de um resposta melhor, aterrorizada.

Fora vez de Edward ascender um novo cigarro antes de começar o seu argumento.

— Você é muito pretensiosa. Sempre foi pretensiosa, com essa carinha de Madalena arrependida, mas você nunca foi sequer inocente em qualquer ação sua para comigo. – suspirou, num diálogo que parecia estar ensaiado há anos.

"Desde o dia que você entrou na minha vida, aquele maldito dia que você foi aquela entrevista de emprego sem a porra de uma calcinha! Confessa, mesmo aquela atitude tão 'inocente'" – disse fazendo aspas com os dedos. – "era cheia de segundas intenções. O papai disse que eu não ia aguentar ver uma bela mulher louca para ser fodida, não foi isso?" – perguntou com escárnio, mas antes que Isabella tivesse tempo de ponderar suas palavras ele mesmo deu a resposta.

"Claro que sim! Sempre estava nos seus planos me seduzir, e seu plano saiu ainda melhor porque me deixei envolver por seus encantos sexuais. Porra! Você conseguiu que eu me casasse com você, que te contasse meus segredos mais profundos em confiança. Como demostrei confiança em você." – suspirou pesadamente dando uma longa tragada em seu cigarro.

— Edward... – iniciou com a voz diminuta.

— Quieta! – exclamou. – Eu estou falando. Você me usou Isabella, me usou desde aquele primeiro dia para crescer na vida. Uma mulher sem nenhum talento, quer dizer alguns talentos, não posso negar que você é inteligente e ambiciosa, mas nada muito extravagante. Você queria ser grande, mas filha de uma policial de merda, de uma professorinha de jardim de infância medíocre e criada por um dos maiores mafiosos do EUA. – enumerou com escárnio. – Você era nada, nasceu para ser nada, mas claro... desde cedo soube como conseguir as coisas, abrindo essas longas pernas e dando pra qualquer um. – divertiu-se.

"Me diz, para quantos você deu para conseguir os cargos que teve? Afinal, seus talentos eram limitados." – provocou. Claro Edward sabia que a morena tinha muitos outros talentos e méritos, mas naquele momento ele queria machucá-la, como partir para violência estava fora de cogitação, as palavras eram suas melhores armas. – "Deve ter sido muitos, afinal, alguém que fodeu o irmão por anos, é capaz de tudo!"

Isabella apertou seus dentes. Ao ouvir a menção a Jacob seu sangue ferveu. Claro, ela estava convencida de que o marido usaria palavras ferinas para machucá-la. Na verdade ela sabia que ele iria humilha-la, mas aquilo ultrapassava os limites do aceitável. De repente o ódio, a raiva que ela sentiu por Edward por tudo o que ele fazia feito, pelas humilhações que ele a fez passar naqueles meses antes de seu refúgio borbulharam em sua pele.

— Pelo menos não sou uma assassina! – exclamou levando-se do sofá branco em que estava e caminhando até a janela. – Posso ser uma mulher sem talentos, que usei meus dotes físicos e sexuais para conquistar o meu espaço, mas em que lugar do mundo isso é um crime? – questionou com desprezo. – Desde que o mundo é mundo é assim que as coisas funcionam, você melhor do que ninguém deveria saber Edward, afinal, quantas pessoas você já matou em sua vida? Dezenas? Centenas? Milhares? Quantas, Edward?

Quando a morena tornou a encarar os olhos esmeraldinos de Edward, o ruivo finalmente viu o brilho que anteriormente estava perdido em seus belos olhos castanhos. A cor de chocolate estava brilhando, viva, líquida. Como fogo em brasa.

Masoquista como só Edward era, ele sorriu torto com a imagem.

— Que casal somos, não? – divertiu-se, levantando de sua poltrona e seguindo para o bar e servindo uma dose generosa de uísque para ele e a mulher. – O assassino e a puta. Senão fosse trágico, seria cômico. Um enredo maravilhoso para uma comédia de final de noite. – entregando a mulher o copo com a bebida âmbar.

— Eu sei que você me odeia Edward, realmente eu sei – disse a morena retornando ao sofá que estava antes. – Acho que demorei tanto tempo para vir aqui, justamente por causa disso. Porque seu ódio por mim ainda é muito vivo, e com razão. Eu entendo a sua razão por esse ódio e por incrível que pareça eu sei que não posso exigir que você me perdoe. – suspirou, tomando um gole da sua bebida e tremendo com o ardor na garganta que causou. – Mas Edward, por favor, me ouça. – pediu com uma súplica.

— Ok. – disse com simplicidade sentando-se na poltrona que estava anteriormente. A morena que não esperava um convencimento tão rápido o encarou confusa, mas notando que aquela era a sua chance de se fazer ouvir tomou o ar e começou:

— Eu realmente fui atrás de você para crescer na minha carreira como jornalista, eu já te disse isso antes, e sim... infelizmente dei ouvidos demais a Aro e sabia que você não aguentaria se eu fosse aquela entrevista sem uma calcinha, ainda mais se eu deixasse isso evidente a você. – sua voz emanava um pesar estrangeiro. – Não me arrependo disso, porque senão não estaríamos aqui hoje, mas tudo o que fiz de certa forma deveria ter feito diferente.

"Eu não sei bem em que momento eu decidi iniciar uma cruzada contra você, acredito que mesmo eu não querendo ouvir eu sempre ouvi Aro demais" – suspirou, tomando um novo gole da sua bebida. – "Sei que você sabe que sua mãe e ele foram namorados antes dela se envolver com seu pai, e que as coisas entre os dois sempre foram..."

— Fodidas. – interveio o político. – Estou ciente disso.

— Eu sei que sim. Aro – riu sem humor. -, sempre manteve uma foto de uma mulher na sala, nunca dei muita importância à fotografia, porque bem... sempre fui uma puta egocêntrica e egoísta. – Edward gargalhou alto com as palavras de sua esposa para descrever a si mesma.

— Que bom que você reconhece. – bufou o homem tomando um gole de sua bebida.

Isabella rolou os olhos com o comentário sarcástico do marido.

— Enfim, nunca dei muita atenção, a questão que era uma fotografia de Esme na juventude, só me dei conta... bem, um pouco antes dele ser preso. – deu de ombros. – De qualquer forma, Aro sempre teve sentimentos odiosos contra os Cullen, e por mais que presa na minha própria bolha nunca dei atenção a estes, não posso deixar de afirmar que meu subconsciente registrou isso por anos. – completou com pesar.

"De qualquer maneira, quando enfim fui efetivada no Post como jornalista política, eu sabia que precisava de algo grandioso para ser notada, e aí que entra você Edward" – disse apontando para o marido, que mesmo sabendo de muitos fatores daquela história que ela contava, estava demasiado surpreso com a honestidade dela. – "Estava assistindo uma daquelas intermináveis, seções bicamerais do Congresso, quando o vi falando. Você sabe que é um homem que atrai a atenção feminina."

Edward sorriu arrogante com a sentença. De fato ele sempre soube que não era ruim de se ver, para um homem da sua idade, ele passava tranquilamente com um jovem de trinta e poucos anos, e não um de quase cinquenta.

— Você me atraiu, o que posso dizer? – deu de ombros. – Então quando vi seu nome, algo dentro do meu subconsciente simplesmente clicou, não sei exatamente como, mas tendo o conhecimento das atividades criminosas de Aro, eu evidentemente liguei para ele para me ajudar com um plano para te derrubar e claro me alçar como a melhor jornalista política da América. – disse com um sorriso torto. – Esse era o plano inicial, e eu estava bem com ele, claro que James Collins não gostou muito quando a ligação anônima dos comparsas de Aro te denunciando caiu para mim, mas com o envolvimento de Stefan Pulitzer me empurrando para a matéria ele teve que simplesmente concordar e mexer os pauzinhos para que Victoria colocasse meu nome na lista de assessores a serem entrevistados.

"Entenda, ninguém no Post achou que eu conseguiria me infiltrar na sua equipe, confesso que nem eu imaginava isso, por isso que acabei indo sem calcinha, talvez essa foi a minha melhor ideia para conseguir o cargo" – deu de ombros.

— Bom... foi com certeza o que me fez te contratar. – retribuiu com deboche o ex-senador. Isabella arqueou uma sobrancelha surpresa. – O quê? Eu te odeio, mas não posso negar que você tem uma boceta gostosa pra caralho. – interveio, levantando-se de seu lugar e buscando a garrafa de uísque que havia servido anteriormente os copos. Retornando ao seu lugar e servindo novas doses para ele e a esposa.

— De qualquer maneira, acabou dando certo. Havia me tornado a sua assessora e sua eventual foda. Mas logo percebi que havia dois empecilhos no meu caminho em conquistar sua confiança: Victoria e Tanya. – Edward que estava no meio de ascender um cigarro parou a ação no meio e encarou a mulher.

— Tanya? Você que...?

Isabella deu de ombros.

— Sim. Eu precisava tirar ela do meu caminho, pedi para Aro fazer uma pequena investigação e descobri do caso dela com seu primo Eleazar, foi fácil convencê-lo de que Tanya ainda tinha sentimentos por ele, e que só precisava de um estímulo para divorciar de você. – deu de ombros e tomou um gole de sua bebida.

— Você fodeu ele? – perguntou o ruivo com uma curiosidade beirando à morbidade.

— Eu sou a puta, esqueceu? Você mesmo disse que basta eu abrir minhas pernas pra conseguir alguma coisa. – recitou as palavras anteriores do marido. Edward sorriu divertido.

— E realmente ele estava a anos sem foder ninguém? Digo depois que Tanya se casou comigo. – questionou, apoiando seus cotovelos em seus joelhos e olhando com legítima curiosidade para a esposa.

Isabella gargalhou com uma lembrança distante.

— Oh sim! Foi horrível! – disse entre risos que Edward acompanhou. – Cinco malditos minutos, sem contar aquele pau minúsculo! – revirou os olhos com a lembrança.

O político que tentava manter a compostura naquela conversa bizarra com a sua esposa, não conseguia controlar um riso que o dominava. Isabella que mesmo tendo pleno conhecimento da seriedade daquela conversa acompanhou Edward nas risadas. Por aqueles breves dois minutos de uma risada leve e divertida, ambos sentiram aquele mesmo sentimento estrangeiro que sentiram tantas vezes quando estavam juntos: companheirismo, cumplicidade. Mas da mesma maneira que o sentimento os cegou, rapidamente deixou de consumi-los.

— Obrigado por essa informação, valeu toda a frustração de uma vida. – pontuou o homem ascendo um novo cigarro.

Isabella deu de ombros.

— Com Tanya fora da jogada, Victoria eu sabia que seria mais difícil, mas aí você tomou a decisão por mim Edward. Você me colocou não mais como sua amante, mas como sua namorada? Eu cheguei a ser a sua namorada? – perguntou confusa a morena.

Edward ponderou a questão por alguns segundo.

— Acho que não. Acho que de amante você foi direto para a minha noiva.

— De qualquer maneira, agora eu estava de certa forma protegida de Victoria. E estava ganhando a sua confiança. É aqui que realmente começa o meu pedido de desculpas a você Edward. – disse com pesar a mulher, tomando em um gole só o conteúdo âmbar do copo a sua frente. – Quando você me contou todos os seus segredos, que me mostrou todos aqueles documentos eu sinceramente não pensei racionalmente. Claro, eu sabia que o que estava fazendo era uma traição gigantesca contra você, em poucos meses você seria meu marido, mas aquela sede de ser uma jornalista fodástica, que tinha como meta derrubar um dos políticos mais proeminentes da América foi mais forte. – seus olhos estavam marejados de lágrimas culposas.

"Não deveria ter feito isso, mas observei atentamente o segredo que você digitou no cofre do meu apartamento, e na primeira oportunidade que tive fiz uma cópia de todos aqueles documentos." – suspirou pesadamente. – "Mas se eu disser que mesmo possuindo aquelas cópias eu não achava que era o momento de usá-las. Acredito que se Aro soubesse o que eu tinha contra você ele teria me feito usar na hora, mas é estranho falar isso, mas se eu for bem sincera mesmo te traindo – sexualmente e..."

— Documentalmente. – completou o ruivo, visto a falta de palavras de sua esposa.

— Sim! – riu. – Documentalmente, algo dentro de mim parecia me segurando para não revelar o seu segredo. Aí casamos, tivemos Elizabeth e toda aquela saga por querer destruí-lo, expor quem realmente você era evaporou. – ela fechou seus olhos com força, tentando controlar as lágrimas que pareciam esmagar seus olhos para enfim rolarem. – Entenda, eu descobri rapidamente que ser a sua esposa era o que eu realmente queria. Lógico o benefício de ser conhecida, usar lindos vestidos, ter sempre diamantes, esmeraldas e rubis a minha disposição, ter um conforto de uma família, com um belo homem ajudou e muito na minha escolha.

"Aí então, Jake... quer dizer Jacob Black que eu havia terminado tudo um pouco antes do nosso casamento, retornou a minha vida... e..." – agora grossas lágrimas rolaram por seu rosto.

Bella, não precisa... – disse entre os dentes o homem, sabendo o que viria a seguir.

— Eu preciso te explicar Edward, o que realmente aconteceu! – exclamou uma oitava mais alto do que pretendia. O político apenas meneou a cabeça em concordância. – Jake, instruído por Aro veio com uma conversinha furada, que sei lá, naquela época estávamos meio distantes, e precisando de carinho somente aceitei o que ele estava me dando. – ela suspirou pesadamente. – Ele me enganou. Quer dizer todos me enganaram. Aro percebeu algo que eu não havia percebido ainda, e por isso articulou com Jake e James Collins um plano não apenas contra você, mas contra mim também.

— O que ele percebeu? – inquiriu o ex-senador realmente curioso.

— Que eu era fiel a você. Que eu não ia mais expor, não ia mais te derrubar como era o plano inicial. – ela encarou a larga janela da sala, vendo as árvores de balançarem contra o vento feroz e a chuva incessante. – Ele percebeu que eu estava apaixonada por você. – disse sem encarar o homem nos olhos.

"Ele afirma que não sabia que era meu pai, mas acho que só um pai para saber as emoções de um filho, sem que o filho soubesse" – refletiu com pesar. – "De qualquer maneira, ele viu que eu não te trairia simplesmente para conseguir um cargo, mas se você fizesse algo contra alguém que eu..." – deu um suspiro pesado. – "amava. Ele sabia que se eu visse, você cometer um deslize tal qual você cometeu eu não iria resistir."

Ela riu sem humor.

— Mas Aro nunca foi de apostar somente em um cavalo, ele sabia que eu poderia escrever algo contra você, mas publicar? Bem... acho que ele me conhecia bem demais, e que de cabeça fria eu nunca faria algo contra o pai da minha filha, meu marido. Por isso ele juntou-se com James. – riu seu humor. – Ele pediu para Jake instalar um programa espião no meu computador, era tão avançado que jamais desconfiei, mas estava ali e James tinha acesso a tudo!

"Aquele maldito vídeo, bem, acredito que você já saiba disso a essa altura, foi Liam Klotz que estava sendo pago por ele também, que o fez. Se te interessa após toda aquela merda Aro o matou." – deu de ombros. – "De qualquer maneira você fez o que Aro supôs, oh sim! Ele era um filho da puta, assinou o atestado de óbito do próprio filho. Pode ter sido você que puxou o gatilho daquela arma Edward, mas foi Aro que manipulou todos por trás." – explicou com pesar. As lágrimas agora rolavam por seu rosto sem qualquer empecilho, manchando seu rímel. – "Jake sempre quis um pouco de atenção, de respeito, de amor de Aro, aceitou morrer." – disse com um fio de voz.

Balançando sua cabeça para clarear seus pensamentos a mulher continuou.

— Acredito que você lembra daquela noite tão bem quanto eu. – o homem que estava perdido nas palavras da mulher, revivendo toda aquela desgraça apenas acenou em concordância. – Naquele momento eu estava me sentindo tão perdida, não sei bem... Jake estava morto. Assassinado pelas mãos do meu marido. E o homem que sempre vi como um pai, quando o homem que eu acreditava ser meu pai morreu, era de fato meu pai! Era uma confusão, uma bagunça que na minha cabeça não passava de um pesadelo, uma brincadeira de mal gosto, sei lá. – deu de ombros.

Com as mãos trêmulas Isabella buscou em sua bolsa sua cartela de cigarros, retirando um. Edward observando a vulnerabilidade da esposa estendeu o isqueiro para ascender. Por alguns minutos os cônjuges ficaram em silêncio, absorvendo o que a jornalista havia dito até aquele momento. Edward acompanhava a esposa no cigarro, e ambos entre uma tragada e outra consumiam o líquido de origem escocesa.

— Eu dirigi por horas sem rumo. – disse Isabella com a voz mais alta do que antes, depois de dez minutos de silêncio confortável. – Acabei parando em Jacksonville, precisava ouvir da minha mãe a verdade, de que era filha de Aro. Foi novamente como ouvir você Edward: incesto. Incesto. Isso era a única coisa que eu conseguia me focar, mas eu estava com raiva. De mim, de você, de Jake, Renée, Aro... de todos, eu queria acabar com a vida de todos, inclusive a minha.

"Não sei direito como sai da Flórida e fui parar em Seattle, mas lá estava eu olhando aquele clima frio, chuvoso, cinza do estado de Washington, que eu cresci e fiquei desnorteada. Eu estava tão fora do mundo, tão desconectada de tudo que sequer sabia que o vídeo do assassinato de Jacob havia sido divulgado." – riu sem humor. – "Eu estava tão mergulhada na minha própria merda, na minha própria sede de vingança, que decidi ir pra Forks, na casa de Charlie, que ainda mantenho e, divulgar todos os documentos sobre você que havia feito cópia e os escondia lá." – deu de ombros.

"Eu nunca me senti tão motivada como me senti naquelas malditas catorze horas escrevendo aquele dossiê. Conforme eu escrevia, pouco me importava que você era meu marido, que você era o pai da minha filha. Eu só queria causar a dor que você tinha me causado por assassinar Jacob." – ela riu sem humor. – "Mas a minha raiva não era contra você, nunca foi, eu agi impulsivamente, mas assim que eu terminei de escrever nada havia passado, a verdade todo ódio havia se multiplicado. E quando acordei na manhã seguinte a primeira coisa que fiz foi destruir aquele dossiê que havia escrito, mas já era tarde... James..

— Invadiu seu computador e roubou o que você tinha escrito e as cópias dos documentos. – completou. Isabella acenou em concordância.

— Quando eu descobri do vídeo dois dias depois, infelizmente de apagar o dossiê, eu sabia que deveria estar ao seu lado e parti para DC no primeiro voo, mas, James sempre foi um bastardo filho da puta e antes que eu pudesse te confortar aquele artigo veio a público. Assim que eu li, eu sabia que não era ele que tinha escrito, mas sim eu. Fiquei desesperada, porque eu sabia que você também saberia disso. Voltei para Forks destrui todos os documentos e meu computador, para em seguida implorar para que você me ouvisse.

— Mas não adiantou, o estrago já tinha sido feito e nunca ouvi você, pelo menos até hoje. – completou Edward. – Curiosidade como você ficou sabendo de todos esses detalhes do plano de Aro? – questionou curioso.

— Sua mãe me procurou para que eu a ajudasse destruir Aro. O plano era uma merda, arriscado como o inferno, mas eu precisava conquistar a sua confiança, e principalmente eu precisava me vingar de Aro por toda a manipulação que ele fez em toda a minha vida. Assassinar Jake, meu pai, Charlie, tudo era muito imperdoável. – suspirou. – Quando conquistei a sua confiança ele acabou confessando tudo isso, quase pus tudo a perder, mas me segurei... você com certeza sabe o resto.

— Sim... preso e assassinado no presídio. – interveio. Isabella sorriu torto, servindo a si mesmo de uma dose de uísque e tomando a bebida em um gole só.

— Eu sei que sou culpada Edward. Deus sabe como eu sei. Mas tudo o que eu venho fazendo nos últimos seis anos foi tentando reparar o estrago que causei. – Ser Senadora? Nunca foi minha ambição. Seu pai me convenceu que era uma boa forma de trazer o sobrenome Cullen as boas na política e sedimentar o caminho para o seu retorno.

— Eu sei disso Isabella. Minha atitude no começo da nossa conversa foi um mecanismo de defesa. – ponderou retirando um cigarro de seu maço e o tragando. – Mas o cargo no Senado não foi a sua única forma de arrependimento, não é mesmo senhorita Lillian Johnson?

Isabella que estava bebendo um gole da sua bebida se engasgou com as palavras do marido.

— Co-como vo-você sa-sa-be? – gaguejou.

Edward sorriu torto.

— Carlisle. Ele descobriu. Afinal não é qualquer jornalista que sai falando bem de um homem que foi banido da política por ser... hum... assassino? – divertiu-se. Isabella rolou os olhos.

— Então você sabe qual é o segundo motivo dessa minha visita? – perguntou a morena, levando-se de seu lugar no sofá e caminhando sensualmente até a poltrona onde o marido estava.

Edward encarou os belos olhos castanhos de Isabella. Eles estavam quentes, cheios de segundas intenções. Instantaneamente o político sentiu seu membro endurecer pelo olhar luxuriante e sexy de sua bela esposa. Ele ampliou seu sorriso torto.

— Sim. – disse com simplicidade.

— Então?

O homem de cabelos acobreados encarou com seus belos olhos esmeraldinos o rosto em formato de coração emoldurados por seus longos cabelos castanhos de Isabella. Quando sentiu o desejo de tomá-la aguçar sua boca, o homem desviou seu olhar para a ampla janela, a escuridão tomava o local, lançando um breve olhar ao relógio de caixilho viu que passava das oito da noite. Em um ímpeto se levantou de seu lugar, praticamente colando seu corpo ao de sua esposa.

Uma respiração assobiou pelos dentes de Isabella com a surpresa. Seu coração martelava com a antecipação a resposta de Edward.

— Vamos jantar, e depois continuamos essa conversa. – disse com sua voz profunda e sem emoção.

— Edward! – exclamou Isabella em frustração.

O político encarou a mulher, porém antes de dizer qualquer coisa afastou-se dela, antes que seus instintos decidissem por ele. Quando estava na soleira da porta, virou e enfim buscou o olhar da senadora.

— Você vai me dar o que quero? – pediu com firmeza, porém o seu pedido não tinha nada haver com o desejo sexual que parecia fluir entre os dois

Isabella sabia qual era a intenção por trás daquela pergunta: a presidência. Retribuindo o olhar com a mesma intensidade e sem titubear a morena respondeu, de uma maneira que podia valer para qualquer pergunta que ele houvesse feito. Assim como uma voz clara e límpida, sem entonação ela disse:

Sim.

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Notas finais
N/A: oooxxiiii... que capítulo difícil de escrever! Deus! Não ia nem dês-ia. Isso que tinha uma parte dele escrito (vulgo prólogo). Mas aí está: a cena que todo mundo esperou por... SENHOR... SETE ANOS! Espero sinceramente que tenha valido a pena a espera. Sei que são páginas e mais páginas de diálogo, mas eu tinha que colocar as palavras na boca dos dois para dar veracidade ao que queria. Tudo bem, confesso que acho que escrevi o prólogo no final de 2010, exatamente em novembro, então.. puta que pariu eu sou uma filha da puta ingrata... quase uma década! Óbvio que a ideia que eu tinha lá, quando escrevi a interação dos dois mudou um cadinho, mas muito da essência daquele começo hostil tá aqui, as palavras rudes dele, a sinceridade dela. Acho que é a primeira conversa real dos dois sem máscaras, despindo-se da faceta que venderam para os outros. Vocês veem isso também? Enfim... os próximos capítulos serão... acho que diferentes do meu plano original, mas não sei... sou inconstante... hahaha De qualquer forma, felizmente ou não, estou chegando ao fim disso daqui. Foi turbulento, mas acredito que consegui o que eu queria. Mais dois capítulos e enfim o status: COMPLETE vai aparecer para essa estória. I CAN'T BELIEVE! Dito isso, quero agradecer mais uma vez e repetidamente a vocês pelo carinho, pela paciência e pela devoção – porque essa espera é quase uma devoção, a isso aqui e a mim. Vocês são maravilhosos, sempre apoiando, sendo comentando, sempre mandando o amor... sim... as reviews de vocês me faz ficar com um sorriso idiota na cara todas as vezes. Pareço uma imbecil, nem minha mãe, nem meu namorado entendem o que eu tanto digito no meu iPad ou porque sorrio tanto... então saibam: é por causa de vocês! (Esse é nosso segredinho) =p Obrigada gente e... agora falta só 2! Beijos, Carol. . REVIEWS? MEREÇO?