Conexão Seattle
8 Uma festa, muitos acontecimentos.
Notas iniciais
PS: CENAS DE BEIJOS ESTÃO PRESENTES NESSE CAPITULO. CASO NÃO CURTA, PULE PARA A PRÓXIMA PARTE QUE ESTA BEM ESPAÇADA. :)
A noite estava estrelada e fresca. Não havia uma única nuvem no céu. Havia um barulho vindo de dentro do Ridgeway. Alguns alunos aguardavam na garagem por amigos a fim de entrarem juntos, mas a maioria já sem encontrava no salão.
Decorado em tom azul, vermelho e branco, uma alusão a bandeira nacional, o salão era uma explosão de adolescentes falando ao mesmo tempo e de garotas exibindo seus vestidos de baile escolhidos a dedo.
A festa começou com uma musica eletrônica baixa, e aos poucos os estudantes foram chegando. Havia um clima de despedida, mas também de recomeço. Afinal, estavam indo para o ultimo ano letivo, depois disso, viria um adeus definitivo para a escola a menos que se estivesse pensando em repetir o ano.
Freddie conversava com os amigos e constantemente esticava o pescoço apreensivo, na esperança de ver Missy surgir declarando ter desistido do plano ridículo. Mas estava sumida. Ela, Jeremy e Wendy. Carly estava mais animada que qualquer um, mesmo tendo perdido a chance de abrir a festa cantando para Sam, não se importou. Surpreendentemente, estava torcendo para que ela fizesse uma boa apresentação. Ou pela aposta, ou pela colega, mas estava.
Quando o salão se apinhou de alunos, alguns pais mais presentes (excessivamente presentes), e professores, o diretor iniciou o discurso de abertura. Meia hora de uma falação sobre aprendizado, futuro, patriotismo e outras coisas para as quais todos estavam pouco se lixando naquele momento.
Então ele passou o microfone para uma garota loira que surgiu radiante de trás do palco. Shelby puxou um grito e logo foi seguida pelo restante do salão. De fato, Sam estava extremamente linda. Os cabelos soltos, e um belíssimo vestido roxo combinando com os sapatos.
–Ela esta bonita. –Disse Carly.
–Sou mais você. –Respondeu Gibby galantemente.
Carly sorriu e esperou Freddie concordar. Mas ele permaneceu calado olhando para a menina no palco. Provavelmente nem sequer ouvira o breve diálogo.
Sam deu boa noitea todos ao microfone e em seguida iniciou outro discurso que foi obrigada a falar. Entretanto, o seu discurso ela recheara de piadas e distorções das palavras de presidentes famosos. Quando o diretor a ameaçou silenciosamente com o olhar ela prosseguiu e finalizou corretamente. Mas já havia arrancado tantos risos da turma que tentar tira-la dali seria vaia na certa.
Cantou uma musica de sua própria banda, que obteve aprovação geral. Um rock que pra se ter uma breve ideia,tinha a sonoridade semelhante a Smells Like Teen Spirite do Nirvana. A letra consistia em uma garota cansada da pressão que lhe era imposta pela família e que fugia com um motoqueiro.
No que deveria ser a última música, pôs os colegas para dançar ao som de uma musica do Paramore, That’s what you get. Já havia se apresentado em outras festas da escola antes, sua voz perfeita e sua habilidade vocal já era famosa no Ridgeway. Assim como também era famosos o sorriso perverso que ela deu após terminar de cantar a segunda música.
–Gente. –Ela pedia a atenção dos colegas. — HEI! Gostaria de dizer a vocês que pra encerrar a minha apresentação, eu proponho um dueto. Com o nosso colega, Freddie Benson!
Gritos e aplausos. Todos se voltaram para o garoto moreno no meio do salão.
O garoto gelou. Não cantava nem no chuveiro, imagine num palco. Relutou como pode, mas a plateia praticamente o empurrou para o palco.
–Sam, que diabos ta pretendendo? –Sussurrou ao chegar ao palco.
–A sua amiguinha ruiva ali atrás, perto dos disjuntores achou mesmo que eu não veria ela ali?-Sam tinha um sorriso sinistro nos lábios. — Avisa a ela que eu faço isso desde os dois anos de idade e conectei os instrumentos aos geradores, não a rede geral. Ela vai passar a noite tentando me sabotar. E não vai conseguir.
Freddie a olhou pasmo. Como ela poderia saber? Provavelmente um dos coleguinhas marginais avistara a ruiva.
–Acha que são os primeiros a tentar me sabotar? Você não pode competir com a Microsoft vendendo Word pirata numa banca de camelô.
–Como é? –Perguntou atormentado.
–Não pode tentar pegar a mamãe numa piada que ela mesma inventou. Eu achei que você entenderia uma linguagem nerd. Mas vamos cantar.
–Sam, para com...
–É isso ai gente. –Ela agora falava ao microfone. –O Freddie vai cantar pra gente!
Atônito, Freddie olhava da garota para a multidão. Ninguém viria em seu socorro? Não.Quem é que ajuda nessas horas?
–Sam, cala boca! –Disse tomando-lhe o microfone e falando para todos.
–Boa ideia, Freddie –Disse após recuperar o microfone.vamos cantar Shut up!
A plateia soltou um grito que sobrepunha-se aos apelos de Freddie. O garoto olhou pra Carly e Gibby aflitos no meio do publico e decidiu que não ficaria por baixo mais uma vez. No canto, Jonah parecia que iria ter uma sincope de tanto rir, pra não falar do riso discreto de Brad. Griffin estava serio e era chacoalhado por Shelby que se engasgava com os risos.
Iria acabar com a festinha deles.
A música começou. Sam entregou outro microfone a Freddie, certa de que havia conseguido sabotar mais uma vez a noite do pobre garoto e os seus amigos. Depois desse mico, iriam todos pra casa.
–Não vai sair correndo? –Perguntou Sam sem usar o microfone.
O garoto ergueu a sobrancelha desafiante e pegou o microfone determinado. Que espécie de ser humano norte americano não sabe cantar Shut up? Percebeu que Griffin já se encontrava pronto pra quando ele saísse correndo, tomar seu posto.
Quando se deu conta Sam já cantava na outra extremidade do palco animando a turma. Como iria cantar como ela? Afinada, desinibida e talentosa. Talvez não como ela, mas iria dar seu jeito.
Sam tinha uma voz perfeita, não ficava devendo nada a Fergie. Fora o gingado, que embora discreto revelava uma dançarina muito boa. O coro de fundo prosseguia com aquele Shut Just shut up shut up infernal, e finalmente chegou a hora. Freddie ergueu o microfone determinado e cantou os versos. Estava extremamente nervoso, mas a vontade de apagar o sorriso daqueles idiotas foi maior.
A loira chegou a parar de dançar pasma, mas logo se recompôs. O garoto mandava bem como se fosse um rapper do Brooklin. Ainda arriscava uns passos. O pior é que a musica era altamente interativa. Sam entrou no jogo e os dois levaram o “duelo” até o fim. Constrangedor foi eufemismo para o momento em que tinham que cantar juntos:
I Love you,
I Love you too.
Estavam cada um numa ponta do palco, cantando e dançando suas respectivas partes. A certa altura da musica, não podiam negar que estavam se divertindo. Sam ria dos passos de Freddie que já tinha se deixado levar. A principio a garota tinha um riso cerrado, congelado, depois de sincero divertimento. Se balançava graciosamente no ritmo da musica enquanto ele soltava as rimas com gosto. É curioso ver alguém descobrir que gosta de fazer uma coisa que nunca se permitiu antes.
Carly gritava que nem louca, pulava e aplaudia. Gibby se afastou certo de que mais um tempo ali ficaria surdo. Missy voltava derrotada e não acreditava no que via. Mais pasma do que ela só os amigos de Sam. Shelby ria, dançando, mas os garotos não gostavam nem um pouco. Brad já tinha se retirado, recusara-se a ver aquilo até o fim. Coitado, perdeu a melhor parte. Jonah estava decepcionado, queria ver Freddie sair correndo, chorando e Griffin estava certo de que ele é quem deveria estar la.
Há uma parte da musica que estavam cantando,em que é simulada uma “DR”. Foi uma cena no mínimo inusitada. Freddie se dirigiu ao cento do palco e Sam foi ao seu encontro. As expressões em seus rosto eram a mistura de um casal brigando com dois adolescentes se divertindo da ultima maneira que esperavam.
Os gritos foram ensurdecedores. Quando acabou de cantar a última estrofe da “DR” Sam simulou o que seria um soco no rosto de Freddie. Encenação ou não, no momento, foi impossível saber se ele se desviou, ou se ela não tinha intenção de acertar.
Ao fim da musica, os aplausos foram geral. Freddie estava extasiado. Sam extremamente surpresa. Duplamente surpresa. Por Freddie e por ela mesmo não ter ficado aborrecida com o fracasso de seus planos. Dera tudo errado. Mas havia sido muito divertido.
Sairam do palco e deixaram a festa por conta do Dj.
Freddie agradeceu e saiu do palco sorrindo como um louco. Sentia-se uma estrela, e a sensação era boa.
Quando desceu ao encontro de Carly, deu um abraço na amiga e perguntou ainda eufórico:
–Você viu? Eu arrasei! Nem acredito, não sei como fiz isso!
–Eu vi, foi perfeito! –A amiga tinha um sorriso tão largo quanto o dele.
–E ainda calou a boca da Sam e dos amiguinhos dela que estavam aqui torcendo pra você pagar um mico. –Completou Gibby.
–E eu não vi?
–Freddie você ficou louco? –Perguntou Missy indignada. –Eu me matando pra acabar esse circo e você vira o palhaço da Samantha?
–Sei o que estava fazendo. –Disse dando o assunto por encerrado. –E olha acara dela. Eu ganhei dessa vez. E não precisei me rebaixar ao nível dela como você.
–Pois quer saber, você cantou muito mal, estava ridículo, e ela vive de cara fechada, não pense que você fez grande coisa!
–Missy, larga essa tromba. Vamos dançar.
Ele puxou a ruiva pela mão e a levou para a pista. Nada estragaria seu humor hoje. O fato é que só havia uma pessoa que conseguia tirar Freddie do serio em qualquer circunstancia.
–Hei, viram a Wendy? –Perguntou Jeremy saindo atordoado do meio da multidão. –Fui pegar um ponche pra ela, mas ela sumiu.
Ambos disseram que não com a cabeça e foram dançar. Jeremy procurou por mais um tempo, até ela ligar dizendo que se sentiu mal e foi pra casa. Pouco depois, ele também se foi.
–Satisfeita, Sam? –Perguntava Brad do outro lado do salão. -Agora que aquele asno vai ficar se sentindo mesmo.
–Ta, então diz ai, vocês esperavam por isso?
–Não. –Foi um uníssono.
–Então não me recriminem.
–Deixa de exagero, foi divertido. –Disse Shelby. –Podemos até chamar ele pra banda.
Ela e Jonah caíram na gargalhada. Sam segurou o riso, e foi com Shelby pra pista dançar. E assim permaneceu por quase uma hora, até sentir necessidade de ar fresco.
Sam saiu do salão, foi até o jardim e sentou no banco sozinha. Pouco depois já estava deitada preguiçosamente. Não estava nem ai pro fato de que ia se amarrotar. Ouviu passos na grama e se sentou. Um garoto sentou ao seu lado com ar de deboche.
–Parece que a festa não esta saindo bem como você esperava.
–Veio caçoar de mim? -Perguntou ocultando um riso.
–Sim. E sabe o que é melhor? Que agora você não pode mais me bater.
–Não, mas posso invadir sua casa com uma granada...
–Hei!
–Ta bem. Sem ameaças.
–Olha só, falando em invasão. –Freddie assumiu um ar tímido. –Eu queria me desculpar por ter entrado no quarto naquele dia com você se trocando. Não foi intencional.
Sam achava ridículo o excesso de educação e boas maneiras de Freddie. Mas naquele momento aquilo lhe pareceu fofo. Outros garotos, não se desculpariam, ainda espalhariam pra todo mundo e passariam o resto da vida fazendo piadinhas sobre isso.
–Tudo bem eu devia ter fechado a porta, pra te poupar do susto.
–Me poupar? –Ele riu sarcástico.
–Qual a graça? –Ela o fuzilou com o olhar.
–Nada.
–Fala agora, qual a graça?
–Nada, sua louca. –Ele levantou apressadamente. –Vou voltar pra festa.
–Não antes de me dizer qual a graça. –Ela levantou e o fez sentar novamente empurrando-o pelos ombros e acabou caindo em seu colo. Tentou levantar rapidamente, mas foi segurada pela cintura.
–Não acredito que seja tão ingênua assim. –Disse prendendo-a nos braços.
O cheiro dela invadia suas narinas, a atração era mais forte do que o ódio por ela ter tentado fazer com que ele passasse por um grande vexame. O perfume era suave e fraco, não doce e enjoativo como os importados que Carly usava. Parecia jasmim, e se misturava ao cheiro natural de sua pele.
Sam tentou seguir sua mente, que lhe ordenava que se levantasse dali imediatamente e o socasse o mais forte possível. Mas aqueles olhos castanhos mirando seus lábios levaram-na a se recordar do beijo mais doce e incrível de sua vida. Incapaz de resistir, encarou os lábios de Freddie e se aproximou. Ele não fez nada para impedir. A culpa lhe invadia, sentia ódio de sua fraqueza, mas a única atitude que conseguiu tomar foi por as mãos em torno de seu rosto e se aproximar.
Ficaram com os rostos a centímetros de distancia por alguns segundos, sentindo as respirações um do outro. Freddie encostou os lábios de leve no rosto dela, próximo a boca. Fechou os olhos, aproveitando o contato com aquela pele macia, e sentiu a garota mover a cabeça encaixando a boca dela a sua.
Era um clima que oscilava entre o tenso e o romântico. Ambos esperavam que o outro repelisse a ação, já que se auto consideravam incapazes. Sam esperava o garoto sair mais uma vez em busca de detergente. Freddie esperava que ela levantasse e o sopapeasse até a morte.
Freddie abriu os lábios lentamente, Sam levou as mãos até sua nuca acariciando seus cabelos de leve. Sentiu uma das mãos do garoto irem de sua cintura para sua coxa no mesmo instante em que invadiu sua boca com a língua. Um toque carinhoso e sem maldade. Se deixou levar ao sentir a língua quente dele começando a dança com a sua.
A brisa da noite fazia os cabelos de Sam roçarem no rosto de Freddie lhe dando leve arrepios. O toque carinhoso que ela dava na nuca já havia passado para algo mais provocante. Ela arranhava sua nuca de leve, intensificando os arrepios. Aprofundavam o beijo cada vez mais, as mãos de Freddie subiam e desciam da cintura para coxa, a outra a prendia com força contra o seu corpo. Ela estava sentada de lado e ele começava a desejar que ela virasse, e ela certamente o faria se tivesse mais tempo.
A falta de ar os fez separarem os rostos, ofegantes. Recuperaram-se em silencio e assim que tomaram fôlego, Sam avançou novamente. Se ela demorasse um pouco mais, ele mesmo tomaria a iniciativa. Novamente começaram um embate frenético de línguas. Freddie desceu os beijos até o pescoço da loira, mordendo e chupando enquanto ela arranhava sua nuca e mordia o lóbulo da sua orelha.
Era loucura de mais pra uma noite só. Quando encostaram os lábios de novo, ouviram palmas fortes e compassadas.
Levantaram-se imediatamente, assustados e olharam para trás.
Missy se aproximou sorrindo e disse olhando para Sam.
–Parabéns, Freddie, você ganhou. Disse que daria uns amassos nessa ai, e conseguiu. Tudo bem, você ganhou a aposta.
Sam olhou atônita para Freddie que pareceu tão atônito quanto ela.
–Vem, vamos voltar pra festa. –Continuou a ruiva. –Não se preocupa, Sam, isso fica entre nós.
Freddie não soube o que fazer. Mas Sam era sua inimiga, não podia desmentir a amiga e ficar do seu lado. O erro foi dele ao se deixar levar pelo beijo, agora era tarde. Seguiu Missy e deixou Sam sozinha. Esta, sentiu que não podia esperar outra coisa. Os observou se afastar, a ruiva ria, mas ele permanecia calado. Uma piada. Tudo havia sido uma grande piada.
Não podia bater neles, quanto mais gente soubesse, pior. Estava completamente derrotada. O pior é que sentia mais tristeza que ódio. Isso a matava por dentro. Estava decepcionada, se deixara iludir. Acreditar que Freddie ficaria ao seu lado foi burrice. Mas pensando bem, foi melhor as coisas terem acabado assim, agora tudo voltaria ao normal. Principalmente pelo fato de que não deixaria aquilo barato.
Sentada na garagem, sentiu uma teimosa lágrima rolar pelo seu rosto. Não tinha mias cara de voltar para a festa. Nem vontade. A única saída aberta era pela garagem, onde algumas pessoas passavam já indo para suas casas.
–Oi. –Disse um garoto de pé.
–Oi, Griffin. Realmente ta difícil conseguir ficar sozinha hoje.
–Sam, sei que não devo me meter na sua vida, mas tenho te observado ultimamente. –Ele sentou no chão ao seu lado. -E anda esquisita depois que começou a trabalhar com a Carly.
–A Carly não tem nada ver com isso. Difícil é conviver com os amigos malas dela.
–Eu sei disso.
Ela o olhou desconfiada. Ele parecia um levemente alcolizado.
–Sam, caso nunca tenha se perguntado, existe um motivo pra eu ter me afastado da Carly mesmo gostando dela. Aquela gente não presta. Os pais deles se conhecem a muito tempo, são unha e carne. Forçam o relacionamento entre seus filhos. Mas a amizade entre eles não é verdadeira. Você esta num ninho de cobras.
–O que quer dizer?
–Cuidado pra não se machucar. Pode parecer divertido brincar com eles, mas a corja de hipócrita dos pais deles estão de olho em você. São preconceituosos. Eles não gostam de você, quanto menos você se envolver, melhor.
– Você fala como se eles fossem monstros...
–Sei de umas coisas sobre eles... Quer ouvir?
–Por que não? –Respondeu dando de ombros.
O garoto pareceu procurar as palavras e iniciou.
–É complicado. Mas vou começar pelo coronel Shay. O pai da Carly ganhou muito prestigio e dinheiro por que comandou a operação que prendeu o Ronald, mas o irmão do pai do Freddie, Arthur Benson, o culpa até hoje por ter deixado o atirador fugir. Mas o fato é que assim que o Benson pai morreu, ele passou para o controle das lojas do Benson onde ele era mero sócio.
–Mas o Freddie ainda é sócio, não é?
–Mas não é mais o majoritário. Depois que a Play&bach faliu, o Arthur passou a ser o majoritário. Outra coisa que você não sabe sobre aqueles imbecis, a mãe do Gibby teve um caso com um morador do subúrbio, e o pai se separou dela. Semanas depois esse tal amante apareceu morto.
Sam arregalou os olhos.
–Você acha que...
–Não sei, Sam ele andava envolvido com umas gangs, devendo dinheiro e tal, mas foi muita coincidência. E por fim, os pais da Wendy e do Jeremy, por serem sócios obrigam os filhos a namorarem. Se o Jeremy tivesse ideia de como aquela garota enfeita a cabeça dele...
Sam estava atônita. Ainda assim o olhou corajosamente e perguntou:
–Por que anda com a gente, Griffin? Sei que existe um motivo mais forte, sempre soube e quero saber.
–Como eu disse, essa gente é podre e quero distancia. O Brad é um bom rapaz, mas leva fama de criminoso por que o pai é quem é. Mas eu já tive a oportunidade de andar la e ca e perceber quem são os bons. A Missy é falsa, já alertei a Carly, quis ficar comigo quando eu namorava com a amiga dela!
–Serio?
–A Wendy soube e não disse nada a Carly, disse que não era problema dela, e que já achava que era hora da Carly saber como é perder em alguma coisa. Duas cobras invejosas. Ai a Missy percebeu o interesse do Freddie pela Carly e criou uma certa obsessão por ele. E ele, eu não sei. O Freddie é muito misterioso, mas sei que não é boa coisa. Daquele meio só não tenho nada a dizer do Gibby e da Carly. Pra mim são vitimas. O Jeremy é outro alienado que só faz o que a sonsa da namorada quer.
–Por que acha que o Freddie não é boa coisa?
–Não sei. Não quer me responder você mesma?
Sam ruborizou-se. Teria ele visto alguma coisa?
–Não, como vou saber? Mas ainda assim, acho que o pior nessa história é você. Que desistiu da Carly por causa de terceiros. Ela não merecia.
–Pedi pra ela se afastar.
–Você deveria ter ficado ao lado dela, até mesmo pra protegê-la. Mas não vou te julgar. Sinceramente, isso tudo me deixou com muita dor de cabeça.
–Eu vou voltar pra festa, você vem comigo? –Disse encerrando assunto. Sabia que ela tinha entendido bem.
–Não, vou pra casa. Dormir.
–Você é quem sabe. Se cuida ta? Disse tudo isso pra você ter noção de que essa gente é capaz de tudo pra manter afastadas as pessoas que possam interferir nos seus interesses.
–Obrigada, eu vou ficar bem.
Sam se afastou com todas as informações fervilhando em sua cabeça. Aparentemente Griffin desconfiava de seu breve e findado rolo com Freddie. E temia que ela se machucasse mais do que ele se envolvendo com aquela gente, já que era suburbana.
Bom amigo.
Saiu da garagem e pegou o primeiro taxi que passou. Mas aquilo não ficaria barato. Vingança pra ela não era um prato que se comia frio. Assim que saia do forno abocanhava. E Freddie não perdia por esperar. Ele e a corja de amiguinho sem noção.
E o fez.
Gibby dançava com Carly na pista, e num canto dois amigos discutiam assim que tiveram a oportunidade de conversarem á sós:
–Você não tinha o direito, Missy amanhã mesmo vai desmentir tudo. Eu nunca faria isso com alguém, devia ter te deixado la com cara de tacho.
–Ah, agora ainda se coloca contra mim, que sou sua amiga por causa dela? Você esta sofrendo de amnésia, Freddie? Isso é pouco por tudo que ela já fez, devia me agradecer, eu te salvei!
–Me salvou?
–Com certeza ela tava de armação pro seu lado, se eu demorasse um pouquinho mais, com certeza ia aparecer os amigos dela como da outra vez, rindo de você, gravando tudo!
Freddie se calou. Seu primeiro beijo fora uma catástrofe. Durante o intervalo, a garota o cercara com um bando de amigos desordeiros e o beijara na frente de todo mundo depois de dizer aos gritos que ele nunca tinha beijado ninguém. E pra piorar, ele retribuira. Chegou a achar que vira uma expressão confusa em seus olhos quando ela o largou, mas logo ela voltou a rir dizendo que tinha praticado um ato de caridade histórica.
Ela não estava de armação aquela noite, e mesmo que tivesse, Freddie não se sentia bem em usar dos mesmos joguinhos baixos que ela. Pediria desculpas, e desmentiria.
–Não importa, amanhã, vou pedir a Carly pra ligar pra ela e pediremos desculpas.
–Ai ela vai achar que você esta disposto a ter um romance com ela.
Bingo! Freddie abriu e fechou a boca varias vezes, sem encontrar uma resposta. Não queria que Sam pensasse isso, ainda a odiava muito.
–Alias, Freddie, por que a beijou? –Perguntou a garota.
–Ela me beijou. –Mentiu. -Apenas retribui, impulso, ora.
–Ela deve beijar vários por noite, não sabe que tipo de doença essa gente tem. Eu tenho anti séptico no meu armário, vou buscar.
Assim que Missy se afastou, Freddie saiu dali a procura de Sam. Se sentia mal pelo que tinha feito. Esbarrou em alguém que lhe olhava com ar de poucos amigos.
–Griffin, da licença, eu quero passar.
O garoto o encarou por alguns segundo e abriu passagem. A vontade era de lhe socar violentamente, mas conteve-se.
Freddie passou meia hora procurando, chegou a ir à sala abandonada, até se perguntar que diabos estava fazendo. Se preocupar com Sam Puckett? Voltou pra festa e permaneceu ao lado de Carly. Missy jogava charme desesperadamente, mas sua mente estava longe. Nem ouvia o que lhe diziam, se perguntava por que estava se sentindo tão mal. Não podia ser, não podia estar gostando de alguém tão desprezível.
Em vez de ir pra casa, Sam foi até o apartamento de Carly. Era a melhor hora, já que a morena estava longe. Por sorte, Spencer estava em casa e ela disse que esquecera algo no estúdio. Spencer gostava muito dela, a deixou subir sem maiores perguntas.
No estúdio, ela vasculhou. Até que achou um porta Cds com o nome de Freddie bordado. Abriu e colocou os DVDs um pó um. Até que achou. O vídeo de casamento dos pais de Freddie.
–Vamos ver se é bom expor as pessoas ao ridículo, Freddie. –Disse triunfante.
Desceu e mostrou a Spencer o Cd esquecido. O rapaz nem desconfiou de nada. Como Sam não usava bolsa, Spencer ainda lhe arrumou gentilmente um saco de papel. Não estava nem ai pro fato de que quando soubesse Carly desconfiaria, já seria tarde.
Em casa, tomou banho e pegou o notebook.
Spike soltou um latido apreensivo como se pressentisse que sua “mãe” iria aprontar com seu “pai”. Sam o acariciou e sussurrou:
–Com certeza ele vai ficar bravo.
Ao fim da festa, Carly era a única que anda tinha pique pra tagarelar. Missy estava aborrecida, Gibby decepcionado por não ter conseguido ficar com Carly e Wendy e Jeremy sumiram. Freddie observava os amigos de Sam com expressão tensa, provavelmente em função de seu sumiço. Quando passou por eles na garagem, Jonah, pois o pé e Freddie tropeçou. Continuou andando sem dar atenção.
–Seus dias estão contados, esquisitão!
Estava acostumado com as ameaças de Jonah, mas desta vez se perguntava se tinha algo a ver com Sam.
–Do que esta falando? =Disse voltando-se.
Todos presentes estarreceram. Até alguns casais que se beijavam pelos cantos voltaram suas atenções para os dois. Freddie estava enfrentando Jonah?
–Freddie, vamos embora. –Chamou Gibby.
–Colocando as manguinhas de fora? –Perguntou Jonah.- Cai pra dentro, nerd. –Provocou o outro.
–Apenas te perguntei a que se deve a ameaça.
–Ta desconfiado, Freddie? –Perguntou Brad com desdém .
–Vamos embora, Freddie. –Pediu Carly já aflita.
–Responde, Jonah.
O garoto avançou, mas Griffin o deteve.
–Me solta, cara, olha como esse filhote de cruz credo ta falando comigo!
–Vai embora, Freddie! –Disse Griffin.
–Não, primeiro ele tem que me responder.
O ar de Carly passou de aflito a desesperado. Freddie estava disposto a acabar com qualquer mal entendido, mas pra sua sorte,ou azar, nenhum dos amigos de Sam tinha conhecimento sobre o ocorrido. Acharam que Freddie estava de provocação.
–Freddie, eu vou largar ele. –Ameaçou Griffin.
–Olha, não tenho culpa que esse Neandertal usa os punhos quando basta simplesmente usar as palavras e responder uma pergunta que lhe é feita. Reponde logo, seu imbecil, a que se deve a ameaça?
Griffin soltou os braços de Jonah com um sorriso de “eu avisei” e o menino avançou. Jonah tentou acertar um soco nacara de Freddie. Mas Freddie reconheceu o golpe que era o mesmo que Sam aplicara horas atrás no palco. Desviou uma vez, desviou duas. Agarrou o braço de Jonah e o virou lhe dando um chute arremessando-o longe.
Respirações presas.
Jonah se voltou irado e deu uma rasteira em Freddie que caiu ruidosamente no chão. Jonah subiu em cima dele e lhe deu um soco no rosto. Freddie libertou um dos braços rapidamente e socou violentamente o rosto do oponente.
Gibby entrou no meio e conseguiu separa-los.
–Freddie, o que deu em você? –Gritou Gibby.
–Jonah responde agora por que me ameaçou se não juro que vou amassar sua cara!
O próprio Jonah se perguntava a que se devia o surto de Freddie. Concluira que o ponche que ele bebera devia conter altas doses de álcool.
–Pelo mesmo motivo que te ameaço cada vez que olho pra sua cara nojenta! –Gritou livrando-se de Gibby e avançando novamente.
Griffin o segurou novamente e encarou Freddie.
–Sai daqui agora, Freddie.
–E se eu não quiser? –Freddie já estava irado o suficiente pra enfrentar um leão.
Griffin tentou conter a expressão de surpresa para não se mostrar intimidado, olhou pros amigos em busca de apoio para controlar Jonah e Brad que assistia espantado veio em seu socorro.
Shelby filmava tudo com um celular. O fato de a amiga ter perdido aquele espetáculo, não significava que ela não podia ver.
A própria Carly, possessa com a atitude de Freddie, sempre calmo equilibrado, o agarrou pela gola da camisa e o arrastou para fora da garagem com a ajuda de Gibby. Missy, pasma seguiu os demais.
–Que estava pensando, Freddie? –Perguntou Carly no taxi.
Ele não respondeu. Nem ele sabia. Só sabia que queria esclarecer logo tudo de uma vez. A culpa não foi de Missy, mas sua por não ter tomado as rédeas da situação no momento em que ela inventou a história. Só então se deu conta de que Sam não deixaria isso barato. Começou e temer por sua integridade.
Quando chegou em casa, não sabia se ligava pra Sam, não sabia se deixava as coisas como estavam. Ela se vingava de uma vez, e depois tudo voltava ao normal. O problema maior estava longe de ser isso. Em meio a briga, a invenção de Missy, a possibilidade de sofrer represálias, o que mais lhe afligia era outra coisa. Queria mais do beijo que provara aquela noite. Por mais que tentasse negar, queria e muito. E nunca mais teria. Aquilo foi algo errado e proibido, que ele não faria mais.
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